quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

DEVERIAM OS ADVENTISTAS DEPENDER DE ELLEN G. WHITE?

Fonte - http://questaodeconfianca.blogspot.com.br

Antigamente, os evangélicos nos acusavam de tornar a escritora E. G. White uma espécie de papisa do movimento. Seus escritos eram denunciados pelos demais cristãos como substitutos da Bíblia. De fato,desenvolvendo-se o movimento adventista  em contexto de fortes polêmicas, tornava-se mais natural evidenciar o que era o seu aspecto distintivo. Temas como a guarda do sábado, aniquilacionismo (imortalidade condicional da alma), doutrina do santuário e o dom de profecia nos últimos dias perfaziam a pauta dos adventistas de então.
Nas acirradas disputas travados no período, os pioneiros argumentavam sobre as bases bíblicas para a permanência no dom de profecia. Demonstravam sua utilidade e exemplificavam como as exigências fenomenológicas (se as pudermos chamar assim) se cumpriam plenamente em Ellen G. White. Assim, sua crença na Bíblia os levava a confiar na direção divina por meio de sua contemporânea.
Depender da pessoa de  Ellen G. White é essencialmente diferente de confiar em seus escritos. Sendo o modus operandi da Inspiração o mesmo, seria ilógico acusar qualquer cristão de depender de Mateus, Marcos, Lucas, Pedro, João ou Paulo, apenas porque reconhecem como inspirados os escritos desses autores bíblicos. Não que eles como pessoas fossem infalíveis. Nem seus escritos, nem o de seus pares (como o livro de Atos) escondem os erros dos apóstolos. O fato de eles serem humanos e meros pecadores escreveram livros canônicos não depõem contra o que escreveram. Deus falou por meio deles (Hb 1:1).
O mesmo no que diz respeito aos testemunhos de Ellen G. White: ao reconhecer sua inspiração, não sancionamos todo comportamento da pessoa de sua autora, como se ela fosse perfeita - coisa que jamais pretendeu ser. Se Deus falou por intermédio dela, como fez com Isaías, Elias, João Batista, as filhas de Felipe ou Tiago, temos de estudar Sua mensagem e aplicá-la em nossa vida. Trata-se de questão de obediência a Deus, autor da Revelação.
Obviamente, separamos a vida do profeta e de sua mensagem por questões didáticas. É verdade que Deus pode usar até pessoas que não completamente fiéis para transmitir algo específico (Nm 21-24). Entrementes, ele procura pessoas que tenham um relacionamento com Ele. Assim, os profetas do passado foram reconhecidos como homens santos, servos de Deus. Não eram perfeitos, mas íntegros em sua devoção e serviço.
Com o singrar dos anos, os próprios adventistas absorvem muitas das críticas a eles dirigidas. Se vivemos em período de cegueira histórica no ocidente, de forma específica, não fugimos à regra. Em parte, o questionamento sobre a relação de Ellen G. White com a doutrina da igreja ou mesmo com a Bíblia em geral esbarra na resistência de muitos adventistas contemporâneos. A razão? Eles pensam mais como evangélicos, do que como os pioneiros. 
É bem verdade que existe outro extremo, ou qual se vale de uma leitura fanática e unilateral de Ellen G. White, torcendo o sentido de seus escritos. Nada de novo: afinal, leituras distorcidas da própria Bíblia são encontradas até no período apostólico (2 Pe 3:15-16)! Mas até isso parece cada vez mais raro: tornou-se mais frequente quem rejeite ou limite os escritos da autora. O equilíbrio na compreensão do material revelado (tanto das Escrituras, quanto dos testemunhos) ainda é um desafio para o adventismo no século XXI.

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