sábado, 16 de agosto de 2014

Amando a esposa do pastor


 

Fonte - http://reforma21.org

 

Amando a esposa do pastor


Mark Driscoll
Mark Driscoll
Minha esposa, Grace, é filha e esposa de pastor. O pai dela se formou no Dallas Thelogical Seminary [Seminário Teológico de Dallas] ao lado de homens como Chuck Swindoll. Ele plantou uma igreja antes do nascimento dela e permaneceu lá por quarenta anos. Em algumas conversas com ela ao longo dos anos, pude ter a noção do preço que a família paga por esse tipo de ministério. Em algumas igrejas da prosperidade, ou do tipo “religiosas”, a esposa do pastor é tratada como a primeira dama, com quantidades extravagantes de poder e respeito. Entretanto, na maioria das igrejas menores, a esposa do pastor é tratada como a “última dama”, com quantidades miseráveis de amor e consideração. Como resultado disso, ela é a última mulher a se sentar à mesa nas refeições da igreja porque estava na cozinha preparando tudo, a última a ouvir o sermão de seu marido porque estava sendo abordada pelas outras esposas carentes, a última pessoa a ser cuidada quando está passando por necessidades porque está sempre cuidando dos outros primeiro e a última pessoa a receber a atenção exclusiva de seu marido porque o telefone dele está sempre tocando, com alguém do outro lado que decidiu aleatoriamente que é mais importante que ela.

Domingos

Muitos pastores têm filhos. Aos Domingos, a esposa do pastor é basicamente uma mãe solteira. Ela acorda cedo para preparar o café da manhã, conversar com o marido e orar por ele antes que ele saia para pregar. Então ela tem que preparar as crianças, se arrumar, e botar a família para fora de casa cedo o suficiente para não se atrasar para o culto porque todo mundo vai comentar se ela se atrasar. Normalmente ela não tem uma vaga reservada no estacionamento, como deveria, e antes de entrar na igreja, ela é interrompida continuamente por pessoas querendo conversar – muitas vezes pessoas rudes, exigentes e críticos de seu marido. Ela tenta manter um olho nas crianças enquanto tudo isso ocorre, enquanto carrega a bolsa com as fraldas e outros utensílios, e, quando finalmente consegue entrar no templo, provavelmente não há um lugar guardado para ela. Tenho certeza que a igreja pode fazer melhor que isso.

Oferta

Muitas igrejas não levam em conta, na oferta de salário do pastor, a quantidade enorme de dinheiro que a família dele reverte ao ministério. Se você quer que o pastor viva perto da igreja, tenha uma casa grande o suficiente para ser usada em eventos da igreja, com espaço para hóspedes, em que possa receber muitas reuniões e refeições e ainda faça ofertas generosas à igreja, tudo isso custa dinheiro. Além disso, pense em quantos presentes de aniversário, casamento, chá de bebê e Natal a família do pastor precisa comprar anualmente. Quando nossa igreja era ainda muito nova, nós gastávamos, literalmente, milhares de dólares com essas despesas, mesmo a igreja não nos pagando. Mais de mil pessoas passavam pela nossa casa todo ano, alguns moraram conosco. Nós fazíamos isso com prazer porque amamos a igreja. Mas chegamos a contrair algumas dívidas por não termos nenhuma reserva e, se algum carro com mais de 100 mil kilômetros rodados quebrasse, o cartão de crédito era nossa única opção. Se o seu pastor não trabalha com afinco ou não se doa de forma generosa, você o demite. Se ele de fato trabalha com afinco e se doa generosamente, então o recompense decentemente e libere sua família para ser mais generosa e produtiva. Um dos piores exemplos que eu já vi vem de uma igreja pequena. O pastor não recebia o salário integral porque os dízimos não eram suficientes. A esposa trabalhava para poderem balancear o orçamento, e os dois davam tudo de si para servirem à igreja. Um dos líderes dessa igreja que ajudava a cuidar do orçamento me procurou para obter alguma consultoria, já que eles não vinham crescendo ao longo dos anos. A primeira coisa que eu pedi foi o registro das ofertas dos líderes. Apenas dois dos seis líderes haviam contribuído com qualquer quantidade de dinheiro no último ano inteiro – o pastor e o tesoureiro. Os outros quatro homens da diretoria – todos com empregos bons e estáveis – não haviam dado nada, ou quase isso. Mas, ano após ano, não se importavam com a esposa do pastor trabalhando para ajudar no orçamento do lar e abrindo sua casa semana após semana para alimentar e servir as pessoas. Ela era uma das maiores dizimistas da igreja. Era algo criminoso. E isso é comum. Com certeza, a maioria das igrejas não tem muito dinheiro. Mesmo assim, se esforçar para cuidar do pastor e de sua família é algo muito significativo.

Folgas, férias e feriados

Na Bíblia, Deus ordena que todo o seu povo tenha um dia de folga, o Sábado (ou Sabbath). Certamente, algumas pessoas podem (e de fato o fazem) ser legalistas e religiosas quanto a isso, mas o fato puro e simples é que, se não cumprimos nosso Sábado voluntariamente, eventualmente iremos cumpri-lo involuntariamente quando isso nos levar a ficarmos doentes e/ou hospitalizados. Para um pastor, o Domingo é dia de trabalho. Isso vale o dobro se ele tem cultos no Sábado à noite ou no Domingo à noite (N.T.: nos EUA, tradicionalmente só há cultos, no Domingo, pela parte da manhã). Ele precisa ter algum outro tempo para o seu Sábado. Então, quando chega a folga do pastor ou as férias com a família (o que é vital), alguém precisa estar a postos para atender os telefonemas que seriam para ele, lidar com emergências e pastorear o rebanho. Apenas um punhado de membros dramáticos e carentes são o suficiente para arruinar toda a família do pastor ao telefonar constantemente, visitar constantemente e interromper sem motivo justo um jantar, uma folga ou as férias. Pessoas assim são egoístas e não entendem que quando um pastor possui o pequeno rebanho de sua família e o grande rebanho da igreja, ele não pode dedicar todo seu tempo apenas para uma ovelha solitária. Essas ovelhas precisam gastar tempo com as outras ovelhas e dar um descanso para o pastor. Feriados também são datas complicadas para a esposa do pastor. Ao contrário da maioria das mulheres da igreja, ela não pode aproveitar o Dia das Mães, o Dia dos Pais, a Páscoa, a véspera do Natal, o Natal e outros feriados com toda a família reunida indo para a igreja. Por quê? Porque o seu marido tem que trabalhar em todos esses dias, todo ano. Então ore por ela, agradeça a ela e seja simpático pelo contínuo sacrifício que ela faz pelo bem de toda a igreja.

“Aquelas” mulheres

Aquelas mulheres são uma legião. Aquelas mulheres são mandonas, exigentes e mestres da culpa. Elas tentam fazer da mulher do pastor a sua amiga, querem que ela esteja em todos os eventos da igreja, que ela exerça o cargo que elas desejam (como a liderança do ministério feminino), exigem o e-mail e o telefone pessoal dela, querem estar na casa do pastor sempre que puderem e desejam ter influência em todas as decisões da igreja ao manipularem a esposa do pastor. Essas mulheres tendem a ser bastante religiosas e difíceis de lidar. A verdade é que a Bíblia não fala de um ministério ou cargo chamado “esposa do pastor”. Isso acontece porque a esposa do pastor deve simplesmente ser uma cristã na igreja, como todo mundo. Suas prioridades são ser uma esposa piedosa, então uma mãe piedosa, e disso decorrem todas as outras obrigações. Se ela está ocupada com sua família e com o ministério que ela e seu marido tem com seus filhos, e os convidados que ela tem que servir sempre, ela já está mais que muito ocupada. Se ela deseja usar alguns de seus dons para servir a igreja e ela e seu marido pensam que isso é uma boa idéia, ótimo, mas isso não é uma obrigação. Talvez, conforme os filhos cresçam, ela tenha mais tempo para se envolver mais no ministério, se é para isso que ela e o marido acham que ela foi chamada. Eu sou muito abençoado por ter me casado com uma mulher que ama Jesus e a igreja. Ela não tem vontade de trabalhar após criarmos nossos filhos, mas ela deseja ensinar e treinar outras mulheres mais do que ela consegue hoje. Hoje ela está ocupada com cinco filhos pequenos e tem apenas um pouco de tempo livre para se dedicar ao ensino e ao treinamento na igreja. Quando nossos filhos crescerem, ela terá mais tempo para exercer algum ministério na igreja, de forma voluntária, assim como qualquer um, conforme acharmos que é isso que Deus a chamou para fazer. Aquelas mulheres precisam entender que a esposa do pastor deve ser amigável com todas as pessoas, mas não esperem que ela seja amiga de todas as pessoas. Ela, como todo mundo, tem o direito de escolher seus amigos. Com quem ela gasta tempo, para quem abre seu coração, quem convida para seu aniversário e para sua casa são decisões que cabem somente a ela.

O que ajuda

Concluindo, estou chamando as pessoas a amarem sua igreja e seus líderes e orarem e cuidarem da esposa do pastor cujo ministério é vital, mas que costuma ser subestimado. Presentes são uma forma prática de amar a esposa do pastor, mas é muito mais significativo e amável tentar descobrir antes o que ela precisa ou fazer uma oferta em dinheiro. O propósito dos presentes se perde quando a casa dela está cheia de coisas que ela não tem nem como usar, mas se sente obrigada a mostar quando recebe visitas para não parecer rude. Além disso, agradeça a ela. Escreva um cartão. Procure se certificar que ela está sendo servida e ajudada aos Domingos. Graças a Deus, após alguns anos difíceis no ministério, a Mars Hill Church amadureceu e se tornou um ótimo lugar onde Grace e eu somos amados e ajudados. Assim, esse texto está cheio de recomendações que não precisamos mais. Ainda assim, muitas esposas de pastor ainda precisam disso, e espero que alguns de vocês possam ser essas bênçãos na vida delas.
Traduzido por Filipe Schulz | iPródigo.com | Original aqui

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