quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Malafaia diz que gays estão “irados” com Marina e ataca Dilma

Malafaia diz que gays estão “irados” com Marina e ataca Dilma

“O ativismo gay está irado com Marina. Começo a ficar satisfeito”, diz líder evangélico, que nega ter sido o responsável pelo recuo da candidata do PSB na pauta LGBT. No Twitter, ele também disparou contra o PT ao rechaçar apoio à reeleição
Pedro França/Ag. Senado
Segundo Malafaia, Marina alterou o plano após a pressão de evangélicos, como ele e ela
Apontado como responsável pelo recuo da candidata Marina Silva (PSB) em relação à proposta de apoio à união civil entre pessoas do mesmo sexo, o pastor Silas Malafaia comemorou, nesta segunda-feira (1º), a exclusão do assunto do programa de governo da presidenciável. Ele negou ter ameaçado apoiar a presidenta Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, em um eventual segundo turno contra Marina. “Nunca ameacei Marina dizendo que vou apoiar Dilma. Se alguém tem dúvida: fora Dilma! Fora PT!”
“O ativismo gay está irado com Marina! Começo a ficar satisfeito! Valeu a pressão de todos. Não estamos aqui pra engolir agenda gay”, escreveu o pastor em seu Twitter. “Os gays não lutam pela sua agenda? Sim, isso é democrático. Já viram o recuo de Marina devido as posições do povo de Deus? É democrático”, emendou o líder da Associação Vitória em Cristo.
O pastor disse não ser o responsável pela mudança no texto do programa de governo de Marina, conforme apontou o deputado Jean Wyllys (Psol-RJ), um dos principais defensores da causa LGBT no Congresso. Segundo Malafaia, Marina alterou o plano após a pressão de evangélicos, como ele e ela. “Se não tivesse o twitaço sexta e sábado, o ativismo gay estaria rindo da nossa cara hj. Mudaram parte do pgm de Marina. Estão revoltados!”, publicou.
Ataques
O líder religioso também disparou contra o PT e Dilma. “Avisa ao povo mais simples q depende do bolsa família, q se continuar a recessão no Brasil pela incompetência do PT, ñ vai ter grana p/pagar”, provocou. “O país está em recessão, a cúpula do PT está na cadeia por roubalheira e ngm foi expulso do PT. No PT, roubar é permitido e ainda são heróis”, acusou. Na semana passada, ele chegou a anunciar que apoiaria Marina em um eventual segundo turno. No primeiro, seu apoio declarado é ao candidato Pastor Everaldo (PSC).
A exclusão do capítulo em que Marina e seu vice, Beto Albuquerque (PSB), declaravam apoio à causa LGBT foi mal recebida por defensores dos direitos dos homossexuais. “Marina, você não merece a confiança do povo brasileiro! Você mentiu a todos nós e brincou com a esperança de milhões de pessoas”, criticou Jean Wyllys, ao atribuir a mudança de postura da candidata a “quatro tuites do pastor Malafaia”.
O candidato do PV à Presidência, Eduardo Jorge, também não poupou a ex-companheira de partido. “Bastou um influente pastor reclamar e ameaçar uma guerra santa e a campanha do PSB recuou em dois pontos essenciais: no reconhecimento do direito ao casamento para as pessoas que querem ver respeitada sua livre orientação sexual e na gravidade dos crimes de homofobia”, disse Eduardo Jorge em nota divulgada no sábado. “Será pra valer a promessa do PSB de adotar uma política laica se vencer a eleição?”, indagou.
Na manhã do último sábado (30), Malafaia usou o Twitter para criticar a proposta de Marina. “Aguardo até segunda uma posição de Marina. Se isso não acontecer, na terça será a mais dura fala que já dei até hj sobre um presidenciável”, publicou.
O pastor disse que o programa de Marina apoiava a causa gay de modo “descarado”, de maneira muito mais contundente do que o PSDB e o PT. “O Pgm de gov de Marina é uma defesa vergonhosa da agenda gay,e o pior,com dados mentirosos sobre o assassinatos de gays.Vou provar aguardem”, escreveu.
No mesmo dia, a equipe de Marina confirmou a exclusão do capítulo alegando que o texto havia sido incluído de maneira equivocada no programa de governo por uma “falha processual na editoração”. De acordo com a assessoria da candidata, o texto divulgado inicialmente “não retrata com fidelidade os resultados do processo de discussão sobre o tema durante as etapas de formulação do plano de governo”.
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