terça-feira, 3 de março de 2015

A Atuação do Espírito de Belém até Pentecostes


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Billy Graham 

A Atuação do Espírito de Belém até Pentecostes

Durante o período de tempo abrangido pelos quatro evangelhos a atuação do Espírito Santo estava centralizada na pessoa de Jesus Cristo. O Homem-Deus foi concebido pelo Espírito (Lucas 1:35), batizado pelo Espírito (João 1:32, 33), guiado pelo Espírito (Lucas 4:1), ungido pelo Espírito (Lucas 4:18; Atos10:38), revestido com poder pelo Espírito (Mat. 12:27, 28). Ofereceu a Si mesmo como expiação pelo pecado, pelo Espírito (Heb. 9:14), foi ressuscitado pelo Espírito (Rom. 8:11) e deu mandamentos por intermédio do Espírito (Atos 1:2).
Sem sombra de dúvida uma das passagens bíblicas que inspiram mais admiração é a que relata o que o anjo disse a Maria: "Descerá sobre ti o Espírito Santo e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso também o ente santo que há de nascer, será chamado Filho de Deus" (Lucas 1:35). Pessoas excessivamente céticas e outras com uma visão muito limitada da ciência zombarão em total descrença, mas o anjo desfez qualquer dúvida quando disse: "Porque para Deus nada é impossível" (Lucas1:37, BJ).
Para os cristãos qualquer sugestão de que Deus Espírito Santo não seria capaz de concretizar o nascimento virginal é absurda. Se crermos que Deus é Deus – e que Ele governa Seu universo – não há nada difícil demais para Seu poder ilimitado. E Deus sempre faz o que quer. Quando planejou o nascimento do Messias, fez um milagre. Pulou um degrau na seqüência fisiológica normal da concepção: nenhum ser humano masculino participou. A vida formada no ventre da virgem não era outra que a vida de Deus Filho encarnada em um corpo humano. O nascimento virginal foi um milagre tão extraordinário, que era óbvio que Deus estava operando a encarnação, e não o homem. Há hoje em dia alguns assim chamados teólogos que negam a encarnação – rejeitam a divindade de Jesus Cristo. Com isto estão muito perto de blasfemarem contra o Espírito Santo!
O Espírito Santo também estava agindo nos discípulos de Jesus antes do Pentecostes. Sabemos isto porque Jesus disse deles: "Ele (o Espírito Santo) habita convosco" (João 14:17). Jesus também disse a Nicodemos: "Quem não nascer da água e da Espírito, não pode entrar no reino de Deus" (João 3:5). Logo depois repetiu: "Importa-vos nascer de nova" (João 3:7).
No entanto, a atuação do Espírito nos homens no tempo de Jesus era diferente da Sua atuação hoje. Em João 7:39 o apóstolo João nos diz das palavras de Jesus: "Isto ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito até este momento não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado."
A Bíblia não revela claramente qual era a diferença. Mas sabemos que a vinda do Espírito no dia de Pentecostes foi algo muito mais extasiante que qualquer outra experiência anterior que eles tinham tido. De qualquer forma, vimos que o Espírito Santo estava atuando de diversas maneiras no nascimento e na vida do nosso Senhor Jesus Cristo e nas vidas e no ministério dos Seus discípulos.

A Atuação do Espírito de Pentecostes até Hoje

Em Atos Lucas relata a ascensão de Jesus ao céu (Atos 1:9-11). No capítulo 2 ele destaca a descida do Espírito Santo à terra (Atos 2:1-4). Jesus tinha dito: "Se eu não for, o Consolador (Espírito Santo) não virá para vós outros; se, porém eu for, eu vo-lo enviarei" (João 16:7). Foi em cumprimento desta promessa que Pedro disse a respeito do Cristo glorificado: "Exaltado, pois, à destra de Deus, tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vedes e ouvis" (Atos 2:33).
Há muitos anos um famoso explorador do Ártico partiu com uma expedição para o Polo Norte. Depois de caminhar dois anos por aquela região desolada ele escreveu uma curta mensagem, amarrou-a no pé de um pombo-correio, e preparou-se para soltá-lo, para que fizesse a longa viagem de mais de três mil quilômetros até a Noruega. O explorador olhou para a solidão ao Seu redor. Nenhum ser vivo, até onde seus olhos podiam alcançar. Nada além de gelo, neve e um frio incrível. Segurou a ave trêmula em suas mãos por alguns instantes e depois soltou-a na atmosfera gelada. O pombo deu três voltas, e depois partiu em direção ao Sul, sobrevoando centenas de quilômetros de gelo e mar, até descer junto à esposa do explorador. Com a chegada do pombo-correio, esta sabia que estava tudo bem com seu marido na longa noite do Ártico.
Da mesma forma a vinda do Espírito Santo, a Pomba Celeste, provou aos discípulos que Cristo tinha entrado no santuário celestial. Tinha se assentado à direita de Deus Pai, porque Sua obra redentora estava concluída. A chegada do Espírito Santo cumpriu a promessa que Cristo tinha feito; também testemunhou que a justiça de Deus tinha sido feita. Tinha-se iniciado a era do Espírito Santo, que não podia começar antes que Cristo fosse glorificado.
Sem dúvida a vinda do Espírito Santo em Pentecostes marcou uma mudança crucial na maneira de Deus se relacionar com a raça humana. É um dos cinco acontecimentos passados, todos eles componentes básicos do evangelho cristão: a encarnação, a redenção, a ressurreição, a ascensão e Pentecostes. O sexto componente ainda está para ser realizado: a Segunda Vinda de Jesus.
O primeiro acontecimento básico, a encarnação, marcou a entrada redentora de Deus na vida humana, como verdadeiro homem. O segundo acontecimento foi a maneira de Deus permanecer justo e mesmo assim justificar homens culpados – a redenção. O terceiro, a ressurreição, demonstrou que os três grandes inimigos do ser humano – a morte, Satanás e o inferno tinham recebido o golpe de misericórdia. O quarto – a ascensão – mostrou que o Pai tinha aceito a obra redentora do Filho, e que as exigências da Sua justiça tinham sido cumpridas. O quinto evento, o Pentecostes, nos assegura que o Espírito de Deus veio para realizar Seus propósitos no mundo, na Igreja e no crente individual!
O calendário judaico estava orientado em diversas festas durante o ano. As três mais importantes eram as em que todos do sexo masculino deveriam comparecer perante o Senhor (Deut. 16:16). Estas três festas eram a Páscoa, o Festa dos Tabernáculos e Pentecostes.
"A Festa da Páscoa" comemorava o dia em que os israelitas foram libertados milagrosamente de um longo período de escravidão no Egito. Depois de matarem um cordeiro "sem defeito" (Êxodo 12:5) os israelitas passaram o sangue nas portas de todas as suas casas, e assaram e comeram os cordeiros. O sangue do cordeiro livrou-os do julgamento de Deus. A páscoa do Antigo Testamento teve Seu cumprimento final na marte de Cristo no Calvário, "pois Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado" (1 Cor. 5:7). O livro aos Hebreus nos ensina que devido a isto não há mais necessidade de sacrificar o sangue de novilhos e bodes. Jesus Cristo, de uma vez por todas, ofereceu a Si mesmo pela salvação de todos os homens, derramando Seu sangue.
"A Festa dos Tabernáculos" (a palavra que nós usaríamos hoje seria "cabana" ou "tenda") lembrava Israel dos dias do êxodo do Egito, quando as pessoas não viviam em casas mas em cabanas feitas de ramos de árvores. A festa era celebrada depois da colheita, por isso é chamada de "Festa da Colheita" em Êxodo 23:16. Talvez a comemoração da libertação do Egito tenha sido cumprida na libertação e bênção muito mais ampla que veio com a redenção em Cristo. João 7:38 sugere que a vinda do Espírito Santo mata mais a sede que a água no deserto e a chuva necessária para a colheita.
Pentecostes ficou conhecida como "A Festa das Semanas", porque era comemorada no dia seguinte ao sétimo sábado depois da Páscoa – uma semana de semanas. Como isto perfaz 50 dias, o nome passou a ser "Pentecostes", a palavra grega para "qüinquagésimo". A Festa de Pentecostes era celebrada no início da colheita; em Números 28:26 é chamada de "dia das primícias (primeiros frutos)". E é verdade que o dia de Pentecostes, quando veio o Espírito Santo, no Novo Testamento, foi um dia de "primeiros frutos" o início da colheita de Deus neste mundo, que será completada quando Cristo vier de novo. Pentecostes no Novo Testamento marcou o início da presente era do Espírito santo. Os crentes estão sob Sua direção assim como os discípulos eram guiados por Jesus. Jesus ainda exerce Seu senhorio sobre nós do céu, mas como Ele não pode estar conosco fisicamente, Ele transmite Suas instruções através do Espírito Santo, que faz Cristo ser uma realidade em nós. Desde Pentecostes o Espírito Santo é o elo de ligação entre a primeira e a Segunda Vinda de Jesus. Ele aplica a obra de Jesus Cristo aos homens da nossa época, como veremos nas próximas páginas.

Pouco depois de me tornar cristão, quando comecei a pesquisar sobre o Espírito Santo, uma das primeiras perguntas que eu me fiz foi esta: Por que o Espírito Santo teve de vir? Não demorei a achar a resposta. Ele veio porque tinha uma obra a fazer no mundo, na Igreja e no cristão individual, como descobriremos juntos agora.

Billy Graham 
Do livro O Espírito Santo  Pags 7-10

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