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segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Riscos silenciosos

 

Riscos silenciosos


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Escrito por A Redação

Os perigos que ameaçam a perda da identidade religiosa

Nas últimas décadas, pesquisas no campo da sociologia da religião e da comunicação têm apontado mudanças graduais na forma como movimentos religiosos vivenciam e comunicam sua identidade. Essas transformações raramente se iniciam no âmbito doutrinário; antes, emergem no plano das práticas cotidianas, dos hábitos culturais e da maneira como símbolos tradicionais passam a ser reinterpretados.1

Estudiosos da experiência religiosa contemporânea têm mostrado que, à medida que as comunidades experimentam avanços socioeconômicos, maior acesso à educação e ampliação de seu repertório cultural, ocorre uma transformação na maneira pela qual seus membros se percebem e se relacionam com a sociedade ao redor. A fé permanece como referência central, mas sua expressão visível passa por ajustes – por vezes quase imperceptíveis – que, ao longo do tempo, produzem mudanças significativas.2

Nesse contexto, certos comportamentos antes compreendidos como expressões claras da identidade de uma denominação passam a ser vistos como opcionais. O que outrora funcionava como norma para uma comunidade religiosa começa a ser tratado como escolha pessoal, deslocando, assim, o eixo da identidade do plano coletivo para o individual.

Entre esses indícios de transformação encontra-se, de modo cada vez mais perceptível, a forma como o corpo e a aparência são compreendidos. O uso de alguns adereços, por exemplo, passa a ser interpretado como um aspecto meramente cultural, por vezes considerado até irrelevante. A isso se somam mudanças no padrão de vestimenta, na maneira pela qual as pessoas se apresentam em ambientes públicos e na forma como se expõem nas mídias sociais. Nesse contexto, muitas vezes a imagem é usada para gerar engajamento e visibilidade, nem sempre em harmonia com os princípios bíblicos e a modéstia cristã. Esse comportamento tem se tornado cada vez mais comum, como resultado de uma assimilação progressiva da cultura contemporânea.

Do ponto de vista sociológico, essas práticas funcionam como sinais comunicacionais: revelam como a identidade religiosa está sendo renegociada no espaço público e virtual, confirmando que a mudança não ocorre apenas no discurso, mas também na linguagem visual do pertencimento.3 Essas transformações, em geral, não são acompanhadas de rejeição explícita das crenças fundamentais. Muitos continuam afirmando lealdade à Bíblia, à missão da igreja e às suas doutrinas, enquanto adotam um estilo de vida nem sempre coerente com tais convicções.

Isso confirma um padrão observado nos estudos sobre religião e mudança social: as práticas externas tendem a se transformar antes que as crenças centrais sejam formalmente revistas. O risco reside no fato de que, com o tempo, a prática molda a percepção, e a percepção redefine o significado da própria identidade. Esse fenômeno fragiliza a transmissão da identidade religiosa às gerações seguintes.

Sinal de alerta

Por isso, o apóstolo Paulo exortou: “E não vivam conforme os padrões deste mundo, mas deixem que Deus os transforme pela renovação da mente” (Romanos 12:2). A conformação, nesse contexto, não se limita a valores abstratos, mas envolve também padrões visíveis de vida e testemunho.

A história bíblica confirma esse princípio. Israel raramente perdeu sua identidade por negar explicitamente a própria fé. A erosão começou quando assimilou costumes, símbolos e práticas das nações ao redor (Juízes 2:11-13). A mudança externa precedeu a decadência espiritual.

Ellen White parece ter reforçado essa percepção ao afirmar: “Deus vê que a ruína do caráter é precedida frequentemente pela transigência com o orgulho e a vaidade.”4 Não se trata apenas de aparência, mas da preservação de uma mentalidade espiritual distinta. Movimentos religiosos que deixam de valorizar com rapidez seus sinais de identidade acabam, aos poucos, perdendo clareza quanto a quem são e para que existem.

O perigo, portanto, não reside em uma prática isolada, mas no acúmulo silencioso de pequenas redefinições que, ao longo do tempo, vão redesenhando a identidade do movimento. Quando os sinais externos deixam de comunicar significado, a comunidade passa a depender quase exclusivamente de afirmações conceituais para sustentar aquilo que a distingue.

A Igreja Adventista sempre defendeu que a mensagem profética deve ser acompanhada por um estilo de vida coerente. A urgência escatológica nunca foi apenas uma doutrina, mas um modo de existir. Ignorar os sinais desse processo de transformação pode gerar consequências silenciosas, porém profundas. À medida que essas mudanças se tornam comuns, novas expectativas se estabelecem e os referenciais comunitários se redefinem, de modo que, pouco a pouco, o centro da identidade acaba sendo deslocado.

O alerta de Cristo permanece atual: “Quem é fiel no pouco, também é fiel no muito” (Lucas 16:10). A fidelidade à identidade do movimento, na vida cotidiana, sempre foi compreendida, no adventismo, como parte do preparo para o encontro com Cristo.

Esse não é um chamado ao legalismo nem à vigilância punitiva, mas à consciência espiritual e profética. Preservar essa identidade não significa rejeitar o diálogo com a cultura, mas discernir cuidadosamente quais adaptações fortalecem a missão e quais, silenciosamente, a enfraquecem.

Os riscos da transformação da identidade quase nunca se impõem de maneira repentina. Eles avançam quando a igreja deixa de refletir não apenas sobre o conteúdo de sua fé, mas também sobre a maneira como essa fé está sendo expressa e percebida no mundo em que vive. 

DANIELSON ROALY é pastor em Laranja da Terra (ES)

Referências

1 Robert Wuthnow, The Restructuring of American Religion (Princeton University Press, 1988).

2 Malcolm Bull e Keith Lockhart, Seeking a Sanctuary (Indiana University Press, 2007).

3 Grace Davie, Religion in Modern Europe (Oxford University Press, 2000).

4 Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja (CPB, 2021), v. 4, p. 565.

(Artigo publicado na Revista Adventista de abril/2026)

A lição que ficou

 

A lição que ficou


Imagem generativa: Renan Martin
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Escrito por Wellington Barbosa

A questão das origens ultrapassa o campo da ciência e alcança os fundamentos da fé

Uma das profissões homenageadas no mês de outubro é a de professor. Em cada fase da minha vida acadêmica, pelo menos um deles se destacou. Guardo na memória muitos ensinamentos importantes que recebi, mas, acima de tudo, momentos que foram cruciais para minha jornada de crescimento espiritual.

Conheci o evangelho em um colégio adventista, na década de 1990. A atenção dos professores, o ambiente escolar e as semanas de oração foram fundamentais para que eu tivesse uma visão geral da mensagem adventista. Contudo, em minhas indagações adolescentes, algumas coisas ainda pareciam não se encaixar. Como conciliar o relato bíblico da criação com o conteúdo evolucionista apresentado, especialmente, nos livros de Biologia? Foi nesse contexto que entrou em cena um professor que fez diferença justamente quando eu precisava tomar uma decisão.

Era um jovem que vinha de uma experiência em um colégio do Noroeste do Brasil e assumia a turma no segundo semestre daquele ano letivo. Na primeira aula, algumas coisas me chamaram atenção: ele confessou ser “viciado em pó de giz” e amar a profissão, tinha um temperamento agradável e uma caligrafia perfeita, além de revelar sua paixão pelo basquetebol. Naquela escola, isso contava muito!

Com sabedoria, conhecimento e “jogo de cintura”, o jovem professor conquistou o respeito da classe e avançou com tranquilidade pelos temas e termos peculiares das ciências biológicas. Até que chegou o assunto espinhoso: a origem da vida e o evolucionismo. Naquele ponto, para mim, não estava em jogo apenas assimilar o conteúdo curricular, mas responder a uma pergunta com profundas implicações espirituais.

De maneira detalhada, ele explicou cada ponto do argumento evolucionista, oferecendo-nos o conhecimento necessário para enfrentar o tema no vestibular. Ao mesmo tempo, apresentou contrapontos científicos que enfraqueciam a tese darwiniana e favoreciam o relato bíblico de uma criação intencional e literal realizada por Deus.

Na última aula sobre o tema, ele propôs que avaliássemos o peso das evidências e considerássemos o criacionismo um modelo conceitual, plenamente convergente com o ensino das Escrituras. Para mim, aquilo foi suficiente para escolher uma posição. A experiência não apenas respondeu às minhas dúvidas, mas também solidificou a decisão de ser batizado.

O tema das origens não é periférico na teologia adventista. Na realidade, é central e deve ser compreendido à luz das Escrituras e da verdadeira ciência. Ao aceitar uma interpretação evolucionista das origens, o cristão se depara com uma série de questões que atingem os fundamentos do plano da salvação. Se a morte já existia antes do pecado e fazia parte do processo criativo de Deus, o que significa a queda? Se não houve uma queda histórica, por que precisamos de redenção? E, se o pecado não entrou na história como a Bíblia descreve, o que exatamente Cristo veio restaurar?

Infelizmente, nem todos os nossos jovens têm a oportunidade de contar com professores como o que tive no Ensino Médio, e muitos membros da igreja foram batizados sem refletir profundamente sobre a questão das origens. Por isso, a Igreja Adventista promove, em outubro, o Sábado da Criação. Em apoio à programação das congregações locais, a RA traz, nesta edição, uma avaliação crítica do chamado evolucionismo teísta. Mais do que uma discussão sobre como a vida começou, essa é uma questão que envolve nossa compreensão de Deus, da queda, da morte e do plano da salvação.

WELLINGTON BARBOSA é editor da Revista Adventista

(Editorial da Revista Adventista de outubro/2026)

sábado, 3 de outubro de 2026

Consolador

 

Consolador

Pags. 8 a 12


Compreendendo o Espírito Santo à luz dos escritos de Ellen White

Merlin Burt 


A doutrina de Deus é um ensinamento cristão fundamental. A compreensão bíblica dos adventistas sobre a Trindade nos auxilia a entender a natureza, os atributos e o caráter divino. Nas últimas décadas, houve um volume significativo de pesquisas sobre a história da compreensão da Divindade pela Igreja Adventista do Sétimo Dia, especialmente em relação ao papel de Jesus nela. Contudo, há menos textos disponíveis sobre a relação entre Ellen White e a compreensão adventista a respeito do Espírito Santo. Este artigo examina a interpretação da autora sobre o Espírito Santo, ressaltando o impacto de suas afirmações na compreensão adventista e avaliando a veracidade de suas declarações mais explícitas sobre a natureza do Espírito Santo.

DE 1844 ATÉ OS ANOS 1890

Ellen White escreveu amplamente sobre a pessoa do Espírito Santo, mencionando-O quase tão frequentemente quanto à pessoa de Jesus. Desde seus primeiros escritos e ao longo de sua vida, ela seguiu três orientações significativas referentes ao Espírito Santo e à Divindade. Primeiramente, destacou a personalidade de Deus Pai e de Jesus. Entre 1845 e 1846, houve um segmento dos adventistas mileritas que afirmava que Cristo havia retornado de forma espiritual em 22 de outubro de 1844. Esse grupo também espiritualizava a ressurreição, o Céu, a Nova Jerusalém, a Nova Terra, bem como o Pai e a Jesus. Em 1846, Ellen White escreveu sobre a afirmação da personalidade do Pai e de Jesus: "Vi um trono, e nele estavam sentados o Pai e Seu Filho, Jesus Cristo. Olhei fixamente o semblante de Jesus e admirei Sua adorável pessoa. [...] Perguntei a Jesus se Seu Pai tinha forma semelhante à Dele; Ele disse que sim, mas eu não podia contemplá-Lo.”¹

Tiago White e José Bates, outros cofundadores da Igreja Adventista, também se opuseram à visão espiritualizada e, por meio da imprensa, defenderam a personalidade de Jesus e do Pai.² Em segundo lugar, assim como os adventistas em geral, Ellen White entendia o Espírito Santo de maneira prática e demonstrável. A obra do Espírito Santo era evidente e dinâmica em sua experiência cristã e seu ministério. Ela teve centenas de visões e sonhos proféticos e frequentemente vivenciou bênçãos extraordinárias por meio da ação do Espírito Santo. Nos primeiros anos de seu ministério profético, Ellen White enfrentou críticas de pessoas que acreditavam que suas visões eram fruto de hipnotismo e que não havia Espírito Santo. Isso lhe causou uma “terrível angústia, quase ao ponto do desespero”. Ela escreveu: "Muitos queriam fazer-me crer que não havia Espírito Santo e que tudo quanto os homens santos de Deus haviam experimentado não era senão mesmerismo ou enganos de Satanás.”³

Por fim, seu entendimento sobre o Espírito Santo foi fundamentado e centrado na Bíblia. Assim como outros pioneiros adventistas, ela era, antes de tudo, uma estudiosa das Escrituras, tomando cuidado especial para não se afastar da Bíblia em suas descrições do Espírito Santo.

Em 1891, Ellen White respondeu a um homem que pensava que o Espírito Santo era, de fato, o anjo Gabriel, e que os 144 mil seriam judeus que aceitariam Jesus como Messias. Após apresentar princípios fundamentais de interpretação bíblica, ela tratou do tema: "Suas ideias sobre os dois assuntos mencionados não se harmonizam com a luz que me foi dada por Deus. A natureza do Espírito Santo é um mistério não claramente revelado, e você jamais será capaz de explicá-lo a outros, porque o Senhor não lhe revelou." Ela prosseguiu, mencionando João 14:16: "Isso se refere à onipresença do Espírito de Cristo, chamado Consolador." Então admitiu as limitações de seu próprio entendimento: “Há muitos mistérios que não procuro compreender nem explicar; eles são muito elevados para mim e para você. Sobre alguns desses pontos, o silêncio é ouro.”⁴

Na falta de um discernimento especial sobre a natureza e a personalidade do Espírito Santo, ela se manteve firme com as Escrituras e, ao contrário de outros pioneiros adventistas, não definiu a personalidade do Espírito Santo. Isso, no entanto, mudaria em breve.

A PARTIR DOS ANOS 1890

Dois anos depois, em 1893, ela escreveu: “Geralmente, muito pouco tem sido feito da obra de influência do Espírito Santo sobre a igreja. [...] O Espírito Santo é o Consolador em nome de Cristo. Ele personifica Cristo, porém é uma personalidade distinta."⁵

Em 1896, ela mencionou as palavras de Jesus em João 16:7 e 8 e fez sua declaração mais explícita sobre o Espírito Santo como uma Pessoa da Divindade: “O poder do mal estivera se fortalecendo por séculos, e a submissão das pessoas a esse cativeiro satânico era alarmante. O pecado só poderia ser resistido e vencido por meio da poderosa atuação da terceira pessoa da Divindade, a qual viria não com energia modificada, mas na plenitude do poder divino.”⁶ Não há evidências de que ela tenha recebido alguma visão especial que a motivasse a escrever de forma mais explícita sobre o Espírito Santo. No entanto, como mensageira do Senhor, ela se tornou bastante específica sobre esse assunto na década de 1890. Ao longo de sua vida, ela manteve seu apoio à personalidade e à plena divindade do Espírito Santo.⁷

Por exemplo, Ellen White costumava mencionar João 14–16 e ao Consolador levando a presença de Jesus ao fiel. Ela prosseguiu com esse assunto ao mesmo tempo em que apresentava o Espírito Santo como a terceira Pessoa da Divindade. Ela escreveu: "Embora nosso Senhor tenha ascendido da Terra ao Céu, o Espírito Santo foi designado como Seu representante entre os seres humanos.” Ao citar João 14:15-18, prosseguiu: "Impedido pela humanidade, Cristo não podia estar pessoalmente em todo lugar; portanto, era para total benefício deles que deveria deixá-los, ir para o Pai e enviar o Espírito Santo como Seu sucessor na Terra."⁸

Ellen White se sentia à vontade com a tensão entre o fato de o Espírito Santo ser uma Pessoa e, ao mesmo tempo, representante de Jesus. Uma particularidade da Trindade bíblica é que cada Pessoa indica ou representa as outras (Mateus 3:17; 17:5; Marcos 1:11; 9:7; Lucas 3:22; 9:35).

"ISTO" E "ELE"

Em 1936, H. C. Lacey afirmou que sua série de estudos bíblicos matinais, apresentada em 1895 durante a reunião campal de Armidale, e sua exposição em 1896, em um congresso em Cooranbong, Austrália, influenciou Ellen White a aceitar a personalidade do Espírito Santo. Lacey levantou a hipótese de que, antes da apresentação de seus estudos, ela não tinha utilizado o termo “Pessoa” nem se referido ao Espírito Santo com o pronome pessoal "Ele”⁹.

Contrariando a sugestão de Lacey, uma avaliação das declarações de Ellen White revela que ela empregou o termo "Pessoa” ao se referir ao Espírito Santo já em 1893. Contudo, antes e depois de afirmar explicitamente a personalidade do Espírito Santo, ela empregou os pronomes “Isto" e "Ele” de forma intercambiável.

Em 1884, ela afirmou: “O Espírito Santo exalta e glorifica o Salvador. É sua obra apresentar Cristo.”¹⁰ Em 1891, escreveu sobre "o Espírito Santo trabalhando em nosso coração. E continuou: "[Ele] toma as coisas de Deus e as apresenta de nova maneira à nossa mente”¹¹ Em uma declaração proferida em 1898, ela expressou de forma clara a personalidade do Espírito Santo: "Quando o Espírito de Deus toma posse do coração, transforma a vida.”¹² Em 1900, declarou: “Em verdade, o Espírito Santo saiu a todo o mundo; Ele atua no coração das pessoas em toda parte."¹³

O livro O Desejado de Todas as Nações não só contribui para a compreensão da personalidade do Espírito Santo, como também ensina de forma clara a eternidade de Jesus e Sua completa igualdade com o Pai. A afirmação: “Em Cristo, há vida original, não emprestada, não derivada”,¹⁴ ao lado de outras declarações sobre a divindade de Jesus, auxiliou muitos adventistas a reavaliar as Escrituras a fim de entender o papel de Cristo na Divindade.

VERACIDADE DAS DECLARAÇÕES

Há quem acredite na autoridade profética dos escritos de Ellen White, mas rejeite a personalidade do Espírito Santo e seu papel na Trindade. No entanto, esses textos colocam essas pessoas em situação complicada. Em resposta, geralmente alegam que secretárias ou editores de Ellen White incluíram as declarações sem o conhecimento dela. Em 2006, Tim Poirier, que foi diretor associado do Patrimônio Literário de Ellen G. White, publicou uma monografia esclarecedora na qual rastreou essas afirmações até sua fonte original.

Rascunhos originais de pelo menos quatro declarações de Ellen White estão disponíveis.¹⁵ Outros documentos podem ser acessados na forma impressa original, contendo anotações manuscritas nas páginas.¹⁶ No topo de um desses documentos, encontra-se a seguinte anotação: “Tenho lido cuidadosamente sobre isso, e o tenho aceitado.”¹⁷ Algumas dessas declarações foram divulgadas de diversas maneiras. A escritora arcou com os custos de publicação das chapas de O Desejado de Todas as Nações e de outras obras. Além disso, após a publicação da primeira edição de O Desejado de Todas as Nações, ela fez correções na segunda edição. O nível de veracidade de suas declarações é considerável, e os editores têm dificuldade em sustentar que ela não tenha escrito as afirmações publicadas.

Os adventistas do sétimo dia acreditam que Ellen White recebeu o dom profético. Suas declarações exerceram uma influência considerável no desenvolvimento da compreensão adventista da Trindade, especialmente ao apoiar a natureza eterna e original de Jesus, além da plena divindade e personalidade do Espírito Santo. No entanto, as doutrinas adventistas se baseiam na autoridade das Escrituras. Ellen White entendia que sua função profética era guiar um povo a reconhecer a Bíblia como autoridade suprema e base de toda fé e prática.¹⁸

Em várias situações, ela definiu a relação entre seus escritos e a Bíblia. Em uma de suas afirmações mais fascinantes, ela descreveu seu ofício profético: “Eu tenho uma obra de grande responsabilidade para fazer – comunicar por escrito e de viva voz as instruções a mim concedidas, não somente para os adventistas do sétimo dia, mas para o mundo. Publiquei muitos livros, grandes e pequenos, e alguns deles foram traduzidos para várias línguas. Esta é minha obra: revelar para outras pessoas as Escrituras, assim como Deus a mim as revelou.”¹⁹

Temos uma visão bíblica mais abrangente sobre o Espírito Santo devido aos escritos de Ellen White. Devemos agradecer a Deus por nos ter guiado ao longo da história da igreja para construir uma compreensão bíblica, por meio da atuação do Espírito Santo no dom de profecia.

MERLIN BURT é diretor do Patrimônio Literário de Ellen G. White, em Silver Spring, EUA

Referências

¹ Ellen Harmon, Day Star, 14/3/1846, p. 7.

² James White, Review and Herald, 11/12/1855, p. 85.

³ Ellen G. White, Primeiros Escritos (CPB, 2022), p. 38.

⁴ Ellen G. White, Carta ao irmão Chapman, 11/06/1891, em Manuscript Releases (White Estate, 1990), v. 14, p. 175, 179.

⁵ Ellen G. White, Manuscript Releases (White Estate, 1993), v. 20, p. 323, 324.

⁶ Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações (CPB, 2021), p. 540.

⁷ Por exemplo, Ellen G. White, Filhas de Deus (CPB, 2024), p. 183-185.

⁸ Ellen G. White, Carta 119, 1895.

⁹ H. C. Lacey a W. C. White, 17/07/1936 (Center for Adventist Research, Andrews University).

¹⁰ Ellen G. White, Signs of the Times, 03/04/1884, p. 209.

¹¹ Ellen G. White, Review and Herald, 25/08/1891, p. 529.

¹² White, O Desejado de Todas as Nações, p. 128.

¹³ Ellen G. White, Parábolas de Jesus (CPB, 2022), p. 35.

¹⁴ White, O Desejado de Todas as Nações, p. 423.

¹⁵ Tim Poirier, Ellen G. White's Trinitarian Statements, Manuscrito 93,1893; Manuscrito 57, 1900; Manuscrito 20, 1906; Manuscrito 21, 1906.

¹⁶ Carta 8, 1896; Manuscrito 27a, 1900; Manuscrito 57, 1900; Manuscrito 20, 1906; Manuscrito 21, 1906.

¹⁷ Manuscrito 20, 1906.

¹⁸ Ellen G. White, A Sketch of the Christian Experience and Views of Ellen G. White (1851), p. 64.

¹⁹ Ellen G. White, Testemunhos Para a Igreja (CPB, 2021), v. 8, p. 194.

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