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domingo, 16 de agosto de 2026

Sábado no tempo do fim

                     Sábado no tempo do fim     Pags. 14 a 17

Reflexões sobre o papel escatológico do quarto mandamento

ÁNGEL MANUEL RODRÍGUEZ


A escatologia adventista confere ao quarto mandamento um papel significativo pouco antes da vinda de Cristo. Essa ênfase escatológica específica levanta pelo menos uma questão: quais são os fundamentos que nos permitem atribuir essa importância ao sábado? A seguir, apresento algumas sugestões que podem ser úteis para responder à nossa pergunta. Essas ideias pressupõem o entendimento da narrativa do querubim celestial caído (Isaías 14:12-14; Ezequiel 28:12-19), que desafiou a integridade do caráter divino (cf. Gênesis 3:4, 5; João 1:8-11) e buscou ser como Deus, afirmando ser um objeto legítimo de adoração (Mateus 4:8-10).

O AMOR DE DEUS

Embora seja mencionado como lei, o sábado confirma a veracidade do evangelho eterno e nos incentiva e ordena sua lembrança. O quarto mandamento é o único que cita Deus explicitamente, referindo-se às Suas duas obras mais importantes: criação (Êxodo 20:8, 11) e redenção (Deuteronômio 5:15).

Quais são as semelhanças entre criação e redenção? Há muitas, mas citarei apenas algumas. Elas são resultado da obra do Filho de Deus (João 1:1-3; 14; Romanos 3:23, 24), o que exige uma interpretação cristológica de ambas (cf. Colossenses 1:15-20). São obras únicas de Deus realizadas por intermédio de Seu Filho e estão envolvidas em um aspecto essencial do evangelho: não são fruto de esforços humanos (Romanos 3:20).

Criação e redenção são as duas manifestações mais poderosas da ação divina que conhecemos. A imensidão do Universo indica que sua origem foi uma esplêndida manifestação do poder de Deus. A manifestação incomparável de Sua graça salvadora (Romanos 5:20) é o envolvimento pessoal e direto do Senhor na obra da redenção por intermédio de Cristo, que possibilita a restauração de cada indivíduo à comunhão permanente com Ele.

Uma das principais semelhanças entre criação e redenção é que ambas expressam o amor divino. O Deus que criou tudo por amor nos deu o sábado para nos lembrar de que Ele é um Criador amoroso. O Deus que nos redimiu por meio do amor e da graça nos concedeu o sábado como um lembrete de que a redenção é um dom do Seu amor e da Sua graça. O sábado é uma prova maravilhosa do amor de Deus como Criador e Redentor. Assim, não é surpreendente que, ao final do conflito cósmico, o sábado se torne um alvo de ataques das forças malignas que se opõem ao evangelho da salvação por meio da fé em Cristo (Apocalipse 12:4; 14:8). Elas tentarão alcançar isso por meio da marca da besta. Satanás tem como objetivo silenciar o testemunho do sábado, que representa o primeiro ato de amor divino na história do cosmos e do evangelho da salvação, que é realizado pelo amor sacrificial de Cristo (Apocalipse 14:13; 13:15). Contudo, o testemunho do sábado não será calado.

O CARÁTER DE DEUS

O querubim caído parece acreditar que modificar o quarto mandamento seria um meio eficiente para alcançar seus propósitos malignos. Desde o início, ele esteve em conflito aberto contra a vontade de Deus, mas sua hostilidade contra a lei é claramente exposta na literatura apocalíptica (cf. Daniel 7:25; 2 Tessalonicenses 2:3, 4, 7, 8). Sua oposição à lei divina disfarça um ataque direto contra o Senhor.

Como o Decálogo reflete verbalmente o caráter divino, qualquer mudança na lei representa um ataque à integridade e à perfeição desse caráter, insinuando que Deus não é quem afirma ser, conforme a serpente sugeriu a Eva (Gênesis 3:4, 5). Se houvesse necessidade de alterar a lei de Deus, isso indicaria claramente que a lei, e especialmente o Legislador, é falha e necessita de aprimoramentos. Como resultado, Lúcifer parece defender que desobedecer a uma lei imperfeita é legal e moralmente aceitável.

A alteração mais significativa aconteceu quando se buscou substituir a observância do sábado pela guarda do domingo. Dessa forma, Satanás buscava descreditar o caráter divino e exibir sua autoridade sobre a lei. Ao aceitar a mudança e obedecer ao "mandamento" modificado, os seres humanos, de fato, negam a integridade do caráter amoroso de Deus. Isso justifica a relevância do Decálogo, que reflete o caráter do Senhor, no livro do Apocalipse (Apocalipse 12:17; 14:12).

SÁBADO E ADORAÇÃO

Mudar o quarto mandamento, trocando o dia de descanso e adoração, resultaria na adoração de um deus falso. É importante ter em mente que o mandamento do sábado não diz respeito ao descanso em um dia comum, mas está ligado a um dia sagrado. Esse é o tempo em que Deus e os fiéis se encontram, liberando os observadores do sábado das preocupações com produtividade ou obras humanas. Entramos nesse período sagrado para estar em comunhão com nosso Criador e Redentor, adorando-O. De fato, a santidade do sétimo dia, o sábado, é um "espaço no tempo" que foi divinamente estabelecido para adorar a Deus.

Atualmente, a maior parte do mundo cristão considera o domingo como o dia verdadeiro de culto. Parece que o objetivo de Satanás foi alcançado: ele mudou a lei no ponto em que se encontra com a adoração. De fato, eles são inseparáveis; portanto, mudar o quarto mandamento leva à idolatria. Isso é incrivelmente engenhoso e extremamente enganoso!

Ao modificar o quarto mandamento, o querubim caído parece ter alcançado seu objetivo: desacreditar o caráter divino e se tornar objeto de adoração. Para ele, o sábado precisa acabar! Assim, é imprescindível que a humanidade ouça novamente o evangelho da salvação por meio da fé em Cristo, que não contraria a lei divina expressa no Decálogo. A perpetuidade da lei deve ser proclamada não como um instrumento de salvação, mas como prova da salvação por meio da fé em Cristo.

SINAL DE LEALDADE

O sábado ocupa o centro do Decálogo, e sua singularidade e especificidade o tornam um sinal ideal de lealdade a Deus. No idioma hebraico, o Decálogo, conforme apresentado em Êxodo 20:3-17, é composto por 152 palavras. Para encontrar o centro, basta dividir 152 por dois, resultando em 76 palavras em cada lado. O versículo 10 é o centro do Decálogo. A 76ª palavra é "sétimo", enquanto na outra seção é "sábado". A seguinte frase está no centro do Decálogo: Mas o sétimo dia é um sábado "pertencente ao", "em honra de", ou "para" o Senhor.

Sob a perspectiva literária, a frase específica ocupa o centro dos Dez Mandamentos, e considerando o que sabemos sobre a narrativa bíblica do sábado, isso não é uma coincidência. Sabemos que essa frase adquiriu grande relevância na história da observância do sábado. A especificidade do mandamento, expressa na frase "o sétimo dia é o sábado", perturbou tanto o mundo cristão que se optou por removê-la, sob a justificativa de que "o sétimo dia” é um elemento ritual do quarto mandamento sem nenhuma relevância para os cristãos.

Entretanto, é exatamente a especificidade do mandamento – ser o sétimo dia – que o torna um sinal de fidelidade ao Senhor no meio do conflito cósmico e que enfatiza o privilégio humano de viver em comunhão com esse Deus santo. Satanás exige lealdade exclusiva e se opõe ao sinal de fidelidade a Deus no tempo do fim, oferecendo ironicamente um falso sábado, o primeiro dia da semana, como sinal de lealdade a ele: a marca da besta (Apocalipse 13:16). Entretanto, a lei de Deus é perfeita (Salmo 19:7) e inalterável, pois reflete o caráter divino.

CONCLUSÃO

O papel escatológico do sábado no tempo do fim está ligado ao propósito divino de que ele sirva como um testemunho do evangelho da salvação por meio da fé em Cristo. Isso é inaceitável para o querubim caído, que tenta divulgar seu evangelho falso. As forças do mal se opõem ao sábado bíblico, pois ele serve como um lembrete constante para a humanidade de que criação e redenção são as expressões mais significativas do amor divino.

O sábado associa um mandamento específico à verdadeira identidade do objeto de adoração, e essa particularidade o converte em um sinal visível e efetivo de fidelidade ao Cordeiro, em um período em que as forças malignas batalham contra Ele, Sua lei e Seu caráter.

Assim, a observância do sábado pelo povo de Deus servirá como um sinal, um testemunho para o mundo, demonstrando que o Criador e Redentor é um Deus amoroso e cheio de misericórdia, e que o descanso é encontrado por meio da fé em Cristo. O Cordeiro de Deus vencerá a oposição escatológica contra Ele (Apocalipse 17:14).

ÁNGEL MANUEL RODRÍGUEZ, pastor, professor e teólogo aposentado, foi diretor do Instituto de Pesquisa Bíblica

Referência

A versão completa deste artigo está disponível em: "The eschatological role of the sabbath", Reflections*, nº 87, jul/set 2024, p. 2-5.

Revista Adventista - Janeiro 2026

sábado, 15 de agosto de 2026

O papel do ancionato

 

O papel do ancionato

Pags. 18, 19 e 20

A origem, o propósito e as atividades de um ministério essencial para a igreja

DA REDAÇÃO

No calendário da Divisão Sul-Americana, em 27 de junho é celebrado o Dia do Ancionato. Reconhecendo a importância desse verdadeiro exército de voluntários, este infográfico busca lançar luz sobre a origem bíblica da função, bem como sobre as múltiplas responsabilidades dos anciãos – desde o apoio direto ao pastor até a visitação, o ensino, a promoção da unidade e o fortalecimento espiritual dos membros. Em milhares de congregações, esses líderes exercem influência decisiva, contribuindo para que a igreja permaneça firme em sua missão e relevante em seu testemunho.

REQUISITOS

"Irrepreensível, esposo de uma só mulher, moderado, sensato, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, nem violento, porém cordial, inimigo de conflitos, não avarento; e que governe bem a própria casa" (1 Timóteo 3:2, 3).

Sempre exigiu disposição para servir, seguindo o exemplo de Cristo no cuidado com as pessoas (1 Timóteo 4:9, 10).

Desde o início, envolveu pessoas consagradas e dignas de confiança, escolhidas para apoiar a igreja e cuidar do rebanho (1 Timóteo 3:1-7; Tito 1:5-9).

Desempenhou papel fundamental na organização e na expansão da igreja, contribuindo diretamente para a pregação do evangelho ao mundo (Atos 11:30; 15).

ORIGEM E PROPÓSITO

O ancionato teve origem no Antigo Testamento e foi adotado pela igreja do Novo Testamento como modelo de liderança (Números 11:16, 17; Atos 20:17, 28).

FUNÇÕES

Muito além de uma função administrativa, o ancião é um líder espiritual chamado por Deus para cuidar, orientar e servir a congregação com dedicação e sensibilidade pastoral. Esse trabalho envolve:

1 Supervisão

- Atuam como "supervisores", pastoreando a igreja de Deus (Atos 20:28).

- Não realizam todo o trabalho sozinhos, mas acompanham, orientam e apoiam os demais líderes.

- Exercem liderança participativa, envolvendo membros e comissões nas decisões.

- Planejam, organizam e acompanham os programas da igreja.

- Promovem e implementam iniciativas missionárias locais e das organizações superiores.

- Podem presidir reuniões e comissões na ausência do pastor, desde que tenham autorização dele.

2 Pastoreio e cuidado

- Atuam como copastores, cuidando do rebanho sob orientação do pastor (1 Pedro 5:1, 2).

- Demonstram cuidado individual: aconselham, encorajam, visitam e oram pelos membros.

- Atendem a necessidades específicas, como ministrar a Ceia do Senhor a enfermos.

- Participam do preparo de candidatos ao batismo e do discipulado de novos membros.

TRABALHO EM EQUIPE

- O ancionato é um ministério coletivo, não individual.

- Deve ser composto por pessoas que atuem de forma unida.

- Trabalha em parceria com o pastor distrital, sendo seu principal apoio na igreja local e visando ao crescimento espiritual e ao foco na missão.

Fonte: Guia do Ancionato (CPB, 2025)


Revista Adventista - Julho 2026 - Pag, 18, 19, 20

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

JESUS E A VIÚVA

 

JESUS E A VIÚVA

Pags. 10 e 11

(Coppée)

Um dia em que Jesus com Simão Pedro andava, junto a Genezaré, margeando o lago, à brava refulgência estival da áurea luz meridiana, enxergou no caminho, ao pé de uma cabana, sentada no limiar, inda cheia de dor, uma pobre mulher, viúva de um pescador, baloiçando em silêncio o berço do filhinho, e fiando ao mesmo tempo uma estriga de linho.

Sob um curvo dossel de amplas figueiras, Cristo contemplava com Pedro a mulher, sem ser visto. Eis que chega um mendigo, um velhinho arquejante, carregando à cabeça um grande vaso; diante da viúva pára, exausto, e seu auxílio implora: "Mulher, devo levar, sem nenhuma demora, este vaso de leite ao próximo povoado. Tu bem vês como estou, bem vês; desajudado, não posso lá chegar. Já muito pouco valho, e é por ganhar o pão que inda, às vezes, trabalho."

Ela não deu resposta ao velho miserando; tomou-lhe a grave bilha e seguiu-o, deixando o filho que chorava e o restante da estriga.

Pedro, espantado, então, dessa bondade amiga, volvendo-se a Jesus, disse: "Vê, Mestre, aquela abandona a morada e o filho, sem cautela, somente por servir ao primeiro que passa. Necessário não é que tal trabalho faça: o infeliz acharia aqui mesmo bem perto um caminheiro bom que o ajudasse, de certo."

Respondeu-lhe Jesus: "Pedro, quando algum pobre tal afecto de irmão por um irmão descobre, Meu Pai, que tudo vê, lhe ampara o humilde tecto. Essa mulher fez bem."

E com sereno aspecto, Cristo deiza o dossel das figueiras, caminha, vai sentar-Se, a sorrir, junto à velha casinha, e pelas próprias mãos, numa ternura mansa, fia o linho na roca e baloiça a criança …

Depois, Cristo partiu. Regressando, cansada, a viúva compassiva achou, maravilhada, — Sem suspeitar quem fosse o bom desconhecido — fiada a estriga inteira e o filho adormecido.


AMADEU AMARAL.

REVISTA ADVENTISTA Maio de 1950

Abra o Coração a Deus

                                Abra o Coração a Deus

CC - Pag. 37 

"O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia." Prov. 28:13.

As condições para obter misericórdia de Deus são simples, justas e razoáveis. O Senhor não requer de nós atos penosos a fim de que alcancemos o perdão dos pecados. Não precisamos empreender longas e cansativas peregrinações, nem praticar duras penitências a fim de recomendar nossa alma ao Deus do Céu ou expiar nossas transgressões; mas o que confessa os seus pecados e os deixa, alcançará misericórdia.

Diz o apóstolo: "Confessai as vossas culpas uns aos outros e orai uns pelos outros, para que sareis." Tia. 5:16. Confessai vossos pecados a Deus, que é o único que os pode perdoar, e vossas faltas uns aos outros. Se ofendestes a vosso amigo ou vizinho, deveis reconhecer vossa culpa, e é seu dever perdoar-vos plenamente. Deveis buscar então o perdão de Deus, porque o irmão a quem feristes é propriedade de Deus e, ofendendo-o, pecastes contra seu Criador e Redentor. O caso será levado perante o único Mediador verdadeiro, nosso grande Sumo Sacerdote, que "como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado", e que Se compadece "das nossas fraquezas" (Heb. 4:15), sendo apto para purificar-nos de toda mancha de iniqüidade.

Os que não humilharam ainda a alma perante Deus, reconhecendo sua culpa, não cumpriram ainda a primeira condição de aceitabilidade. Se não experimentamos ainda aquele arrependimento do qual não há arrepender-se, e não confessamos os nossos pecados, com verdadeira humilhação de alma e contrição de espírito, aborrecendo nossa iniqüidade, nunca procuramos verdadeiramente o perdão dos pecados; e se nunca buscamos a paz de Deus, nunca a encontramos. A única razão por que não temos a remissão dos pecados passados, é não estarmos dispostos a humilhar o coração e cumprir as condições apresentadas pela Palavra da verdade. Acerca deste assunto são-nos dadas explícitas instruções. A confissão de pecados, quer pública quer privada, deve ser de coração, expressa francamente. Não deve ser obtida do pecador à força de insistência. Não deve ser feita de maneira negligente ou folgazã, nem extorquida dos que não reconhecem o abominável caráter do pecado. A confissão que é o desafogo do íntimo da alma, achará o caminho ao Deus de infinita piedade. Diz o salmista: "Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado e salva os contritos de espírito." Sal. 34:18.

A confissão verdadeira tem sempre caráter específico e faz distinção de pecados. Estes podem ser de natureza que devam ser apresentados a Deus unicamente; podem ser faltas que devam ser confessadas a pessoas que por elas foram ofendidas; ou podem ser de caráter público, devendo então ser confessados com a mesma publicidade. Toda confissão, porém, deve ser definida e sem rodeios, reconhecendo justamente os pecados dos quais sois culpados.

Nos dias de Samuel os israelitas apartaram-se de Deus. Estavam sofrendo as conseqüências do pecado, pois haviam perdido a fé em Deus, deixado de reconhecer Seu poder e sabedoria para governar a nação, perdido a confiança em Sua capacidade de defender e reivindicar Sua causa. Volveram costas ao grande Rei do Universo, desejando ser governados como as nações ao seu redor. Para encontrar paz fizeram esta definida confissão: "A todos os nossos pecados temos acrescentado este mal, de pedirmos para nós um rei." I Sam. 12:19. Importava que confessassem justamente o pecado do qual tinham sido convencidos. A ingratidão oprimia-lhes a alma, separando-os de Deus.

A confissão não será aceitável a Deus sem o sincero arrependimento e reforma. E preciso que haja decisivas mudanças na vida; tudo que seja ofensivo a Deus tem de ser renunciado. Este será o resultado da genuína tristeza pelo pecado. A obra que nos cumpre fazer de nossa parte, é-nos apresentada claramente: "Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos Meus olhos e cessai de fazer mal. Aprendei a fazer bem; praticai o que é reto; ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas." Isa. 1:16 e 17. "Restituindo esse ímpio o penhor, pagando o furtado, andando nos estatutos da vida e não praticando iniqüidade, certamente viverá, não morrerá." Ezeq. 33:15. Paulo diz, falando da obra do arrependimento: "Quanto cuidado não produziu isso mesmo em vós que, segundo Deus, fostes contristados! Que apologia, que indignação, que temor, que saudades, que zelo, que vingança! Em tudo mostrastes estar puros neste negócio." II Cor. 7:11.

 

Quando o pecado embota as percepções morais, o transgressor já não discerne os defeitos de seu caráter, nem reconhece a enormidade do mal que cometeu; e a menos que se renda ao poder persuasivo do Espírito Santo, permanece em parcial cegueira quanto aos seus pecados. Suas confissões não são sinceras e ferventes. A cada reconhecimento de seu pecado acrescenta uma desculpa em justificação de seu procedimento, declarando que se não fossem certas circunstâncias, não teria praticado este ou aquele ato, pelo qual está sendo reprovado.

Depois de haverem Adão e Eva comido do fruto proibido, ficaram cheios de um sentimento de vergonha e terror. A princípio seu único pensamento era como desculpar seu pecado e escapar à temida sentença de morte. Quando o Senhor os interrogou acerca de seu pecado, Adão respondeu, lançando a culpa em parte sobre Deus e em parte sobre a companheira: "A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi." A mulher lançou a culpa sobre a serpente, dizendo: "A serpente me enganou, e eu comi." Gên. 3:12 e 13. Por que fizeste a serpente? Por que lhe permitiste entrar no jardim? Estas eram as perguntas que transpareciam das palavras com que procurava desculpar seu pecado, lançando, assim, sobre Deus a responsabilidade de sua queda. O espírito de justificação própria originou-se no pai da mentira, e tem sido manifestado por todos os filhos e filhas de Adão. Confissões desta ordem não são inspiradas pelo Espírito divino, e não são aceitáveis a Deus. O arrependimento verdadeiro levará o homem a suportar ele mesmo sua culpa e reconhecê-la sem engano nem hipocrisia. Como o pobre publicano, que nem ao menos os olhos ousava erguer ao céu, clamará: "Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!" (Luc. 18:13) e os que reconhecerem sua culpa serão justificados, pois Jesus apresenta Seu sangue em favor da alma arrependida.

Os exemplos que a Palavra de Deus nos apresenta de genuíno arrependimento e humilhação revelam um espírito de confissão em que não há escusa do pecado, nem tentativa de justificação própria. Paulo não procurava desculpar-se; pintava seus pecados nas cores mais negras, não procurando atenuar sua culpa. Diz ele: "Encerrei muitos dos santos nas prisões; e, quando os matavam, eu dava o meu voto contra eles. E, castigando-os muitas vezes por todas as sinagogas, os obriguei a blasfemar. E, enfurecido demasiadamente contra eles, até nas cidades estranhas os persegui." Atos 26:10 e 11. Não hesita em declarar que "Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal". I Tim. 1:15.

O coração humilde e contrito, rendido pelo arrependimento genuíno, apreciará algo do amor de Deus e do preço do Calvário; e, como um filho confessa sua transgressão a um amante pai, assim trará o verdadeiro penitente todos os seus pecados perante Deus. E está escrito: "Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça." I João 1:9.


Ellen White - Caminho a Cristo. Pag.  37 - 41

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