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quarta-feira, 30 de setembro de 2026

VIGILÂNCIA NA ERA DAS INCERTEZAS

 

VIGILÂNCIA NA ERA DAS INCERTEZAS

Pags. 8, 9, 10, 11, 12 e 14

Como interpretar as profundas transformações mundiais da atualidade à luz das profecias bíblicas

DIOGO CAVALCANTI


O mundo como o conhecíamos deixou de existir. Uma série de transformações simultâneas redesenham a ordem internacional e a própria história diante dos nossos olhos. Movimentações geopolíticas, conflitos militares, disrupção tecnológica e industrial nos levam à perplexidade, a um senso de hesitação, dúvida e desrealização (de que não parece real) perante fatos que nos assustam. Não escapamos ao assombro em relação a acontecimentos que ora confirmam ora parecem contradizer elementos centrais da nossa escatologia, e isso não vem de hoje (veja o quadro).

“PERIGOS APOCALÍPTICOS”

Basta entender um pouco de política, economia e história para perceber que vivemos em meio a um terremoto geopolítico, a começar pela ordem mundial. Há poucos anos liderada isoladamente pelos Estados Unidos, essa posição agora é disputada pela China, que já ascendeu ao patamar de superpotência. Após crescer a taxas superiores a 10% por mais de três décadas, o país asiático atingiu a marca de 18,4 trilhões de dólares do PIB,¹ de acordo com o Banco Mundial (2024). Para se ter uma ideia da enormidade desse salto, em 1995 o PIB chinês era menor que o do Brasil.²

Em 30 anos, o país asiático subiu à estratosfera geopolítica, tornando-se líder mundial em inúmeras áreas, da indústria espacial à computação quântica. A China também tem oito entre as dez melhores universidades do mundo.³ Toda essa pujança não decorreu da assimilação de valores democráticos. Pelo contrário: mantém um massivo aparato tecnológico de controle, através de milhões de câmeras e de um sistema de crédito social. Ao redor do mundo, as novas tecnologias, que prometiam disseminar a liberdade e a democracia, acabaram por miná-las. Em alguns países islâmicos, por exemplo, câmeras e computadores monitoram populações inteiras. Por sua vez, ao redor do mundo, as interações digitais, reguladas por algoritmos, acabaram produzindo uma acirrada polarização política e ideológica que explode em fanatismo e violência.

Em meio ao sucesso do autoritarismo tecnológico, as democracias ocidentais se veem cada vez mais enfraquecidas. Assim, em um panorama de feroz disputa geopolítica, há uma pressão crescente para que a governança se torne mais centralizada, nacionalista e autoritária. Daí abre-se o caminho para líderes demagógicos prometendo milagres.

Por outro lado, fatores diversos como as desigualdades econômicas, o aumento da violência, conflitos armados e a gravíssima queda da taxa de natalidade nos países mais ricos estão ligados à imigração em massa recente, com 281 milhões de imigrantes e 117 milhões de refugiados, segundo relatório da ONU, de 2022.⁴

Como não ocorria desde a Segunda Guerra Mundial, uma luta sangrenta entre nações, com anexação de territórios, voltou a ser travada em solo europeu. Nesse ínterim, outros conflitos eclodiram no Oriente Médio e têm relação com o conflito europeu. A proliferação e a interrelação de guerras, bem como as tensões que se espalham pelo planeta leva o mundo inteiro a temer pelo pior. O resultado é a maior corrida armamentista desde a Guerra Fria, com 2,9 trilhões de dólares em gastos militares somente em 2025.⁵

Isso lembra os anos anteriores à Primeira Guerra Mundial, iniciada em 1914 (veja o quadro). Para piorar, os arsenais nucleares recentemente deixaram de estar sob a restrição de acordos internacionais. As principais potências se comprometeram a modernizar e ampliar seus estoques, dando um péssimo exemplo a outras nações que aspiram se nuclearizar.

Por essa e outras razões, o relógio do fim do mundo, criado por cientistas atômicos, foi adiantado para 85 segundos para a meia-noite, sua pior posição desde sua criação nos tempos da Guerra Fria. Segundo um parecer dos estudiosos, “entendimentos globais arduamente conquistados estão desmoronando, acelerando uma competição entre grandes potências [...] e minando a cooperação internacional crítica para reduzir os riscos de guerra nuclear, mudanças climáticas, uso indevido da biotecnologia, a ameaça potencial da inteligência artificial e outros perigos apocalípticos.”⁶

FIM DO SÉCULO 19 ATÉ 1914

No auge da Segunda Revolução Industrial, com grandes invenções e uma euforia generalizada, as rivalidades entre potências coloniais estouram na Primeira Guerra Mundial, provocando o colapso da ordem mundial fundamentada na supremacia europeia.

Perspectiva adventista

Uma visão pessimista de uma Europa fragmentada (Daniel 2) contrariava as expectativas de um futuro brilhante e utópico, apontando para um iminente cenário de guerra (Mateus 24) e tensões crescentes até o Armagedom (Apocalipse 16).

PÓS-1945

Reordenação geopolítica do pós-guerra em torno da bipolaridade entre Estados Unidos e União Soviética.

Perspectiva adventista

A visão pessimista da história confirmada pelas duas guerras mundiais (Mateus 24) é fortemente surpreendida pelo surgimento de uma nação antagônica à hegemonia profética dos Estados Unidos.

VIGIAR O TEMPO

“Vigiar” é um imperativo bíblico (1 Coríntios 16:13; 1 Pedro 5:8). O verbo original, grēgoreō, tem que ver com estar acordado e vigilante, alerta,⁷ em contínua prontidão.⁸ Significa manter uma preparação espiritual, porém relacionada ao tempo profético (Mateus 24:42). Não sabemos o momento exato da vinda do Senhor, mas Ele nos indicou sinais de sua proximidade, como os tempos de uma nova estação: o verão e a colheita. É interessante notar que, em hebraico, a palavra para “verão” (qayits) tem que ver com “fim” (qēts). Essa é uma conexão evidente em Amós: “O que você está vendo, Amós? E eu respondi: 'Um cesto de frutos de verão [qayits]. Então o SENHOR me disse: Chegou o fim [qēts] para o Meu povo de Israel" (Amós 8:1, 2). O fim é metaforizado como um fruto maduro, algo que chega ao ponto final de um processo.

Na mente dos discípulos, que falavam aramaico, mas tinham noções vivas do hebraico, a parábola da figueira teve profundo impacto. “Aprendam a parábola da figueira: quando já os seus ramos se renovam e as folhas brotam, vocês sabem que o verão está próximo. Assim, também vocês, quando virem todas estas coisas, saibam que está próximo, às portas" (Mateus 24:32, 33). Essa parábola lança um princípio profético tão negligenciado quanto abusado em nossos dias: observar apropriadamente os tempos em que vivemos.

Não podemos ignorar os fatos e levar nossa vida adiante sem nenhuma preparação. Isso decorreria da indiferença não só aos acontecimentos, mas à própria autoridade da Bíblia. Ser indiferente é agir como os antediluvianos (Mateus 24:37-39), os céticos e os zombadores (2 Pedro 3:3, 4). Também é a postura do protestantismo secularizado que abraçou a abordagem preterista de estudo das profecias apocalípticas e que não vê qualquer significância nos fatos atuais.

Contudo, Jesus chamou atenção à importância “de vermos estas coisas", ou seja, os acontecimentos ou sinais (Mateus 24:1-31), como uma indicação de que o verão – a maturação e o fim da história humana de pecado – está próximo. Contudo, isso não deve nos levar ao alarmismo. Ele é marcante na abordagem futurista, a qual costuma chamar atenção para fatos específicos do presente como cumprimentos escatológicos gritantes.

Ao “ler” a realidade atual, nosso desafio é enxergar o cumprimento da profecia na história, e o presente também faz parte dela. Porém não podemos torcer a história para harmonizá-la à nossa interpretação profética e muito menos torcer a profecia para harmonizá-la à história, dizendo, por exemplo, que a China é o dragão de Apocalipse 12.

PÓS-1991

Reordenação geopolítica com o colapso da União Soviética e o estabelecimento da unipolaridade norte-americana.

Perspectiva adventista

A queda da União Soviética favoreceu a visão da supremacia americana no tempo do fim, enquanto a solidificação das democracias desafiou a visão escatológica adventista sobre perseguição religiosa (Apocalipse 13).

A PARTIR DE 2020

Intensa reordenação geopolítica em torno da multipolaridade, da eclosão de conflitos regionais, da disputa entre potências, da criação de zonas de influência, de um enfraquecimento dos direitos individuais e da incerteza quanto à coexistência pacífica.

Perspectiva adventista

A ascensão chinesa e a multipolaridade desafiam a capacidade de os Estados Unidos liderarem a imposição de um futuro decreto em escala global. Por outro lado, surpreendentemente, discursos antidemocráticos ganham força, enquanto crises e incertezas globais abrem espaço para uma “nova” liderança com influência global (Apocalipse 13:1-8).

PRINCÍPIOS ÚTEIS

A fim de evitar os extremos da indiferença e do fanatismo, precisamos estar atentos tanto à forma de olhar para o texto bíblico quanto para a realidade atual. Seguem quatro princípios básicos:

1. O estudo das profecias deve ser multifacetado. Imagine um diamante: ele tem várias faces; cada uma reflete a luz de uma maneira. Para desenhar bem um diamante e compreendê-lo, é preciso contemplar cada uma de suas faces. Assim também é o estudo das profecias de Daniel e do Apocalipse. Precisamos começar por uma forma bíblica de interpretar – uma hermenêutica bíblica – seguida por uma exegese ou interpretação do texto específico que contemple todos os elementos envolvidos: a língua original, a etimologia, bem como a morfologia, a gramática, a sintaxe, o contexto literário, o tempo em que o texto foi escrito, a literatura e a iconografia da época, sem nos esquecer da relação do texto com o restante das Escrituras. Também é vital considerar a mensagem profética, em grande parte, incompreensível a Daniel e João quando a escreveram (Daniel 7:15; 8:27; 12:4, 8, 9). Porém, essa mensagem se tornaria compreensível no tempo do fim à luz da história (Daniel 12:4; João 16:4; Apocalipse 10:1-11) que se estende desde o tempo do autor bíblico até os dias atuais, segundo o modelo da explicação historicista bíblica do anjo-intérprete em Daniel 7 (v. 17, 23-27).

2. É preciso observar as grandes tendências atuais e não se perder com distrações periféricas ou não reveladas. Aspectos como o ano da volta de Jesus e dispositivos relacionados à marca da besta são pautas de uma visão futurista da realidade. Não devemos perder tempo com o que a Palavra não revelou (Deuteronômio 29:29). O grande ponto é: Como as tendências ajudam a mostrar em que direção os ventos da história seguem? Quais situações proféticas seriam plausíveis? Por exemplo, as sociedades democráticas estão mais ou menos inclinadas a abrir mão dos direitos individuais? Essa é uma forma mais segura de ler os tempos em que vivemos e descobrir se a água está esquentando antes de ela começar a ferver.

3.A história humana não é determinista nem caótica, mas avança de acordo com a concessão divina. É certo que os líderes humanos têm liberdade para tomar suas decisões, mas não significa que Deus abandonou a Terra (deísmo) nem que Ele determina cada evento (uma filosofia determinista da história). Deus dá liberdade para a ação humana, mas também estabelece limites que, quando ultrapassados, levam à ruína de líderes (Daniel 4:29-33) e potências mundiais (Daniel 5:27-31). A própria existência dos países ocorre por concessão divina (Atos 17:26, 27).

4. Acontecimentos históricos podem surpreender nossas expectativas, mas ao final confirmam a profecia. Após 1945, muitos questionavam o cumprimento da visão adventista de Apocalipse 13, pelo fato de existir uma superpotência antagônica e rival aos Estados Unidos, a União Soviética. Hoje é tão surpreendente a ascensão da China quanto o aparente declínio dos Estados Unidos e isso parece contradizer todo o nosso entendimento de Apocalipse 13. Porém, os eventos ainda estão se desenrolando e coisas podem mudar: a China pode ter graves retrocessos, e os problemas que afligem os Estados Unidos podem ser contornados por medidas extremas que levem, mais cedo ou mais tarde, ao cenário profético. Medidas desesperadas geralmente ocorrem em situações de grave crise, e alianças se formam quando a força de uma única parte é insuficiente. Então, cabe aqui uma pergunta: A segunda besta de Apocalipse 13 age somente a partir de uma posição de força ou também de fraqueza, pelo fato de precisar se aliar e se submeter à primeira besta? O que um evangelicalismo cada vez mais envolvido na política indica como tendência para os próximos anos? O que uma ala liberal-secular cada vez mais agressiva aos princípios judaico-cristãos indica sobre a batalha decisiva de Daniel 11?

Ellen White afirmou que “a Bíblia revela a verdadeira filosofia da história”⁹ e que “na Palavra de Deus [...] a cortina é afastada, e contemplamos em todas as dimensões e em toda a marcha e contramarcha das paixões, do poder e dos interesses humanos a força de um Ser misericordioso, que executa, de forma silenciosa e paciente, as determinações de Sua própria vontade.”¹⁰ Isso nos tranquiliza, anima e dá esperança. Os fatos atuais fazem aparecer blips no nosso radar, por um lado confirmando as profecias. Por outro, notamos coisas estranhas e novas às nossas expectativas. Isso nos faz mais humildes em relação aos detalhes e ao mesmo tempo confiantes na palavra profética e na direção divina.

DIOGO CAVALCANTI, ex-gerente editorial associado da CPB, é estudante do PhD em Teologia do Antigo Testamento pela Universidade Andrews (EUA)

Referências

¹ World Bank, "GDP (current US$) - China", https://data.worldbank.org/indicator/NY.GDP.MKTP.CD?locations=CN.

² Alexandre Pierro, "O que o Brasil deve aprender com a China", Empresas & Negócios, 18 de julho de 2025, https://jornalempresasenegocios.com.br/artigos/o-que-o-brasil-deve-aprender-com-a-china.

³ Leiden Ranking Traditional Edition, https://traditional.leidenranking.com/ranking/2025/list; Mark Arsenault, "Chinese Universities Surge in Global Rankings as U.S. Schools Slip", The New York Times, 15 de janeiro de 2026, https://www.nytimes.com/2026/01/15/us/harvard-global-ranking-chinese-universities-trump-cuts.html.

⁴ OIM-ONU, "Relatório Mundial sobre Migração de 2024 revela as últimas tendências e desafios mundiais para a mobilidade humana", 7 de maio de 2024, https://brazil.iom.int/pt-br/news/relatorio-mundial-sobre-migracao-de-2024-revela-ultimas-tendencias-e-desafios-mundiais-para-mobilidade-humana#:~:text=Com%20281%20milhões%20de%20migrantes,milhões%20ao%20final%20de%202022.

⁵ Stockholm International Peace Research Institute, "Global military spending rise continues as European and Asian expenditures surge", 27 de abril de 2026, https://www.sipri.org/media/press-release/2026/global-military-spending-rise-continues-european-and-asian-expenditures-surge.

⁶ "It is now 85 seconds to midnight", Bulletin of the Atomic Scientists, https://thebulletin.org/doomsday-clock/2026-statement/.

⁷ James Swanson, Dictionary of Biblical Languages with Semantic Domains: Greek (New Testament (Logos Research Systems, 1997); Logos Bible Software.

⁸ Johannes P. Louw e Eugene Albert Nida, Greek-English Lexicon of the New Testament: Based on Semantic Domains (United Bible Societies, 1996), p. 332.

⁹ Ellen G. White, Educação (CPB, 2021), p. 123.

¹⁰ White, Educação, p. 123.


REVISTA ADVENTISTA - JUNHO 2026

terça-feira, 29 de setembro de 2026

CONTRA A CORRENTE

 

CONTRA A CORRENTE

Pags. 30 e 31

A decisão diária de fazer a vontade de Deus, lutando contra influências contrárias

YORRANA DE LIMA PEREIRA


Diversas vezes fui questionada por meus colegas sobre minhas crenças. Quando isso acontecia, eu tentava demonstrar, com amor, aquilo que a Bíblia ensina. Apesar disso, eles usavam o que eu dizia para me transformar em motivo de zombaria. Eu me sentia frustrada, como se estivesse jogando “pérolas diante dos porcos” (Mateus 7:6).

Esse tipo de situação fez com que eu fosse excluída. Frequentemente, eu procurava meus pais e pastores pedindo conselhos, pois sentia que estava cada vez mais sozinha, apesar de estar rodeada de pessoas. Porém, com o tempo, entendi que agradar a Deus tem um preço e percebi que ser fiel a Ele é melhor do que ser aceita pelas pessoas.

Depois de vivenciar situações como essa, percebi que não se trata de uma realidade isolada. Muitos jovens cristãos enfrentam diariamente a pressão exercida pelas redes sociais, pelos colegas de escola e até mesmo por amigos mais próximos. Alguns agem de maneira semelhante à dos outros, contrariando seus valores para se encaixar em determinado grupo. Assim, vários jovens acabam sendo levados por amigos guiados pelas coisas triviais do mundo, por não terem uma base sólida firmada nas Escrituras, o que os leva a ter dificuldade em se posicionar quando são questionados acerca de suas crenças. Outros, pela falta de comunhão com Cristo, encontram-se distantes do ideal do Salvador para sua vida e são facilmente influenciados por ideias secularizadas.

Isso mostra que o maior desafio não está apenas nas influências externas, mas em quem ou no que ocupa o seu coração. Quando nossa identidade não está enraizada em Jesus, qualquer voz ao redor pode se tornar mais alta do que a voz de Deus. É desejo de Cristo nos transformar, pelo poder do Espírito Santo, em portadores de Sua luz neste mundo de trevas. Porém, Ele não pode habitar em um coração que coloca pessoas, objetos, paixões, sonhos e ambições no lugar que Lhe pertence. Paulo aconselhou: “E não vivam conforme os padrões deste mundo, mas deixem que Deus os transforme pela renovação da mente, para que possam experimentar qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12:2). Ou seja, é preciso ter consciência do propósito divino para que haja firmeza na hora de negar os prazeres mundanos.

EXEMPLOS

A Bíblia apresenta exemplos de jovens que enfrentaram situações em que foram desafiados a deixar de lado aquilo em que acreditavam, por estarem em ambientes contrários aos seus princípios. Entretanto, eles permaneceram fiéis. Um dos exemplos mais conhecidos é o de Daniel, um jovem que foi levado cativo para a Babilônia durante o exílio de Judá. Diante de tantas influências, ele demonstrou que ser fiel independe do lugar ou da condição; depende de quem governa sua vida.

Qual era o segredo de Daniel? A comunhão com Aquele que era seu modelo de vida.

Ellen White afirmou: “Os jovens precisam sempre conservar diante de si a conduta seguida por Cristo, a qual era a cada passo um procedimento vitorioso. Cristo não veio à Terra como rei para governar nações. Veio como homem humilde para ser tentado, vencer a tentação e prosseguir, como nós devemos fazer, conhecendo ao Senhor. No estudo de Sua vida aprenderemos quanto Deus, por meio Dele, fará em favor de Seus filhos.”¹ Logo, a fidelidade a Deus é sempre possível, desde que estejamos com os olhos fixos no Salvador. Somos chamados a viver como Daniel, na contramão deste mundo.

Diante disso, fazer a vontade de Deus não requer apenas boas intenções, mas também ações práticas e apoio espiritual. Buscar orientação com pastores é essencial, pois nem todos têm o privilégio de nascer em uma família cristã estruturada. Ainda assim, sempre que possível, contar com o direcionamento da família é crucial para fortalecer a fé e enfrentar os desafios.

Além disso, é necessário ter cautela ao escolher as amizades, pois elas podem levar o jovem a glorificar a Deus ou a se aproximar do mundo. Como Ellen White aconselhou: “Não podemos ser menos cuidadosos quanto aos companheiros que escolhemos. Atentem para o que há de nobre no caráter dos outros, e esses traços se tornarão uma força moral para que possam resistir ao pecado e escolher o bem.”²

CAMINHO SEGURO

Mesmo buscando refúgio em Cristo, não estamos livres de enfrentar provações – como humilhação, zombaria e exclusão –, pois o próprio Jesus advertiu: “No mundo, vocês passam por aflições” (João 16:33). No entanto, isso não significa que devemos viver tristes ou desanimados, pois esse tipo de situação contribui para moldar o caráter e fortalecer a fé (Tiago 1:12).

Por isso, é muito importante manter a comunhão com o Criador por meio do estudo da Bíblia, da oração e da entrega diária de nossa vida, de nossos planos, sonhos e desafios. Só assim estaremos profundamente enraizados na Videira, prontos para suportar os obstáculos que vêm com a decisão de seguir a Jesus e defender a verdade (João 15:5-8). É cultivando esse relacionamento com o Senhor que também estaremos aptos a ser Seus mensageiros fiéis, em qualquer circunstância.

Não vale a pena renunciar aos princípios divinos para seguir um mundo que “está sob o poder do Maligno” (1 João 5:19) e que, em breve, findará. Em meio às dúvidas, à constante pressão e aos empecilhos que surgem no caminho, cada decisão demonstra a quem estamos escolhendo seguir. Ser fiel a Deus não é o caminho mais fácil, mas sempre será o mais seguro.

Ao longo da jornada, percebemos que é mais fácil enfrentar a rejeição, a zombaria e a exclusão quando temos uma vida de comunhão com Cristo, pois, quando o deserto vier, Ele estará lá para nos acompanhar, sustentar e capacitar a continuar.

No fim, amar a Deus é uma decisão diária, feita todas as manhãs, quando entregamos nosso coração a Ele e nos colocamos à disposição para o Seu serviço, mesmo que isso exija andar na contramão do mundo. Que a nossa decisão, apesar de qualquer pressão, seja de permanecer fiéis a Cristo, buscando ter uma identidade bíblica.

Há um Salvador que anseia, em breve, poder nos abraçar e dizer: “Muito bem, servo bom e fiel! Você foi fiel no pouco; Eu o porei sobre o muito. Venha e participe da alegria do Seu Senhor” (Mateus 25:21).

YORRANA DE LIMA PEREIRA é estudante do segundo ano do Ensino Médio

Referências

¹ Ellen G. White, Mensagens aos Jovens (CPB, 2021), p. 13.

² White, Mensagens aos Jovens, p. 123.


Revista Adventista - Junho 2020 - Pg. 30, 31

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