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sexta-feira, 21 de agosto de 2026

A Rede e a Pesca

                                        A Rede e a Pesca

PJ - Pag. 122 

"O reino dos Céus é semelhante a uma rede lançada ao mar e que apanha toda qualidade de peixes. E, estando cheia, a puxam para a praia e, assentando-se, apanham para os cestos os bons; os ruins, porém, lançam fora. Assim será na consumação dos séculos: virão os anjos e separarão os maus dentre os justos. E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali, haverá pranto e ranger de dentes." Mat. 13:47-50.

O lançar da rede é a pregação do evangelho. Este congrega na igreja bons e maus. Quando terminar a missão do evangelho, o juízo efetuará a obra de separação. Cristo viu que a existência de falsos irmãos na igreja motivaria que se falasse mal do caminho da verdade. O mundo difamaria o Evangelho por causa da vida incoerente de falsos professos. Mesmo os cristãos seriam induzidos a tropeçar, ao verem que muitos que levavam o nome de Cristo não eram governados pelo Seu Espírito. Havendo tais pecadores na igreja, os homens estariam em perigo de pensar que Deus lhes desculparia os pecados. Por isso Cristo ergueu o véu do futuro e ordenou a todos que notassem que o caráter e não a posição é que decide o destino do homem.

Tanto a parábola do joio, como a da rede, claramente ensinam que não haverá um tempo em que todos os ímpios se converterão a Deus. O trigo e o joio crescem juntos até à ceifa. Os peixes bons e os ruins são puxados juntamente para a margem, para uma separação final.

Essas parábolas ensinam que depois do Juízo não haverá graça. Quando findar a obra do evangelho, seguir-se-á imediatamente a separação de bons e maus, e o destino de cada classe será fixado para sempre.

Deus não deseja a destruição de ninguém. "Vivo eu, diz o Senhor Jeová, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho e viva; convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois por que razão morrereis?" Ezeq. 33:11. Durante todo o período da graça Seu Espírito insta com os homens para que aceitem o dom da vida. Somente os que Lhe rejeitam a intercessão serão deixados a perecer. Deus declarou que o pecado precisa ser destruído como um mal nocivo ao Universo. Os que se atêm ao pecado hão de perecer na destruição do mesmo.

Ministério indígena

 

Ministério indígena

Pag. 5

MIRALDO FAG-TANH OLIVEIRA

Pastor relata experiências e desafios da missão entre os povos originários

MÁRCIO TONETTI

De origem guarani e kaingang, Miraldo Fag-Tanh Oliveira teve contato com a mensagem adventista em 1992, durante uma campanha evangelística de Semana Santa, e foi batizado cerca de quatro anos depois, aos 16 anos. Posteriormente, decidiu cursar Teologia e teve a oportunidade de exercer o ministério entre povos indígenas, como os karajás, na Ilha do Bananal, no estado do Tocantins. Atualmente, é pastor distrital em Mucajaí (RR). Nesta entrevista, ele aborda os desafios e as oportunidades da missão de alcançar os cerca de 1,7 milhão de indígenas que vivem no Brasil.

A chamada Janela Verde” é comparável à Janela 10/40”, no sentido de representar uma região desafiadora para a missão?

Sem dúvida, há grande diversidade de culturas, línguas e costumes entre os povos originários, além de desafios como o difícil acesso a algumas regiões e a necessidade de autorização de órgãos indigenistas para atuar nas comunidades. A evangelização exige tempo, abordagem contextualizada, preparo adequado e pessoas dispostas a viver essa missão. Como há poucos pastores oriundos dessas comunidades, dependemos, sobretudo, de voluntários que se dedicam a amar e evangelizar. Felizmente, também há esforços de entidades da igreja para incentivar jovens a estudar em nossos colégios e faculdades, a fim de que retornem às suas comunidades capacitados e, acima de tudo, com senso de missão.

Como está a presença adventista entre os povos indígenas no Brasil?

Há escassez de dados específicos sobre o tema. Segundo o último censo do IBGE, cerca de 32% dos povos originários se declaram evangélicos, o que pode indicar também um possível crescimento no número de adventistas entre os indígenas. No entanto, o trabalho da igreja junto às comunidades indígenas concentra-se, principalmente, nos estados do Amazonas, Roraima, Tocantins e Bahia, além de iniciativas desenvolvidas na União Norte-Brasileira.

Quais são os principais desafios e oportunidades para a evangelização dos povos originários?

Entre os desafios estão as questões culturais, o tempo para construir vínculos, a necessidade de materiais contextualizados e a falta de pessoas dedicadas integralmente à missão. A criação de núcleos de missões nas sedes administrativas da denominação e o envio de voluntários do projeto Um Ano em Missão são estratégias importantes, mas uma estrutura específica para os povos originários poderia ampliar o alcance. Em geral, os núcleos existentes não atuam diretamente nessa área, com exceção de iniciativas como a da ADRA Araguaia.

Recentemente, você batizou um jovem yanomami. O que mais o impactou na história dele?

Talvez ele seja um dos primeiros adventistas dessa etnia, e o que mais me impactou foi a maneira como Deus conduziu sua história. O pai dele vivia com a família em uma comunidade distante, a três dias de barco, em uma área marcada pelo garimpo. Sonhando com um futuro melhor para o filho, levou-o para morar em um povoado no município de Alto Alegre (RR). Ali, o jovem teve contato com uma família adventista, que o acolheu, apoiou e passou a estudar a Bíblia com ele. Precisamos de pessoas como esses irmãos, dispostas a dedicar a vida em favor dos povos originários. Como costumava dizer o pastor e missionário Alvin N. Allen, pioneiro no trabalho entre os índios aimarás, no Peru, e os karajás, no Brasil: “Oro para Deus enviar pessoas para resgatar as ovelhas perdidas da floresta."


Revista Adventista - Abril - 2026 - Pag. 5

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Deus sanguinário?

 

Deus sanguinário?

Pags. 21 e 22

Por que há tanta violência na Bíblia?

CLINTON WAHLEN


Essa questão surge com frequência, especialmente em relação às guerras do Antigo Testamento (cf. Deuteronômio 20:16-18) e à ideia de um inferno de chamas eternas (como alguns interpretam Apocalipse 14:9-11). Para muitas pessoas sinceras, passagens como essas parecem retratá-Lo como um tirano cruel. Quem poderia adorar um Deus assim?

Então, como devemos entender textos difíceis como esses? Inevitavelmente, a Bíblia relata histórias chocantes, muitas das quais são consequências trágicas do mal no mundo. No entanto, o que alguns classificam como passagens "genocidas" parece atribuir a responsabilidade diretamente a Deus. Como conciliar essas imagens com a afirmação bíblica de que “Deus é amor” (1 João 4:8) e que “justiça e direito são o fundamento" do Seu trono (Salmo 89:14)?

Quanto à ordem divina para exterminar os cananeus, é preciso considerar de modo mais amplo o que a Bíblia afirma sobre essa situação. Os versículos anteriores indicam que os israelitas deveriam evitar a guerra sempre que possível e, caso o conflito fosse inevitável, poupar mulheres e crianças (Deuteronômio 20:10-15). Além disso, as nações cananeias poderiam ter sido incorporadas a Israel se tivessem abandonado a idolatria, como ocorreu com Raabe. Entre os costumes abomináveis dos cananeus estavam o sacrifício de crianças – queimadas vivas em rituais –, além da prostituição cultual e do incesto.

Infelizmente, embora tenham recebido 400 anos de misericórdia (Gênesis 15:16), recusaram-se a abandonar suas práticas perversas e ainda lutaram contra o povo de Deus. Se permanecessem na terra, isso teria comprometido o plano divino de fazer de Israel uma luz para as nações. Tanto a história quanto a arqueologia indicam que os povos que continuaram em Canaã se tornaram uma fonte persistente de tentação e apostasia.

Deus diz: "Não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho e viva” (Ezequiel 33:11). Ele não deseja "que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento” (2 Pedro 3:9). Isso incluía não apenas os cananeus, mas toda pessoa que já viveu ou viverá. Nos dias de Noé, o Espírito do Senhor apelou durante 120 anos aos habitantes da Terra, convidando-os ao arrependimento, para que não perecessem no Dilúvio que estava por vir.

A Bíblia, quando lida corretamente, indica que os ímpios serão totalmente destruídos e que o oposto da vida eterna não é o tormento eterno, mas a morte – “o salário do pecado” (Romanos 6:23) - aquilo que, em outros textos, é chamado de "segunda morte", no lago de fogo (Apocalipse 21:8). Mais impressionante ainda é que Deus Se dispôs a oferecer Seu Filho como sacrifício, a fim de salvar os pecadores (João 3:16). Dessa forma, o mal não será tolerado para sempre em um cenário de tormento eterno, mas será definitivamente erradicado, quando Deus puser fim à existência daqueles que se recusam a aceitar a vida que Ele oferece.

Hoje, existem muitas vozes tentando nos dizer o que é justo, bom e correto. No entanto, independentemente do que os críticos possam afirmar, somente o Deus da Bíblia reflete perfeitamente esses ideais.

CLINTON WAHLEN é diretor associado do Instituto de Pesquisa Bíblica


Revista Adventista - Abril - 2026 Pag 21, 22

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Em obras

 

Em obras

Pag. 2

O Senhor não abandona o trabalho que começou em você

WELLINGTON BARBOSA


Era o último dia do retiro de verão. Em poucos minutos, eu faria o devocional de despedida dos acampantes. De repente, uma jovem, membro da equipe organizadora do evento, me abordou: “Pastor, a Duda [pseudônimo], uma adolescente da igreja, está com uma dúvida. Você poderia conversar com ela?"

“Claro! Qual é a dúvida?", respondi imediatamente. A jovem titubeou e disse: “Ah, parece que um amigo dela, membro de outra igreja adventista, disse-lhe que, depois do batismo, ela não deveria mais pecar. Ela está lutando com isso, pastor."

Naquele momento, olhei em volta para localizar a Duda. Uma adolescente humilde, tímida e bem-intencionada, que carregava o peso de uma incerteza que alguém havia semeado em seu coração. Eu não tinha muito tempo disponível antes de assumir o púlpito para responder a essa inquietação, mas Deus me impressionou a entregar outro sermão em lugar daquele que pretendia pregar. Uma mensagem que tem feito a diferença em minha vida.

Os primeiros oito capítulos da carta de Paulo aos Romanos apresentam a jornada do ser humano em direção à plenitude da salvação. A primeira estação, diagnóstico (Romanos 1 a 3), constata nossa condição, "pois todos pecaram e carecem da glória de Deus" (Romanos 3:23). Se dependêssemos de nós mesmos para a salvação, estaríamos perdidos. No entanto, a segunda estação, solução (Romanos 4 e 5), aponta para o único meio de ser reconciliados com o Pai: "Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio do nosso Senhor Jesus" (Romanos 5:1).

A presença de Cristo confere novo propósito para aquele que O aceita. Essa mudança de rumo conduz à terceira estação, aliança (Romanos 6), ponto no qual se dá testemunho público da fé nas águas do batismo. O apóstolo escreveu: "Fomos sepultados com Ele na morte pelo batismo, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também nós andemos em novidade de vida" (v. 4).

Paulo reconhecia que a nova condição, de morte para o pecado e vida para Deus, não implicava impecabilidade, mas levava a outra estação, a do conflito entre naturezas (Romanos 7). "Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus. Mas vejo nos meus membros outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros. Miserável homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?" (v. 22-24).

Se o argumento paulino acabasse nesse ponto, seríamos as pessoas mais infelizes do mundo. Contudo, Romanos 8 apresenta a estação que antecede a glorificação: a vida no Espírito. De fato, o apóstolo começou afirmando que o segredo para a vida plena é estar em Cristo (v. 1). E isso só ocorre quando vivemos segundo o Espírito (v. 4). É Ele quem nos sela como propriedade divina (v. 9), garante nossa ressurreição (v. 11), atesta nossa filiação (v. 15), nos enche de esperança (v. 23-25) e age como elo de comunicação entre nosso coração e o Céu (v. 26, 27). Ou seja, a presença do Espírito Santo e Sua obra contínua de santificação não garante impecabilidade, mas o amadurecimento espiritual que nos leva à expressão visível do amor de Deus.

Quando terminei o devocional, procurei a Duda para conversar. Ela sabia que o sermão havia sido direcionado para atender à sua inquietação. Então perguntei: “Duda, você entendeu a mensagem?” Com olhos marejados e cheia de gratidão, aquela adolescente me respondeu: “Sim, pastor. É degrau a degrau, pouco a pouco, até a volta de Jesus.”

É isso! Conforme Paulo escreveu: “Estou certo de que Aquele que começou boa obra em vocês há de completá-la até o Dia de Cristo Jesus" (Filipenses 1:6). Como eu gostaria que todos compreendessem essa verdade maravilhosa!

WELLINGTON BARBOSA é editor da Revista Adventista


Revista Adventista - Abril 2026 Pag. 02

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Por que Deus não destruiu Satanás?

 

Por que Deus não destruiu Satanás?

Pag. 21

As implicações do plano divino para lidar com o mal

CLINTON WAHLEN

Temos a tendência de pensar que, se Deus tivesse destruído Satanás imediatamente, não teria havido pecado nem sofrimento ao longo dos séculos. Contudo, se Deus tivesse agido dessa forma, outros anjos poderiam ter passado a duvidar da bondade do Criador.

Além disso, é importante lembrar que Deus criou Lúcifer (Isaías 14:12) – e não Satanás –, cujo nome, em hebraico, significa "estrela da manhã” ou “portador de luz”. Ele era um anjo resplandecente, que teve o privilégio de permanecer mais próximo do trono de Deus como um “querubim da guarda" (Ezequiel 28:14). O Senhor o descreveu como “cheio de sabedoria", "perfeito em formosura” e “perfeito nos seus caminhos, desde o dia em que foi criado, até que se achou iniquidade em você” (v. 12, 15). Infelizmente, o coração de Lúcifer encheu-se de orgulho (v. 17), a ponto de cobiçar o trono de Deus (Isaías 14:13, 14). Ao alimentar inveja e ciúme em seu coração, fez de si mesmo o diabo.

Desde o princípio, o Criador estabeleceu um Universo fundamentado no amor que procede de quem Ele é (1 João 4:8). O amor não pode existir sem liberdade, pois o verdadeiro amor jamais pode ser imposto. Assim, os seres inteligentes são sempre livres para escolher um caminho diferente. Mas por que, então, Deus não criou simplesmente seres que Ele sabia que permaneceriam fiéis?

Se Deus tivesse feito isso, haveria apenas a aparência de liberdade. Ele não poderia permanecer fiel ao Seu caráter se o livre-arbítrio fosse, em realidade, uma ilusão (2 Timóteo 2:13). Em vez disso, Deus previu que a única maneira de lidar com a rebelião do mais elevado anjo do Céu – de modo que o pecado jamais surgisse novamente – seria permitir que as consequências do pecado se manifestassem, ao mesmo tempo em que Seu amor fosse revelado de forma mais plena no sacrifício do Filho.

No Éden, Satanás insinuou que Deus estava retendo algo bom de Suas criaturas. Por meio da serpente, disse a Eva que, ao comer do fruto proibido, seus olhos se abririam e ela seria como Deus, conhecendo o bem e o mal (Gênesis 3:5). Ele contou uma mentira semelhante aos seres celestiais, afirmando que Deus não tinha em vista o melhor interesse deles, Sua lei era desnecessariamente restritiva e os anjos possuíam sabedoria suficiente para guiar a si mesmos (cf. João 8:44). Se Deus tivesse destruído Satanás imediatamente, não teria respondido a essas mentiras, mas teria reforçado o argumento do anjo rebelde.

Em vez disso, era necessário tempo para que os resultados da malignidade de Satanás se tornassem evidentes, a fim de que todos reconhecessem as terríveis consequências de seu orgulho e egoísmo. A morte de Cristo na cruz não apenas revelou o amor extraordinário de Deus e Sua disposição de fazer tudo o que fosse possível para nos salvar, mas também confirmou a justiça de Sua lei e de Seu governo, desmascarando as mentiras do diabo e provando que o caminho Dele é sempre o melhor.

CLINTON WAHLEN é diretor associado do Instituto de Pesquisa Bíblica


Revista Adventista - Março 2026 - Pg 21

domingo, 16 de agosto de 2026

Sábado no tempo do fim

                     Sábado no tempo do fim     Pags. 14 a 17

Reflexões sobre o papel escatológico do quarto mandamento

ÁNGEL MANUEL RODRÍGUEZ


A escatologia adventista confere ao quarto mandamento um papel significativo pouco antes da vinda de Cristo. Essa ênfase escatológica específica levanta pelo menos uma questão: quais são os fundamentos que nos permitem atribuir essa importância ao sábado? A seguir, apresento algumas sugestões que podem ser úteis para responder à nossa pergunta. Essas ideias pressupõem o entendimento da narrativa do querubim celestial caído (Isaías 14:12-14; Ezequiel 28:12-19), que desafiou a integridade do caráter divino (cf. Gênesis 3:4, 5; João 1:8-11) e buscou ser como Deus, afirmando ser um objeto legítimo de adoração (Mateus 4:8-10).

O AMOR DE DEUS

Embora seja mencionado como lei, o sábado confirma a veracidade do evangelho eterno e nos incentiva e ordena sua lembrança. O quarto mandamento é o único que cita Deus explicitamente, referindo-se às Suas duas obras mais importantes: criação (Êxodo 20:8, 11) e redenção (Deuteronômio 5:15).

Quais são as semelhanças entre criação e redenção? Há muitas, mas citarei apenas algumas. Elas são resultado da obra do Filho de Deus (João 1:1-3; 14; Romanos 3:23, 24), o que exige uma interpretação cristológica de ambas (cf. Colossenses 1:15-20). São obras únicas de Deus realizadas por intermédio de Seu Filho e estão envolvidas em um aspecto essencial do evangelho: não são fruto de esforços humanos (Romanos 3:20).

Criação e redenção são as duas manifestações mais poderosas da ação divina que conhecemos. A imensidão do Universo indica que sua origem foi uma esplêndida manifestação do poder de Deus. A manifestação incomparável de Sua graça salvadora (Romanos 5:20) é o envolvimento pessoal e direto do Senhor na obra da redenção por intermédio de Cristo, que possibilita a restauração de cada indivíduo à comunhão permanente com Ele.

Uma das principais semelhanças entre criação e redenção é que ambas expressam o amor divino. O Deus que criou tudo por amor nos deu o sábado para nos lembrar de que Ele é um Criador amoroso. O Deus que nos redimiu por meio do amor e da graça nos concedeu o sábado como um lembrete de que a redenção é um dom do Seu amor e da Sua graça. O sábado é uma prova maravilhosa do amor de Deus como Criador e Redentor. Assim, não é surpreendente que, ao final do conflito cósmico, o sábado se torne um alvo de ataques das forças malignas que se opõem ao evangelho da salvação por meio da fé em Cristo (Apocalipse 12:4; 14:8). Elas tentarão alcançar isso por meio da marca da besta. Satanás tem como objetivo silenciar o testemunho do sábado, que representa o primeiro ato de amor divino na história do cosmos e do evangelho da salvação, que é realizado pelo amor sacrificial de Cristo (Apocalipse 14:13; 13:15). Contudo, o testemunho do sábado não será calado.

O CARÁTER DE DEUS

O querubim caído parece acreditar que modificar o quarto mandamento seria um meio eficiente para alcançar seus propósitos malignos. Desde o início, ele esteve em conflito aberto contra a vontade de Deus, mas sua hostilidade contra a lei é claramente exposta na literatura apocalíptica (cf. Daniel 7:25; 2 Tessalonicenses 2:3, 4, 7, 8). Sua oposição à lei divina disfarça um ataque direto contra o Senhor.

Como o Decálogo reflete verbalmente o caráter divino, qualquer mudança na lei representa um ataque à integridade e à perfeição desse caráter, insinuando que Deus não é quem afirma ser, conforme a serpente sugeriu a Eva (Gênesis 3:4, 5). Se houvesse necessidade de alterar a lei de Deus, isso indicaria claramente que a lei, e especialmente o Legislador, é falha e necessita de aprimoramentos. Como resultado, Lúcifer parece defender que desobedecer a uma lei imperfeita é legal e moralmente aceitável.

A alteração mais significativa aconteceu quando se buscou substituir a observância do sábado pela guarda do domingo. Dessa forma, Satanás buscava descreditar o caráter divino e exibir sua autoridade sobre a lei. Ao aceitar a mudança e obedecer ao "mandamento" modificado, os seres humanos, de fato, negam a integridade do caráter amoroso de Deus. Isso justifica a relevância do Decálogo, que reflete o caráter do Senhor, no livro do Apocalipse (Apocalipse 12:17; 14:12).

SÁBADO E ADORAÇÃO

Mudar o quarto mandamento, trocando o dia de descanso e adoração, resultaria na adoração de um deus falso. É importante ter em mente que o mandamento do sábado não diz respeito ao descanso em um dia comum, mas está ligado a um dia sagrado. Esse é o tempo em que Deus e os fiéis se encontram, liberando os observadores do sábado das preocupações com produtividade ou obras humanas. Entramos nesse período sagrado para estar em comunhão com nosso Criador e Redentor, adorando-O. De fato, a santidade do sétimo dia, o sábado, é um "espaço no tempo" que foi divinamente estabelecido para adorar a Deus.

Atualmente, a maior parte do mundo cristão considera o domingo como o dia verdadeiro de culto. Parece que o objetivo de Satanás foi alcançado: ele mudou a lei no ponto em que se encontra com a adoração. De fato, eles são inseparáveis; portanto, mudar o quarto mandamento leva à idolatria. Isso é incrivelmente engenhoso e extremamente enganoso!

Ao modificar o quarto mandamento, o querubim caído parece ter alcançado seu objetivo: desacreditar o caráter divino e se tornar objeto de adoração. Para ele, o sábado precisa acabar! Assim, é imprescindível que a humanidade ouça novamente o evangelho da salvação por meio da fé em Cristo, que não contraria a lei divina expressa no Decálogo. A perpetuidade da lei deve ser proclamada não como um instrumento de salvação, mas como prova da salvação por meio da fé em Cristo.

SINAL DE LEALDADE

O sábado ocupa o centro do Decálogo, e sua singularidade e especificidade o tornam um sinal ideal de lealdade a Deus. No idioma hebraico, o Decálogo, conforme apresentado em Êxodo 20:3-17, é composto por 152 palavras. Para encontrar o centro, basta dividir 152 por dois, resultando em 76 palavras em cada lado. O versículo 10 é o centro do Decálogo. A 76ª palavra é "sétimo", enquanto na outra seção é "sábado". A seguinte frase está no centro do Decálogo: Mas o sétimo dia é um sábado "pertencente ao", "em honra de", ou "para" o Senhor.

Sob a perspectiva literária, a frase específica ocupa o centro dos Dez Mandamentos, e considerando o que sabemos sobre a narrativa bíblica do sábado, isso não é uma coincidência. Sabemos que essa frase adquiriu grande relevância na história da observância do sábado. A especificidade do mandamento, expressa na frase "o sétimo dia é o sábado", perturbou tanto o mundo cristão que se optou por removê-la, sob a justificativa de que "o sétimo dia” é um elemento ritual do quarto mandamento sem nenhuma relevância para os cristãos.

Entretanto, é exatamente a especificidade do mandamento – ser o sétimo dia – que o torna um sinal de fidelidade ao Senhor no meio do conflito cósmico e que enfatiza o privilégio humano de viver em comunhão com esse Deus santo. Satanás exige lealdade exclusiva e se opõe ao sinal de fidelidade a Deus no tempo do fim, oferecendo ironicamente um falso sábado, o primeiro dia da semana, como sinal de lealdade a ele: a marca da besta (Apocalipse 13:16). Entretanto, a lei de Deus é perfeita (Salmo 19:7) e inalterável, pois reflete o caráter divino.

CONCLUSÃO

O papel escatológico do sábado no tempo do fim está ligado ao propósito divino de que ele sirva como um testemunho do evangelho da salvação por meio da fé em Cristo. Isso é inaceitável para o querubim caído, que tenta divulgar seu evangelho falso. As forças do mal se opõem ao sábado bíblico, pois ele serve como um lembrete constante para a humanidade de que criação e redenção são as expressões mais significativas do amor divino.

O sábado associa um mandamento específico à verdadeira identidade do objeto de adoração, e essa particularidade o converte em um sinal visível e efetivo de fidelidade ao Cordeiro, em um período em que as forças malignas batalham contra Ele, Sua lei e Seu caráter.

Assim, a observância do sábado pelo povo de Deus servirá como um sinal, um testemunho para o mundo, demonstrando que o Criador e Redentor é um Deus amoroso e cheio de misericórdia, e que o descanso é encontrado por meio da fé em Cristo. O Cordeiro de Deus vencerá a oposição escatológica contra Ele (Apocalipse 17:14).

ÁNGEL MANUEL RODRÍGUEZ, pastor, professor e teólogo aposentado, foi diretor do Instituto de Pesquisa Bíblica

Referência

A versão completa deste artigo está disponível em: "The eschatological role of the sabbath", Reflections*, nº 87, jul/set 2024, p. 2-5.

Revista Adventista - Janeiro 2026

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