Seguidores

sábado, 8 de agosto de 2026

Pequenos Inícios, Grandes Resultados

 Pequenos Inícios, Grandes Resultados


PJ - Pag. 76 

Entre a multidão que ouvia os ensinos de Jesus, havia muitos fariseus. Cheios de desdém, observavam quão poucos de Seus ouvintes O reconheciam como o Messias. E perguntavam de si para si como esse mestre despretensioso poderia elevar Israel ao domínio universal. Como poderia Ele, sem riquezas, poder ou honra, fundar um novo reino? Cristo lhes leu os pensamentos e respondeu:

"A que assemelharemos o reino de Deus? Ou com que parábola o representaremos?" Mar. 4:30. Em governos terrenos nada havia que pudesse servir de comparação. Nenhuma sociedade civil Lhe podia fornecer um símile. "É como um grão de mostarda", disse "que, quando se semeia na terra, é a menor de todas as sementes que há na Terra; mas, tendo sido semeado, cresce, e faz-se a maior de todas as hortaliças, e cria grandes ramos, de tal maneira que as aves do céu podem aninhar-se debaixo da sua sombra." Mar. 4:31 e 32.

O embrião, contido na semente, cresce pelo desenvolvimento do princípio vital que Deus nele implantou. Seu desenvolvimento não depende de meios humanos. Assim é com o reino de Cristo. Há uma nova criação. Os princípios de desenvolvimento são diretamente opostos aos que regem os reinos deste mundo. Governos terrenos prevalecem pelo emprego da força; pelas armas mantêm o seu domínio, mas o fundador do novo reino é o Príncipe da paz. O Espírito Santo representa os reinos terrestres mediante o símbolo de feras; mas Cristo é "o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo". João 1:29. Em Seu plano de governo não há o emprego da força bruta para compelir a consciência. Esperavam os judeus que o reino de Deus fosse estabelecido do mesmo modo que os do mundo. Para promover justiça, recorriam a medidas externas. Forjavam planos e métodos. Mas Cristo implanta um princípio. Implantando a verdade e a justiça, frustra o erro e o pecado.

Ao proferir Jesus esta parábola, a mostardeira podia ser vista perto e longe, erguendo-se sobre a relva e os cereais, balançando seus galhos levemente no ar. Os pássaros esvoaçavam de galho em galho e chilreavam entre a folhagem. Contudo, a semente de que surgiu essa planta gigantesca, era a menor de todas as sementes. Primeiro despontou um tenro broto; mas possuía bastante vitalidade, cresceu e floresceu até alcançar grande tamanho. Assim, a princípio, o reino de Cristo parecia humilde e insignificante. Comparado com os reinos terrestres, dir-se-ia ser o menor de todos. O direito de Cristo a ser rei, era ridicularizado pelos governantes deste mundo. Todavia, o reino do evangelho possuía vida divina nas poderosas verdades confiadas a Seus seguidores. E como foi rápido o seu crescimento! Que amplitude de influência! Quando Cristo pronunciou essa parábola, era o novo reino representado apenas por uns camponeses galileus. 

Sua pobreza e minoria foram apresentadas repetidamente como motivo por que os homens não se devessem unir a esses pescadores simples que seguiam a Jesus. Mas o grão de mostarda deveria crescer e estender seus ramos por todo o mundo. Quando passassem os reinos terrestres, cuja glória enchia então os corações, o reino de Cristo perduraria ainda como uma vasta e forte potência.

Assim a obra da graça no coração é pequena ao princípio. É dita uma palavra, um raio de luz projetado na alma, exercida uma influência que é o início da nova vida; e quem pode medir os resultados?

A parábola do grão de mostarda não só ilustra o crescimento do reino de Cristo, mas, em cada fase de seu desenvolvimento, repete-se a experiência nela apresentada. Para Sua igreja, em cada geração, Deus tem uma verdade peculiar e um serviço especial. A verdade, oculta aos sábios e entendidos deste mundo, é revelada às criancinhas e aos humildes. Exige sacrifício próprio. Há combates para se ferirem e vitórias para serem conquistadas. De início seus adeptos são poucos. Pelos grandes do mundo e por uma igreja de espírito mundano são repelidos e desprezados. Vede João Batista, o precursor de Cristo, sozinho censurando o orgulho e formalismo do povo judeu! Vede os primeiros defensores do evangelho na Europa! Obscura e desanimadora parecia a missão de Paulo e Silas, os dois fazedores de tendas, quando, com os companheiros, embarcavam em Trôade para Filipos! Vede o "idoso Paulo", pregando a Cristo, acorrentado na cidadela dos Césares. Vede as pequenas comunidades de escravos e camponeses em conflito com o paganismo de Roma Imperial. Vede Martinho Lutero, resistindo àquela poderosa igreja que é a obra-prima da sabedoria deste mundo. Vede-o mantendo a Palavra de Deus contra o imperador e o papa, declarando: "Aqui estou; não posso proceder doutra forma. Deus me auxilie!"

 

Vede João Wesley pregando a Cristo e Sua justiça em meio do formalismo, sensualidade e incredulidade. Vede alguém que, doendo-lhe a miséria do paganismo, roga o privilégio de lhes levar a mensagem do amor de Cristo. Ouvi a resposta do eclesiasticismo: "Sente-se, moço. Quando Deus quiser converter os pagãos, fá-lo-á sem o meu nem o seu auxílio."

Os grandes guias do pensamento religioso desta geração anunciam os louvores daqueles que plantaram a semente da verdade há séculos, e erguem-lhes monumentos. Não abandonam muitos esta obra para espezinhar o renovo que hoje em dia desponta da mesma semente? Repete-se o velho clamor: "Nós bem sabemos que Deus falou a Moisés, mas este [Cristo no mensageiro que Ele envia] não sabemos de onde é." João 9:29. Como em épocas primitivas, as verdades especiais para este tempo não se acham com as autoridades eclesiásticas mas com homens e mulheres, que não são demasiado instruídos nem sábios demais para crer na Palavra de Deus.

"Porque vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são chamados. Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes. E Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são para aniquilar as que são." I Cor. 1:26-28. "Para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de Deus." I Cor. 2:5.

Nesta última geração, a parábola do grão de mostarda deve alcançar notável e triunfante cumprimento. A pequena semente tornar-se-á uma árvore. A última mensagem de advertência e misericórdia deve ir "a toda nação, e tribo, e língua, e povo" (Apoc. 14:6), para "tomar deles um povo para o Seu nome" (Atos 15:14); e a Terra será iluminada por Sua glória. (Apoc. 18:1.)


Ellen White -  Livro Parabolas de Jesus - pags 76 - 79

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Por que Existe o Mal

                                        Por que Existe o Mal

PJ - Pag. 70 

"Propôs-lhes outra parábola, dizendo: O reino dos céus é semelhante ao homem que semeia boa semente no seu campo; mas, dormindo os homens, veio o seu inimigo, e semeou o joio no meio do trigo, e retirou-se. E, quando a erva cresceu e frutificou, apareceu também o joio." Mat. 13:24-26.

"O campo", disse Cristo, "é o mundo." Mat. 13:38. Precisamos, porém, entender isto como significativo da igreja de Cristo no mundo. A parábola é uma descrição pertinente ao reino de Deus, Sua obra pela salvação dos homens, e esta obra é executada pela igreja. Em verdade, o Espírito Santo saiu a todo o mundo; opera no coração dos homens em toda parte; mas é na igreja que devemos crescer e sazonar para o celeiro de Deus.

"O que semeia a boa semente é o Filho do homem, ... a boa semente são os filhos do reino, e o joio são os filhos do maligno." Mat. 13:37 e 38. A boa semente representa aqueles que são nascidos da Palavra de Deus, da verdade. O joio representa uma classe que é o fruto ou encarnação do erro, de princípios falsos.

 

"O inimigo que o semeou é o diabo." Mat. 13:39. Nem Deus nem os anjos jamais semearam semente que produzisse joio. O joio é sempre lançado por Satanás, o inimigo de Deus e do homem.

No oriente, os homens vingavam-se muitas vezes do inimigo, espalhando sementes de qualquer erva daninha, muito semelhante ao trigo, em crescimento, em seu campo recém-semeado. Crescendo com o trigo prejudicava a colheita, e causava fadigas e prejuízos ao proprietário do campo. Assim Satanás, induzido por sua inimizade a Cristo, espalha a má semente entre o bom trigo do reino. O fruto de sua semeadura atribui ele ao Filho de Deus. Introduzindo na igreja aqueles que levam o nome de Deus, conquanto Lhe neguem o caráter, faz o maligno que Deus seja desonrado, a obra da salvação mal representada e almas postas em perigo.

Dói aos servos de Cristo ver misturados na congregação crentes falsos e verdadeiros. Anseiam fazer alguma coisa para purificar a igreja. Como os servos do pai de família, estão dispostos a arrancar o joio. Mas Cristo lhes diz: "Não; para que, ao colher o joio, não arranqueis também o trigo com ele. Deixai crescer ambos juntos até à ceifa." Mat. 13:29 e 30.

Cristo ensinou claramente que aqueles que perseveram em pecado declarado devem ser desligados da igreja; mas não nos confiou a tarefa de ajuizar sobre caracteres e motivos. Conhece demasiado bem nossa natureza para que nos delegasse esta obra. Se tentássemos desarraigar da igreja os que supomos serem falsos cristãos, certamente cometeríamos erro. Muitas vezes consideramos casos perdidos justamente aqueles que Cristo está atraindo a Si. Se devêssemos proceder com essas pessoas segundo nosso parecer imperfeito, extinguir-se-ia talvez sua última esperança. Muitos que se julgam cristãos serão finalmente achados em falta. Haverá muitos no Céu, os quais seus vizinhos supunham que lá não entrariam. O homem julga segundo a aparência; mas Deus vê o coração. O joio e o trigo devem crescer juntos até à ceifa; e a colheita é o fim do tempo da graça.

Há nas palavras do Salvador ainda outra lição, uma lição de maravilhosa longanimidade e terno amor. Como o joio tem as raízes entrelaçadas com as do bom trigo, assim falsos irmãos podem estar na igreja, intimamente ligados com os discípulos verdadeiros. O verdadeiro caráter desses pretensos crentes não é plenamente manifesto. Caso fossem desligados da congregação, outros poderiam ser induzidos a tropeçar, os quais, se não fosse isto, permaneceriam firmes.

A lição dessa parábola é ilustrada pelo proceder de Deus para com os homens e os anjos. Satanás é um enganador. Ao pecar ele no Céu, nem mesmo os anjos fiéis reconheceram plenamente seu caráter. Esta é a razão por que Deus não o destruiu imediatamente. Se o tivesse feito, os santos anjos não teriam percebido o amor e a justiça de Deus. Uma só dúvida quanto à bondade de Deus teria sido como má semente, que produziria o amargo fruto do pecado e da desgraça. Por isto foi poupado o autor do mal, para desenvolver plenamente seu caráter. Durante longos séculos, suportou Deus a angústia de contemplar a obra do mal. Preferiu dar a infinita Dádiva do Gólgota, a deixar alguém ser induzido pelas falsas representações do maligno; pois o joio não podia ser arrancado, sem o risco de desarraigar a preciosa semente. E não seremos tão clementes para com nossos semelhantes, como o Senhor do Céu e da Terra o é para com Satanás?

Por haver na igreja membros indignos, não tem o mundo o direito de duvidar da verdade do cristianismo, nem devem os cristãos desanimar por causa destes falsos irmãos. Como foi com a igreja primitiva? Ananias e Safira uniram-se aos discípulos. Simão Mago foi batizado. Demas, que abandonou a Paulo, era considerado crente. Judas Iscariotes foi um dos apóstolos. O Redentor não quer perder uma única pessoa. Sua experiência com Judas é relatada para mostrar Sua longanimidade com a corrompida natureza humana; e nos ordena sermos pacientes como Ele o foi. Disse que até ao fim do tempo haveria falsos irmãos na igreja.

 

Apesar da advertência de Cristo, têm os homens procurado arrancar o joio. Para punir os que foram considerados malfeitores, tem a igreja recorrido ao poder civil. Os que divergiram das doutrinas dominantes foram encarcerados, martirizados e mortos por instigação de homens que pretendiam agir sob a sanção de Cristo. Mas atos tais são inspirados pelo espírito de Satanás, não pelo Espírito de Cristo. Esse é o método peculiar de Satanás de submeter o mundo a seu domínio. Por esta maneira de proceder com os supostos hereges, Deus tem sido mal representado pela igreja.

Na parábola de Cristo não nos é ensinado que julguemos e condenemos a outros, antes sejamos humildes e desconfiemos do eu. Nem tudo que é semeado no campo é bom trigo. O estarem os homens na igreja não prova que são cristãos.

O joio era muito semelhante ao trigo enquanto as hastes estavam verdes; mas quando o campo estava branco para a ceifa, a erva inútil nada se parecia com o trigo, que vergava ao peso das espigas cheias e maduras. Pecadores que pretendem ser piedosos, confundem-se por algum tempo com os verdadeiros seguidores de Cristo, e a aparência de cristianismo tende a enganar a muitos; mas não haverá, na sega do mundo, semelhança entre os bons e os maus. Então, serão manifestos aqueles que se ligaram à igreja, mas não a Cristo.

É permitido ao joio crescer entre o trigo, desfrutar os mesmos privilégios de sol e chuva; mas no tempo da ceifa será vista "a diferença entre o justo e o ímpio; entre o que serve a Deus e o que não O serve". Mal. 3:18. Cristo mesmo decidirá quem é digno de ser membro da família celestial. Julgará todo homem segundo suas palavras e obras. A religião nada pesa na balança. O caráter é que decide o destino..


Livro -  Parabolas de Jesus Pag. 70 - 75

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

CONSULTORIA DOUTRINÁRIA - Cabeleira Frisada

 

CONSULTORIA DOUTRINÁRIA

Pag. 10
1. Apreciaria uma explicação de I Tim. 2:9. Que é "cabeleira frisada"? Ou "tranças" como diz outra tradução? Este texto é aplicável ao NOSSO tempo?

O texto adverte as mulheres para que "se ataviem com modéstia e bom senso, não com cabeleira frisada e com ouro, ou pérolas ou vestuário dispendioso". Torna-se claro do contexto que Paulo aqui está falando da aparência das mulheres nos cultos públicos de adoração. Certamente isto não significa que quando não estejam elas nos cultos públicos os princípios básicos da admoestação sejam desatendidos.

"Cabelo frisado" provém do grego pleugma que às vezes significa "trançado". No grego clássico a palavra é empregada para designar coisas entrelaçadas, como os elos de uma videira ou trançado de vime. No contexto de I Tim. 2:9 a referência é ao cabelo. O exato processo de trançamento ou frisamento ou o estilo de arrumação do cabelo em questão não é hoje conhecido por nós. Contudo as pessoas que viviam nos dias de Timóteo sabiam de que estilo de cabelo Paulo estava falando. Provavelmente tratava-se de um estilo popular, e seu uso no culto de adoração em público talvez já tivesse sido debatido.

E esta admoestação aplicável nos dias atuais? Certamente em princípio. A modéstia e o bom senso são princípios eternos que nunca podem ser substituídos. Quanto ao "cabelo frisado" (ou trançado) desde que não é exatamente conhecido, que estilo de cabelo quer significar, as mulheres de hoje não saberiam o que se acha compreendido ao atenderem a antiga admoestação. É improvável que Paulo esteja aqui condenando o trançado do cabelo em si.

Esse antigo estilo de cabelo podia ter sido demasiadamente ostentoso. Ou de algum outro modo podia ter sido inconveniente para as mulheres cristãs. Alguma coisa que hoje seja inconveniente ou objeto de ostentação, deve ser da mesma forma condenada.

2. Referindo-se a Ezequiel 33:8 alguém observou: "Não creio que Deus prive uma pessoa da salvação apenas devido à minha omissão em testemunhar". Esta pessoa estava certa ou errada?

Da maneira como a pergunta é redigida, não posso responder ou "certa" ou "errada". Diz o texto. "Se eu disser ao ímpio: 0 ímpio, certamente morrerás; e tu não falares, para avisar o ímpio do seu caminho, morrerá esse ímpio na sua iniqüidade, mas o seu sangue Eu o demandarei de ti". O sentido é evidente. O impio não advertido morre em sua iniqüidade.

Se, porém, este homem se perde, é correto dizer que Deus o privou da salvação? Não. Deus não deve ser culpado. O pecado, é que o é. Ele introduziu a iniqüidade no caso.


Revista Adventista - Jan. 1980 - Pg 10

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Linguagem Acessível ao Povo

 

Linguagem Acessível ao Povo

Pag. 10

ARNALDO B. CHRISTIANINI

VIVEMOS na fabulosa época da conquista do cosmos, da tecnologia, da cibernética e dos acontecimentos surpreendentes. Todos os setores da atividade humana se reformulam e procuram novos rumos. E na busca de revolucionárias formas de expressão há uma coisa que o homem moderno procura valorizar e aprimorar: a comunicação.

Não nos referimos, é óbvio, aos prodígios científicos da mecânica telecomunicatória por meio de satélites, micro-ondas e quejandos, mas a algo imponderável e subjetivo: o fenômeno psicológico pelo qual o homem realiza um condicionamento coletivo, expressando-se com todo o rendimento, ao ponto de "vender" plenamente uma idéia, uma "mensagem" ou projetar convincentemente uma "imagem" catalisadora. Há nisso algo mais do que sutilezas de persuasão dirigida. Pelo menos um dos fatores — na opinião dos psicólogos — dêsse milagre da comunicação, principalmente de ordem publicitária, e a perfeita identificação sentimental com as massas, através sobretudo de uma linguagem simples, penetrante e coincidente. Estabelece-se, assim, a sintonia da transmissão de uma idéia, de um anúncio ou mensagem que, por processos audiovisuais, provoca passivamente reação em cadeia de aceitação pelo público. Multidões aceitam, aplaudem e absorvem o que se lhes transmitiu. Isto é comunicação, ciência das mais sutis, que hoje tem seus especialistas.

Ora, a mensagem divina das Escrituras, pela importância de que se reveste e pelas implicações que tem no destino da humanidade, não pode continuar prêsa aos processos convencionais, morosos e dispersivos de difusão, com escasso rendimento aritmético. Nesta época de comunicação às massas, de penetração em progressão geométrica, um livro que não contenha a linguagem do cotidiano, viva, natural, fàcilmente absorvível, não terá acolhimento massivo, com todo rendimento, com penetração total, e com a rapidez que os tempos impõem.

Por que o cristianismo se propagou ràpidamente nos seus tempos formativos? Porque os escritores dos documentos que formam o Nôvo Testamento não escreveram em linguagem erudita, rebuscada, castigada. Não empregaram o grego clássico, mas a koinê, a linguagem comum, usual, do cotidiano, perfeitamente entendível pelo homem da rua, pelo menino, pela dona de casa. Note-se, porém, que não era vulgar, nem gíria. Era apenas comum.

Hoje os povos de índole prática estão editando a Bíblia na linguagem comum, o chamado modern speech. Assim, já no início dêste século, publicou-se o famoso The Twentieth Century New Testament, em linguagem acessível até às crianças. E nesta linha, as versões neotestamentárias de Moffat, de Weymouth (principalmente a de 1924), a de Edgar J. Goodspeed na mesma época, e recentemente o texto revolucionário de J. B. Phillips. As crianças aprendem o texto sagrado como se estivessem lendo livros infantis. Da mesma forma os adultos de precária instrução. A linguagem, deve-se frisar, é apenas simples, comum, mas não vulgar ou abastardada.

Gosto de ler o "Good News for Modern Man" ou "The New Testament in Today's English Version," embora possa discordar de algumas

REVISTA ADVENTISTA  -  Fevereiro 1970 Pag. 10

domingo, 2 de agosto de 2026

O Espírito de Profecia Não é Uma Vara Para Oprimir o Povo de Deus

 

O Espírito de Profecia Não é Uma Vara Para Oprimir o Povo de Deus

Pag. 10

Testimonies, Vol. 1, pág. 369: Os Testemunhos não devem ser usados como vara de ferro ou cacête.

Testimonies, Vol. 1, pág. 382: Não devemos usar as visões da irmã White como regra para medir tudo.

Aquêles que duvidam do Espírito de Profecia "não deveriam ser destituídos dos benefícios e privilégios da igreja, se sua conduta cristã fôr, no entanto, correta e se têm formado um bom caráter cristão." — Testimonies, Vol. 1, pág. 328.

Devemos trabalhar com nossos irmãos mais fracos, no espírito de amor e mansidão.

"Podemos ser tão severos quanto quisermos ao nos disciplinarmos a nós mesmos, mas devemos ser bastante corteses para não impelirmos as almas ao desespêro." — Testimonies, Vol. 3, pág. 507.

Nunca devemos usar o Espírito de Profecia de maneira dogmática, porque Ellen G. White não era dogmática.

"Não devemos ir mais rápido do que podemos levar conosco aquêles cuja consciência e intelecto está convencido das verdades por nós advogadas. Devemos procurar o povo onde êste se encontra. Alguns de nós temos levado muitos anos para chegar até nossa presente posição na reforma pró-saúde.... Se concedermos ao povo tanto tempo quanto de nós foi requerido para alcançarmos o presente estado avançado na reforma, seríamos muito pacientes com êles e permitiríamos que avançassem degrau após degrau, como nós o fizemos, até que seus passos se estabelecessem firmemente sobre a plataforma da reforma pró-saúde. Mas precisamos ser muito cautelosos para não avançarmos com muita rapidez, não aconteça termos de refazer nossos passos. Em reformas é preferível nos mantermos a um passo aquém do marco do que avançar um passo além. E se houver algum êrro qualquer, que seja para o lado em que estiver o povo." — Testimonies, Vol. 3, págs. 20 e 21.

(Continuará no próximo número)


Revista Adventista - Fevereiro 1970  Pag. 10

sexta-feira, 31 de julho de 2026

A Igreja da Bíblia

 

A Igreja da Bíblia

Pag. 1

W. G. Turner

De certa região situada à margem de um dos grandes rios do Brasil, distante quinze dias de viagem fluvial da costa do Atlântico, recebeu o escritório da Associação local uma mensagem pedindo que um pastor fosse visitar um grupo de pessoas interessadas.

Algum tempo antes um cristão penetrara nessa localidade e pregara acerca da Bíblia e de Jesus, como Salvador dos homens. Sua pregação comoveu o coração de um dos homens eminentes do lugar, o qual, mais tarde, escreveu para o Rio de Janeiro, endereçando a carta à "Igreja da Bíblia". Ela foi parar nas mãos dos batistas daquela cidade, mas eles não lhe deram resposta.

O homem escreveu segunda vez, dirigindo novamente sua missiva à "Igreja da Bíblia". Dessa vez foi ela entregue aos adventistas do sétimo dia. O remetente pedia uma Bíblia, sendo-lhe ela enviada juntamente com boa quantidade de folhetos. Estes foram lidos, e depois de pouco tempo, mais de trinta pessoas, nessa localidade, se achavam guardando o sétimo dia e reunindo-se todos os sábados na residência daquele que pedira a Bíblia. Mais tarde esse mesmo senhor instalou ali uma escola primária. Sua filha, que é professora diplomada, encarregou-se da mesma. Na porta da escola pintou ele estas palavras: "Escola Adventista".

Depois de receber a carta em que se pedia que um pastor fosse batizar bom número de pessoas interessadas, um obreiro visitou a localidade e, para seu assombro, verificou que funcionava regularmente ali uma escola e havia um núcleo elevado de observadores do sábado. Demorou-se ali e batizou lindo grupo de homens e mulheres que estavam já preparados para esse passo.

Surgem por toda parte esses pequenos grupos de crentes. A Palavra de Deus é uma semente que produz vida, e a "Igreja da Bíblia" é Sua igreja remanescente.

Seria néscio tentarmos contar o povo de Deus hoje, porque há crentes que são desconhecidos de muitos e que se encontram nos lugares mais inesperados da terra. O Senhor está ajuntando Sua igreja e terminando Sua obra no mundo.


Revista Adventista. - Janeiro 1940  -  Pag. 01

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Uma Sensação de Paz e Quietação

 

Uma Sensação de Paz e Quietação

Pag. 1

O maior bem que nossa religião pode proporcionar nestes tempos, é a sensação de paz e quietação e segurança aos nossos corações. E isto, por causa da confiança que podemos ter de que, acima do mundo perturbado, encontra-se um grande Deus que ainda rege o universo, e é solícito por Seus filhos.

Creio que nosso primeiro passo ao encarar as tensões da vida diária, devia ser fixar a mente em Deus, em Sua compaixão por nós e na paz que nos promete. Creio que nos é benéfico dar, cada manhã, o primeiro lugar a pensar nisto mui definidamente. Depois, enquanto nos movemos durante o dia, bom é erguermos oportunamente o espírito em silenciosa oração a Deus. Isto nos traz um senso de comunhão com Ele, e é este senso de comunhão que produz no coração a sensação de paz — aquela paz que excede a todo o entendimento.


Fonte. - Revista Adventista. Jan. 1949  Pg. 01

terça-feira, 28 de julho de 2026

Os Anjos Ajuntarão os Filhos de Deus

 

Os Anjos Ajuntarão os Filhos de Deus


Pag. 13

"E ELLE enviará os Seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quaes ajuntarão os Seus escolhidos." S. Math. 24:31.

Taes são as palavras do Salvador. Quande Elle vier pela segunda vez, enviará Seus anjos a reunir Seus filhos, e os levará para a patria, para o logar que foi preparar. Os filhos de Deus estão espalhados de uma a outra extremidade da terra; durante todos os seculos passados, desde a morte do martyr Abel, um após outro os filhos de Deus teem sido levados ao repouso da sepultura. Elles, descansam de seus labores. Mas o Senhor vela sobre o pó. Sabe onde se encontram, e chamal-os-á de seu leito poento. Alguns teem estado a dormir por muitos annos; outros apenas por pouco tempo, mas todos serão chamados, revestidos da immortalidade. Então os anjos os hão de reunir de todos os logares, conduzindo-os ao lar, á cidade de Deus.

Imaginemos uma familia que tem servido fielmente ao Senhor. Nasceram no Brasil. Seu primogenito fora-lhes tirado nos tenros annos da infancia, e os paes, com corações partidos, haviam-n'o depositado na pequenina sepultura. Tempos passados, porém, essa familia muda-se para Hespanha, indo residir proximo de Madrid. Emquanto ahi, outro de seus filhinhos passa a dormir até á manhã da resurreição. Afinal esta familia se muda para a Cidade do Cabo, na Africa. Mais tarde teem elles de dizer adeus a outro filho, acompanhando-o com olhos lacrimosos a seu derradeiro repouso, alli na Africa.

Mas eis que Jesus vem buscar Seus filhos para a patria. Os paes serão num momento transformados, num abrir e fechar de olhos, da mortalidade á immortalidade. A voz potente de Jesus echoará pela terra, e os mortos em Christo sahirão do sepulcro. Então, um anjo será enviado áquella sepulturasinha no Brasil. Os homens poderão haver esquecido o local. O pequeno monte que marcava outrora o logar, poderá haver sido nivelado com o resto da terra, mas Deus sabe onde é, e o anjo ha de conduzir o pequenino aos braços de seus paes. Outro anjo será mandadó a Madrid, ao sepulero do pequenino que alli dorme, ao passo que outro voará para a sepultura da Cidade do Cabo, e assim se reunirá a familia e, juntamente com seu Senhor e Salvador partirão para aquele logar onde a morte jamais terá entrada.

Sim, Elle está para voltar, e aquelle dia será glorioso para os filhos de Deus. Então nos encontraremos para não mais nos separar. Nunca mais a cruel mão da morte arrebatará de nosso seio os entes queridos. Jamais nosso coração será despedaçado pela dor, nem nossas faces inundadas pelo pranto. Terá findado então a noite do soffrimento, para dar logar ao eterno dia da paz. Havemos de estar então sempre no lar, na praia serena. Que reunião será essa dos fieis! Que o Senhor prepare nosso coração para aquelle grande dia! N. P. NEILSEN.


Revista Adventista Janeiro 1930

Postagens de Destaque