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sexta-feira, 31 de julho de 2026

A Igreja da Bíblia

 

A Igreja da Bíblia

Pag. 1

W. G. Turner

De certa região situada à margem de um dos grandes rios do Brasil, distante quinze dias de viagem fluvial da costa do Atlântico, recebeu o escritório da Associação local uma mensagem pedindo que um pastor fosse visitar um grupo de pessoas interessadas.

Algum tempo antes um cristão penetrara nessa localidade e pregara acerca da Bíblia e de Jesus, como Salvador dos homens. Sua pregação comoveu o coração de um dos homens eminentes do lugar, o qual, mais tarde, escreveu para o Rio de Janeiro, endereçando a carta à "Igreja da Bíblia". Ela foi parar nas mãos dos batistas daquela cidade, mas eles não lhe deram resposta.

O homem escreveu segunda vez, dirigindo novamente sua missiva à "Igreja da Bíblia". Dessa vez foi ela entregue aos adventistas do sétimo dia. O remetente pedia uma Bíblia, sendo-lhe ela enviada juntamente com boa quantidade de folhetos. Estes foram lidos, e depois de pouco tempo, mais de trinta pessoas, nessa localidade, se achavam guardando o sétimo dia e reunindo-se todos os sábados na residência daquele que pedira a Bíblia. Mais tarde esse mesmo senhor instalou ali uma escola primária. Sua filha, que é professora diplomada, encarregou-se da mesma. Na porta da escola pintou ele estas palavras: "Escola Adventista".

Depois de receber a carta em que se pedia que um pastor fosse batizar bom número de pessoas interessadas, um obreiro visitou a localidade e, para seu assombro, verificou que funcionava regularmente ali uma escola e havia um núcleo elevado de observadores do sábado. Demorou-se ali e batizou lindo grupo de homens e mulheres que estavam já preparados para esse passo.

Surgem por toda parte esses pequenos grupos de crentes. A Palavra de Deus é uma semente que produz vida, e a "Igreja da Bíblia" é Sua igreja remanescente.

Seria néscio tentarmos contar o povo de Deus hoje, porque há crentes que são desconhecidos de muitos e que se encontram nos lugares mais inesperados da terra. O Senhor está ajuntando Sua igreja e terminando Sua obra no mundo.


Revista Adventista. - Janeiro 1940  -  Pag. 01

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Uma Sensação de Paz e Quietação

 

Uma Sensação de Paz e Quietação

Pag. 1

O maior bem que nossa religião pode proporcionar nestes tempos, é a sensação de paz e quietação e segurança aos nossos corações. E isto, por causa da confiança que podemos ter de que, acima do mundo perturbado, encontra-se um grande Deus que ainda rege o universo, e é solícito por Seus filhos.

Creio que nosso primeiro passo ao encarar as tensões da vida diária, devia ser fixar a mente em Deus, em Sua compaixão por nós e na paz que nos promete. Creio que nos é benéfico dar, cada manhã, o primeiro lugar a pensar nisto mui definidamente. Depois, enquanto nos movemos durante o dia, bom é erguermos oportunamente o espírito em silenciosa oração a Deus. Isto nos traz um senso de comunhão com Ele, e é este senso de comunhão que produz no coração a sensação de paz — aquela paz que excede a todo o entendimento.


Fonte. - Revista Adventista. Jan. 1949  Pg. 01

terça-feira, 28 de julho de 2026

Os Anjos Ajuntarão os Filhos de Deus

 

Os Anjos Ajuntarão os Filhos de Deus


Pag. 13

"E ELLE enviará os Seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quaes ajuntarão os Seus escolhidos." S. Math. 24:31.

Taes são as palavras do Salvador. Quande Elle vier pela segunda vez, enviará Seus anjos a reunir Seus filhos, e os levará para a patria, para o logar que foi preparar. Os filhos de Deus estão espalhados de uma a outra extremidade da terra; durante todos os seculos passados, desde a morte do martyr Abel, um após outro os filhos de Deus teem sido levados ao repouso da sepultura. Elles, descansam de seus labores. Mas o Senhor vela sobre o pó. Sabe onde se encontram, e chamal-os-á de seu leito poento. Alguns teem estado a dormir por muitos annos; outros apenas por pouco tempo, mas todos serão chamados, revestidos da immortalidade. Então os anjos os hão de reunir de todos os logares, conduzindo-os ao lar, á cidade de Deus.

Imaginemos uma familia que tem servido fielmente ao Senhor. Nasceram no Brasil. Seu primogenito fora-lhes tirado nos tenros annos da infancia, e os paes, com corações partidos, haviam-n'o depositado na pequenina sepultura. Tempos passados, porém, essa familia muda-se para Hespanha, indo residir proximo de Madrid. Emquanto ahi, outro de seus filhinhos passa a dormir até á manhã da resurreição. Afinal esta familia se muda para a Cidade do Cabo, na Africa. Mais tarde teem elles de dizer adeus a outro filho, acompanhando-o com olhos lacrimosos a seu derradeiro repouso, alli na Africa.

Mas eis que Jesus vem buscar Seus filhos para a patria. Os paes serão num momento transformados, num abrir e fechar de olhos, da mortalidade á immortalidade. A voz potente de Jesus echoará pela terra, e os mortos em Christo sahirão do sepulcro. Então, um anjo será enviado áquella sepulturasinha no Brasil. Os homens poderão haver esquecido o local. O pequeno monte que marcava outrora o logar, poderá haver sido nivelado com o resto da terra, mas Deus sabe onde é, e o anjo ha de conduzir o pequenino aos braços de seus paes. Outro anjo será mandadó a Madrid, ao sepulero do pequenino que alli dorme, ao passo que outro voará para a sepultura da Cidade do Cabo, e assim se reunirá a familia e, juntamente com seu Senhor e Salvador partirão para aquele logar onde a morte jamais terá entrada.

Sim, Elle está para voltar, e aquelle dia será glorioso para os filhos de Deus. Então nos encontraremos para não mais nos separar. Nunca mais a cruel mão da morte arrebatará de nosso seio os entes queridos. Jamais nosso coração será despedaçado pela dor, nem nossas faces inundadas pelo pranto. Terá findado então a noite do soffrimento, para dar logar ao eterno dia da paz. Havemos de estar então sempre no lar, na praia serena. Que reunião será essa dos fieis! Que o Senhor prepare nosso coração para aquelle grande dia! N. P. NEILSEN.


Revista Adventista Janeiro 1930

Prece -- Margarida Lopes de Almeida

 

Prece -- Margarida Lopes de Almeida


Senhor!

Venho dar-Te,

a sorrir, toda a minha alegria,

minha imensa alegria,

minha felicidade,

meu riso, meu amor...

Senhor,

todos vêm a Ti para chorar,

para implorar, para suplicar de Ti

Consolação, auxílio,

bênção e perdão.

Eu não, Senhor,

eu venho para dar!

Sobeja-me ventura!

Transborda em minha vida,

Sol, fulgor, claridade,

e meu sonho de amor e de beleza

foi bem menor do que a realidade.

Eu venho para dar!

Recebe em Tuas mãos,

habituadas a receber

preces, imprecações,

lágrimas e desesperos,

um ramo perfumado,

de lírios e de rosas,

de cantos e sorrisos,

de hosanas e de graças.

Toma de mim

um pouco de ventura,

para dares a cada criatura

que na vida não conheça a glória de ser feliz!

Tenho-a tanta, meu Deus,

que embora a tomes,

fica-me farta messe, para distribuir

e para dar ainda!

Quero que todos saibam

minha alegria infinda,

quero gritar ao mundo

que amo a vida,

que é bela, e boa,

e forte e apetecida!

E que mesmo que um dia

minha sorte se transforme de súbito,

e o que é bom e alegre

a morte me arrebate das mãos com crueldade,

eu bendirei a vida, na saudade

de um bem que tive,

e que é tão grande

que há de iluminar

mesmo a treva mais densa e mais profunda.

Senhor,

uma luz fulgurante os meus olhos inunda,

toma-me um pouco de luz,

derrama-a sobre aquêle que é cego

de ventura, ou mau, ou pervertido.

E deixa-me dizer-Te com amor:

Obrigada, Senhor,

por ter nascido-

obrigada, Senhor!


Revista Adventista. - Fevereiro 1960 Pag. 10

segunda-feira, 27 de julho de 2026

A essência e a prática da pregação transformadora

 A essência e a prática da pregação transformadora

Milton Andrade

Apregação é mais do que um discurso; é um chamado à transformação. Seu propósito não é meramente informar, mas conduzir vidas à salvação. Ao combinar instrução técnica com profunda espiritualidade, o livro A Loucura da Pregação (CPB, 2026, 192 p.) apresenta-se como um guia prático e inspirador.

Escrita pelo pastor Alejandro Bullón, a obra aborda desde os aspectos técnicos da pregação – como a preparação de sermões, a realização de apelos, a comunicação que alcança o coração da audiência e a correta interpretação do texto bíblico – até a essência que sustenta toda mensagem: uma vida centralizada em Cristo.

Como o autor ressalta, pregar vai além de palavras bem escolhidas ou de argumentos persuasivos. Trata-se de viver aquilo que se anuncia. Sem uma rotina consistente de oração e uma comunhão genuína com Deus, o pregador não consegue cumprir sua missão com eficácia. A pregação não é entretenimento, mas uma tarefa sagrada que envolve decisões com implicações eternas.

Um dos pontos altos do texto é o apelo à simplicidade. O pregador deve ser claro e objetivo, evitando a superficialidade, mas também resistindo à tentação de complicar o evangelho com teorias abstratas. Jesus, o maior exemplo de pregador, é apresentado como Aquele que, com palavras simples e práticas, tocava corações endurecidos, oferecendo respostas às necessidades mais profundas do ser humano.

O centro da pregação é Cristo. Sermões sem Ele são comparados à oferta de Caim: vazios de virtude, por mais belos que pareçam. A verdadeira pregação transforma vidas porque exalta a Cristo, que é o centro das Escrituras. No entanto, o autor alerta que uma pregação cristocêntrica só pode nascer de uma vida igualmente cristocêntrica. Sem isso, o pregador corre o risco de se tornar uma figura eloquente, mas espiritualmente estéril.

Outro aspecto destacado é a responsabilidade de interpretar e comunicar a Palavra de Deus de maneira fiel e relevante. O texto precisa impactar o coração do pregador antes de alcançar a audiência. Afinal, como alguém pode transmitir emoção ou promover transformação se não as experimentou primeiro?

Por isso, este guia não ensina apenas algumas técnicas; ele inspira uma visão elevada do papel do pregador: a de um servo humilde, usado por Deus para tocar vidas e glorificar o nome de Cristo.

MILTON ANDRADE é editor da revista Ministério

(Resenha publicada na seção “Estante” da Revista Adventista de maio/2026)

quinta-feira, 23 de julho de 2026

Até que Ele venha

 

Até que Ele venha

Pag. 4

Uma espera marcada pela fé, comunhão e missão

STANLEY ARCO

Há uma tensão aparente entre o “já” e o “não ainda"; entre a iminência da segunda vinda e a aparente demora no cumprimento da promessa. Por um lado, Jesus e os apóstolos exortam a viver com senso de urgência, pois o Senhor “está às portas"; por outro, parábolas como as das dez virgens e dos talentos apontam para uma espera prolongada.

A esperança na vinda de Jesus faz parte do nosso DNA. Nossa identidade está alicerçada na convicção da proximidade do fim. Contudo, a passagem das gerações pode favorecer o enfraquecimento da fé, gerando incerteza, indiferença ou falta de compromisso.

Diante disso, é necessário lembrar a natureza condicional de determinadas profecias, cujo cumprimento está relacionado à resposta humana. Nesse contexto, a demora não se deve à falha das promessas divinas, mas à falta de preparo espiritual e de santidade do povo de Deus. Ellen White afirmou: "Por 40 anos, incredulidade, murmuração e rebelião excluíram o antigo Israel da terra de Canaã. Os mesmos pecados têm atrasado a entrada do Israel moderno na Canaã celestial. Em nenhum dos casos houve culpa por parte das promessas de Deus. É a incredulidade, o mundanismo, a falta de consagração e a contenda entre o professo povo de Deus que nos têm detido neste mundo de pecado e dor por tantos anos."¹

Ao mesmo tempo, temos uma missão a cumprir, levando as boas-novas da salvação até os confins da Terra (cf. Mateus 24:14). Nesse sentido, a pregação do evangelho não é apenas um dever, mas também um meio pelo qual cooperamos com o plano divino, pois “não devemos apenas esperar, mas também apressar 'a vinda do Dia de Deus' (2 Pedro 3:12). Se a igreja de Cristo tivesse feito a obra que lhe foi designada, como Ele ordenou, o mundo inteiro já haveria sido advertido e o Senhor Jesus teria vindo à Terra em poder e grande glória”.²

De fato, "o Senhor não retarda a Sua promessa, ainda que alguns a julguem demorada. Pelo contrário, Ele é paciente com vocês, não querendo que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento" (2 Pedro 3:9). Nessa perspectiva, a aparente demora revela a longanimidade divina. O “relógio de Deus” segue um compasso perfeito, indicando que há um tempo determinado, que “não conhece pressa nem demora”, para o cumprimento de Seus propósitos.

Devemos viver cada dia em vigilância e serviço e manter acesa a chama da esperança

Explicar a demora enfatizando apenas razões humanas pode conduzir ao legalismo, ao desespero ou ao ceticismo. Por outro lado, destacar exclusivamente as razões divinas tende a favorecer a passividade e a indolência. A perspectiva bíblica, porém, aponta para a harmonia entre a capacitação divina e a responsabilidade humana.

Portanto, mais do que oferecer uma explicação para o “porquê” do tempo, o foco das Escrituras recai sobre a atitude do crente: viver cada dia em vigilância e serviço, como se fosse o último, e manter acesa a chama da esperança. Não é tempo de enfraquecer essa convicção, justificando-nos pela aparente demora; ao contrário, é tempo de fortalecer o compromisso, guardando firmemente "a confissão da esperança, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel" (Hebreus 10:23).

STANLEY ARCO é presidente da Igreja Adventista para a América do Sul

Referências

¹ Ellen G. White, Evangelismo (CPB, 2023), p. 482.

² Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações (СРВ, 2021), р. 508.

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