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domingo, 29 de maio de 2016

Cachorro Velho

Cachorro Velho

Do site  http://www.genizahvirtual.com


Por Lindoélio Lázaro


Uma senhora já idosa foi para um Safari, na África, e levou seu velho vira-lata com ela.

Um dia, caçando borboletas, o velho cão, de repente, deu-se conta de que estava perdido.

Vagando a esmo, procurando o caminho de volta, o velho cão percebe que um jovem leopardo o viu e caminha em sua direção, com intenção de conseguir um bom almoço... O velho cachorro pensa:

-Ops! Estou mesmo enrascado! Olhou à volta e viu ossos espalhados no chão por perto. E ao invés de apavorar-se mais ainda, o velho cão se junta ao osso mais próximo, e começa a roê-lo, dando as costas ao predador.
Quando o leopardo estava a ponto de dar o bote, o velho cachorro exclama bem alto:
-Cara, este leopardo estava delicioso! Será que há outros por aí?
Ouvindo isso, o jovem leopardo, com os pêlos arrepiados de terror, suspende seu ataque, já quase começado, e se esgueira na direção das árvores.
-Caramba! - Pensa o leopardo - Essa foi por pouco; o velho vira-lata quase me pega!
Numa árvore perto dali, um macaco assistia toda a cena e logo imaginou como se aproveitar daquela situação: em troca de proteção para si, informaria ao predador que o vira-lata não havia comido leopardo algum...
E assim foi, rápido, em direção ao leopardo. Mas o velho cachorro o vê correndo na direção do predador em grande velocidade, e desconfia:
-Aí tem coisa! O macaco logo alcança o felino, cochicha-lhe o que viu e faz um acordo com o leopardo.
O jovem leopardo fica furioso por ter sido feito de bobo pelo cachorro velho, e manda o macaco subir nas suas costas.
-Você vai ver o que vou fazer com aquele cachorro abusado!
Agora, o velho cachorro vê um leopardo furioso, vindo em sua direção, com um macaco nas costas, e pensa:
-E agora, o que eu faço?
O invés de correr (já que suas pernas doídas não o levariam longe) o cachorro senta, mais uma vez dando costas aos agressores, e fazendo de conta que ainda não os viu, e quando estavam perto o bastante para ouvi-lo, o velho cão diz:
-Cadê aquele macaco safado? Estou morrendo de fome! Ele disse que ia trazer outro leopardo para mim e não chega nunca!
Nem preciso dizer o que aconteceu com o macaco, não é?
Moral da história:
Não mexa com cachorro velho. Idade e habilidade se sobrepõem à juventude e intriga. A sabedoria anda lado a lado com a experiência.

***

Fonte
: Os Lázaros

 

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Uma mensagem a Garcia

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Uma mensagem a Garcia

Este artigo tem mais de cem anos que foi escrito e é sempre atual. Li-o a primeira vez faz mais de 30 anos e nunca me esqueci do conteúdo. O encontrei esses dias aqui na internet, e resolvi editar na integra no meu blog.


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Uma Mensagem a García

Em todo este caso cubano, um homem se destaca no horizonte de minha memória como o planeta Marte no seu periélio. Quando irrompeu a guerra entre a Espanha e os Estados Unidos, o que importava a estes era comunicar-se rapidamente com o chefe dos insurretos, Garcia, que se sabia encontrar-se em alguma fortaleza no interior do sertão cubano, mas sem que se pudesse precisar exatamente onde. Era impossível comunicar-se com ele pelo correio ou pelo telégrafo. No entanto, o Presidente tinha que tratar de assegurar-se da sua colaboração, e isto o quanto antes. Que fazer?
Alguém lembrou ao Presidente: "Há um homem chamado Rowan; e se alguma pessoa é capaz de encontrar Garcia, há de ser Rowan ".
Rowan foi trazido à presença do Presidente, que lhe confiou uma carta com a incumbência de entregá-la a Garcia. De como este homem, Rowan, tomou a carta, meteu-a num invólucro impermeável, amarrou-a sobre o peito, e, após quatro dias, saltou, de um barco sem coberta, alta noite, nas costas de Cuba; de como se embrenhou no sertão, para depois de três semanas, surgir do outro . lado da ilha, tendo atravessado a pé um país hostil e entregando a carta a Garcia - são cousas que não vêm ao caso narrar aqui pormenorizadamente. O ponto que desejo frisar é este: Mac Kinley deu a Rowan uma carta para ser entregue a
Garcia; Rowan pegou da carta e nem sequer perguntou: " Onde é que ele está?"
Hosannah! Eis aí um homem cujo busto merecia ser fundido em bronze imarcescível e sua estátua colocada em cada escola do país. Não é de sabedoria livresca que a juventude precisa, nem instrução sobre isto ou aquilo. Precisa, sim, de um endurecimento das vértebras, para poder mostrar-se altivo no exercício de um cargo; para atuar com diligência, para dar conta do recado; para, em suma, levar uma mensagem a Garcia.
O General Garcia já não é deste mundo, mas há outros Garcias. A nenhum homem que se tenha empenhado em levar avante uma empresa, em que a ajuda de muitos se torne precisa, têm sido poupados momentos de verdadeiro desespero ante a imbecilidade de grande número de homens, ante a inabilidade ou falta de disposição de concentrar a mente numa determinada cousa e fazê-la.
Assistência irregular, desatenção tola, indiferença irritante e trabalho mal feito parecem ser a regra geral. Nenhum homem pode ser verdadeiramente bem sucedido, salvo se lançar mão de todos os meios ao seu alcance, quer da força, quer do suborno, para obrigar outros homens a ajudá-lo, a não ser que Deus Onipotente, na sua grande misericórdia, faça um milagre enviando-lhe como auxiliar um anjo de luz.
Leitor amigo, tu mesmo podes tirar a prova. Estás sentado no teu escritório, rodeado de meia dúzia de empregados. Pois bem, chama um deles e pede-lhe: "Queira ter a bondade de consultar a enciclopédia e de me fazer uma descrição sucinta da vida de Corrégio ".
Dar-se-á o caso do empregado dizer calmamente: "Sim, Senhor" e executar o que se lhe pediu?
Nada disso! Olhar-te-á perplexo e de soslaio para fazer uma ou mais das seguintes perguntas:
Quem é ele?
Que enciclopédia?
Onde é que está a enciclopédia? Fui eu acaso contratado para fazer isso ?
Não quer dizer Bismark?
E se Carlos o fizesse? 
Já morreu?
Precisa disso com urgência?
Não será melhor que eu traga o livro para que o senhor mesmo procure o que quer?
Para que quer saber isso ?
E aposto dez contra um que, depois de haveres respondido a tais perguntas, e explicado a maneira de procurar os dados pedidos e a razão por que deles precisas, teu empregado irá pedir a um companheiro que o ajude a encontrar Garcia, e, depois voltará para te dizer que tal homem não existe. Evidentemente, pode ser que eu perca a aposta; mas, segundo a lei das médias, jogo na certa. Ora, se fores prudente, não te darás ao trabalho de explicar ao teu "ajudante" que Corrégio se escreve com "C" e não com "K ", mas limitar-te-ás a dizer meigamente, esboçando o melhor sorriso.` "Não faz mal; não se incomode ", e, dito isto, levantar-te-ás e procurarás tu mesmo. E esta incapacidade de atuar independentemente, esta inépcia moral, esta invalidez da vontade, esta atrofia de disposição de solicitamente se pôr em campo e agir - são as cousas que recuam para um futuro tão remoto o advento do socialismo puro. Se os homens não tomam a iniciativa de agir em seu próprio proveito, que farão quando o resultado do seu esforço redundar em benefício de todos? Por enquanto parece que os homens ainda precisam de ser feitorados. O que mantém muito empregado no seu posto e o faz trabalhar é o medo de se não o fizer, ser despedido no, fim do mês. Anuncia precisar de um taquígrafo, e nove entre dez candidatos à vaga não saberão ortografar nem pontuar - e; o que é mais, pensam que não é necessário sabê-lo.
Poderá uma pessoa destas escrever uma carta a Garcia?
"Vê aquele guarda-livros", dizia-me o chefe de uma grande, fábrica.
"Sim, que tem? "
"É um excelente guarda-livros. Contudo, se eu o mandasse, fazer um recado, talvez se desobrigasse da incumbência a contento, mas também podia muito bem ser que no caminho entrasse em duas ou três casas de bebidas, e que, quando chegasse ao seu destino, já não se recordasse da incumbência que lhe fora dada ".
Será possível confiar-se a um tal homem uma carta para entregá-la a Garcia?
Ultimamente temos ouvido muitas expressões sentimentais externando simpatia para com os pobres entes que mourejam de sol a sol, para com os infelizes desempregados à cata do trabalho honesto, e tudo isto, quase sempre, entremeado de muita palavra dura para com os homens que estão no poder.
Nada se diz do patrão que envelhece antes do tempo, num baldado esforço para induzir eternos desgostosos e descontentes a trabalhar conscienciosamente; nada se diz de sua longa e paciente procura de pessoal, que, no entanto, muitas vezes nada mais faz do que "matar o tempo ", logo que ele volta as costas. Não há empresa que não esteja despendindo pessoal que se mostre incapaz de zelar pelos seus interesses, a fim de substituílo por outro mais apto. E este processo de seleção por eliminação está se operando incessantemente, em tempos adversos, com a única diferença que, quando os tempos são maus e o trabalho escasseia, a seleção se faz mais escrupulosamente, pondo-se fora, para sempre, os incompetentes e os inaproveitáveis. É a lei da sobrevivência do mais apto. Cada patrão, no seu próprio interesse, trata somente de guardar os melhores - aqueles que podem levar uma mensagem a Garcia.
Conheço um homem de aptidões realmente brilhantes, mas sem a fibra precisa para gerir um negócio próprio e que ademais se torna completamente inútil para qualquer outra pessoa, devido à suspeita insana que constantemente abriga de que seu patrão o esteja oprimindo ou tencione oprimi-lo. Sem poder mandar, não tolera que alguém o mande. Se lhe fosse confiada uma mensagem a Garcia, retrucaria provavelmente: "Leve-a você mesmo".
Hoje este homem perambula errante pelas ruas em busca de trabalho, em quase petição de miséria. No entanto, ninguém que o conheça se aventura a dar-lhe trabalho porque é a personificação do descontentamento e do espírito de réplica. Refratário a qualquer conselho ou admoestação, a única cousa capaz de nele produzir algum efeito seria um bom pontapé dado com a ponta de uma bota de número 42, sola grossa e bico largo.
Sei, não resta dúvida, que um indivíduo moralmente aleijado como este, não é menos digno de compaixão que um fisicamente aleijado. Entretanto, nesta demonstração de compaixão, vertamos também uma lágrima pelos homens que se esforçam por levar avante uma grande empresa, cujas horas de trabalho não estão limitadas pelo som do apito e cujos cabelos ficam prematuramente encanecidos na incessante luta em que estão empenhados contra a indiferença desdenhosa, contra a imbecilidade crassa e a ingratidão atroz, justamente daqueles que, sem o seu espírito empreendedor, andariam famintos e sem lar.
Dar-se-á o caso de eu ter pintado a situação em cores demasiado carregadas? Pode ser que sim; mas, quando todo mundo se apraz em divagações quero lançar uma palavra de simpatia ao homem que imprime êxito a um empreendimento, ao homem que, a despeito de uma porção de impecilhos, sabe dirigir e coordenar os esforços de outros e que, após o triunfo, talvez verifique que nada ganhou; nada, salvo a sua mera subsistência.
Também eu carreguei marmitas e trabalhei como jornaleiro, como, também tenho sido patrão. Sei portanto, que alguma cousa se pode dizer de ambos os lados.
Não há excelência na pobreza de per si; farrapos não servem de recomendação. Nem todos os patrões são gananciosos e tiranos, da mesma forma que nem todos os pobres são virtuosos.
Todas as minhas simpatias pertencem ao homem que trabalha conscienciosamente, quer o patrão esteja, quer não. E o homem que, ao lhe ser confiada uma carta para Garcia, tranquilamente toma a missiva, sem fazer perguntas idiotas, e sem a intenção oculta de jogá-la na primeira sarjeta que encontrar, ou praticar qualquer outro feito que não seja entregá-la ao destinatário, esse homem nunca, fica "encostado" nem tem que se declarar em greve para, forçar um aumento de ordenado.
A civilização busca ansiosa, insistentemente, homem nestas condições. Tudo que um tal homem pedir, ser-lhe-á de conceder. Precisa-se dele em cada cidade, em cada vila, em cada lugarejo, em cada escritório, em cada oficina, em cada loja, fábrica ou venda. O grito do mundo inteiro praticamente se resume nisso: Precisa-se, e precisa-se com urgência de um homem capaz de levar uma mensagem a Garcia.

HELBERT HUBBARD

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terça-feira, 26 de abril de 2011

O Tapetinho Vermelho



Essa é uma mensagem antiga, que ha muito eu li na internet. Se é verdadeira ou não, eu não sei. O que sei ,é que sempre que eu a leio, fico comovido. Agora pouco, a encontrei de novo no site Sermões Online então resolvi postar no meu blog. espero que quem ainda não a conhece venha gostar. Para Deus tudo é possível.

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O Tapetinho Vermelho
           Autor desconhecido


Uma pobre mulher morava em uma humilde casa com sua neta, que estava muito doente.

Como não tinha dinheiro para levá-la a um médico e, vendo que, apesar de seus muitos cuidados, a pobre menina piorava a cada dia, com muita dor no coração, resolveu deixá-la sozinha e ir à pé até a cidade mais próxima, em busca de ajuda.
No único hospital público da região, foi-lhe dito que os médicos não poderiam se deslocar até sua casa; ela teria que trazer a menina para ser examinada.
Desesperada, por saber que sua neta não conseguiria sequer levantar-se da cama, ao passar em frente a uma igreja resolveu entrar. Algumas senhoras estavam ajoelhadas fazendo suas orações. Ela também se ajoelhou.
Ouviu as orações daquelas mulheres e quando teve oportunidade, também levantou sua voz e disse:
“Olá, Deus, sou eu, a Maria. Olha, a minha neta está muito doente. Eu gostaria que o Senhor fosse lá curá-la. Por favor. Anote aí, Deus, o endereço.”
As demais senhoras estranharam o jeito daquela oração, mas continuaram ouvindo.
“É muito fácil, é só o Senhor seguir o caminho das pedras e, quando passar o rio com a ponte, o Senhor entra na segunda estradinha de barro. Passa a vendinha. A minha casa é o último barraquinho daquela ruazinha.”
As senhoras que tudo acompanhavam esforçavam-se para não rir.
Ela continuou: “Olha Deus, a porta tá trancada, mas a chave fica embaixo do tapetinho vermelho na entrada. Por favor, Senhor, cure a minha netinha. Obrigado.” E quando todas achavam que já tinha acabado, ela complementou: “Ah! Senhor, por favor, não se esqueça de colocar a chave de novo embaixo do tapetinho vermelho, senão eu não consigo entrar em casa. Muito obrigado, obrigado mesmo.”
Depois que a Dona Maria foi embora, as demais senhoras soltaram o riso e ficaram comentando como é triste descobrir que as pessoas não sabem nem orar.
Mas, Dona Maria, ao chegar em casa não pode se conter de tanta alegria, ao ver a menina sentada no chão, brincando com suas bonecas.
“Menina, você já está de pé?!?”
E a menina, olhando carinhosamente para a avó, disse: “Um médico esteve aqui, vovó. Deu-me um beijo na testa e disse que eu ia ficar boa. E eu fiquei boa. Ela era tão bonito, vó! Sua roupa era tão branquinha que parecia até que brilhava. Ah! ele mandou lhe dizer que foi fácil achar a nossa casa e que ele ia deixar a chave debaixo do tapetinho vermelho, do jeitinho que você pediu.”
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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

O Relógio que Bateu Treze Vezes à Meia-Noite

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Quando viajávamos na Palestina, de Nazaré para Tiberíades, conta o Rev. J. Bounsall passamos por uma estrada áspera e escabrosa. Durante a viagem um dos clérigos, que nos acompanhavam, contou como pela providência divina um homem inocente foi salvo de ser condenado como assassino.
Foi há alguns anos passados, quando, perto da meia-noite, dois homens paravam ao pé do relógio grande da cidade de Plymouth. Bateram as horas e ambos os homens contaram treze batidas e um disse para o outro que o relógio batera treze vezes em lugar de doze. Um desses homens era o capitão Jarvis. Não muito tempo depois o mesmo capitão Jarvis acordou uma manhã muito cedo, levantou-se e vestiu-se; depois desceu à porta da rua. Abriu-a e ficou deveras surpreendido por achar o criado à sua espera, como o cavalo arreado.
- Tive o pressentimento de que o senhor precisaria do cavalo, disse ele, de sorte que não pude ficar mais na cama e arreei-o.
O capitão primeiramente admirou-se, mas montou a cavalo e seguiu. Ele não governava o cavalo, mas deixava-o à vontade. Seguiu para o lado do rio e parou perto do lugar onde se achava a balsa que transportava os passageiros para a outra banda. Cresceu a admiração do capitão quando viu que o balseiro estava com a balsa pronta para transportar passageiros para o outro lado, pois ainda era muito cedo.
- Como é que você está aqui tão cedo? Perguntou o Sr. Jarvis.
- Não pude dormir mais, meu senhor, parecia-me que alguém precisasse passar para a outra banda do rio.
O capitão embarcou, com o cavalo, na balsa e logo chegaram ao outro lado. De novo soltou as rédeas e o cavalo seguiu estrada a fora. Após uma boa marcha chegaram a uma cidade. Indagou então de um dos transeuntes se sucedera alguma coisa de interesse na cidade.
- Nada, senhor, nada, a não ser o julgamento de um homem, que foi acusado de assassínio.
O capitão dirigiu-se para o edifício onde funcionava o tribunal do júri, apeou e entrou na sala quando o juiz perguntava ao acusado se tinha alguma coisa para alegar em sua defesa.
- Nada tenho a dizer, Sr. Juiz, senão que sou inocente, e que em todo o mundo há somente um homem que pode testificar da minha inocência, mas não sei o seu nome, nem a sua morada. Algumas semanas passadas aquele homem e eu estávamos juntos na cidade de Plymouth à meia-noite, e ambos ouvimos quando o relógio grande da cidade bateu treze vezes em vez de doze, por cujo motivo trocamos então palavras. Se ele estivesse aqui, confirmaria o que acabo de contar-lhes, senhores, mas não nutro a mínima esperança, porque não sei onde está.
- Estou aqui! Estou aqui! gritou o capitão; eu sou o homem que estava em Plymouth aquela hora e ouvi quando o relógio bateu treze vezes em lugar de doze. O que afirmou o preso é pura verdade: reconheço o homem. Na noite do assassínio, justamente na hora em que este foi cometido, ele estava comigo em Plymouth e observamos um ao outro o fato singular de bater o relógio treze vezes à meia-noite.
Assim estava provado que o homem era realmente inocente, e foi posto em liberdade. Quem pode deixar de reconhecer que neste caso a mão do nosso benigno Deus se manifestou evidentemente? Em primeiro lugar, quem dispôs os acontecimentos de modo que aqueles dois homens se encontrassem justamente àquela hora? Quem acordou o capitão àquela hora da manhã? Quem o fez descer à porta da rua? Quem acordou o criado e o constrangeu a arriar o cavalo do patrão sem ter recebido ordem da parte deste? Quem guiou até ao lugar da balsa o cavalo, cujas rédeas o capitão soltara? Quem acordou o balseiro e o fez descer ao rio? E quem fez o cavalo tomar a estrada que levava à cidade onde o pobre inocente ia ser condenado como assassino? Finalmente, quem foi que influenciou o capitão a entrar no edifício para assistir ao júri, justamente no momento mais próprio possível? Tudo isto fez Aquele cujo nome é: "Misericordioso e piedoso, grande em beneficência e verdade." - Souther Cross.

Do Livro Pérolas Esparsas - Casa Publicadora Brasileira
Edição antiga

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