quarta-feira, 6 de junho de 2018

“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça

“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos.” Mateus 5:6.

      Justiça é santidade, semelhança com Deus; e “Deus é amor”. 1 João 4:16. 
      É conformidade com a lei de Deus; pois “todos os Teus mandamentos são justiça” (Salmos 119:172); e o “cumprimento da lei é o amor”. Romanos 13:10. 
Justiça é amor, e o amor é a luz e a vida de Deus. 
      A justiça de Deus se acha concretizada em Cristo. Recebemos a justiça recebendo-O a Ele. Não é por meio de penosas lutas ou fatigante lida, nem de dádivas ou sacrifícios, que alcançamos a justiça; ela é, porém, gratuitamente dada a toda alma que dela tem fome e sede. “Ó vós, todos os que tendes sede, vinde às águas, e os que não tendes dinheiro, vinde, comprai, e comei;... sem dinheiro e sem preço.” “Sua justiça... vem de Mim, diz o Senhor”, e “este será o nome com que O nomearão: O Senhor Justiça Nossa.” Isaías 55:1; 54:17; Jeremias 23:6. 
    Nenhum agente humano pode suprir aquilo que satisfará a fome e a sede da alma. Mas Jesus diz: “Eis que estou à porta, e bato: se alguém ouvir a Minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.” “Eu sou o pão da vida; aquele que vem a Mim não terá fome, e quem crê em Mim nunca terá sede.”  Apocalipse 3:20; João 6:35. 
     Como precisamos de alimento para sustentar nossas forças físicas, assim necessitamos de Cristo, o pão do Céu, para manter a vida espiritual, e comunicar forças para efetuar as obras de Deus. 
     Como o corpo está continuamente recebendo a nutrição que sustém a vida e o vigor, assim a alma deve estar constantemente comungando com Cristo, a Ele submissa, e confiando inteiramente nEle. 
    Como o fatigado viajante procura a fonte no deserto e, encontrando-a sacia a sede abrasadora, assim há de o cristão ansiar e obter a pura água da vida, de que Cristo é a fonte.
Ao discernirmos a perfeição do caráter de nosso Salvador, havemos de desejar ser inteiramente transformados, e renovados à imagem de Sua pureza. 
      Quanto mais conhecermos a Deus, tanto mais elevado será nosso ideal de caráter, e mais veemente o nosso anseio de Lhe refletir a imagem. Um elemento divino combina-se com o humano, quando a alma se dilata, em busca de Deus, e o anelante coração pode exclamar: “Ó minha alma, espera somente em Deus, porque dEle vem a minha esperança.” Salmos 62:5. 
      Se experimentais um sentimento de necessidade em vossa alma, se tendes fome e sede de justiça, isso é prova de que Cristo tem operado em vosso coração, a fim de ser por vós procurado, para vos fazer, mediante o dom do Espírito Santo, aquilo que vos é impossível realizar em vosso próprio benefício. 
Não precisamos saciar nossa sede em correntes rasas; pois a grande fonte se acha mesmo por sobre nós, fonte de cujas abundantes águas nos é dado beber fartamente, se nos alçarmos um pouco mais na escalada da fé. 
     As palavras de Deus são a fonte da vida. Ao buscardes esses vivos mananciais haveis de, mediante o Espírito Santo, ser postos em comunhão com Cristo. 
    Verdades familiares apresentar-se-ão ao vosso espírito sob novo aspecto; como o clarão de um relâmpago, novas significações cintilarão de textos familiares da Escritura; vereis a relação de outras verdades com a obra da redenção, e sabereis que Cristo vos está guiando; que tendes ao lado um Mestre divino. 
Jesus disse: “A água que Eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna.” João 4:14. 
    À medida que o Espírito Santo vos descerre a verdade, haveis de entesourar as mais preciosas experiências, e falareis longamente a outros das confortadoras coisas que vos têm sido reveladas.            Quando com eles vos reunirdes haveis de comunicar qualquer novo pensamento com relação ao caráter ou à obra de Cristo. Tereis nova revelação de Seu piedoso amor para comunicar aos que O amam, e aos que O não amam. “Dai, e ser-vos-á dado” (Lucas 6:38); pois a Palavra de Deus é “a fonte dos jardins, poço das águas vivas, que correm do Líbano”. Cantares 4:15. 
    O coração que experimentou uma vez o amor de Cristo, clama continuamente por um maior sorvo e, comunicando-o a outros, recebereis mais rica e abundante medida. Cada revelação de Deus à alma aumenta a capacidade de conhecer e amar. O contínuo brado do coração é: “Mais de Ti”, e sempre a resposta do Espírito é: “Muito mais.” Romanos 5:9, 10. Pois nosso Deus Se deleita em [21] fazer “tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos”. Efésios 3:20. A Jesus, que Se esvaziou a Si mesmo para a salvação da humanidade perdida, o Espírito Santo foi dado sem medida. Assim será Ele dado a todo seguidor de Cristo, quando todo o coração for entregue para Sua habitação. 
     Nosso Salvador mesmo deu o mandamento: “Enchei-vos do Espírito” (Efésios 5:18), e essa ordem é também uma promessa de seu cumprimento. Foi do agrado do Pai que “toda a plenitude nEle habitasse”, em Cristo; e “estais perfeitos nEle”. Colossences 1:19; 2:10. 
     Deus tem derramado de maneira ilimitada o Seu amor, como os aguaceiros que refrigeram a terra. Ele diz: “As nuvens chovam justiça; abra-se a terra, e produza-se salvação, e a justiça frutifique juntamente.” “Os aflitos e necessitados buscam águas, e não as há, e a sua língua se seca de sede; mas Eu o Senhor os ouvirei, Eu o Deus de Israel os não desampararei. Abrirei rios em lugares altos, e fontes no meio dos vales; tornarei o deserto em tanques de águas, e a terra seca em mananciais.” Isaías 45:8; 41:17, 18. “E todos nós recebemos também da Sua plenitude, e graça por graça.” João 1:16. Mateus 5:7. 
      O coração do homem é, por natureza, frio, escuro e desagradável; sempre que alguém manifeste espírito de misericórdia e perdão, fá- lo, não de si mesmo, mas mediante a influência do divino Espírito a [22] mover-lhe o coração. “Nós O amamos a Ele porque Ele nos amou primeiro.” 1 João 4:19. É o próprio Deus a fonte de toda a misericórdia. Seu nome é “misericordioso e piedoso”. Êxodo 34:6. 
     Ele não nos trata segundo os nossos merecimentos. Não indaga se somos dignos de Seu amor, mas derrama sobre nós as riquezas desse amor, a fim de fazer-nos dignos. Não é vingativo. Não busca punir, mas redimir. Mesmo a severidade que mostra por meio de Suas providências, é manifestada para salvação dos extraviados.           Intensamente anela Ele aliviar as misérias dos homens, e aplicar-lhes às feridas Seu bálsamo. É verdade que Deus “ao culpado não tem por inocente” (Êxodo 34:7); mas quereria tirar a culpa. 
     Os misericordiosos são “participantes da natureza divina”, e neles encontra expressão o compassivo amor de Deus. Todos aqueles cujo coração está em harmonia com o coração do Infinito Amor, buscarão reaver e não condenar. 
     A presença permanente de Cristo na alma é uma fonte que jamais secará. Onde Ele habita, haverá uma torrente de beneficência. 
     Ante o apelo do tentado, do errante, das míseras vítimas da necessidade e do pecado, o cristão não pergunta: São eles dignos? mas: Como os posso eu beneficiar? 
    Nos mais indignos, mais degradados, vê almas para cuja salvação Cristo morreu, e para quem Deus deu a Seus filhos o ministério da reconciliação. 
     Os misericordiosos são os que manifestam compaixão para com os pobres, os sofredores e oprimidos. Jó declara: “Eu livrava o [23] miserável que clamava, como também o órfão que não tinha quem o socorresse. A bênção do que ia perecendo vinha sobre mim, e eu fazia que rejubilasse o coração da viúva. Cobria-me de justiça, e ela me servia de vestido; como manto e diadema era o meu juízo. Eu era o olho do cego, e os pés do coxo; dos necessitados era pai, e as causas de que eu não tinha conhecimento inquiria com diligência.” Jó 29:12-16. 
      Muitos há para quem a vida é uma penosa luta; sentem suas deficiências, e são infelizes e incrédulos; pensam nada terem por que ser agradecidos. 
      Palavras bondosas, olhares de simpatia, expressões de apreciação, seriam para muitas almas lutadoras e solitárias como um copo de água fria a uma alma sedenta. 
     Uma palavra compassiva, um ato de bondade, ergueriam fardos que pesam duramente sobre fatigados ombros. E toda palavra ou ato de abnegada bondade é uma expressão do amor de Cristo pela humanidade perdida. Os misericordiosos “alcançarão misericórdia”. “A alma generosa engordará, e o que regar também será regado.” Provérbios 11:25. 
     Há uma doce paz para o espírito compassivo, uma bendita satisfação na vida de esquecimento de si mesmo em benefício de outros. 
     O Espírito Santo que habita na alma e Se manifesta na vida, abrandará corações endurecidos, e despertará simpatia e ternura.           Haveis de ceifar aquilo que semeardes. “Bem-aventurado é aquele que atende ao pobre. ... O Senhor o livrará, e o conservará em vida; será abençoado na Terra, e Tu não o entregarás à vontade de seus inimigos. O Senhor o sustentará no leito da enfermidade; Tu renovas a sua cama na doença.” Salmos 41:1-3. 
       Aquele que consagrou sua vida a Deus para o ministério de Seus filhos, está ligado com Aquele que tem todos os recursos do Universo ao Seu dispor. Sua vida se acha, pela áurea cadeia das imutáveis promessas, presa à vida de Deus. O Senhor não lhe faltará na hora do sofrimento e da necessidade. “O meu Deus, segundo as Suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus.” Filipenses 4:19. 
      E na hora da necessidade final os misericordiosos encontrarão abrigo na misericórdia de um compassivo Salvador, e serão recebidos nas eternas habitações.

Ellen White

O Maior Discurso de Cristo. Pag. 18 - 24

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