sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Subamos a Betel - Sermão


Gênesis 35:3

Angústia, medo, vergonha... Eram esses os sentimentos do velho patriarca Jacó, em um determinado dia da sua vida.
Naquele dia ele orou como nunca o fizera antes.
Na situação em que se encontrava, só Deus poderia livrá-lo.
Estava rodeado de inimigos, que mais cedo ou mais tarde o atacariam, e com certeza seria dizimado com a sua família.
Esse era o motivo de sua angústia.

Quem era Jacó?

Jacó era um próspero fazendeiro que morava no município de Siquém, pequena cidade da região da Samaria.
Neto de Abraão, filho de Isaque e Rebeca, era Ele um dos três patriarcas tidos como os pais da fé.

Tudo começou quando Jacó volta de Padã-Arã, terra onde viveu, na casa do sogro, por mais de vinte anos; com medo de encontra-se com o irmão Esaú, não foi morar em Berseba, casa do seu pai, mas em Siquém, cidade dos Heveus, que ficava a cerca de 120 quilômetros de distância.
Ali comprou uma fazenda e cavou um poço, o famoso poço de Jacó, e se estabeleceu.
“Depois que voltou de Padã-Arã,  Jacó chegou são e salvo a cidade de Siquém que está na terra de Canaã, e se acampou diante da cidade.
“Por cem peças de prata ele comprou dos filhos de Hamor, pai de Siquém, a parte do campo em que estendera sua tenda”. Gen. 33;18,19.4

Tudo ia bem, até o dia que aconteceu um incidente desagradável e deste, uma tragédia.
Diná, a única filha, começou a namorar o filho de Hamor, o governador do lugar.
O moço tinha o mesmo nome da cidade, Siquém.
Só que havia um sério problema.
Os dois eram de religiões diferentes.
Ela adorava a Jeová. O Deus a quem o seu pai servia. Ele era pagão. Adorava outros deuses.

E a orientação que Deus dera aos descendentes de Abraão, era que não deviam mistura-se com pagãos.
Certo dia, Diná saiu a encontrar-se com o namorado e nesse encontro ela perdeu a virgindade.
Em uma sociedade conservadora como a oriental, e mesmo entre os pagãos, um homem tirar a virgindade de uma mulher sem casar, era considerado a pior afronta.
Crime punido com morte.

Hamor o pai se Siquém, ao tomar conhecimento do fato, sabendo que por causa desse ato poderia acontecer uma guerra, resolveu contornar a situação sugerindo o casamento dos dois.
Jacó aceitou. Porém dois irmãos dela, Simeão e Levi, não aceitaram.

Resolveram vingar o ultraje feito a irmã.
Só aceitariam, disseram, se os siquemitas aceitassem a religião deles.
“Sob uma condição consentiremos; se vos tornardes como nós, circuncidando-se todo macho entre vós”. Gen.34: 15.

O que eles queriam mesmo era ver todos os homens doentes, pois para se tornar membros da igreja deles, era necessário circuncidar o homem.
E a circuncisão era uma pequena cirurgia feita no pênis, hoje, sem muitas consequências.
Porém naqueles tempos, sem anestesia, sem acompanhamento clínico, e sem antibióticos; a cirurgia causava no homem uma infecção que o deixava vários dias sem ação.
E era isto que desejava os irmãos de Diná, deixar os homens impossibilitados de reagir, para poderem se vingar.
Sem desconfiar, o velho Hamor tratou de convencer o povo a aceitar a nova religião.
Dizia: Será muito bom para nós, eles são ricos, se nos unimos a eles, poderemos casar nossos filhos com as filhas deles, e seremos tão ricos quanto eles.

“O seu gado e todas as suas propriedades serão nossos, consintamos, pois, com eles e eles habitarão conosco”.
verso. 23.

Pensando nas vantagens financeiras, aceitaram. Todos os homens foram circuncidados.

“Três dias mais tarde, quando os homens estavam doridos, dois filhos de Jacó, Simeão e Levi, entraram na cidade e mataram a todos os homens”.
“Mataram também ao fio da espada a Hamor e a seu filho Siquém e tomaram Diná da casa de Siquém e saíram”.
Versos 25,26.

Mataram o velho Hamor, mataram o filho Siquém, roubaram gado, prenderam mulheres e crianças, fizeram uma barbárie; essa era a causa do desespero de Jacó.

Ele temia que quando a notícia se espalhasse, houvesse, entre o povo da terra, uma confederação de forças, que o atacaria, e toda a sua família seria dizimada.
Só uma coisa ele poderia fazer. Orar. E foi o que ele fez.
Orou como nunca o fizera antes.
E Deus atendeu a sua oração.
Mandou que ele fosse embora dali.
Que fosse moram em Betel.

“Então, disse Deus a Jacó. Levanta-te, sobe a Betel, e habita ali. E faze um altar ao Deus que te apareceu quando fugias da presença de Esaú teu irmão”. Gen. 35: 1.
Ele foi. Gen. 35,2.

Porém antes de viajar tomou uma decisão. Promoveu uma reforma espiritual na família.

“Levantemos e subamos a Betel”... Versos 3-5.

Ele nunca fora fiel. E sempre sofria por causa disso.
É certo que ele cria em Deus, orava, devolvia o dízimo, provavelmente guardava o sábado, porém faltava mais.

Ser cristão não é apenas práticas exteriores, precisa de comprometimento maior.
Mais consagração. Mais fé, mais testemunho.
Isso lhe faltava, testemunho.
Aproveitou da fraqueza do irmão, para lhe tomar a primogenitura.
Quando a mãe o mandou mentir ao pai, aceitou.
Quando o sogro trocou sua esposa por outra, também aceitou, é possível que estivesse de olho nas duas.
Quando uma das esposas sugeriu que ele fornicasse com a empregada dela, concordou.
Depois adulterou com a empregada da outra esposa.
Alguém lhe falou de uma simpatia; que se ele descascasse algumas varas e as colocasse no bebedouro das cabras, estas iriam parir de acordo com os desenhos das varas.

Bobagem. Isto não tem nada a ver.

Deus o ajudou por amor, e não por causa de uma simpatia sem sentido.
E por último, quando a filha começou a namorar um pagão, permitiu; e agora estava em uma tremenda enrascada.
A filha deflorada, os filhos assassinos, uma cidade destruída, a opinião publica contra eles, e a ameaça de destruição de toda sua família.
Precisava fugir e não sabia para onde.
Perdera o bem mais precioso que alguém pode ter.
 A Paz.
Acredito que paz era algo que, ao que parece, nunca ele teve.
Quando criança brigava constantemente com o irmão, por inveja da primogenitura. Até que lhe tomou.
Saiu fugido de casa, para não ser morto pelo irmão. Foi morar com o tio, e explorado pelo mesmo por vinte anos.
Casado, o lar era um inferno.
Duas mulheres brigavam por causa dele, depois três e por último, quatro.
O sogro não gostava dele, os cunhados muito menos, pois se sentiam enganados, ao o verem ficar rico apesar se explorado.
Saiu da casa do sogro escondido, e foi perseguido pelo mesmo, por causa de alguns ídolos que uma de suas mulheres roubou.
Perdeu algumas noites de sono, com medo de encontrar o irmão que o jurara de morte.
Não voltou para a casa do pai, para poder ficar longe do irmão, em quem não confiava.
Ali comprou a fazenda, cavou os poços, se estabeleceu.
Quando pensava que agora tinha paz, lhe acontece aquela tragédia.
Mais uma vez tinha que fugir.
Ter que abandonar, terras, poços, roças e fugir para não ser morto.
Foi quando resolver fazer com Deus um pacto de fidelidade.
Abandonar tudo que tinha vínculo com o pecado. Consagrar a vida inteiramente a Deus.
Fez uma reforma espiritual e nesta reforma obrigou todos a abandonar a idolatria, mudar o estilo mundano de vestir, o uso de joias e enfeites pagãos.
“Então disse Jacó á sua família e a todos os que com ele estavam: lançai fora os deuses estranhos que há no meio de vós e purificai-vos e mudai as vossas vestes.

Levantemo-nos e subamos a betel, onde farei um altar ao Deus que me respondeu no dia da minha angústia, e que foi comigo no caminho por onde andei”. Gen. 35: 2,3.

O povo atendeu o apelo.
Deram-lhe, os deuses, as argolas, brincos, joias, jogaram fora as roupas indecentes, Jacó cavou debaixo de uma árvore lá em meio à floresta e escondeu tudo.
“Então deram a Jacó todos os deuses estranhos que tinham as mãos, e as argolas que lhes pendiam das orelhas e Jacó os escondeu debaixo do carvalho que está junto à siquem. Então partiram e o terror de Deus caiu sobre as cidades que estavam ao redor deles, e não seguiram aos filhos de Jacó”. Versos. 4,5.

Na sua bondade, Deus enviou os anjos a protegê-los, e a presença dos anjos aterrorizava os habitantes das cidades, e ninguém ousou molestá-los, pelo contrário, fugiam deles.

Aplicação

Estamos em viagem para a Betel Celestial.
Á semelhança de Jacó estamos rodeados de inimigos. E nossos inimigos não são carnais, mas espirituais.

“O diabo anda em derredor rugindo como leão buscando a quem tragar”. 1 Pedro. 5:8.

Para nosso sucesso na caminhada cristã, precisamos aprender algumas lições da experiência de Jacó.

1 - Porque cometemos pecados, ou mesmo por que nos afastamos da igreja, significa que Deus nos abandona.
Jacó fazia jus ao nome, era enganador, e mesmo assim, era objeto do cuidado e amor de Deus.
Passou vinte anos, longe da igreja, convivendo com um tio pagão, e mesmo assim Deus o ajudou muito. Ficou tão rico na casa do tio, que na volta, tirou alguma coisa do que trazia para o seu irmão Esaú, um pequeno presente em gado e animais, e esse presente chegou a 580 cabeças. Gen. 32:13-21.

2 - Os sofrimentos, na maioria, são causados, por nós mesmos.

• Jacó vivia desterrado por causa de suas atitudes
• Se em casa havia conflito, ele que escolheu viver com quatro mulheres.
• Quando os filhos mentiam a ele, era porque com ele aprenderam a mentir.

3 - Satanás procura destruir os filhos de Deus. Tanto espiritualmente, quanto fisicamente. 1 Pedro 5:8.

4. Deus  não abençoa uma religião motivada por interesses financeiros

Os siquemitas, foram todos “batizados” (circuncidados) mais para Deus não teve nenhum valor.
Eram pagãos, e continuaram pagãos,
Assim como há muitos mundanos, que se batizam e continuam mundanos.

5. Para chegarmos a Betel Celestial, é necessária uma reforma espiritual.
Esta reforma envolve:

A) Tirar os deuses estranhos

·       Ideias pessoais

Inumeráveis são as doutrinas errôneas e as fantasiosas ideias que estão ganhando terreno entre as igrejas da cristandade.
É impossível avaliar os maus resultados de remover um dos marcos que foram fixados pela Palavra de Deus. Pouco dos que se arriscam a fazer isto param com a rejeição de uma única verdade. A maioria continua a por de lado, um apos outro, os princípios da verdade, ate que se tornam efetivamente incrédulos.

·       Pessoas (artistas, professores, políticos, etc )

Satanás se esforça constantemente por atrair a atenção para o homem, em lugar de Deus. Induz o povo a olhar para os bispos, pastores, professores de teologia, como seus guias, em vez de examinarem as Escrituras a fim de, por si mesmos, aprenderem seu dever. Então, dominando o espirito desses dirigentes, pode influenciar as multidões de acordo com sua vontade.- O Grande Conflito 520

·       Posses

O oculto egoísmo humano permanece manifesto nos livros do Ceu.
Existe o relato de deveres não cumpridos para com os semelhantes, do esquecimento dos preceitos do Salvador.
Ali verão quantas vezes foram cedidos a Satanás o tempo, o pensamento, a força, os quais pertenciam a Cristo.
Triste e o relato que os anjos levam para o Céu. Seres inteligentes, seguidores professos de Cristo, estão absortos na aquisição de posses mundanas ou do gozo de prazeres terrenos. Dinheiro, tempo e forca são sacrificados na ostentação e condescendência próprias; poucos, porem, são os momentos dedicados a prece, ao exame das Escrituras, a humilhação da alma e confissão do pecado.

B) Mudar os vestidos - 2. Timóteo 2.9

Roupas não fazem um cristão. Mas os cristãos revelam sua identidade mediante suas roupas e aparência. A Bíblia não prescreve uma roupa padronizada para os homens e mulheres usarem, mas os chama a seguir a simplicidade e o despretensioso estilo de vida de Jesus em nossas roupas e aparência.
Seguir a Jesus em nosso vestir significa ficar à parte da multidão não portando, ornamentando e "produzindo" nosso corpo como o restante faz. Isso exige coragem. Coragem de não se conformar com as imposições da moda, mas ser transformado pelas diretrizes da Palavra de Deus (Rom. 12:2). Coragem para distinguir entre a caprichosa moda que muda e o sensato estilo que permanece. Coragem para revelar a amabilidade do caráter de Cristo, não pela externa decoração de seus corpos "com ouro, pérolas ou custosos vestidos" (I Tim. 2:9), mas pelo embelezamento interior de nossas almas com as graças do coração, o manso e quieto espírito que é precioso à vista de (I Ped. 3:4). Coragem para vestir-se, não glorificando a si mesmo pelo vestir brilhantes joias e roupas sedutoras, mas para exaltar a Deus no uso de vestimentas modestas, decentes e sóbrias.
A aparência exterior é um constante e silencioso testemunho de nossa identidade cristã. Possa ela dizer ao mundo que vivemos para glorificar a Deus e não a nós mesmos.

C) Purificar-se
A aflição purifica o povo de Deus
Logo ha de haver perturbações por todo o mundo. Cumpre que cada qual procure conhecer a Deus. Não temos tempo para esperar...
O amor de Deus a Sua igreja e infinito. Incessante e Seu cuidado de Sua herança. Ele não permite que aflição humana alguma sobrevenha a igreja senão unicamente a que e necessária para sua purificação, seu bem presente e eterno.
Purificara Sua igreja assim como purificou o templo no principio e no fim de Seu ministério na Terra.
Tudo que Ele traz sobre a igreja em forma de provações e aflições, fá-lo para que Seu povo adquira mais profunda piedade e mais força para levar a todas as partes do mundo as vitorias da cruz.Testemunhos Seletos 3:391-392.
Aflições, cruzes, tentações, adversidades e nossas varias provações, são os agentes divinos para nos purificar, santificar e preparar-nos para o celeiro celeste.Testemunhos Seletos 1:313.

D) Confiar na graça divina. (Principalmente)

Pois Deus na sua misericórdia não abandona um seu filho, mesmo que seja enganador como Jacó o foi.

Deus deseja transformar cada Jacó em Israel.
De enganador, passa a ser aquele que lutou com Deus e venceu. 


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