Gênesis 35:3
Angústia, medo, vergonha... Eram esses os sentimentos do velho patriarca Jacó,
em um determinado dia da sua vida.
Naquele
dia ele orou como nunca o fizera antes.
Na
situação em que se encontrava, só Deus poderia livrá-lo.
Estava
rodeado de inimigos, que mais cedo ou mais tarde o atacariam, e com certeza
seria dizimado com a sua família.
Esse era o
motivo de sua angústia.
Quem era Jacó?
Jacó era um próspero fazendeiro que morava no município de Siquém, pequena
cidade da região da Samaria.
Neto de Abraão, filho de Isaque e Rebeca, era Ele um dos três patriarcas tidos
como os pais da fé.
Tudo começou quando Jacó volta de Padã-Arã, terra onde viveu, na casa do sogro,
por mais de vinte anos; com medo de encontra-se com o irmão Esaú, não foi morar
em Berseba, casa do seu pai, mas em Siquém, cidade dos Heveus, que ficava a
cerca de 120 quilômetros de distância.
Ali comprou
uma fazenda e cavou um poço, o famoso poço de Jacó, e se estabeleceu.
“Depois que voltou de Padã-Arã, Jacó
chegou são e salvo a cidade de Siquém que está na terra de Canaã, e se acampou
diante da cidade.
“Por cem
peças de prata ele comprou dos filhos de Hamor, pai de Siquém, a parte do campo
em que estendera sua tenda”. Gen. 33;18,19.4
Tudo ia bem, até o dia que aconteceu um incidente desagradável e deste, uma
tragédia.
Diná, a única filha, começou a namorar o filho de Hamor, o governador do lugar.
O moço
tinha o mesmo nome da cidade, Siquém.
Só que
havia um sério problema.
Os dois
eram de religiões diferentes.
Ela
adorava a Jeová. O Deus a quem o seu pai servia. Ele era pagão. Adorava outros
deuses.
E a
orientação que Deus dera aos descendentes de Abraão, era que não deviam
mistura-se com pagãos.
Certo dia, Diná saiu a encontrar-se com o namorado e nesse encontro ela perdeu
a virgindade.
Em uma
sociedade conservadora como a oriental, e mesmo entre os pagãos, um homem tirar
a virgindade de uma mulher sem casar, era considerado a pior afronta.
Crime
punido com morte.
Hamor o pai se Siquém, ao tomar conhecimento do fato, sabendo que por causa
desse ato poderia acontecer uma guerra, resolveu contornar a situação sugerindo
o casamento dos dois.
Jacó
aceitou. Porém dois irmãos dela, Simeão e Levi, não aceitaram.
Resolveram
vingar o ultraje feito a irmã.
Só
aceitariam, disseram, se os siquemitas aceitassem a religião deles.
“Sob uma condição consentiremos; se vos tornardes como nós, circuncidando-se
todo macho entre vós”. Gen.34: 15.
O que eles queriam mesmo era ver todos os homens doentes, pois para se tornar
membros da igreja deles, era necessário circuncidar o homem.
E a
circuncisão era uma pequena cirurgia feita no pênis, hoje, sem muitas
consequências.
Porém
naqueles tempos, sem anestesia, sem acompanhamento clínico, e sem antibióticos;
a cirurgia causava no homem uma infecção que o deixava vários dias sem ação.
E era isto
que desejava os irmãos de Diná, deixar os homens impossibilitados de reagir,
para poderem se vingar.
Sem
desconfiar, o velho Hamor tratou de convencer o povo a aceitar a nova religião.
Dizia:
Será muito bom para nós, eles são ricos, se nos unimos a eles, poderemos casar
nossos filhos com as filhas deles, e seremos tão ricos quanto eles.
“O seu gado e todas as suas propriedades serão nossos, consintamos, pois, com
eles e eles habitarão conosco”. verso. 23.
Pensando nas vantagens financeiras, aceitaram. Todos os homens foram
circuncidados.
“Três dias mais tarde, quando os homens estavam doridos, dois filhos de Jacó,
Simeão e Levi, entraram na cidade e mataram a todos os homens”.
“Mataram também ao fio da espada a Hamor e a seu filho Siquém e tomaram Diná da
casa de Siquém e saíram”. Versos 25,26.
Mataram o velho Hamor, mataram o filho Siquém, roubaram gado, prenderam
mulheres e crianças, fizeram uma barbárie; essa era a causa do desespero de
Jacó.
Jacó temeu, que quando a notícia se espalhasse, houvesse, entre o povo da terra,
uma confederação de forças, que o atacaria, e toda a sua família seria
dizimada.
Só uma coisa ele poderia fazer. Orar. E foi o que ele fez.
Orou como
nunca o fizera antes.
E Deus
atendeu a sua oração.
Mandou que
ele fosse embora dali.
Que fosse
moram em Betel.
“Então, disse Deus a Jacó. Levanta-te, sobe a Betel, e habita ali. E faze um
altar ao Deus que te apareceu quando fugias da presença de Esaú teu irmão”.
Gen. 35: 1. Ele foi.
Gen. 35,2.
Porém antes de viajar tomou uma decisão. Promoveu uma reforma espiritual na família.
“Levantemos e subamos a Betel”... Versos 3-5.
Ele nunca fora fiel. E sempre sofria por causa disso.
É certo que ele cria em Deus, orava, devolvia o dízimo, provavelmente guardava
o sábado, porém faltava mais.
Ser
cristão não é apenas práticas exteriores, precisa de comprometimento maior.
Mais
consagração. Mais fé, mais testemunho.
Isso lhe
faltava, testemunho.
- Aproveitou da fraqueza do irmão, para lhe tomar a primogenitura.
- Quando a
mãe o mandou mentir ao pai, aceitou.
- Quando o
sogro trocou sua esposa por outra, também aceitou, é possível que estivesse de
olho nas duas.
- Quando uma
das esposas sugeriu que ele fornicasse com a empregada dela, concordou.
- Depois
adulterou com a empregada da outra esposa.
- Alguém lhe falou de uma simpatia; que se ele descascasse algumas varas e as
colocasse no bebedouro das cabras, estas iriam parir de acordo com os desenhos
das varas.
Bobagem.
Isto não tem nada a ver.
Deus o
ajudou por amor, e não por causa de uma simpatia sem sentido.
- E por último, quando a filha começou a namorar um pagão, permitiu; e agora
estava em uma tremenda enrascada.
A filha
deflorada, os filhos assassinos, uma cidade destruída, a opinião publica contra
eles, e a ameaça de destruição de toda sua família.
Precisava
fugir e não sabia para onde.
Perdera o
bem mais precioso que alguém pode ter.
A Paz.
Acredito que paz era algo que, ao que parece, nunca ele teve.
- Quando
criança brigava constantemente com o irmão, por inveja da primogenitura. Até
que lhe tomou.
- Saiu
fugido de casa, para não ser morto pelo irmão. Foi morar com o tio, e explorado
pelo mesmo por vinte anos.
Casado, o
lar era um inferno.
- Duas
mulheres brigavam por causa dele, depois três e por último, quatro.
- O sogro
não gostava dele, os cunhados muito menos, pois se sentiam enganados, ao o
verem ficar rico apesar se explorado.
- Saiu da
casa do sogro escondido, e foi perseguido pelo mesmo, por causa de alguns
ídolos que uma de suas mulheres roubou.
- Perdeu
algumas noites de sono, com medo de encontrar o irmão que o jurara de morte.
- Não voltou
para a casa do pai, para poder ficar longe do irmão, em quem não confiava. foi para siquem, Ali
comprou a fazenda, cavou os poços, se estabeleceu.
- Quando
pensava que agora tinha paz, lhe acontece aquela tragédia.
Mais uma vez tinha que fugir.
Ter que
abandonar, terras, poços, roças e fugir para não ser morto.
Foi quando resolver fazer com Deus um pacto de fidelidade.
Abandonar
tudo que tinha vínculo com o pecado. Consagrar a vida inteiramente a Deus.
Fez uma
reforma espiritual e nesta reforma obrigou todos a abandonar a idolatria, mudar
o estilo mundano de vestir, o uso de joias e enfeites pagãos.
“Então disse Jacó á sua família e a todos os que com ele estavam: lançai fora os deuses estranhos que há no meio de
vós e purificai-vos e mudai as vossas vestes.
Levantemo-nos
e subamos a betel, onde farei um altar ao Deus que me respondeu no dia da minha
angústia, e que foi comigo no caminho por onde andei”. Gen. 35: 2,3.
O povo atendeu o apelo.
Deram-lhe,
os deuses, as argolas, brincos, joias,
jogaram fora as roupas indecentes, Jacó cavou debaixo de uma árvore lá em
meio à floresta e escondeu tudo.
“Então deram a Jacó todos os
deuses estranhos que tinham as mãos, e as argolas que lhes pendiam das orelhas
e Jacó os escondeu debaixo do carvalho que está junto à siquem. Então partiram
e o terror de Deus caiu sobre as cidades que estavam ao redor deles, e não
seguiram aos filhos de Jacó”. Versos. 4,5.
Na sua bondade, Deus enviou os anjos a protegê-los, e a presença dos anjos
aterrorizava os habitantes das cidades, e ninguém ousou molestá-los, pelo
contrário, fugiam deles.
Aplicação
Estamos em viagem para a Betel Celestial.
Á semelhança de Jacó estamos rodeados de inimigos. E nossos inimigos não são
carnais, mas espirituais.
“O diabo anda em derredor rugindo como leão buscando a quem tragar”. 1 Pedro.
5:8.
Para nosso sucesso na caminhada cristã, precisamos aprender algumas lições da
experiência de Jacó.
1 - Porque cometemos pecados, ou mesmo por que nos afastamos da igreja,
significa que Deus nos abandona.
Jacó fazia
jus ao nome, era enganador, e mesmo assim, era objeto do cuidado e amor de
Deus.
Passou
vinte anos, longe da igreja, convivendo com um tio pagão, e mesmo assim Deus o
ajudou muito. Ficou tão rico na casa do tio, que na volta, tirou alguma coisa
do que trazia para o seu irmão Esaú, um pequeno presente em gado e animais, e
esse presente chegou a 580 cabeças. Gen. 32:13-21.
2 - Os sofrimentos, na maioria, são causados, por nós mesmos.
•
Jacó vivia desterrado por causa de suas atitudes
• Se em casa havia conflito, ele que escolheu viver com quatro mulheres.
• Quando os filhos mentiam a ele, era porque com ele aprenderam a mentir.
3 - Satanás procura destruir os filhos de Deus. Tanto espiritualmente, quanto
fisicamente. 1 Pedro 5:8.
4.
Deus não abençoa, nem aceita que alguem procure uma religião motivada
por interesses financeiros
Os
siquemitas, foram todos “batizados” (circuncidados) mais para Deus não teve
nenhum valor.
Eram
pagãos, e continuaram pagãos,
Assim como
há muitos mundanos, que se batizam e continuam mundanos.
5. Para chegarmos a Betel Celestial, é necessária uma reforma espiritual.
Esta reforma envolve:
A) Tirar os deuses estranhos
· Ideias
pessoais
“Inumeráveis são as doutrinas errôneas e as fantasiosas ideias que estão ganhando
terreno entre as igrejas da cristandade.
É impossível avaliar os maus resultados de remover um dos marcos que foram fixados
pela Palavra de Deus. Pouco dos que se arriscam a fazer isto param com a rejeição de uma única
verdade. A maioria continua a por de lado, um apos outro, os princípios da
verdade, ate que se tornam efetivamente incrédulos”.
· Pessoas
(artistas, professores, políticos, etc )
“Satanás se esforça constantemente por atrair a atenção para o homem,
em lugar de Deus. Induz o povo a olhar para os bispos, pastores, professores de
teologia, como seus guias, em vez de examinarem as Escrituras a fim de, por si
mesmos, aprenderem seu dever. Então, dominando o espirito desses
dirigentes, pode influenciar as multidões de acordo com sua vontade”.- O Grande
Conflito 520
· Posses
“O oculto egoísmo humano permanece manifesto nos livros do Ceu.
Existe o relato de
deveres não cumpridos para com os semelhantes, do
esquecimento dos preceitos do Salvador.
Ali verão quantas vezes foram cedidos a Satanás o tempo, o pensamento, a força, os quais pertenciam a Cristo.
Triste e o relato
que os anjos levam para o Céu. Seres inteligentes,
seguidores professos de Cristo, estão absortos na aquisição de posses
mundanas ou do gozo de prazeres terrenos. “Dinheiro, tempo e
forca são sacrificados na ostentação e condescendência próprias; poucos, porem, são os momentos dedicados a prece, ao exame das
Escrituras, a humilhação da alma e confissão do pecado”.
B) Mudar os vestidos - 2. Timóteo 2.9
Roupas não fazem um cristão. Mas os cristãos revelam
sua identidade mediante suas roupas e aparência. A Bíblia não prescreve uma
roupa padronizada para os homens e mulheres usarem, mas os chama a seguir a
simplicidade e o despretensioso estilo de vida de Jesus em nossas roupas e
aparência.
Seguir a Jesus em nosso vestir significa ficar à parte
da multidão não portando, ornamentando e "produzindo" nosso corpo
como o restante faz. Isso exige coragem. Coragem de não se conformar com as
imposições da moda, mas ser transformado pelas diretrizes da Palavra de Deus
(Rom. 12:2). Coragem para distinguir entre a caprichosa moda que muda e o
sensato estilo que permanece. Coragem para revelar a amabilidade do caráter de
Cristo, não pela externa decoração de seus corpos "com ouro, pérolas ou
custosos vestidos" (I Tim. 2:9), mas pelo embelezamento interior de nossas
almas com as graças do coração, o manso e quieto espírito que é precioso à
vista de (I Ped. 3:4). Coragem para vestir-se, não glorificando a si mesmo pelo
vestir brilhantes joias e roupas sedutoras, mas para exaltar a Deus no uso de
vestimentas modestas, decentes e sóbrias.
A aparência exterior é um constante e silencioso
testemunho de nossa identidade cristã. Possa ela dizer ao mundo que vivemos
para glorificar a Deus e não a nós mesmos.
C) Purificar-se
A aflição purifica o povo de Deus
Logo ha de haver perturbações por todo o mundo. Cumpre que cada qual procure
conhecer a Deus. Não temos tempo para
esperar...
O amor de Deus a Sua
igreja e infinito. Incessante e Seu cuidado de Sua herança. Ele não permite que aflição humana alguma sobrevenha a igreja senão unicamente a que e necessária para sua purificação, seu bem presente
e eterno.
Purificara Sua
igreja assim como purificou o templo no principio e no fim de Seu ministério na Terra.
Tudo que Ele traz
sobre a igreja em forma de provações e aflições, fá-lo para que Seu
povo adquira mais profunda piedade e mais força para levar a todas
as partes do mundo as vitorias da cruz.— Testemunhos
Seletos 3:391-392.
Aflições, cruzes, tentações, adversidades e
nossas varias provações, são os agentes divinos para nos purificar, santificar
e preparar-nos para o celeiro celeste.—Testemunhos
Seletos 1:313.
D)
Confiar na graça divina. (Principalmente)
Pois Deus
na sua misericórdia não abandona um seu filho, mesmo que seja enganador como
Jacó o foi.
Deus deseja transformar cada "Jacó" atual em Israel espiritual.
De
enganador, passa a ser aquele que lutou com Deus e venceu.
Que seja essa a realidade na vida de cada um, hoje