quarta-feira, 25 de junho de 2014

SOBRE A INVEJA


Cirilo Gonçalves

“E os patriarcas, movidos de inveja, venderam José para o Egito; mas Deus era com ele”. (At 7.9).

Ao ler o texto bíblico de Atos 7.9, comecei a meditar na motivação que tiveram os irmãos de José para vende-lo como escravo ao Faraó do Egito. Percebi que sentimentos de inveja conduzem pessoas ao exercício do ridículo e ações de morte. Tais ações podem ocorrer na família, na escola, no trabalho, na igreja e na sociedade. O crime, a separação matrimonial, a despensa ou isolamento no trabalho, o desprezo e desejo de maldição, tudo isso pode ser motivado por causa da inveja. Alguns a expressam visivelmente, outros ocultamente. Na história de José, seus irmãos agiram visivelmente por causa da inveja, indicando que algo positivo, às vezes, desperta algo negativo (Bel Cesar). Entretanto, José soube administrar toda a situação em nome do SENHOR e a sua história foi decorada de honras e glórias (Gênesis 37 a 50). Mais detalhes sobre a vida e ministério de José em terra distante ver o sermão sobre José em meu BLOG: www.cirilogoncalves.blogspot.com

A inveja, em suas mais variadas formas, surge da incapacidade de alguém de alcançar as próprias metas cotidianas e da incapacidade da realização pessoal como ser humano. Por isso, quando uma pessoa realiza um sonho como a construção ou a compra de uma casa, obtenção de uma promoção no trabalho, a aquisição de um carro novo, um casamento feliz, um livro escrito, um cd gravado ou uma história bem sucedida, o invejoso se depara com a sua incapacidade de realização, inchando-se de um vermelho invisível em seu interior, qual fogo ardente queimando por dentro provocando um longo disparo de todo tipo de crítica para apagar a alegria e felicidade explícitos, encontrados no olhar e no anúncio das boas novas de quem construiu alguma coisa. É um sentimento estranho encontrado no coração humano.

A base da inveja está na supervalorização dos outros, que pode fazer tudo, e no esvaziamento de si, que não pode fazer nada. Assim, nasce o desejo de esvaziar o outro para que tudo fique igual e ele e o invejoso não fique só. Adaptando os conceitos do psicanalista Mário Quilici, podemos entender o caminho da inveja em quatro níveis: PRIMEIRO, o invejoso olha um objeto, situação ou um traço de alguém que imediatamente admira. Compreende a importância daquele traço para o outro e deseja para si. Ou seja, vê, admira e deseja. SEGUNDO, faz uma comparação entre o que o outro tem e o que ele não tem. Toma, assim, consciência cognitiva de uma falta sua. TERCEIRO dá-se a percepção e, ao mesmo tempo, a vergonha de uma falta em si que foi admirada no outro. Surge aí, também, a constatação de que aquilo que desejou, é impossível de ser obtido. QUARTO, a inveja é disparada pela percepção de uma falta em si. Essa insuficiência faz com que o invejoso ataque e consequentemente trabalhe para tirar de sua frente o objeto invejado e desaparecer a diferença que foi percebida.


Numa luta secreta e constante, aquele que se sente insuficiente tenta esconder sua vergonha de ser incapaz. Assim, procurando evitar qualquer situação que o faça sentir mais humilhado, ele ataca antes de ser atacado. Isto é, ele compete sozinho. A competição é um hábito do invejoso, pois ele tem dificuldade de receber ajuda, fazer junto e cooperar. A inveja impossibilita o sentimento de gratidão. Isso ocorre porque o invejoso é incapaz de sentir que o outro está lhe dando algo de bom grado. Sempre se sente sempre humilhado com as boas ações dos outros.

O Novo Dicionário Aurélio explica a inveja da seguinte maneira: “Inveja é o desgosto ou pesar pelo bem ou pela felicidade de outrem. Um desejo violento de possuir o bem alheio”. Já o Dicionário de Psicologia Dorsch explica: “A inveja pertence aos sentimentos intencionais. É uma insatisfação, o aborrecimento com a alegria do outro”.

Pr. Cirilo Gonçalves - Evangelista da IASD - AP, SP
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