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quarta-feira, 15 de julho de 2026

Porque cumpre guardar o sabbado.

 

Porque cumpre guardar o sabbado.

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Porque tanta insistencia sobre uma mera questão de dias? Não será um dia tão bom como o outro, comtanto que seja observado convenientemente? Deus, sem duvida, não ha de exigir que observemos precisamente o setimo dia, quando ha muito maior facilidade em acompanhar a multidão, guardando o primeiro dia da semana.

A Verdadeira Questão.

Em resposta a taes representações com que tão frequentemente deparamos em nossos dias, em que a superficialidade tanto se faz sentir nas coisas da religião, basta advertir que a questão não é uma mera questão de dias e sim uma questão de instituição. E' a falta de comprehensão do verdadeiro sentido e proposito do sabbado como uma instituição de Deus, que constitue uma das principaes causas da negligencia do 4º mandamento como geralmente se observa hoje.

O sabbado, em principio, não foi dado para fins meramente physicos e sim para fins espirituaes. Elle devia ser a memoria da creação de Deus destinada a lembrar constantemente ao homem que Deus em seis dias fez o céu e a terra e ao setimo dia descançou e restaurou-se. Exod. 31: 16, 17. A idolatria jámais teria dado entrada no mundo, se o homem houvesse sempre observado fielmente o sabbado instituido por Deus, porque de semana em semana a observancia dessa memoria teria conservado nelle nitida a lembrança e tambem o conhecimento do Deus vivo que, no principio, fez o céu e a terra e tudo o que nelles ha." Ezequiel 20:20.

A negligencia dessa memoria, porém, devia fatalmente determinar o esquecimento do Creador. O homem apartou-se de Deus e do seu Sabbado. Deixando o culto do Deus vivo passou a render culto á creatura. E naturalmente o sol, como a coisa mais influente e magestosa que se offerecia á vista material do homem, devia tornar-se o centro desse systema idolatra, e pelo decurso do tempo o dia especialmente devotado ás orgias do rito desse culto, veiu a ficar estabelecido em logar do sabbado.

Origem da observancia do primeiro dia da semana.

Poder-se-ia agora perguntar de que modo um dia com tão desfavoraveis precedentes e sem a menor parcella de auctoridade divina, como dia santificado, veiu a ser substituido ao Sabbado de Jehovah, o dia que Elle expressamente abençoou e sanctificou e que Elle ordenou fosse tambem sanctificado pelo homem.

A resposta se resume no seguinte: a observancia do primeiro dia da semana ou domingo, foi introduzido na egreja parallelamente com outros costumes pagãos, que, juntos, determinaram uma era de apostasia e de crasso fanatismo conhecido sob o nome de edade média.

A observancia do domingo e a elevação do bispo de Roma á cadeira pontificial, medraram um ao lado do outro. O papismo, de facto, estabeleceu o sabbado rival como instituição propriamente sua, embora fosse de origem pagă, e a Egreja de Roma hoje se gloría no respeito geral tributado ao domingo como uma evidencia do poder que se arroga de mudar até a propria lei de Deus.

O domingo não é uma instituição divina.

Só mesmo leitores superficiaes da Biblia suppõem ingenuamente haver nella base para o domingo como uma instituição divina. Leitores escrupulosos sabem perfeitamente bem que de principio a fim não se encontra nella nem uma allusão siquer á santidade attribuida a esse dia. Em todas as passagens da Biblia o primeiro dia da semana é apenas mencionado como um simples dia de trabalho, e como tal elle sempre se apresenta aos que fundam a sua fé e pratica religiosas, nas Escrituras Sagradas.

Que o domingo foi durante seculos observado como um dia de descanço, não o torna por isso um dia santo, nem tão pouco the transmitte a benção que Deus deitou ao sabbado. O sabbado da creação é uma instituição de Deus, que occupa logar preeminente na lei do decalogo e como tal é obrigatorio para todo o crente. O dia de descanço que Roma se ufana de ter dado ao mundo christão em substituição ao Sabbado do Senhor, é uma instituição puramente humana, e tem a sua origem nas idéas e costumes pagãos, que, nos dias do corrupto Constantino, foram francamente incorporados na egreja.

O signal de um poder rival.

Com a sciencia destes factos já não é possivel rejeitar o legitimo sabbado e guardar em seu logar o domingo sem deshonrar o Senhor do Sabbado e render desleal homenagem a um poder que se constituiu o Seu rival. Sem duvida uma questão tão importante, como a da observancia do 4º mandamento, não pode ser posta de parte por motivo de inconveniencia. Mais do que simples inconveniencia deveria haver certamente, em recusarem os christãos primitivos, com risco de sua vida, offerecer incenso ao imperador, mas era a sua lealdade que estava em jogo; e é precisamente o que se dá comnosco na observancia do sabbado. Devemos honrar a Deus ou ao papa? Guardaremos o mandamento de Deus e observaremos o dia por Elle sanctificado ou renderemos homenagem iniqua a um poder rival observando o dia que elle estabeleceu como o signal de sua auctoridade?


Acervo revista adventista 1910

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