“Quem é que pode viver e não ver a morte?” (Salmo 89:48).
No livro da vida estão escritos os nomes de todos os seres humanos salvos por Jesus Cristo. Depois da morte, o que resta dos candidatos à salvação é o nome registrado nesse livro. O destino de cada pessoa depende de sua relação com Cristo. A pessoa pertence a Cristo ou está do outro lado.
O Apocalipse faz sete referências ao livro da vida (Apocalipse 3:5; 13:8; 17:8; 20:12, 15; 21:27; 22:19). Filipenses 4:3 também menciona esse registro, assim como Salmo 69:28. Somente entrarão na cidade santa aqueles que tiverem o nome escrito no livro da vida do Cordeiro. Essa informação pertence exclusivamente a Deus, pois somente Ele conhece os nomes registrados. Feliz é aquele que tem seu nome nesse livro! Mas qual é o critério divino para registrar alguém ali? Aceitar Jesus Cristo como Salvador pessoal e viver de acordo com seus ensinamentos.
Além do livro da vida, cada ser humano tem seu próprio livro. Trata-se de uma espécie de diário, escrito fielmente pelos anjos. Salomão afirma que Deus nos julgará por todos os nossos atos, inclusive aqueles que praticamos em segredo, sejam bons ou maus. Os anjos registram nossas ações nesses livros.
A Bíblia apresenta tanto o livro da vida, no singular, quanto os livros que registram as obras humanas, no plural. Daniel 7:10 declara: “O tribunal iniciou o julgamento, e os livros foram abertos”. Apocalipse 20:12 acrescenta: “Os mortos foram julgados segundo o que haviam feito, conforme o que estava registrado nos livros”. Observe que Daniel e Apocalipse empregam a palavra no plural. Cada pessoa tem seu próprio livro. A caneta está nas mãos do anjo, mas nós fornecemos a história, os fatos e os argumentos que ele registra.
Cada nascer do sol oferece a oportunidade de reescrever nossa história. O dia de hoje permite fazer diferente. Podemos construir um futuro melhor, embora não possamos apagar o passado. O profeta Jeremias traz alento ao afirmar: “O amor do Senhor não tem fim! Suas misericórdias são inesgotáveis. Grande é sua fidelidade; suas misericórdias se renovam cada manhã”. Aproveite o dia de hoje para começar uma nova história.
Até aqui, vimos dois tipos de livros: o livro da vida e o diário de cada pessoa. Apocalipse 20:12 declara que os mortos serão julgados pelas coisas registradas nos livros, segundo suas obras. Chegamos, então, ao assunto central deste texto: a morte. O que significa estar morto segundo a Bíblia?
Compreender o estado da morte é fundamental para entender o plano da salvação de Deus. Esse conhecimento também orienta nossas escolhas e define a maneira como conduzimos a vida. O inimigo de Deus conhece a importância desse assunto. Por isso, procurou distorcer a palavra divina e apresentar uma interpretação contrária ao que Deus revelou.
1. A morte segundo o conceito bíblico
Imagine uma pessoa que morre e cuja parte consciente, chamada alma, supostamente imortal, ascende ao Céu. De lá, ela acompanha as lutas e as dificuldades dos familiares que permaneceram na Terra. O Céu seria um lugar de alegria para essa pessoa?
Pense em uma mãe que morre e, segundo essa interpretação, vai para o Céu com sua alma imortal. Seis meses depois, sua filha se casa com uma pessoa cruel, que a maltrata de todas as formas. A filha vive em desespero. A mãe acompanha todo o sofrimento, mas nada pode fazer para socorrê-la. Seria feliz nessa condição? Essa situação se pareceria mais com um inferno do que com o Céu. Deus preparou o Céu como um lugar de alegria. Por essa razão, os seres humanos vão para a sepultura depois da morte, onde permanecem inconscientes até o dia da ressurreição.
A morte ocupa o segundo lugar entre os grandes temas do preâmbulo bíblico. O primeiro é a criação. O relato de Gênesis começa com Deus criando todas as coisas. O escritor apresenta a obra divina sem se preocupar em provar a existência do Criador. Em seguida, introduz o tema da morte, que percorre toda a Bíblia até o último capítulo, quando Deus promete que “não haverá mais morte” (Apocalipse 21:4).
Sob a perspectiva de Jesus Cristo, a morte é um dos assuntos mais importantes da Bíblia, porque Ele veio ao mundo para eliminá-la da existência humana. Em outras palavras, a salvação oferece ao ser humano a oportunidade de recuperar a vida por meio do sacrifício do Messias. Por isso, precisamos compreender o conceito bíblico do estado da morte. O que importa é o que a Bíblia ensina sobre o assunto. Vejamos suas próprias palavras: “Os vivos sabem que vão morrer, mas os mortos não sabem nada. Eles não vão receber mais nada e estão completamente esquecidos. Os seus amores, os seus ódios, as suas paixões, tudo isso morreu com eles. Nunca mais tomarão parte naquilo que acontece neste mundo” (Eclesiastes 9:5, NTLH).
Esse texto apresenta uma afirmação direta: os mortos não pensam, não sentem e não praticam ações. O estado da morte interrompe a consciência e a participação nos acontecimentos deste mundo. O Novo Testamento afirma que somente Deus possui imortalidade (1 Timóteo 6:16). O profeta Ezequiel também declara que a alma que pecar morrerá (Ezequiel 18:4). Portanto, a alma não é imortal. Ela representa a personalidade do indivíduo, sua capacidade de pensar e sentir, que cessa de existir na morte.
2. A origem da vida e a natureza da alma
Gênesis 2:7 apresenta o relato da criação do ser humano. Deus, o Artista por excelência, formou o homem do pó da terra. A composição do corpo humano demonstra essa relação com a terra: quando morremos, nosso corpo retorna ao pó. Os elementos que o constituem são os mesmos encontrados na natureza.
Deus criou o homem à sua própria imagem. Formou um corpo perfeito e belo, mas ainda sem vida. Então, soprou em suas narinas o fôlego da vida. Todo ser humano vive porque possui esse princípio vital. Quando deixa de respirar, morre. Observe as palavras do próprio relato bíblico: depois de receber o fôlego da vida, Adão tornou-se alma vivente. Em outras palavras, a união do corpo com o fôlego de vida produziu um ser vivo. Deus não criou uma entidade independente chamada alma. Ele formou o homem do pó da terra, soprou em suas narinas o fôlego da vida e, como resultado, o coração começou a bater, o sangue passou a circular e o homem adquiriu vida.
A palavra espírito, nesse contexto, significa, em primeiro lugar, fôlego da vida. Representa essa força vital, impessoal, que vem de Deus e, em união com o corpo, produz os fenômenos vitais de um ser humano. Portanto, o homem é resultado da união do corpo com o fôlego de vida que vem de Deus. O ser humano não possui uma alma independente do corpo; ele é uma alma vivente. Com a morte, esse processo se extingue. A alma não constitui outra entidade que sobrevive ao corpo.
3. Deus criou a vida para ser eterna
Deus criou Adão e Eva para viverem eternamente. Isso parece evidente. Imagine Deus criando o primeiro casal e dizendo que eles teriam filhos, que cresceriam, chegariam à idade adulta, envelheceriam e morreriam, um após o outro. Seria essa a finalidade da criação? Nascer para morrer? Deus criou a vida e também a morte? Claro que não. Deus criou a vida, e sua natureza é eterna, porque Deus é eterno. A própria vida demonstra essa eternidade. Seríamos eternos se permanecêssemos ligados ao Senhor da vida.
Jesus Cristo comparou a vida à relação entre o tronco de uma árvore e seus galhos. Quem permanece ligado à árvore vive. Quando o galho se separa dela, morre. Assim como a vida, por natureza, é eterna, a morte também representa uma condição definitiva para o ser humano que não recebe a vida novamente. Caso contrário, perderia o sentido a advertência feita a Adão: se comesse do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, morreria. Deus criou a vida para ser eterna, mas estabeleceu uma condição para a criatura: permanecer ligada à fonte da vida. Essa é a consciência de quem reconhece sua origem e compreende que viver significa estar ligado a Deus.
Outro ponto merece atenção. Muitas pessoas acreditam que, ao morrer, o ser humano vai para algum lugar, como o Céu. Se essa interpretação fosse correta, Deus teria criado Adão para passar alguns anos neste planeta, crescer, cumprir uma missão, evoluir espiritualmente, ter filhos, sofrer, acompanhar a morte de familiares e, finalmente, morrer para ir ao Céu. Por que Deus não criou o ser humano diretamente no Céu? Por que o colocou na Terra? Porque este planeta foi o lar planejado para a humanidade. A Terra é a nossa casa.
Algumas pessoas evitam falar sobre a morte porque sentem medo de enfrentá-la. Preferem acreditar em promessas de um Céu depois da morte para aqueles que possuem bom coração. Entretanto, a Bíblia trata do assunto com clareza. A morte encerra a atividade consciente do ser humano. Eclesiastes 9:10 conclui que devemos realizar nossos projetos enquanto temos vida, porque no mundo dos mortos não há trabalho, planos ou conhecimento.
4. A imortalidade da alma e o primeiro engano
Veja a continuação dessa matéria, no link abaixo. não deixe de ler. É muito boa
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