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quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Deus sanguinário?

 

Deus sanguinário?

Pags. 21 e 22

Por que há tanta violência na Bíblia?

CLINTON WAHLEN


Essa questão surge com frequência, especialmente em relação às guerras do Antigo Testamento (cf. Deuteronômio 20:16-18) e à ideia de um inferno de chamas eternas (como alguns interpretam Apocalipse 14:9-11). Para muitas pessoas sinceras, passagens como essas parecem retratá-Lo como um tirano cruel. Quem poderia adorar um Deus assim?

Então, como devemos entender textos difíceis como esses? Inevitavelmente, a Bíblia relata histórias chocantes, muitas das quais são consequências trágicas do mal no mundo. No entanto, o que alguns classificam como passagens "genocidas" parece atribuir a responsabilidade diretamente a Deus. Como conciliar essas imagens com a afirmação bíblica de que “Deus é amor” (1 João 4:8) e que “justiça e direito são o fundamento" do Seu trono (Salmo 89:14)?

Quanto à ordem divina para exterminar os cananeus, é preciso considerar de modo mais amplo o que a Bíblia afirma sobre essa situação. Os versículos anteriores indicam que os israelitas deveriam evitar a guerra sempre que possível e, caso o conflito fosse inevitável, poupar mulheres e crianças (Deuteronômio 20:10-15). Além disso, as nações cananeias poderiam ter sido incorporadas a Israel se tivessem abandonado a idolatria, como ocorreu com Raabe. Entre os costumes abomináveis dos cananeus estavam o sacrifício de crianças – queimadas vivas em rituais –, além da prostituição cultual e do incesto.

Infelizmente, embora tenham recebido 400 anos de misericórdia (Gênesis 15:16), recusaram-se a abandonar suas práticas perversas e ainda lutaram contra o povo de Deus. Se permanecessem na terra, isso teria comprometido o plano divino de fazer de Israel uma luz para as nações. Tanto a história quanto a arqueologia indicam que os povos que continuaram em Canaã se tornaram uma fonte persistente de tentação e apostasia.

Deus diz: "Não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho e viva” (Ezequiel 33:11). Ele não deseja "que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento” (2 Pedro 3:9). Isso incluía não apenas os cananeus, mas toda pessoa que já viveu ou viverá. Nos dias de Noé, o Espírito do Senhor apelou durante 120 anos aos habitantes da Terra, convidando-os ao arrependimento, para que não perecessem no Dilúvio que estava por vir.

A Bíblia, quando lida corretamente, indica que os ímpios serão totalmente destruídos e que o oposto da vida eterna não é o tormento eterno, mas a morte – “o salário do pecado” (Romanos 6:23) - aquilo que, em outros textos, é chamado de "segunda morte", no lago de fogo (Apocalipse 21:8). Mais impressionante ainda é que Deus Se dispôs a oferecer Seu Filho como sacrifício, a fim de salvar os pecadores (João 3:16). Dessa forma, o mal não será tolerado para sempre em um cenário de tormento eterno, mas será definitivamente erradicado, quando Deus puser fim à existência daqueles que se recusam a aceitar a vida que Ele oferece.

Hoje, existem muitas vozes tentando nos dizer o que é justo, bom e correto. No entanto, independentemente do que os críticos possam afirmar, somente o Deus da Bíblia reflete perfeitamente esses ideais.

CLINTON WAHLEN é diretor associado do Instituto de Pesquisa Bíblica


Revista Adventista - Abril - 2026 Pag 21, 22

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