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segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Linguagem Acessível ao Povo

 

Linguagem Acessível ao Povo

Pag. 10

ARNALDO B. CHRISTIANINI

VIVEMOS na fabulosa época da conquista do cosmos, da tecnologia, da cibernética e dos acontecimentos surpreendentes. Todos os setores da atividade humana se reformulam e procuram novos rumos. E na busca de revolucionárias formas de expressão há uma coisa que o homem moderno procura valorizar e aprimorar: a comunicação.

Não nos referimos, é óbvio, aos prodígios científicos da mecânica telecomunicatória por meio de satélites, micro-ondas e quejandos, mas a algo imponderável e subjetivo: o fenômeno psicológico pelo qual o homem realiza um condicionamento coletivo, expressando-se com todo o rendimento, ao ponto de "vender" plenamente uma idéia, uma "mensagem" ou projetar convincentemente uma "imagem" catalisadora. Há nisso algo mais do que sutilezas de persuasão dirigida. Pelo menos um dos fatores — na opinião dos psicólogos — dêsse milagre da comunicação, principalmente de ordem publicitária, e a perfeita identificação sentimental com as massas, através sobretudo de uma linguagem simples, penetrante e coincidente. Estabelece-se, assim, a sintonia da transmissão de uma idéia, de um anúncio ou mensagem que, por processos audiovisuais, provoca passivamente reação em cadeia de aceitação pelo público. Multidões aceitam, aplaudem e absorvem o que se lhes transmitiu. Isto é comunicação, ciência das mais sutis, que hoje tem seus especialistas.

Ora, a mensagem divina das Escrituras, pela importância de que se reveste e pelas implicações que tem no destino da humanidade, não pode continuar prêsa aos processos convencionais, morosos e dispersivos de difusão, com escasso rendimento aritmético. Nesta época de comunicação às massas, de penetração em progressão geométrica, um livro que não contenha a linguagem do cotidiano, viva, natural, fàcilmente absorvível, não terá acolhimento massivo, com todo rendimento, com penetração total, e com a rapidez que os tempos impõem.

Por que o cristianismo se propagou ràpidamente nos seus tempos formativos? Porque os escritores dos documentos que formam o Nôvo Testamento não escreveram em linguagem erudita, rebuscada, castigada. Não empregaram o grego clássico, mas a koinê, a linguagem comum, usual, do cotidiano, perfeitamente entendível pelo homem da rua, pelo menino, pela dona de casa. Note-se, porém, que não era vulgar, nem gíria. Era apenas comum.

Hoje os povos de índole prática estão editando a Bíblia na linguagem comum, o chamado modern speech. Assim, já no início dêste século, publicou-se o famoso The Twentieth Century New Testament, em linguagem acessível até às crianças. E nesta linha, as versões neotestamentárias de Moffat, de Weymouth (principalmente a de 1924), a de Edgar J. Goodspeed na mesma época, e recentemente o texto revolucionário de J. B. Phillips. As crianças aprendem o texto sagrado como se estivessem lendo livros infantis. Da mesma forma os adultos de precária instrução. A linguagem, deve-se frisar, é apenas simples, comum, mas não vulgar ou abastardada.

Gosto de ler o "Good News for Modern Man" ou "The New Testament in Today's English Version," embora possa discordar de algumas

REVISTA ADVENTISTA  -  Fevereiro 1970 Pag. 10

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