Seguidores

quarta-feira, 15 de julho de 2026

Uma conversão por meio de uma aranha

 

Uma conversão por meio de uma aranha

Pags. 3 e 4

Estava sentado um dia num hotel esperando um senhor que me havia aprazado para ali, quando entabolei conversação com um homem intelligente e de agradavel presença, que estava sentado proximo de mim. Era judeu e um homem do mundo.

Conversei longamente com elle, explicando-lhe o evangelho e procurando contar-lhe o que Jesus Christo, o nosso Messias, havia feito por nós; mas embora parecesse tomar grande interesse pelo que eu lhe dizia, não podia comprehender as coisas de que eu lhe fallava — parecendo-lhe como se estivesse ouvindo uma lingua extranha.

Renunciada a esperança de poder fazer qualquer impressão sobre elle, cessei a conversação e comecei a lêr. De repente a minha attenção foi attrahida por uma aranha que tentava em vão subir pela parede que ficava fronteira, e sem saber como e porque, tive a impressão de que Deus tinha uma lição para nós naquella pequena aranha, e que havia uma certa connexão entre ella e a coversação que acabava de ter.

Passados alguns momentos approximou-se de novo de mim e com muita gravidade aquelle senhor com quem eu havia conversado, pedindo-me que lhe fallasse ainda uma vez acerca do que Jesus tinha feito por mim ou por elle, mas que o contasse de uma maneira singela para que pudesse entendel-o. Uma idéa que parecia vir directamente do Espirito de Deus atravessou então o meu espirito, e dirigindo-me á parede, onde a aranha ainda se achava suspensa de sua fina teia, trouxe-a a para mesa. Tomei então uma longa tira de jornal, amarrotei-a e formei com ella um circulo, no centro do qual colloquei a aranha, ateando fogo no papel com um phosphoro. Immediatamente a aranha começou a correr em roda, procurando um logar por onde escapar-se do fogo que a rodeava, porém sem o encontrar. Puz então o dedo no centro daquelle circulo de chammas, e a pobre creatura promptamente subiu por ele pousando confiada sobre a minha mão.

Voltando-me para aquele senhor, disse-lhe: "Isto meu amigo, foi o que Cristo fez por mim e está prompto a fazer por vós. Estive rodeado, como vós estais agora, de um fogo do qual não havia meios de escapar-me, e o qual significava para mim morte eterna. Mas Jesus veio e colocou-se em meu lugar de desespero, e, reconhecendo que Ele era a minha única esperança de refúgio, trepei por Ele pela fé e fui libertado. Meu amigo, esta é a vossa condição, e mais cedo ou mais tarde haveis de reconhecê-la senão podeis reconhecê-la agora. Oxalá venhais a compreender esta verdade e a aceitar o libertamento que vos oferecer o nosso Redemptor.

Estando entretido nesta conversação, o homem a quem eu havia aguardado chegou, e tive de despedir-me. Não tinha porém chegado ainda à porta do hotel, quando o judeu veio pedir-me o meu endereço, que lhe dei, e na manhã seguinte a primeira visita que recebi foi a de meu amigo do dia anterior, que parecia muito angustiado.

Perguntado-lhe pelo seu desejo, disse-me: "Meu amigo, arruinaste a minha vida com a conversação de hontem. Fugiu-me o sono durante toda a noite, porque tinha constantemente diante dos meus olhos aquele círculo de fogo e a aranha escapando-se pelo vosso dedo." Disse-me então que estava ansioso por ouvir mais acerca desse Redemptor do qual eu lhe tinha falado e confessou que se sentia perdido, desejando saber o que lhe cumpria fazer.

Falei-lhe então tão bem como pude acerca do Salvador Jesus Cristo, exhor-tei-o ao arrependimento e a aceitação do sacrifício de Deus pelo nosso pecado, e não há muito tempo tive o prazer de ouvi-lo confessar a Cristo como o seu Messias. — The Hebrew Christian.


Acervo Revista Adventista - Março 1910 Pg 3,4

Nenhum comentário:

Postagens de Destaque