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terça-feira, 25 de agosto de 2026

"Brincadeira" que machuca

 

"Brincadeira" que machuca

Pags. 18 e 19

Como identificar e evitar a prática do bullying

THAIS SOUZA

Caio costuma fazer seus trabalhos sozinho ou com o último grupo a se formar, pois, sempre que pede permissão para se juntar a alguém, é evitado e excluído. Sara apagou a foto que havia publicado em suas redes sociais depois de uma "chuva" de comentários maldosos sobre sua aparência. No entanto, não pôde controlar o compartilhamento de memes e mensagens sarcásticas. Fernando sente dores de cabeça e frequentes desconfortos abdominais antes de ir à escola. Ele prefere chegar atrasado a ser pontual e ser recebido com empurrões e apelidos pelo grupo que o espera na entrada do portão.

O bullying não é um episódio isolado ou simplesmente um dia ruim em que “pegaram no seu pé”. Trata-se de uma experiência repetitiva, silenciosa e desgastante, que nem sempre deixa marcas visíveis, pois vai além da violência física.

Apelidos pejorativos, exclusões intencionais, críticas depreciativas, humilhações públicas, intimidações físicas e difamações costumam ser agressões constantes, provocadas com o único objetivo de causar dano à vítima.

Esse cenário, muitas vezes, é facilitado pelo desequilíbrio de poder entre quem agride e quem sofre o bullying, seja por questões físicas (um mais forte do que o outro), sociais (maior popularidade ou posição de “líder de turma”), psicológicas (maior habilidade verbal ou persuasiva) ou até digitais (maior conhecimento tecnológico e alcance nas redes, o que favorece o cyberbullying). As consequências são inevitáveis e, por vezes, devastadoras. Tendo em vista o Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola, celebrado em 7 de abril, este infográfico busca ampliar a conscientização e fortalecer ações preventivas.

THAIS SOUZA é psicóloga clínica

BULLYING NO BRASIL

Um em cada quatro meninos e uma em cada seis meninas admitem praticar bullying.

74% dos casos envolvem xingamentos, apelidos pejorativos e humilhações verbais.

COMO AJUDAR

1. Pratique a escuta ativa, permitindo que a criança ou o adolescente fale com liberdade sobre o que está enfrentando, sem minimizar o que sente.
2. Busque informações detalhadas sobre o que vem acontecendo. Isso pode ser feito por meio de conversas frequentes com ele, do relato de outras pessoas e da colaboração da escola, caso o bullying ocorra nesse ambiente.
3. Acione a escola, comunicando formalmente o que tem acontecido. Leve registros (datas, nomes, prints), converse sobre um plano de ação concreto e acompanhe os desdobramentos.
4. Ensine seu filho sobre a diferença entre se defender e reagir. A reação costuma ser agressiva; ele pode aprender a dar respostas assertivas e a manter uma postura corporal segura.

Fontes: Dados da Pesquisa Nacional da Saúde do Escolar (PeNSE, 2015 e 2019) e de estudos epidemiológicos nacionais (link.cpb.com.br/164c58; link.cpb.com.br/9443a2).

As razões mais citadas para sofrer bullying são:

Aparência do corpo.

Aparência facial.

Cor ou raça.

REFLEXOS NA VIDA ACADÊMICA

* Queda no rendimento escolar.

* Dificuldade de concentração.

* Faltas e/ou atrasos frequentes.

* Desmotivação em relação aos estudos.

* Desejo de mudar de escola.

* Sintomas físicos recorrentes, sem causa médica aparente, antes ou durante a permanência na escola.

O QUE A VÍTIMA PODE FAZER

* Conte primeiramente aos seus pais o que está acontecendo.

* Não reaja com agressividade; mantenha uma postura firme e respeitosa em relação a si mesmo.

* Afaste-se quando as humilhações começarem.

* Permaneça próximo de colegas que sejam amigáveis.

* Não se culpe; ninguém merece ser humilhado. O erro é de quem agride, não de quem sofre.

* Caso a violência esteja ocorrendo na internet (cyberbullying), guarde evidências antes de excluir o conteúdo, além de bloquear e denunciar os perfis envolvidos.

IMPACTO EMOCIONAL

A vítima passa a viver em estado constante de ansiedade e medo.

Perde a naturalidade e a espontaneidade, devido ao receio do que possa acontecer.

Demonstra instabilidade emocional, com irritabilidade, tristeza, vergonha e raiva manifestando-se de forma alternada e frequente.

Desenvolve fobia social e tende ao isolamento.

Apresenta dificuldade em confiar nas pessoas.

Revela baixa autoestima.

5. Reforce a autoestima, incentivando atividades nas quais ele se sinta competente, fazendo elogios sinceros e reafirmando seu valor.
6. Conheça os sites e as redes sociais que seu filho acessa. Estabeleça regras, limites, horários e critérios quanto aos conteúdos adequados.
7. Fique atento aos sinais de alerta: evitar frequentemente ir à escola, queda no rendimento, isolamento e mudanças bruscas de humor são indícios importantes para buscar apoio psicológico.

Revista Adventista - Abril 2026 - Pg. 18,19

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