"Brincadeira" que machuca
Como identificar e evitar a prática do bullying
THAIS SOUZA
Caio costuma fazer seus trabalhos sozinho ou com o último grupo a se formar, pois, sempre que pede permissão para se juntar a alguém, é evitado e excluído. Sara apagou a foto que havia publicado em suas redes sociais depois de uma "chuva" de comentários maldosos sobre sua aparência. No entanto, não pôde controlar o compartilhamento de memes e mensagens sarcásticas. Fernando sente dores de cabeça e frequentes desconfortos abdominais antes de ir à escola. Ele prefere chegar atrasado a ser pontual e ser recebido com empurrões e apelidos pelo grupo que o espera na entrada do portão.
O bullying não é um episódio isolado ou simplesmente um dia ruim em que “pegaram no seu pé”. Trata-se de uma experiência repetitiva, silenciosa e desgastante, que nem sempre deixa marcas visíveis, pois vai além da violência física.
Apelidos pejorativos, exclusões intencionais, críticas depreciativas, humilhações públicas, intimidações físicas e difamações costumam ser agressões constantes, provocadas com o único objetivo de causar dano à vítima.
Esse cenário, muitas vezes, é facilitado pelo desequilíbrio de poder entre quem agride e quem sofre o bullying, seja por questões físicas (um mais forte do que o outro), sociais (maior popularidade ou posição de “líder de turma”), psicológicas (maior habilidade verbal ou persuasiva) ou até digitais (maior conhecimento tecnológico e alcance nas redes, o que favorece o cyberbullying). As consequências são inevitáveis e, por vezes, devastadoras. Tendo em vista o Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola, celebrado em 7 de abril, este infográfico busca ampliar a conscientização e fortalecer ações preventivas.
THAIS SOUZA é psicóloga clínica
BULLYING NO BRASIL
Um em cada quatro meninos e uma em cada seis meninas admitem praticar bullying.
74% dos casos envolvem xingamentos, apelidos pejorativos e humilhações verbais.
COMO AJUDAR
Fontes: Dados da Pesquisa Nacional da Saúde do Escolar (PeNSE, 2015 e 2019) e de estudos epidemiológicos nacionais (link.cpb.com.br/164c58; link.cpb.com.br/9443a2).
As razões mais citadas para sofrer bullying são:
Aparência do corpo.
Aparência facial.
Cor ou raça.
REFLEXOS NA VIDA ACADÊMICA
* Queda no rendimento escolar.
* Dificuldade de concentração.
* Faltas e/ou atrasos frequentes.
* Desmotivação em relação aos estudos.
* Desejo de mudar de escola.
* Sintomas físicos recorrentes, sem causa médica aparente, antes ou durante a permanência na escola.
O QUE A VÍTIMA PODE FAZER
* Conte primeiramente aos seus pais o que está acontecendo.
* Não reaja com agressividade; mantenha uma postura firme e respeitosa em relação a si mesmo.
* Afaste-se quando as humilhações começarem.
* Permaneça próximo de colegas que sejam amigáveis.
* Não se culpe; ninguém merece ser humilhado. O erro é de quem agride, não de quem sofre.
* Caso a violência esteja ocorrendo na internet (cyberbullying), guarde evidências antes de excluir o conteúdo, além de bloquear e denunciar os perfis envolvidos.
IMPACTO EMOCIONAL
A vítima passa a viver em estado constante de ansiedade e medo.
Perde a naturalidade e a espontaneidade, devido ao receio do que possa acontecer.
Demonstra instabilidade emocional, com irritabilidade, tristeza, vergonha e raiva manifestando-se de forma alternada e frequente.
Desenvolve fobia social e tende ao isolamento.
Apresenta dificuldade em confiar nas pessoas.
Revela baixa autoestima.
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