Mar de vidro -
O século 20 lança aos peregrinos de Sião um desafio sem igual: transformar a contemporânea produção musical sacra numa autêntica expressão dos milagres de Cristo em favor daqueles que almejam um novo lar. Além do mais, deve prepará-los para participar da Grande Sinfonia dos Salvos, uma apresentação de júbilo pela intervenção divina na história da vida de cada um. Alegrem-se todos os que caminham em direção da Terra Prometida! O Cântico de Moisés não será mais cantado às margens do velho Mar Vermelho. Pela misericórdia divina, será entoado junto ao Mar de Vidro.
A Bíblia assegura que os salvos participarão de outros cânticos, como o Cântico Novo. Por que tem esse título? Porque seu tema está relacionado ao caráter inusitado do hino. A palavra "novo" significa algo "inteiramente diferente de qualquer outro cântico entoado anteriormente". Para o viajor de hoje, isso é extremamente significativo, por expressar uma experiência única, singular.
O preparo para participar da música coral e instrumental no Céu, é uma questão fundamental para o cristão. Peregrinos de todas as épocas poderão cantar e tocar, porque serão transformados "num abrir e fechar de olhos", receberão um "novo nome" e tocarão a harpa de Deus. (I Cor. 15:52; Apoc. 2:17; 15:2). "Em cada mão são colocadas a palma do vencedor e a harpa resplandecente. Então, ao desferirem as notas os anjos dirigentes, todas as mãos deslizam com maestria sobre as cordas da harpa, tirando-lhes suave música em ricos e melodiosos acordes" (O Grande Conflito, pág. 646).
No transporte entre a Terra e o Céu, haverá louvor. É bem verdade que, nesse contexto, a peregrinação estará em sua etapa final. Em cada carro de nuvens "se acham rodas vivas; e, ao volver o carro para cima, as rodas clamam: 'Santo', e as asas, movendo-se, clamam: 'Santo'; e o cortejo de anjos clama: 'Santo, Santo, Santo, Senhor Deus todo-poderoso". E os remidos respondem numa apresentação antifonal responsiva: "Aleluia!" (Idem, pág. 645).
Na seqüência, Adão lança sua coroa aos pés de Jesus, ao ver o Jardim do Éden ainda mais belo. Cristo o levanta. Adão toma sua harpa de ouro e a dedilha. As abóbadas do Céu ecoam o cântico triunfante: "Digno, digno, digno, é o Cordeiro que foi morto e reviveu!" (Idem, pág. 648).
Participar desse extraordinário coral, quando Jesus Cristo, à frente daquela imensa multidão de peregrinos salvos, apresentar ao Pai "aqueles que passaram pela grande tribulação e lavaram suas vestes no sangue precioso do Cordeiro", será um elevado privilégio. Quando os fiéis forem transportados para uma Pátria melhor, verão os incomparáveis encantos de Cristo "e, tocando suas harpas de ouro, encherão todo o Céu com preciosa música" (Evangelismo, pág. 503).
Há uma bênção especial para os que cantam, enquanto viajam para o lar eterno.
Além do rio existe um lugar pra mim.
Além do rio existe paz.
Além do rio a vida não terá mais fim;
E com Jesus irei morar.
(Hinário Adventista, 570)
Jael Eneas de Araújo é Diretor de Música da União Norte-Brasileira.
Foi membro da Comissão Revisora do Hinário Adventista.
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