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quinta-feira, 29 de agosto de 2024

A ORAÇÃO INTERCESSÓRIA

 Arnaldo Enriques

A ORAÇÃO INTERCESSÓRIA

 

Moisés ora, intercedendo por seu povo, na luta contra os amalequitas. Êxodo 17:10-13.

Quando o povo de Deus, caminhando pelo deserto se dirigia para o Monte Sinai, repentinamente os guerreiros amalequitas saíram do deserto e atacaram a retaguarda da enorme caravana do povo de Deus.  Os hebreus tinham poucos armas e nenhuma experiência de guerra.  Moisés, depois de um breve planejamento, subiu ao cume de um morro vizinho e levantou seus braços em oração, enquanto Josué e suas tropas saiam para enfrentar o inimigo. Rapidamente os amalequitas retrocederam em retirada.  Mas pelo cansaço, Moisés abaixou os braços.   Imediatamente, foram os hebreus que saíram em retirada.

            Arão e Hur haviam acompanhado a Moisés ao monte para orar.  Quando notaram a diferença que fazia a oração de Moisés, aproximaram-se dele e sustentaram ao alto seus braços para que pudesse seguir orando.  A oração fez uma grande diferença!

H. M. S. Richards comentou:“A oração é a crença cristã de que mais se fala, mas a que menos se pratica”.

Uma pesquisa deu o seguinte resultado: “Em média o cristão passa somente 3 minutos por dia em oração, e o pastor em media 7 minutos”.

Podemos obter duas conclusões bem definidas da experiência de Moisés.

Que quando Deus opera, pode se conseguir mais em um momento, do que podemos alcançar trabalhando uma vida inteira. Alguém disse o seguinte:

“Dependa do talento, e obterás o que o talento pode fazer. Dependa da educação, e obterás o que a educação pode conseguir. Dependa da organização, e obterás o que a organização pode fazer. Ore, ore fervorosa e constantemente, e obterás o que Deus pode fazer.”

Josué e seus soldados fizeram tudo o que podiam.  Assim, deveríamos faze-lo também.  Acaso não teria sido ridículo que Josué e seu pequeno exército abandonassem o campo de batalha com esta desculpa: “Tudo depende de Moisés e de Deus”.  Esta experiência de Êxodo 17 nos ensina que os milagres ocorrem quando se combinam o poder divino com o esforço humano.

Lucas, quando menciona a história do crescimento da Igreja, menciona sempre o tema da oração.

O crescimento notável da Igreja primitiva, não foi devido a organização, aos planos bem traçados, ou ao testemunho, foi por causa das orações de fé.

A ORAÇÃO FAZ A DIFERENÇA

A oração, enfurece, provoca alarme e faz tremer a Satanás. Mateus 17:21 – “ Mas esta casta não se expele senão por meio de oração e jejum”.

“A oração enfurece Satanás porque ele sabe que sofrerá uma perda”. (Testimonies for the Church, T. I, p. 295).

“Ele detesta o nome de Jesus, nosso Advogado; e quando vamos fervorosamente a Ele pedindo ajuda, a hoste de Satanás se alarma”. (Ibidem, p. 296).

Satanás conhece muito bem o poder que podem ter os crentes quando dependem de Cristo para sua fortaleza.  “Quando humildemente solicita ajuda do poderoso Conquistador, o mais débil crente na verdade, confiando firmemente em Cristo, pode repelir com êxito a Satanás e toda sua hoste.” (Testemunhos Seletos, Tomo I, p. 139??)

As maiores vitórias se obtém com a oração – Gênesis 32:26

“Disse este: Deixa-me ir, pois já rompeu o dia. Respondeu Jacó: Não te deixarei ir, se me não abençoares.

“As maiores vitórias da igreja de Cristo, ou do cristão em particular, não são as que são ganhas pelo talento ou educação, pela riqueza ou favor dos homens. São as vitórias ganhas na sala de audiência de Deus, quando uma fé cheia de ardor e agonia lança mão do braço Todo-poderoso.”  EGW, Patriarcas e Profetas, p. 203.

Talento - É bom deseja-lo, mas não é a prioridade diante de Deus.

Educação - Os estudantes universitários procuram os títulos como uma importância máxima.  Mas, as           melhores qualificações não são as que nos proporcionam as maiores vitórias.

Riqueza  - Se a Igreja tivesse milhões de dólares de reserva, talvez isso não aumentaria o número de pessoas convertidas a Cristo, a menos que estivéssemos orando fervorosamente.

O favor dos Homens – Os políticos o buscam. Os executivos das empresas o

    buscam.  Alguns administradores da igreja dizem: “Se somente

    pudéssemos te-lo!”

Tanto para Igreja como para o cristão individual, as vitórias reais se obtém na câmara secreta de audiência com Deus.

OS SEGREDOS DA VITÓRIA CONTRA O PECADO

Para evitar o pecado, necessitamos do que Paulo chama:

CONHECIMENTO – Filipenses 1:1

DISCERNIMENTO – COLÍRIO – Apocalipse 3:18

CAPACIDADE DE DIFERENCIAR  entre o bem e o mal.

Filipenses 1:9-11 – “E também faço esta oração; que o vosso amor aumente mais e mais em pleno conhecimento e toda a percepção, para aprovardes as cousas excelentes e serdes sinceros e inculpáveis para o dia de Cristo, cheios do fruto de justiça, o qual é mediante Jesus Cristo, para a glória e louvor de Deu”.

1.    A primeira promessa da Bíblia oferece o ÓDIO PELO PECADO. –         

Gênesis 3:15 – “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”.

Estas palavras ditas a Lúcifer é também uma promessa para nós.  “E porei inimizade”. Esta inimizade para com o pecado e que ajuda-nos a odiá-lo, é a graça de Cristo.

A tendência do coração humano é rogar a Deus por indulgência, em lugar de suplicar repúdio pelo pecado.

Marcos 8:34 u.p. diz – “... Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me”.

Com a ajuda de Deus exercemos, a cada dia, exercemos a prática da negação própria.   Por exemplo, omitir uma sobremesa, não comer entre as refeições, freiar uma palavra de crítica, deixar de ver televisão um dia ou uma semana.  Ao orar por isto, siga o que o Espírito Santo te sugerir.

2.    Lembre-se que o pecado aparecerá diante de você como muito “ATRATIVO” e “DESEJÁVEL”.

Mas quando este já for história, traz consigo a DOR, e o REMORSO.

O pecado que pensamos cometer, atrai, fascina, seduz, engana.  Mas uma vez que foram levados à ação, os sentimentos são de amargura, pesar, tristeza          arrependimento.

3.    Qualquer pecado que não VENCEMOS, se converterá em nosso AMOR NOS ARRUINARÁ. 

Tiago 1:14, 15.

“Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz.  Então a cobiça, depois de haver concebido, dá a luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte”.

Por exemplo, se você estiver mais fascinado pelo sexo, pela violência, pela televisão, pelos CDs, vídeos ou de visitar lugares que sejam impróprios, e outras coisas que nos separam de Deus; então, em pouco tempo você se converterá em um escravo destas coisas.  Não poderá livrar-se delas sem a intervenção direta de Deus.

4.    Se você tiver um PECADO CONHECIDO, o maior perigo será POSTERGAR a decisão de erradica-lo com a ajuda de Deus.  II Coríntios 6:2

“(Porque Ele diz: Eu te ouvi no tempo da oportunidade e te socorri no dia da salvação. Eis agora o tempo sobremodo oportuno, eis agora o dia da salvação).”

Cristo nos liberta do pecado com o maior prazer, e espera que permaneçamos nEle.  Não nos obriga.  Ele sempre respeita a nossa escolha, ou a nossa decisão.

quarta-feira, 28 de agosto de 2024

MIQUÉIAS

 

MIQUÉIAS

AUTOR

        Miquéias, natural de Morosete, em Judá.

Profetizou durante os reinados de Jotão,        Acaz, Ezequias.

Foi contemporâneo de Isaías 1:1.

Seu nome significa “o que é com o Senhor”.

Pertencia a Judá, mas falou tanto a Judá quanto a Israel.

 

SINOPSE

1.                      Divisões Gerais

A.   Cap. 1 – 3 Principalmente ameaças de juízos vindouros

B.   Cap. 4-5 Promessas proféticas de libertação

C.  Caps. 6-7 Principalmente exortação e confissões de pecados nacionais, ao mesmo tempo promessas de restauração.

2.                      Os pecados particulares são condenados

 A. Idolatria, Cap. 1:7 e 5:13

             B. Planos perversos e artimanha Cap. 2:1

             C. Ganância dos príncipes dos profetas e dos sacerdotes. Cap. 3:2-11

             D. Feitiçaria Cap.5:12

             E. Falta de honradez Cap. 6:10-12

             F. Corrupção Universal 7:2-4

G. Traição 7-5-6

3.                      Esperanças Futuras

A.  O estabelecimento de um reino justo 4:1-

B.  A vinda do Rei Messias Cap 5:2 

            C. Reforma e restauração da nação 7:7-17 

            D. O triunfo completo da graça divina 7:18-22

O LIVRO FOI CITADO

A.       Pelos anciãos salvando assim a vida de Jeremias Jer. 26:16-19. Miq 3:12

B.       Pelos sinédrio. A Herodes o grande. Por ocasião do nascimento de Cristo. Mat. 2:5-6. Miq. 5:2

C.      E por Cristo ao enviar os discípulos. Mat. 10:35,36 Miq. 7:6


PASSAGENS NOTÁVEIS

·    A definição da verdadeira religião 6:8

·    O anúncio do lugar do nascimento de Cristo 5:2

·    Deus se esquece dos pecados dos crentes Cap. 7:19

segunda-feira, 26 de agosto de 2024

O Dia do Senhor Está Perto

                          O Dia do Senhor Está Perto

Ellen White

TS2 - Pag. 11 

"O grande dia do Senhor está perto, está perto, e se apressa muito a voz do dia do Senhor: amargamente clamará ali o homem poderoso. Aquele dia é um dia de indignação, dia de angústia e de ânsia, dia de alvoroço e de desolação, dia de trevas e de escuridão, dia de nuvens e de densas trevas, dia de trombeta e de alarido contra as cidades fortes e contra as torres altas. E angustiarei os homens, e eles andarão como cegos, porque pecaram contra o Senhor." Sof. 1:14-17.

"E há de ser que, naquele tempo, esquadrinharei a Jerusalém com lanternas, e castigarei os homens que estão assentados sobre as suas fezes, que dizem no seu coração: O Senhor não faz bem nem faz mal." Sof. 1:12.

"Congrega-te, sim, congrega-te, ó nação que não tens desejo, antes que saia o decreto, e o dia passe como a pragana; antes que venha sobre vós a ira do Senhor, sim, antes que venha sobre vós o dia da ira do Senhor. Buscai ao Senhor, vós todos os mansos da Terra, que pondes por obra o Seu juízo; buscai a justiça, buscai a mansidão; porventura sereis escondidos no dia da ira do Senhor." Sof. 2:1-3.

Estamos perto da consumação dos tempos. Foi-me mostrado que os juízos retributivos de Deus já estão caindo sobre a Terra. O Senhor nos advertiu quanto aos acontecimentos que estão prestes a ocorrer. Luz irradia de Sua Palavra, contudo as trevas cobrem a Terra e densa escuridão os povos. "Quando disserem: Há paz e segurança; então lhes sobrevirá repentina destruição... e de modo nenhum escaparão."

É o nosso dever buscar a causa de tão terríveis trevas, a fim de podermos evitar os caminhos pelos quais os homens acalentaram tão grande ilusão. Deus deu ao mundo uma oportunidade de conhecer e de obedecer a Sua vontade. Deu-lhe em Sua Palavra a luz da verdade e lhe enviou advertências, conselhos e exortações; mas poucos obedecerão a Sua voz. Como a nação judaica, a maioria dos cristãos professos se gloria de suas superiores vantagens, porém não se mostra grata a Deus por essas grandes bênçãos. Por causa de Sua graça infinita uma última mensagem de advertência é enviada ao mundo, anunciando que Cristo está às portas e chamando a atenção para a desprezada lei divina. Mas como os antediluvianos rejeitaram com zombaria a advertência de Noé, assim os amantes dos prazeres hoje em dia hão de rejeitar a mensagem dos fiéis servos de Deus. O mundo segue o seu curso inalterável, absorvido como sempre em seus negócios e prazeres, enquanto a ira divina está prestes a ser derramada sobre os transgressores de Sua lei.

2 Test. Seletos, 11 12

sábado, 24 de agosto de 2024

EVANGELHO DE MARCOS - CAP. 1

 1 Princípio do evangelho de Jesus Cristo, o Filho de Deus.

2 Conforme está escrito no profeta Isaías: "Enviarei à tua frente o meu mensageiro; ele preparará o teu caminho"—

3 "voz do que clama no deserto: ‘Preparem o caminho para o Senhor, façam veredas retas para ele’ ".

4 Assim surgiu João, batizando no deserto e pregando um batismo de arrependimento para o perdão dos pecados.

5 A ele vinha toda a região da Judéia e todo o povo de Jerusalém. Confessando os seus pecados, eram batizados por ele no rio Jordão.

6 João vestia roupas feitas de pêlos de camelo, usava um cinto de couro e comia gafanhotos e mel silvestre.

7 E esta era a sua mensagem: "Depois de mim vem alguém mais poderoso do que eu, tanto que não sou digno nem de curvar-me e desamarrar as correias das suas sandálias.

8 Eu os batizo com água, mas ele os batizará com o Espírito Santo".

9 Naquela ocasião Jesus veio de Nazaré da Galiléia e foi batizado por João no Jordão.

10 Assim que saiu da água, Jesus viu os céus se abrindo, e o Espírito descendo como pomba sobre ele.

11 Então veio dos céus uma voz: "Tu és o meu Filho amado; em ti me agrado".

12 Logo após, o Espírito o impeliu para o deserto.

13 Ali esteve quarenta dias, sendo tentado por Satanás. Estava com os animais selvagens, e os anjos o serviam.

14 Depois que João foi preso, Jesus foi para a Galiléia, proclamando as boas novas de Deus.

15 "O tempo é chegado", dizia ele. "O Reino de Deus está próximo. Arrependam-se e creiam nas boas novas! "

16 Andando à beira do mar da Galiléia, Jesus viu Simão e seu irmão André lançando redes ao mar, pois eram pescadores.

17 E disse Jesus: "Sigam-me, e eu os farei pescadores de homens".

18 No mesmo instante eles deixaram as suas redes e o seguiram.

19 Indo um pouco mais adiante, viu num barco Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, preparando as suas redes.

20 Logo os chamou, e eles o seguiram, deixando Zebedeu, seu pai, com os empregados no barco.

21 Eles foram para Cafarnaum e, assim que chegou o sábado, Jesus entrou na sinagoga e começou a ensinar.

22 Todos ficavam maravilhados com o seu ensino, porque lhes ensinava como alguém que tem autoridade e não como os mestres da lei.

23 Justamente naquela hora, na sinagoga, um homem possesso de um espírito imundo gritou:

24 "O que queres conosco, Jesus de Nazaré? Vieste para nos destruir? Sei quem tu és: o Santo de Deus! "

25 "Cale-se e saia dele! ", repreendeu-o Jesus.

26 O espírito imundo sacudiu o homem violentamente e saiu dele gritando.

27 Todos ficaram tão admirados que perguntavam uns aos outros: "O que é isto? Um novo ensino — e com autoridade! Até aos espíritos imundos ele dá ordens, e eles lhe obedecem! "

28 As notícias a seu respeito se espalharam rapidamente por toda a região da Galiléia.

29 Logo que saíram da sinagoga, foram com Tiago e João à casa de Simão e André.

30 A sogra de Simão estava de cama, com febre, e falaram a respeito dela a Jesus.

31 Então ele se aproximou dela, tomou-a pela mão e ajudou-a a levantar-se. A febre a deixou, e ela começou a servi-los.

32 Ao anoitecer, depois do pôr-do-sol, o povo levou a Jesus todos os doentes e os endemoninhados.

33 Toda a cidade se reuniu à porta da casa,

34 e Jesus curou muitos que sofriam de várias doenças. Também expulsou muitos demônios; não permitia, porém, que estes falassem, porque sabiam quem ele era.

35 De madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus levantou-se, saiu de casa e foi para um lugar deserto, onde ficou orando.

36 Simão e seus companheiros foram procurá-lo

37 e, ao encontrá-lo, disseram: "Todos estão te procurando! "

38 Jesus respondeu: "Vamos para outro lugar, para os povoados vizinhos, para que também lá eu pregue. Foi para isso que eu vim".

39 Então ele percorreu toda a Galiléia, pregando nas sinagogas e expulsando os demônios.

40 Um leproso aproximou-se dele e suplicou-lhe de joelhos: "Se quiseres, podes purificar-me! "

41 Cheio de compaixão, Jesus estendeu a mão, tocou nele e disse: "Quero. Seja purificado! "

42 Imediatamente a lepra o deixou, e ele foi purificado.

43 Em seguida Jesus o despediu, com uma severa advertência:

44 "Olhe, não conte isso a ninguém. Mas vá mostrar-se ao sacerdote e ofereça pela sua purificação os sacrifícios que Moisés ordenou, para que sirva de testemunho".

45 Ele, porém, saiu e começou a tornar público o fato, espalhando a notícia. Por isso Jesus não podia mais entrar publicamente em nenhuma cidade, mas ficava fora, em lugares solitários. Todavia, assim mesmo vinha a ele gente de todas as partes.

quinta-feira, 22 de agosto de 2024

Conseqüências da Rebelião

                     Conseqüências da Rebelião

Ellen White 

No meio do jardim, perto da árvore da vida, estava a árvore do conhecimento do bem e do mal. Esta árvore fora especialmente designada por Deus para ser a garantia de sua obediência, fé e amor a Ele. O Senhor ordenou a nossos primeiros pais que não comessem desta árvore nem tocassem nela, senão morreriam. Disse que podiam comer livremente de todas as árvores do jardim, exceto daquela, pois se dela comessem certamente morreriam.

Quando Adão e Eva foram colocados no belo jardim, tinham para sua felicidade tudo que pudessem desejar. Mas Deus determinou, em Seu plano onisciente, testar sua lealdade, antes que eles pudessem ser considerados eternamente fora de perigo. Teriam Seu favor, Ele conversaria com eles e eles com Ele. Contudo, Ele não colocou o mal fora do seu alcance. A Satanás foi permitido tentá-los. Se resistissem às tentações, haveriam de estar no eterno favor de Deus e dos anjos celestiais.

Satanás estava espantado ante sua nova condição. Sua felicidade acabara. Olhava para os anjos que, com ele, outrora foram tão felizes, mas que tinham sido expulsos do Céu em sua companhia. Antes de sua queda nenhuma sombra de descontentamento tinha turbado sua perfeita alegria. Agora, tudo parecia mudado. As faces que tinham refletido a imagem de seu Criador estavam melancólicas e em desespero. Conflito, discórdia e ásperas recriminações existiam entre eles. Antes de sua rebelião, esses acontecimentos eram desconhecidos no Céu. Satanás agora observava os terríveis resultados de sua rebelião. Ele estremecia e temia encarar o futuro e contemplar o fim dessas coisas.

A hora dos alegres e felizes cânticos de louvor a Deus e Seu amado Filho chegara. Satanás tinha dirigido o coro celestial. Tinha ferido a primeira nota; então todo o exército angelical havia-se unido a ele, e gloriosos acordes musicais haviam ressoado através do Céu em honra a Deus e Seu amado Filho. Mas agora, em vez de suaves notas musicais, palavras de discórdia e ira caíam aos ouvidos do grande líder rebelde. Onde estava? Não era isso tudo um horrível sonho? Fora lançado fora do Céu? Os portais do Céu nunca mais se abririam para admiti-lo? Aproximava-se a hora de adoração, quando brilhantes e santos anjos se prostravam diante do Pai. Não mais se uniria em cântico celestial. Não mais se curvaria em reverência e santo temor ante a presença do eterno Deus.

Pudesse ele voltar a ser como quando era puro, verdadeiro, leal, e alegremente abandonaria sua pretensão de autoridade. Mas, estava perdido, fora da possibilidade de redenção, por sua presunçosa rebeldia! E isto não era tudo; tinha guiado outros à rebelião e à sua própria condição perdida - anjos que nunca pensaram questionar a vontade do Céu ou recusar obedecer à lei de Deus, até que ele colocasse isso em sua mente, argumentando diante deles que podiam desfrutar um bem maior, uma elevada e mais gloriosa liberdade. Tinha sido esse o sofisma pelo qual os enganara. Uma responsabilidade agora repousava sobre ele, à qual, de bom grado, teria renunciado.

Estes espíritos tinham-se tornado turbulentos com suas esperanças desapontadas. Ao invés de bem maior, estavam

experimentando os maus resultados da desobediência e desrespeito à lei. Nunca mais poderiam esses seres infelizes ser influenciados pela suave guia de Jesus Cristo. Nunca mais poderiam esses espíritos ser estimulados pelo profundo e fervoroso amor, paz e alegria que Sua presença tinha sempre inspirado neles, para retornarem a Ele em jubilosa obediência e reverente honra.

Satanás Procura Reintegração

Satanás treme ao contemplar sua obra. Ele está sozinho, meditando sobre o passado, o presente e o futuro de seus planos. Sua poderosa estrutura vacila como numa tempestade. Um anjo do Céu está passando. Ele o chama e suplica uma entrevista com Cristo. Isto lhe é concedido. Então, relata ao Filho de Deus que está arrependido de sua rebelião e deseja voltar ao favor divino. Está disposto a tomar o lugar que previamente Deus lhe designara e sujeitar-se a Seu sábio comando. Cristo chorou ante o infortúnio de Satanás mas disse-lhe, como pensamento de Deus, que ele jamais poderia ser recebido no Céu. O Céu não devia ser colocado em perigo. Se fosse recebido de volta, todo o Céu seria manchado pelo pecado e rebelião originados com ele. As sementes da rebelião ainda estavam nele. Não tivera, em sua rebelião, nenhum motivo para seu procedimento, e arruinara irremediavelmente não só a si mesmo mas a multidão de anjos, que teria sido feliz no Céu, tivesse ele permanecido firme. A lei de Deus podia condenar mas não podia perdoar.

Ele não se arrependeu de sua rebelião porque visse a bondade de Deus, da qual havia abusado. Não era possível que seu amor por Deus tivesse aumentado tanto desde a queda, que o levasse a uma alegre submissão e feliz obediência à Sua lei, por ele desprezada. A desgraça que experimentara em perder a doce luz do Céu, o senso de culpa que o oprimia, o desapontamento que sentiu em não ver realizadas suas esperanças, foram a causa de sua dor. Ser comandante fora do Céu era vastamente diferente de ser assim honrado no Céu. A perda que sofreu de todos os privilégios celestiais parecia demais para suportar. Desejava recuperá-los.

Esta grande mudança de posição não tinha aumentado seu amor por Deus, nem por Sua sábia e justa lei. Quando Satanás se tornou plenamente convencido de que não havia possibilidade de ser reintegrado no favor de Deus, manifestou sua maldade com aumentado ódio e feroz veemência.

Deus sabia que tão determinada rebelião não permaneceria inativa. Satanás inventaria meios para importunar os anjos celestiais e mostrar desdém por Sua autoridade. Como não podia ser admitido no interior dos portais celestes, aguardaria mesmo à entrada, para escarnecer dos anjos e procurar contender com eles ao passarem. Procuraria destruir a felicidade de Adão e Eva. Esforçar-se-ia por incitá-los à rebelião, sabendo que isto causaria tristeza no Céu.

A Conspiração Contra a Família Humana

Seus seguidores foram procurá-lo, e ele, erguendo-se e assumindo um ar de desafio, informou-os de seus planos para arrebatar de Deus o nobre Adão e sua companheira Eva. Se pudesse, de alguma forma, induzi-los à desobediência, Deus faria alguma provisão pela qual pudessem ser perdoados, e então, ele e todos os anjos caídos obteriam um provável meio de partilhar com eles a misericórdia de Deus. Se isto falhasse, podiam unir-se com Adão e Eva, pois, se esses viessem a transgredir a lei divina ficariam sujeitos à ira de Deus, como eles próprios estavam. Sua transgressão os colocaria, também, num estado de rebelião, e eles podiam unir-se a Adão e Eva, tomar posse do Éden, e conservá-lo como seu lar. E se pudessem ter acesso à árvore da vida no meio do jardim, sua força seria, pensavam, igual à dos santos anjos, e nem mesmo o próprio Deus poderia expulsá-los.

Satanás manteve uma consulta com seus anjos ímpios. Eles não estavam todos prontamente unidos para se engajar neste perigoso e terrível trabalho. Declarou que não confiava em ninguém para cumprir esta obra, pois pensava que apenas ele era suficientemente sábio para levar avante um empreendimento tão importante. Desejava que considerassem o assunto, enquanto os deixaria e procuraria um retiro para consolidar seus planos. Procurou impressioná-los com o fato de que esta era sua final e única esperança. Se falhassem aqui, toda perspectiva de recuperação e controle do Céu ou de alguma parte da criação de Deus era sem esperança.

Satanás ficou sozinho para considerar seus planos de modo que fosse absolutamente certa a queda de Adão e Eva. Temia que seus propósitos pudessem ser derrotados. E mais, mesmo que tivesse sucesso em levar Adão e Eva a desobedecerem aos mandamentos de Deus, e assim se tornassem transgressores de Sua lei, e nenhum bem viesse a ele, seu próprio caso não seria melhorado; somente sua culpa seria aumentada.

Estremeceu ao pensar em submergir o santo e feliz par na miséria e remorso que ele próprio sofria. Parecia indeciso: a um tempo, firme e determinado, em seguida, hesitando e vacilando. Seus anjos o procuraram a ele, seu líder, para dar-lhe a conhecer sua decisão. Estavam dispostos a unir-se a Satanás em seus planos, e com ele assumir a responsabilidade e partilhar as conseqüências.

Satanás lançou fora seus sentimentos de desespero e fraqueza e, como líder deles, fortaleceu-se para enfrentar o problema e fazer tudo o que estivesse ao seu alcance para desafiar a autoridade de Deus e Seu Filho. Informou-os de seus planos. Se fosse audaciosamente ter com Adão e Eva para queixar-se do Filho de Deus, eles não o ouviriam por um momento, pois deviam estar preparados para tal ataque. Mesmo que procurasse intimidá-los com seu poder, até recentemente um anjo de elevada autoridade, nada poderia conseguir. Decidiu que a astúcia e o engano fariam o que a força ou o poder não lograriam.

Adão e Eva Advertidos

Deus reuniu o exército angelical para tomar medidas e impedir o perigo ameaçador. Ficou decidido no concílio celestial que anjos deviam visitar o Éden e advertir Adão de que ele estava em perigo pela presença de um adversário. Dois anjos apressaram-se a visitar nossos primeiros pais. O santo par recebeu-os com inocente alegria, expressando gratidão a seu Criador por assim havê-los rodeado com tal profusão de Sua bondade. Todas as coisas amáveis e atrativas eram para sua alegria e tudo parecia sabiamente adaptado às suas necessidades; e o que estimavam acima de todas as outras bênçãos, era a associação com o Filho de Deus e com os anjos celestiais, pois tinham muito a relatar-lhes a cada visita, sobre suas novas descobertas das belezas naturais de seu lar edênico, e tinham muitas perguntas a fazer relativas a muita coisa que só podiam compreender indistintamente.

Os anjos benévola e amorosamente deram a informação que desejavam. Também contaram a triste história da rebelião

e queda de Satanás. Então, claramente informaram-nos de que a árvore do conhecimento fora colocada no jardim para ser um penhor de sua obediência e amor a Deus; que a elevada e feliz condição de santos anjos seria conservada sob a condição de obediência; que eles estavam numa situação similar; que podiam obedecer à lei de Deus e ser inexprimivelmente felizes, ou desobedecer e perder sua elevada condição e serem mergulhados num desespero irremediável.

Contaram a Adão e Eva que Deus não os compelia a obedecer - que Ele não removera deles o poder de contrariar Sua vontade; que eles eram agentes morais, livres para obedecer ou desobedecer. Havia apenas uma proibição que Deus considerara próprio impor-lhes. Se transgredissem a vontade de Deus, certamente morreriam. Contaram a Adão e Eva que o mais exaltado anjo, imediato a Cristo, recusara obedecer à lei de Deus, a qual tinha Ele ordenado para governar os seres celestiais; que esta rebelião causara guerra no Céu, a qual resultara na expulsão dos rebeldes, de todos aqueles que se uniram a ele em pôr em dúvida a autoridade do grande Jeová; e que o rebelde caído era agora inimigo de tudo o que interessasse a Deus e Seu amado Filho.

Contaram-lhes que Satanás propusera-se fazer-lhes mal, e que era necessário estarem alerta, porque podiam entrar em contato com o inimigo caído; mas que não podia causar-lhes dano enquanto rendessem obediência aos mandamentos de Deus, e que, se necessário, todos os anjos do Céu viriam em seu auxílio, antes que ele pudesse de alguma forma prejudicá-los. Mas se desobedecessem ao mandamento de Deus, então Satanás teria poder para sempre molestá-los, confundi-los e causar-lhes dificuldades. Se permanecessem resolutos contra as primeiras insinuações de Satanás, estariam tão seguros quanto os anjos celestiais. Mas se cedessem ao tentador, Aquele que não poupou os exaltados anjos, não os pouparia. Deviam sofrer o castigo da sua transgressão, pois a lei de Deus é tão sagrada como Ele próprio, e Deus requer implícita obediência de todos no Céu e na Terra.

Os anjos preveniram Eva para que não se separasse do marido em suas ocupações, pois podia ser levada a um contato com esse inimigo caído. Separando-se um do outro, estariam em maior perigo do que se ficassem juntos. Os anjos insistiram que seguissem bem de perto as instruções dadas por Deus com referência à árvore do conhecimento, que na obediência perfeita estariam seguros, e que o inimigo não teria poder para enganá-los. Deus não permitiria que Satanás seguisse o santo par com contínuas tentações. Poderia ter acesso a eles apenas na árvore do conhecimento do bem e do mal.

Adão e Eva asseguraram aos anjos que nunca transgrediriam o expresso mandamento de Deus, pois era seu mais elevado prazer fazer a Sua vontade. Os anjos associaram-se a Adão e Eva em santos acordes de harmoniosa música, e como seus cânticos ressoassem cheios de alegria pelo Éden, Satanás ouviu o som de suas melodias de adoração ao Pai e ao Filho. E quando Satanás o ouviu, sua inveja, ódio e malignidade aumentaram, e expressou a seus seguidores a sua ansiedade por incitá-los (Adão e Eva) a desobedecer, atraindo assim sobre eles a ira de Deus e mudando os seus cânticos de louvor em ódio e maldições ao seu Criador.


Historia da Redenção Pags 24 - 31

segunda-feira, 19 de agosto de 2024

A Criação

                                            A Criação

Ellen White

HR - Pag. 20 

Pai e Filho empenharam-Se na grandiosa, poderosa obra que tinham planejado - a criação do mundo. A Terra saiu das mãos de seu Criador extraordinariamente bela. Havia montanhas, colinas e planícies, entrecortadas por rios e lagos. A Terra não era uma extensa planície, mas a monotonia do cenário era quebrada por montanhas e colinas, não altas e abruptas como hoje são, mas de formas regulares e belas. As rochas altas e desnudas não podiam ser vistas sobre ela, mas estavam debaixo da superfície, correspondendo aos ossos da Terra. As águas estavam distribuídas regularmente. As montanhas, as colinas e as belíssimas planícies eram adornadas com plantas, flores e altas e majestosas árvores de toda espécie, muitas vezes maiores e mais belas do que são agora. O ar era puro e saudável, e a Terra parecia um nobre palácio. Os anjos deleitavam-se e regozijavam-se com as maravilhosas obras de Deus.

Depois que a Terra foi criada, com sua vida animal, o Pai e o Filho levaram a cabo Seu propósito, planejado antes da queda de Satanás, de fazer o homem à Sua própria imagem. Eles tinham operado juntos na criação da Terra e de cada ser vivente sobre ela. E agora, disse Deus a Seu Filho: "Façamos o homem à Nossa imagem." Gên. 1:26. 

Ao sair Adão das mãos do Criador, era de nobre estatura e perfeita simetria. Tinha mais de duas vezes o tamanho dos homens que hoje vivem sobre a Terra, e era bem proporcionado. Suas formas eram perfeitas e cheias de beleza. Sua cútis não era branca ou pálida, mas rosada, reluzindo com a rica coloração da saúde. Eva não era tão alta quanto Adão. Sua cabeça alcançava pouco acima dos seus ombros. Ela, também, era nobre, perfeita em simetria e cheia de beleza.

Esse casal, que não tinha pecados, não fazia uso de vestes artificiais. Estavam revestidos de uma cobertura de luz e glória, tal como a usam os anjos. Enquanto viveram em obediência a Deus, esta veste de luz continuou a envolvê-los. Embora todas as coisas que Deus criou fossem belas e perfeitas, e aparentemente nada faltasse sobre a Terra criada para fazer Adão e Eva felizes, ainda manifestou Seu grande amor plantando para eles um jardim especial. Uma porção de seu tempo devia ser ocupada com a feliz tarefa de cuidar do jardim, e a outra porção para receber a visita dos anjos, ouvir suas instruções, e em feliz meditação. Seu labor não seria cansativo, mas aprazível e revigorante. Este belo jardim devia ser o seu lar.

Neste jardim o Senhor colocou árvores de toda variedade para utilidade e beleza. Havia árvores carregadas de luxuriantes frutos, de rica fragrância, belos aos olhos e agradáveis ao paladar, designados por Deus para alimento do santo par. Havia deleitosas vinhas que cresciam verticalmente, carregadas com o peso de seus frutos, diferentes de qualquer coisa que o homem tem visto desde a queda. Os frutos eram muito grandes e de coloração diversa; alguns quase negros, outros púrpura, vermelhos, rosados e verde-claros. Esses belos e luxuriantes frutos que cresciam sobre os ramos da videira foram chamados uvas. Eles não se espalhavam pelo chão, embora não suportados por grades, mas o peso dos frutos curvava-os para baixo. O feliz trabalho de Adão e Eva era moldar em belos caramanchéis os ramos das videiras, formando moradias de beleza natural, árvores vivas e folhagens, carregadas de fragrantes frutos.

A Terra era coberta de uma bela verdura, onde milhares de perfumadas flores de toda variedade cresciam em profusão. Todas as coisas eram de bom gosto e esplendidamente dispostas. No meio do jardim estava a árvore da vida, sobrepujando em glória a todas as outras árvores. Seu fruto assemelhava-se a maçãs de ouro e prata, e destinava-se a perpetuar a vida. As folhas continham propriedades curativas.

Adão e Eva no Éden

O santo par era muito feliz no Éden. Ilimitado controle fora-lhes dado sobre toda criatura vivente. O leão e o cordeiro divertiam-se pacífica e inofensivamente ao seu redor, ou dormitavam a seus pés. Pássaros de toda a variedade de cores e plumagens esvoaçavam entre as árvores e flores e em volta de Adão e Eva, enquanto seu melodioso canto ecoava entre as árvores em doces acordes de louvor a seu Criador.

Adão e Eva estavam encantados com as belezas de seu lar edênico. Eram deleitados com os pequenos cantores em torno deles, os quais usavam sua brilhante e graciosa plumagem, e gorjeavam seu feliz, jubiloso canto. O santo par unia-se a eles e elevava sua voz num harmonioso cântico de amor, louvor e adoração ao Pai e a Seu amado Filho pelos sinais de amor ao seu redor. Reconheciam a ordem e a harmonia da criação, que falavam de sabedoria e conhecimento infinitos. Estavam continuamente descobrindo algumas novas belezas e excelências de seu lar edênico, as quais enchiam seu coração de profundo amor e lhes arrancavam dos lábios expressões de gratidão e reverência a seu Criador.


Livro Historia da Redenção Pags, 20 - 23

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