no tempo do fim
O livro do profeta Daniel descreve um poder apóstata que desrespeitaria a autoridade do Altíssimo, deitando "por terra a verdade" e cuidando "em mudar os tempos e a lei" (7:25; 8:12). Cristo Se referiu à atuação desse poder como ainda futura em Seus dias (Mt 24:15). Em contraste, Daniel 8:13 e 14 declara que, ao término de 2.300 tardes e manhãs, surgiria um movimento de restauração da verdade. Nesse processo, seria de fundamental importância a proclamação da primeira mensagem angélica de Apocalipse 14: "Vi outro anjo voando pelo meio do céu, tendo um evangelho eterno para pregar aos que se assentam sobre a terra, e a cada nação, e tribo, e língua, e povo, dizendo, em grande voz: Temei a Deus e dai-Lhe glória, pois é chegada a hora do Seu juízo; e adorai Aquele que fez o céu, e a Terra, e o mar, e as fontes das águas" (vs. 6, 7).
O conteúdo dessa mensagem angélica enaltece Deus como Criador ("Aquele que fez...") e Redentor ("evangelho eterno"). A expressão "fez o céu, e a Terra, e o mar, e as fontes das águas" (Ap 14:7) é extraída do quarto mandamento do Decálogo, onde é dito que "fez o Senhor os céus e a Terra, o mar e tudo o que neles há" (Éx 20:11; cf. Sl 146:6). De acordo com Jon Paulien, "atenção ao mandamento do sábado é, portanto, a resposta que Deus busca de Seus fiéis seguidores".¹² O povo remanescente de Deus é descrito na terceira mensagem angélica como aqueles que "guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus" (Ap 14:12).
Identificando "os mandamentos de Deus" com o Decálogo (Éx 20:3-17), Simon J. Kistemaker afirma que "a Lei de Deus perdura ao longo das eras; não necessita ser emendada; é relevante para todas as culturas; e jamais será repudiada".¹³ Evidentemente, a restauração da verdade no tempo do fim envolve também a restauração do quarto mandamento, que ordena a observância do "sábado do Senhor, teu Deus" (Éx 20:10). À semelhança do antigo Israel, o povo de Deus ainda hoje necessita ser "reparador de brechas e restaurador de veredas" com respeito à observância do sábado (Is 58:12-14).
Em Hebreus 4:4-11, o descanso de Deus no sétimo dia da criação (Gn 2:2, 3; cf. Éx 20:8-11) é mantido como modelo para os cristãos. Um estudo detido desse "repouso" (grego sabbatismós), no qual o "povo de Deus" deve entrar (v. 9), revela ser o descanso da justificação pela fé, do qual o sábado é um sinal. E o apelo de Hebreus 4:11 é: "Esforcemo-nos, pois, por entrar naquele descanso, a fim de que ninguém caia, seguindo o mesmo exemplo de desobediência."
Revista Adventista - Fevereiro 2010
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