Um espaço aberto para compartilhar e debater notícias e temas atuais relacionados com a Bíblia e vida espiritual.
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Manoel Barbosa da Silva é pastor jubilado da Igreja Adventista do Sétimo Dia e atualmento reside em Anápolis Goiás
Em quase 20 anos de ministério pastoral, tenho visto dois tipos de pessoas com dificuldades com o conceito do amor de Deus. Por um lado, temos aqueles que simplesmente assumem que Deus os ama e pensam muito pouco sobre isso. Por outro, muitos duvidam do amor de Deus por si e tendem a avaliar esse amor com base nas circunstâncias.
Como sabemos que Deus nos ama, e o como é esse amor? Como respondemos essas perguntas, e todos nós temos respostas para elas, de forma consciente ou não, é o que determina nossa visão a respeito de Deus e a saúde da nossa fé.
Como podemos saber se Deus nos ama? Muitos tem certeza do amor de Deus por meio de Sua boa e generosa providência. Muitos creem que a prova do amor de Deus pode ser encontrada nas coisas boas que ele nos dá nessa vida. Orações respondidas da forma como queremos? Deus me ama! Provisão em tempo de necessidade? Deus me ama! Belas paisagens, comida deliciosa, uma família feliz, uma carreira de sucesso? Deus me ama! Obviamente, isso levanta a pergunta: Deus não ama aqueles cujas vidas são caracterizadas por perdas, aflições, sofrimento e necessidade?
Embora seja correto dizer que a benevolência de Deus é vista nas muitas formas com que ele provê tanto para o justo quanto para o ímpio (Mateus 5.45), não podemos olhar para as nossas circunstâncias para ter a certeza do amor de Deus. Não apenas isso nos leva a acreditar que Deus ama mais uns do que outros – e, às vezes, os ímpios mais dos que os justos – mas isso também prejudica nossa fé.
Quando nos certificamos do amor de Deus por meio do que ele nos provê, iremos questionar seu amor quando nossas necessidades não são atendidas. Deus pode parecer temperamental, injusto ou desinteressado, se permitirmos que as mudanças de estação em nossas vidas serem a ferramenta hermenêutica pela qual entendemos o amor de Deus.
Se não podemos basear nosso entendimento do amor de Deus por nós em nossas circunstâncias, então basearemos em que?
Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele. (1 João 4.9)
O amor de Deus foi manifesto, apresentado publicamente, no envio do Seu Filho, Jesus Cristo. Quando se trata do “envio” do Filho de Deus, não estamos falando apenas de sua aparição na terra, mas tudo, desde sua encarnação até a crucificação e a ressurreição (Gálatas 4.4,5; Romanos 8.3; 1 João 4.10). O amor de Deus é visto de maneira plena no que Ele fez por nós 2000 anos atrás. E o que Deus fez ao enviar Jesus? Ele enviou um substituto que iria alcançar a justiça que era requerida de nós e expiar os pecados que nós cometemos. A palavra que João usa para explicar o amor de Deus por nós na cruz é propiciação. Essa palavra significa, em sua essência, satisfazer, mas, mais especificamente, propiciação é a satisfação da ira de Deus contra nosso pecado por meio da morte de Jesus Cristo (veja Romanos 3.25 e Hebreus 2.17).
Como sabemos que Deus nos ama? Porque Jesus morreu por nós. Pelo seu sacrifício, o pecado foi pago e a ira de Deus contra nós chegou ao fim. Quando estamos nos perguntando o que Deus pensa de nós e de seu povo, quando temos dúvidas a respeito da afeição de Deus por nós, nós olhamos para trás. O amor de Deus não é visto hoje na nossa satisfação nessa vida, mas ontem, na satisfação que ele tem em Seu Filho. O amor de Deus é melhor enxergado não na agradável providência em nossas vidas, mas na propiciação na morte de Jesus Cristo.
SENHOR, a ti clamo, escuta-me; inclina os teus ouvidos à minha voz, quando a ti clamar. Suba a minha oração perante a tua face como incenso, e as minhas mãos levantadas sejam como o sacrifício da tarde. Põe, ó Senhor, uma guarda à minha boca; guarda a porta dos meus lábios. Não inclines o meu coração a coisas más, a praticar obras más, com aqueles que praticam a iniqüidade; e não coma das suas delícias. Fira-me o justo, será isso uma benignidade; e repreenda-me, será um excelente óleo, que não me quebrará a cabeça; pois a minha oração também ainda continuará nas suas próprias calamidades. Quando os seus juízes forem derrubados pelos lados da rocha, ouvirão as minhas palavras, pois são agradáveis. Os nossos ossos são espalhados à boca da sepultura como se alguém fendera e partira lenha na terra. Mas os meus olhos te contemplam, ó DEUS o Senhor; em ti confio; não desnudes a minha alma. Guarda-me dos laços que me armaram; e dos laços corrediços dos que praticam a iniqüidade. Caiam os ímpios nas suas próprias redes, até que eu tenha escapado inteiramente. Salmos 141:1-10
Como vencer o desânimo Os servos do Senhor podem esperar
toda espécie de desânimo. Serão provados, não somente pela ira,
pelo desprezo e a crueldade dos inimigos, mas também pela indolência,
a incoerência, a mornidão e a traição dos amigos e auxiliares.
[...] Mesmo alguns que parecem desejar que a causa de Deus prospere,
hão de mesmo enfraquecer as mãos dos Seus servos, ouvindo,
passando adiante e quase crendo nas calúnias, nas arrogâncias e nas
ameaças de seus adversários. [...] Em meio de grandes desânimos,
Neemias pôs em Deus sua confiança; aí se encontra nossa defesa
também. A lembrança do que Ele tem feito por nós se demonstrará
um apoio em todo o perigo. “Aquele que nem mesmo a Seu próprio
Filho poupou, antes O entregou por todos nós, como nos não dará
também com Ele todas as coisas?” Romanos 8:32. E “se Deus é por
nós, quem será contra nós?” Romanos 8:31. Por astutos que sejam
os ardis de Satanás e seus agentes, Deus os pode descobrir, e anular
222 Serviço Cristão
todos os seus conselhos. — The Southern Work, 19 de Abril de
1904. Aqueles que, na vanguarda do conflito, são impelidos pelo Espírito
Santo a fazer um trabalho especial, freqüentemente sentirão
uma reação quando a pressão for removida. O desânimo pode abalar
a fé mais heróica, e enfraquecer a mais firme vontade. Mas Deus
compreende, e ainda Se compadece e ama. Ele lê os motivos e os
propósitos do coração. Esperar pacientemente, confiar quando tudo
parece escuro, eis a lição que os líderes na obra de Deus necessitam
aprender. O Céu não lhes faltará no dia da adversidade. Nada está
aparentemente mais ao desamparo, mas na realidade mais invencí-
vel, do que a alma que sente a sua nulidade, e confia inteiramente
em Deus. — Profetas e Reis, 174, 175. Deus pede soldados que não faltem nem se desanimem; mas que
aceitem o trabalho com todos os seus aspectos desagradáveis. Ele
quer que todos nós tomemos Cristo por modelo. — The Review and
Herald, 17 de Julho de 1894. Os que hoje ensinam verdades impopulares não se devem desanimar,
se por vezes encontram, mesmo por parte dos que se dizem
cristãos, recepção não mais favorável que a dispensada a Paulo e
seus companheiros, por aqueles por quem trabalham. Os mensageiros
da cruz devem armar-se de vigilância e oração, avançando
com fé e ânimo, trabalhando sempre no nome de Jesus. — Atos dos
[184] Apóstolos, 230. Delicadeza O espírito que se conserva manso em face da
provocação, dirá mais em favor da verdade, do que o fará qualquer
argumento, por mais vigoroso que seja. — O Desejado de Todas as
Nações, 353. Como o orvalho e a chuva branda caem nas ressequidas plantas,
assim deixai cair suavemente as palavras quando procurais desviar
os homens de seus erros. O plano de Deus é conquistar primeiro o
coração. Devemos falar a verdade com amor, confiando nEle quanto
ao poder para a reforma da vida. O Espírito Santo aplicará ao coração
a palavra proferida com amor. — A Ciência do Bom Viver, 157. Um espírito brando, uma suave e cativante atitude, pode salvar
o errado, e cobrir uma multidão de pecados. A revelação de Cristo
em vosso caráter terá um poder transformador sobre todos com
quem entrardes em contato. Seja Cristo diariamente manifestado em vós e Ele revelará por vosso intermédio a energia criadora de Sua
palavra — uma delicada, persuasiva e todavia poderosa influência
para regenerar outras almas segundo a beleza do Senhor nosso Deus.
— Beneficência Social, 129. Imparcialidade Enquanto viveu entre os homens, nosso Salvador
participou da sorte dos pobres. Conhecia por experiência seus
cuidados e asperezas, e podia confortar e animar a todos os humildes
obreiros. Os que possuem verdadeira concepção dos ensinos de Sua
vida, não pensarão nunca que se deva fazer distinção de classes, que
os ricos devam ser honrados de preferência aos pobres dignos. — O
Desejado de Todas as Nações, 73. Reconhece que despreza as almas que Cristo procura, quando
se desvia dos que parecem pouco promissores e não atraentes?
Justamente no momento em que se esquiva deles, podem carecer
muito de sua compaixão. Em toda assembléia de culto, há almas
que anseiam descanso e paz. Podem parecer como se vivessem
indiferentemente, mas não são insensíveis à influência do Espírito
Santo. Muitas delas podem ser ganhas para Cristo. — Parábolas de
Jesus, 191. O convite evangélico não deve ser amesquinhado, e apresentado
apenas a uns poucos escolhidos, que, supomos, nos farão honra
caso o aceitem. A mensagem deve ser dada a todos. Onde quer que
haja corações abertos para receber a verdade, Cristo está pronto a
instruí-los. — O Desejado de Todas as Nações, 194. Honestidade — fidelidade — operosidade — Ao se terem de
confiar responsabilidades a um indivíduo, não se indague se ele é
eloqüente ou rico, mas se é honesto, fiel e operoso; pois sejam quais
forem suas realizações, sem estas qualidades ele se acha inteiramente
inabilitado para qualquer cargo de confiança. — Testimonies for the
Church 4:413. Altruísmo A obra de Cristo deve ser nosso exemplo. Ele
andava continuamente fazendo o bem. No templo e nas sinagogas,
nas ruas das cidades, nas praças e nas oficinas, na praia e na encosta
dos montes, pregava o evangelho e curava os doentes. Sua vida foi de serviço desinteressado, e nos deve servir de modelo. Seu terno e
compassivo amor constitui-nos uma censura ao egoísmo e falta de
coração. — Testemunhos Seletos 3:298, 299. O motivo que nos dispõe ao trabalho por Deus não deve ter em
si coisa alguma que lembre serviço a si próprio. Abnegada devoção
e espírito de sacrifício têm sido e serão sempre o primeiro requisito
do culto aceitável. Nosso Senhor e Mestre deseja que nenhum fio de
egoísmo seja entretecido em Sua obra. A nossos esforços devemos
acrescentar o tato e habilidade, a precisão e sabedoria que o Deus da
perfeição exigiu dos construtores do santuário terrestre; contudo, em
todos os nossos trabalhos devemos lembrar que os maiores talentos
e os mais esplêndidos serviços são aceitáveis somente quando o
eu é posto sobre o altar para consumir-se como um sacrifício vivo.
— Profetas e Reis, 65. De todos os povos da Terra, deviam ser os reformadores os mais
abnegados, os mais bondosos, os mais corteses. Dever-se-ia ver
em seus atos a verdadeira bondade dos atos desinteressados. — A
Ciência do Bom Viver, 157. Não se afligir As coisas irão mal, devido a obreiros não
consagrados. Podereis derramar lágrimas pelos resultados; não vos
aflijais, porém. O bendito Mestre tem toda a Sua obra, de uma a
outra extremidade, sob Sua sábia superintendência. Tudo quanto
pede é que os obreiros vão a Ele a receber ordens, e Lhe obedeçam
às instruções. Ele tem tudo no divino coração — nossas igrejas,
missões, instituições, Escolas Sabatinas. Por que afligir-se? O intenso
desejo de que a igreja seja uma luz viva e resplandecente, em
harmonia com o desígnio de Deus, tem de ser temperado com uma
inteira confiança nEle. — The Review and Herald, 14 de Novembro
de 1893. Cultivai a tranqüilidade, e entregai a guarda de vosso coração
a Deus como a um fiel Criador. Ele há de guardar aquilo que Lhe
é confiado em depósito. Não Lhe agrada cobrirmos Seu altar de
lágrimas e queixumes. Tendes já motivos suficientes por que louvar
ao Senhor, ainda que não vejais outra alma convertida. Mas a
boa obra irá avante, se, tão-somente, avançardes, e não procurardes
ajustar tudo a vossas próprias idéias. Deixai que a paz de Deus reine
em vosso coração, e sede agradecidos. Deixai ao Senhor margem
para operar. Não Lhe obstruais o caminho. Ele pode trabalhar, e há
de fazê-lo, uma vez que Lho permitamos. — Testimonies for the
Church 9:136.
O estadista e profeta Daniel previu a luta entre esquerda e direita no tempo do fim
Vanderlei Dorneles
Ilustração: Eduardo Olszewski
A atual sucessão de governos na América do Sul revela o esgotamento das políticas de esquerda. Isso ocorre em paralelo a uma retomada da economia americana. Os Estados Unidos e o bloco europeu parecem reafirmar suas posições de liderança e hegemonia no mundo.
O que isso tem a ver com as profecias bíblicas?
De fato, o chamado chavismoperdeu espaço na Venezuela nas eleições legislativas de 2015, e a hegemonia de 16 anos da ideologia de Hugo Chávez está ameaçada. Na Argentina, o longo período de 12 anos dos Kirchner (Nestor, depois Cristina) chegou ao fim com a vitória do liberal Mauricio Macri. Na Bolívia, o socialista Evo Morales não poderá disputar um terceiro mandato; foi a decisão do referendo de fevereiro deste ano.
No início dos anos 2000, a ascensão de Lula, Chávez e Kirchner, respectivamente, no Brasil, Venezuela e Argentina, provocou uma onda das políticas sociais de esquerda na América do Sul. Na força dessa onda, em 2005 o Uruguai elegeu Tabaré Vázquez; em 2006 a Bolívia elegeu Morales e o Chile, Michelle Bachelet. Essa onda alimentou o ideal de políticas sociais igualitárias e paternalistas na população sul-americana, uma das sociedades mais desiguais do planeta.
Ao final de quase 15 anos, os elos dessa corrente têm se enfraquecido e quebrado um após o outro. No Brasil, a maior potência econômica da região, o governo de Dilma Rousseff está seriamente ameaçado pelos mesmos motivos dos demais: evidências de corrupção e falência das políticas populistas.
O enfraquecimento das esquerdas na América do Sul faz parte do processo de desorganização da ideologia socialista como um todo em curso desde a queda do Muro de Berlim, em 1989. A falência do maior estado sócio-político construído sobre essa ideologia, a União Soviética, fragilizou o discurso revolucionário ao redor do mundo. Além disso, o regime comunista em Cuba e na Coreia do Norte só tem fortalecido a mentalidade capitalista devido às agruras sociais e econômicas evidentes nesses países.
O comunismo chinês sustentou elevados índices de crescimento econômico nos últimos anos, mas somente graças à abertura para a economia de mercado em curso ali desde os anos 1970. No entanto, apesar de representar uma salvaguarda para a ideologia socialista, o milagre chinês começa a apresentar sinais de esgotamento. Nos dois últimos anos, a China tem enfrentado crescente fuga de capitais, queda da bolsa, desvalorização da moeda e do mercado imobiliário e evidências de corrupção. Este período da economia chinesa tem sido avaliado como o fim de um ciclo.
O enfraquecimento dessas economias coincide com a retomada do crescimento dos Estados Unidos. Muita coisa não vai bem nas economias modernas, mas o que se assiste nestes tempos pode ser considerado como um esgotamento quase final das ideologias de esquerda e um fortalecimento da economia de mercado em nível global.
Uso aqui a expressão “esquerda” em referência às políticas voltadas para o estado intervencionista e controlador da liberdade geral, e “economia de mercado” para aquelas fundadas na ideia da suficiência do mercado em regular a si mesmo. Em geral, as políticas de esquerda defendem a igualdade, e as de direita, a liberdade. No livro Destra e Sinistra, o filósofo italiano Norberto Bobbio diz que a esquerda procura eliminar as desigualdades sociais com medidas protecionistas, já a direita entende que essas desigualdades são naturais e que a sociedade se autorregula.
Outro aspecto das ideologias de esquerda é a negação da dimensão religiosa da sociedade. Por sua vez, a direita se adapta ao discurso religioso e o utiliza como parte de suas estratégias de poder.
Essa tensão entre uma esquerda que nega Deus e uma direita que pretende usar o nome de Deus foi prevista por Daniel, profeta e também estadista. As visões relatadas nos capítulos 2, 7 e 8, de seu livro, têm o foco no “tempo do fim”, quando o poder perseguidor dos “santos” emerge mais uma vez, mas só para ser destruído com a chegada do reino de Deus. O profeta diz que o reino de Deus “esmiuçará e consumirá todos estes reinos” humanos (Dn 2:44), e que “o domínio, e a majestade dos reinos” serão dados aos “santos do Altíssimo” (7:27; ver 8:9-12).
Mas, onde está a esquerda e a direita na profecia?
As profecias apocalípticas se desdobram em quadros paralelos, os quais acrescentam novos detalhes ao tema já abordado. Tratando do mesmo “tempo do fim”, a visão de Daniel 11 descreve um conflito prolongado entre o chamado “rei do Norte” e o “rei do Sul” (v. 40-45), no qual o Norte prevalece sobre o Sul, pouco antes de investir contra o “glorioso monte santo”, ou seja, os mesmos “santos” das visões de Daniel 7 e 8. As expressões “monte santo” e “monte Sião” frequentemente indicam o santuário e o povo de Deus (Ez 20:40; 28:14; Dn 9:16, 20).
O perseguidor dos “santos”, de acordo com Daniel 7 e 8, é o “chifre pequeno”, símbolo do papado. Ele muda a lei de Deus, persegue os que permanecem fiéis às Escrituras e pretende tomar o lugar de Deus na Terra (Dn 7:8, 21, 25; 8:9-12). Entretanto, antes de perseguir os santos, no tempo do fim, o “chifre pequeno”, que é o mesmo “rei do Norte” (Dn 11:31, 36, 37), terá de suprimir o “rei do Sul”. Mas, no clímax da investida contra o “monte santo”, o tal “rei do Norte” será derrotado (11:45; ver 8:25). Os “rumores do Oriente” que o perturbam são as claras evidências da chegada do reino de Deus com a volta de Cristo (11:44; 8:13, 22).
Da perspectiva de Israel, o Norte era a posição de Babilônia e o Sul, a do Egito. Na Bíblia, frequentemente o Norte representa aquele que deseja estar em lugar de Deus. Lúcifer desejava subir ao “céu”, exaltar seu trono “nas extremidades do Norte” e ser “semelhante ao Altíssimo” (Is 14:13, 14). Babilônia é referida como o poder do “Norte” que derrama “o mal sobre todos os habitantes da terra” (Jr 1:13-16; 6:22, 23). O rei de Babilônia teve a arrogância de desafiar a Deus (Dn 3:15; 4:24, 25). Daniel afirma que o “chifre pequeno” provém do Norte (Dn 8:9). No Apocalipse, o poder que se levanta contra os fiéis de Deus no tempo do fim é retratado como “besta” ou “Babilônia” (Ap 13:1, 7; 14:8; 17:5; 18:2, 10, 21).
Se o “rei do Norte” é o mesmo “chifre pequeno”, que é o papado em sua investida contra os “santos”, quem é o “rei do Sul” que será suprimido antes da perseguição aos “santos do Altíssimo”?
Jacques Doukhan, em seu livro Secrets of Daniel, comentando Daniel 11, diz que o Sul simboliza, na tradição bíblica, “o poder humano sem Deus”. O Sul aponta para o Egito (Dn 11:43), especialmente para o orgulhoso faraó: “Quem é o Senhor para que lhe ouça eu a voz e deixe ir a Israel? Não conheço o Senhor” (Êx 5:2). Uma aliança de Israel com o Egito seria um deslocamento da fé, uma troca de Deus pela humanidade, ou seja, a fé na humanidade substituindo a fé em Deus. Isaías diz: “Ai dos que descem ao Egito em busca de socorro e se estribam em cavalos; que confiam em carros, … mas não atentam para o Santo de Israel, nem buscam ao Senhor! … Pois os egípcios são homens e não deuses” (Is 31:1-3).
Assim, no conflito protagonizado pelo Norte e o Sul, nessa visão de Daniel 11, “o Norte representa o poder religioso” que pretende ocupar o lugar de Deus, o poder do estado perseguidor dos “santos”; e o “Sul representa os esforços humanos que rejeitam Deus e têm fé apenas na humanidade”, ou seja, os poderes seculares fundados nas ideologias ateísticas e materialistas (Secrets of Daniel, p. 173). Nesse caso, as ideologias de esquerda e seus estados socialistas são aqui retratados com a figura do Egito e do Sul.
Assim, Daniel previu um conflito prolongado, no tempo do fim, entre o poder político-religioso e o poder ateísta e materialista. Ele visualizou a resistência do poder materialista, mas profetizou que este último terminaria sendo suplantado.
O Apocalipse não dá esses detalhes do conflito providos pelo estadista Daniel. João visualizou o momento posterior em que todos os que “habitam sobre a terra” (Ap 13:14) e os “reis do mundo inteiro” serão envolvidos pelo poder da Babilônia, no Armagedom (16:14, 16).
Essa profecia de Daniel 11 é extremamente significativa diante da nova configuração geopolítica do mundo desde a queda do muro de Berlim. Os poderes políticos capitalistas, unidos ao poder religioso cristão desviado da verdade bíblica, conseguiram desorganizar o estado comunista e materialista europeu no fim da Guerra Fria. Nos anos 1990, o poder americano despontou como a única potência global, deixando em seu rastro as ideologias de esquerda em completa confusão. O Norte se sobrepôs ao Sul.
No desfecho desse conflito que resultou na queda do comunismo no Leste europeu, os Estados Unidos tiveram um decisivo aliado: o papa João Paulo II, que conseguiu restaurar a influência religiosa do Vaticano no mundo. Isso é o que contam os jornalistas Carl Bernstein e Marco Politi, no livro Sua Santidade: João Paulo II e a História Oculta do Nosso Tempo (Objetiva, 1996).
Nesta década, a segunda etapa de desorganização das ideologias e dos regimes de esquerda, incluindo os da América do Sul, aponta para o crescente poder do “rei do Norte”. Segundo a profecia, sua agenda prevê investidas iminentes contra o “monte santo de Deus”. Esta será a última batalha do “rei do Norte”, na qual, porém, será completamente derrotado. O Apocalipse prevê a dramática queda da confederação da Babilônia, que é o mesmo “rei do Norte” (Ap 18:1-8).
Daniel garante que Deus se levantará em defesa de seu povo, e o fim chegará para o opressor, e “não haverá quem o socorra” (Dn 11:45).
VANDERLEI DORNELES, pastor e jornalista, é doutor em Ciências pela Escola de Comunicação e Artes (USP), onde defendeu tese sobre os aspectos mitológicos da cultura norte-americana. Autor dos livros O Último Império e Pelo Sangue do Cordeiro, entre outros, atua como redator-chefe associado na CPB
Nabucodonozor, o rei do maior império do oriente, nos dia do Profeta Daniel, teve um sonho onde no mesmo via uma estátua, e esta era formada por vários metais. O primeiro metal que formava a cabeça da estátua, era ouro, porem à medida que descia os metais iam mudando até chegar nas pernas e pés da mesma.
qual era o metal das pernas da estátua?
A Bíblia responde
"As pernas eram de ferro, e os pés eram em parte de ferro e em parte de barro". (Daniel 2.33).
Assim como Nabucodonosor, alguns líderes esquecem que seus impérios estão baseados em pés de barro. É o caso do nosso ex presidente Lula. Lula criou seu "império" deu-lhe o nome de PT, formou a sua "corte" entregou à sua administradora preferida e ficou reinando nas sombra. Esqueceu porem que a sua estátua, tinha os pés de barro e que agora esta desmoronando.
Não faz muitos dias que esse mesmo Lula, em um surto de arrogância, disse em uma coletiva de imprensa, que era o homem mais honesto de planeta. Disse que poderia ter na terra, alguém igual a ele em honestidade, porem mais honesto do que ele, duvidava.
Naquele dia eu afirmei a alguns amigos: Hoje o Lula acabou com seu império. A queda dele, a parti de hoje esta determinada. Pelo simples motivo que ele esqueceu uma lei inexorável da Bíblia, dita pelo maior sábio do oriente, o Rei Salomão
"O orgulho vem antes da destruição; o espírito altivo, antes da queda". (Provérbios 16. 18).
Muitos esquecem que o orgulho é o pior conselheiro. Sim, ele sempre derruba o altivo no final.
Disse mais o sábio Salomão
"Melhor é um jovem pobre e sábio, do que um rei idoso e tolo, que não mais aceita repreensão". (Eclesiastes 4.13).
O homem que não aceita conselhos, que não reconhece os próprios erros e procura manipular todo uma nação, é a pior desgraça que pode haver, porem esses homens passam, como passou os grandes impérios representado pelo estátua de Nabucodonosor, e outros que lhes sucederam
O problema não é o pecado, é o não reconhecimento do mesmo.
A arrogância e a soberba, são os piores pecados. Como dizia o padre João Mohama: "todo rei é soberbo, e todo soberbo pensa que é rei". É o caso do Lula.
Livra-me, ó SENHOR, do homem mau; guarda-me do homem violento, Que pensa o mal no coração; continuamente se ajuntam para a guerra. Aguçaram as línguas como a serpente; o veneno das víboras está debaixo dos seus lábios. (Selá.) Guarda-me, ó Senhor, das mãos do ímpio; guarda-me do homem violento; os quais se propuseram transtornar os meus passos. Os soberbos armaram-me laços e cordas; estenderam a rede ao lado do caminho; armaram-me laços corrediços. (Selá.) Eu disse ao Senhor: Tu és o meu Deus; ouve a voz das minhas súplicas, ó Senhor. Ó Deus o Senhor, fortaleza da minha salvação, tu cobriste a minha cabeça no dia da batalha. Não concedas, ó Senhor, ao ímpio os seus desejos; não promovas o seu mau propósito, para que não se exalte. (Selá.) Quanto à cabeça dos que me cercam, cubra-os a maldade dos seus lábios. Caiam sobre eles brasas vivas; sejam lançados no fogo, em covas profundas, para que se não tornem a levantar. Não terá firmeza na terra o homem de má língua; o mal perseguirá o homem violento até que seja desterrado. Sei que o Senhor sustentará a causa do oprimido, e o direito do necessitado. Assim os justos louvarão o teu nome; os retos habitarão na tua presença. Salmos 140:1-13
O cristianismo é uma fé musical. Essa é uma das características pela qual os seguidores de Jesus são conhecidos ao longo da história e ao redor do mundo. Embora a quantidade de música tenha variado de acordo com a época e com o lugar, grande parte das igrejas de hoje dedicam cerca de um terço de seu tempo reunido ao canto congregacional e investem uma quantidade considerável de tempo, dinheiro, esforço e energia no aspecto musical da vida da igreja.
Mas por que nós cantamos? Qual é o objetivo do nosso canto? Que propósitos ele realiza? De acordo com a Escritura, Deus nos criou e nos chamou para cantar por três razões principais: para nos ajudar a louvar, para nos ajudar a orar e para nos ajudar a proclamar. Vejamos cada uma dessas razões:
1. Cantar nos ajuda a louvar
Não há como fugir do fato de que o canto é uma forma vital de louvor. Muito da Escritura (particularmente os Salmos) são prova disso. Não apenas eles conectam louvor diretamente com o canto, mas também falam frequentemente das dimensões verticais e horizontais do louvor, adoração e proclamação, praticamente de uma vez só. Considere, por exemplo, os primeiros versos do Salmo 96:
Cantai ao SENHOR um cântico novo; cantai ao Senhor, todas as terras! Cantai ao SENHOR, bendizei o seu nome; proclamai a sua salvação, dia após dia. Anunciai entre as nações a sua glória, entre todos os povos, as suas maravilhas! Porque grande é o SENHOR e mui digno de ser louvado; temível mais que todos os deuses.
Enquanto o louvor não é reduzido apenas à música, o argumento desse e de outros Salmos não poderia ser mais claro. Nós cantamos para o Senhor, engrandecendo seu nome, e cantamos sobre o Senhor, declarando sua glória. E, claro, nós muitas vezes (se não sempre) fazemos ambos ao mesmo tempo. Pois mesmo quando estamos cantado sobre o Senhor para outros, ele está presente para receber nosso louvor. A importância de cantar os louvores de Deus é evidente no número de vezes que é ordenado na Escritura (por exemplo, Êxodo 15.21; Salmo 147.1, 7; 149.1, 5; Sofonias 3.14; Zacarias 2.10; Tiago 5.13). Embora a maioria dessas exortações estejam no Antigo Testamento, particularmente nos Salmos, as exortações de Paulo aos cristãos para que cantem os Salmos em conjunto (Efésios 5.19; Colossenses 3.16), esses mandamentos claramente ainda são relevantes.
Tais mandamentos são necessários porque o louvor sincero nem sempre é natural para o povo de Deus. Na verdade, há uma série de forças contra nós (sobrenaturais e terrestres, externas e internas), buscando nos desviar de dar a Deus o louvor que é dele por direito e que deve ser dado a ele em todas as circunstâncias – não apenas com as nossas vidas, mas também com os nossos lábios, não apenas ao falar, mas também em música. Assim, se não estivermos atentos a esse perigo, corremos o risco de privar Deus de seu louvor – talvez porque tememos parecer tolos ou tememos o que os outros podem pensar de nós ou da nossa voz. O resultado de se submeter a esses medos é que tendemos a nos conter, disfarçar nossa gratidão e talvez até não prestarmos atenção nas palavras que estamos cantando.
Claro, o antídoto não é ignorarmos os que estão ao nosso redor sem nos preocuparmos em como os afetamos. Na verdade, a vontade de Deus é que devemos considerar uns aos outros e adorá-lo de uma forma que os edifique (1 Coríntios 14.19). Mas a preocupação cristã pelo próximo está a um milhão de quilômetros de distância do temor do homem – um temor que é, em última instância, idólatra e egocêntrico. Assim, dado que é o propósito de Deus que o adoremos “de todo o coração” (Salmo 9.1, 86.12, 111.1, 138.1; Efésios 5.19), é imperativo que nós lembremos regularmente, a nós mesmos e aos outros, que Deus verdadeiramente merece nosso louvor (Salmo 7.17, 18.3, 177.1), que ele repetidamente demanda nosso louvor (Salmo 47) e que ele deseja o nosso louvor.
Esses lembretes são necessários para garantir que o Deus que não nos privou de nada, nem de seu próprio Filho, receba mais do que migalhas de nossa atenção e as sobras de nossa afeição. Porque ele merece, demanda e deseja nosso louvor de todo o coração, é nosso dever mais alto e maior alegria dá-lo a ele.
2. Cantar nos ajuda a orar
Pode não ter ocorrido a nós antes, mas cantar é (ou pode ser) uma forma de oração. O livro dos Salmos, novamente, é nosso maior exemplo, uma vez que uma grande proporção dos Salmos são, ou contém, orações (Salmo 3-8, 9-10, 12-13, 16-18). E, se há uma coisa que nós sabemos sobre como os Salmos funcionavam na vida do povo de Israel, é que muitas dessas orações eram cantadas – como foram criadas para ser. Mais do que isso, como já notamos, eles também eram cantados pela igreja do Novo Testamento (Efésios 5.19, Colossenses 3.16, Tiago 5.13).
Isso significa, então, que exortações a cantar os Salmos incluem o mandamento de cantar orações. O grande valor de cantar nossas orações é que a atividade de cantar nos ajuda a abordar as dimensões emocionais das verdades que estamos dizendo ou as petições que estamos rogando. Em outras palavras, cantar tem um papel crítico em nos ajudar a preencher o espaço entre os aspectos cognitivos e afetivos da nossa humanidade, e como muitos dos Salmos de lamento ilustram, em nos ajudar a processar nossa dor e emocional de forma que nos leva a louvar (Salmo 3, 7).
Cantar os Salmos, então, é uma coisa imensamente poderosa de se fazer. Não apenas estamos orando enquanto cantamos, mas estamos orando palavras divinamente inspiradas. Cantar essas palavras nos ajudam a abordar e expressar não apenas as dimensões conceituais das verdades que estamos articulando, mas suas dimensões emocionais também.
Mas, é claro, nós não precisamos nos restringir a cantar e orar apenas os Salmos. Não apenas há muitas outras canções baseadas na Bíblia (e muitas outras partes da Bíblia que podem ser cantadas como orações), mas as Escrituras não nos restringem a cantar e orar apenas a Escritura. Desde que estejamos cantando e orando de acordo com a vontade de Deus (conforme revelada na Escritura), estamos em solo firme. Assim, devemos nos sentir livres para usarmos o rico e histórico tesouro dos recursos musicais e litúrgicos desenvolvidos por gerações passadas para nos ajudar em nossas orações. Isso, é claro, inclui muitas traduções parafraseadas e metrificadas dos Salmos, assim como uma quantidade quase sem fim de hinários desde os primeiros de Isaac Watts.
Quando estamos cantando, também estamos orando – quer percebamos ou não. Estamos pedindo coisas a Deus em nossas músicas, tanto pessoalmente quanto corporativamente. Entretanto, claramente é bom para nós que estejamos conscientes do que estamos fazendo e do que estamos dizendo, para orar e cantar com nossas mentes completamente envolvidas (1 Coríntios 14.15). Então não se surpreenda quando alguém introduzir uma música no próximo Domingo dizendo “levantemos nossas vozes em oração ao cantarmos a próxima música”, pois muitas vezes é exatamente isso que estamos fazendo.
3. Cantar nos ajuda a proclamar
Além de ser uma forma de louvar e uma forma de orar, cantar também é uma forma de proclamar. Já falamos sobre isso antes, em relação à dimensão horizontal do louvor. Meu foco aqui, entretanto, é na música como uma forma de edificação mútua. Pois as Escrituras revelam que a palavra vivificadora de Cristo é ministrada ao povo de Deus não apenas pela leitura e pregação da Bíblia, mas também ao cantarmos “salmos, hinos e cânticos espirituais” (Colossenses 3.16).
Evidentemente, isso não significa que a palavra cantada deve eclipsar a palavra proclamada, ou que a música deve substituir a leitura pública da Escritura ou sua pregação e ensino (1 Timóteo 4.13). Nem Jesus nem os apóstolos pregavam o evangelho cantando. Assim, a palavra cantada não rivaliza a palavra proclamada no ministério da igreja, mas deve funcionar como auxílio e complemento.
Ainda assim, o canto da Palavra de Deus (claro, desde que a Palavra de Deus esteja sendo cantada) é vitalmente importante e uma forma unicamente poderosa do “ministério da Palavra”. Esse fato nem sempre tem sido adequadamente reconhecido. De fato, muitos tem visto o canto congregacional como nada além de uma forma de fazer o sangue das pessoas ferverem para que possam ouvir com mais atenção a leitura e a pregação da Escritura.
Essa não era a visão do apóstolo Paulo. Ele enfatizou fortemente a função didática do canto congregacional. Pois, assim como louvor e oração, quando cantamos juntos, estamos instruindo e exortando uns aos outros. Isso também é claro em Efésios 5.19, onde Paulo fala de nos instruirmos e aconselharmos mutuamente por meio dos “Salmos, hinos e cânticos espirituais” (Colossenses 3.15-17).
Tal afirmação certamente faz do canto uma parte integral da vida e da saúde espiritual da igreja. Longe de ser um exercício de alongamento das pernas antes e depois do sermão, ele é, de fato, parte do sermão. É a parte em que todos nós pregamos – tanto para nós mesmos quanto para os outros.
SENHOR, tu me sondaste, e me conheces. Tu sabes o meu assentar e o meu levantar; de longe entendes o meu pensamento. Cercas o meu andar, e o meu deitar; e conheces todos os meus caminhos. Não havendo ainda palavra alguma na minha língua, eis que logo, ó Senhor, tudo conheces. Tu me cercaste por detrás e por diante, e puseste sobre mim a tua mão. Tal ciência é para mim maravilhosíssima; tão alta que não a posso atingir. Para onde me irei do teu espírito, ou para onde fugirei da tua face? Se subir ao céu, lá tu estás; se fizer no inferno a minha cama, eis que tu ali estás também. Se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar, Até ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá. Se disser: Decerto que as trevas me encobrirão; então a noite será luz à roda de mim. Nem ainda as trevas me encobrem de ti; mas a noite resplandece como o dia; as trevas e a luz são para ti a mesma coisa; Pois possuíste os meus rins; cobriste-me no ventre de minha mãe. Eu te louvarei, porque de um modo assombroso, e tão maravilhoso fui feito; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem. Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui feito, e entretecido nas profundezas da terra. Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe; e no teu livro todas estas coisas foram escritas; as quais em continuação foram formadas, quando nem ainda uma delas havia. E quão preciosos me são, ó Deus, os teus pensamentos! Quão grandes são as somas deles! Se as contasse, seriam em maior número do que a areia; quando acordo ainda estou contigo. Ó Deus, tu matarás decerto o ímpio; apartai-vos portanto de mim, homens de sangue. Pois falam malvadamente contra ti; e os teus inimigos tomam o teu nome em vão. Não odeio eu, ó Senhor, aqueles que te odeiam, e não me aflijo por causa dos que se levantam contra ti? Odeio-os com ódio perfeito; tenho-os por inimigos. Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos. E vê se há em mim algum caminho mau, e guia-me pelo caminho eterno. Salmos 139:1-24
Mais de cinquenta anos atrás, médicos nos EUA e Europa Ocidental prescreviam a droga talidomida para suas pacientes para tratar, entre outros males, náusea e enjoo matinal em mulheres grávidas.
A droga teve resultados trágicos cujos efeitos ainda são sentidos hoje.
No final da década de 1950, começaram a aparecer registros de anormalidades em crianças cujas mães haviam usado essa droga durante a gravidez. As anormalidades mais conhecidas e dolorosas envolviam bebês que nasciam sem braços e pernas.
O que não é surpresa alguma é que em poucos anos, a droga foi removida do mercado, mas o caso trágico da talidomida não terminou aí. Como o historiador Daniel K. Williams nos diz em seu recente livro “Defenders of the Unborn” (Defensores dos Bebês em Gestação), a tragédia da talidomida abriu a porta para o aborto legalizado nos Estados Unidos.
Os apoiadores de leis de aborto liberalizado aproveitaram a tragédia para justificar a expansão da disponibilidade do aborto, que na época era em grande parte limitado aos casos em que a vida da mãe estava em perigo. Eles argumentaram que as mulheres que haviam tomado a talidomida deveriam ter o direito de abortar seus bebês em gestação, ainda que não houvesse nenhum jeito de saber se seus bebês haviam sido afetados pela droga.
O argumento deles, como documenta Williams, era que o medo de dar à luz uma criança deficiente era suficiente para justificar a expansão da disponibilidade do aborto.
A fotos trágicas de crianças sem pernas e braços, junto com alguns casos famosos, influenciaram as assembleias legislativas americanas, inclusive a Califórnia, em 1966. Em 1972, vinte estados dos EUA haviam legalizado o aborto em casos em que a vida e a saúde física da mãe não estavam sob ameaça.
Cinquenta anos mais tarde, numa parte diferente dos EUA, a história, se não está se repetindo, está pelo menos parecendo rimar, como Mark Twain poderia ter dito.
Eric Metaxas recentemente disse no programa BreakPoint sobre como a epidemia do Zika na América Latina está sendo usada por promotores do aborto como arma contra a proteção à vida dos bebês em gestação. A parte mais afiada dessa arma é o elo presumido entre o Zika e a microcefalia, “uma ‘desordem neurodesenvolvimental’ caracterizada por tamanho da cabeça consideravelmente menor.”
Digo “presumido” porque, como um recente artigo do jornal New York Times diz aos leitores, “o elo entre a microcefalia em bebês e o Zika não foi comprovado.” Tudo o que sabemos com certeza é que autoridades internacionais de saúde “suspeitam fortemente” que haja um elo.
Um exemplo dessa incerteza é a Colômbia. Embora se saiba que milhares de mulheres colombianas grávidas contraíram o Zika, não existe caso confirmado de nenhuma delas dando à luz filhos com microcefalia.
Conforme disse o vice-ministro da Saúde da Colômbia ao New York Times, “Há muita coisa que não sabemos sobre o [Zika]. O que sabemos é que há uma disparidade crescente entre o que estamos vendo na Colômbia e a experiência no Brasil”
Apesar dessa “disparidade crescente,” o New York Times e outros têm certeza de que liberalizar as leis de aborto agora é o caminho certo. Isso ignora não só fatos reais da epidemia do Zika, mas ignora também o fato mais importante de todos: a humanidade dos bebês no útero.
Como foi o caso cinquenta anos atrás, a ansiedade sobre a possibilidade de dar à luz uma criança com deficiência é considerada como razão suficiente para matar o bebê em gestação. A mensagem é clara: Qualquer coisa que seja menos que uma “criança perfeita” é descartável. Na era dos testes genéticos pré-natal, as implicações dessa mensagem são de dar calafrio.
E conforme a história mostra, não vai parar aí. O Zika, como a talidomida, é parte de uma arma cuja meta é o aborto por qualquer motivo. Cinquenta anos atrás, uma tragédia levou a uma tragédia maior cujos efeitos ainda estão nos EUA. Vamos orar para que a mesma coisa não aconteça de novo.
Talvez seja o povo da América Latina que deveria construir uma muralha em sua fronteira [para se proteger das más influências dos EUA].