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sexta-feira, 15 de junho de 2012

É pecado ser político?

O cristão e a política

Estamos novamente em campanha eleitoral. E como sempre, somos assediados pelos tantos políticos que nos pedem apoio através de nosso voto. Como cidadãos, temos o dever de cumprir a lei e exercer nossa cidadania votando. Porém uma há uma pergunta. Deve um adventista se envolver com política? È certo votar? 
Se você está resolvido a votar em alguém nesta campanha eleitoral. Está cumprindo seu dever. Mas se você não vai votar, e está decidido a não fazê-lo, é um direito seu.

Mas o que é um político?

É um servidor que ganha do erário publico para servir a comunidade que o elegeu. Seja vereador, prefeito, deputado, senador, governador e presidente da República.

Há três categorias de servidores públicos.

Primeiro, os servidores contratados. 
São pessoas que prestam serviços temporários em caso de emergência, para cobrir uma lacuna na repartição que atuam. Foram nomeados por um político, e atuam na função até surgir um concurso público. Há também os que ocupam cargos de confiança, os tais DAS. Estes geralmente só permanecem no cargo enquanto durar o mandato do político que os nomeou.

Segundo. Servidores concursados. 
Estes foram escolhidos entre dezenas de candidatos a uma vaga no serviço público. Estudaram exaustivamente, prestaram uma prova, e foram declarados por uma banca examinadora, aptos a exercer a função à que se candidataram. Quem é aprovado em concurso tem estabilidade no emprego e dificilmente é mandado embora.

O terceiro tipo de servidor público é o político. 
Que, como os demais servidores, presta serviço à comunidade, ou criando as leis, ou fiscalizando a administração, ou ainda, administrando o patrimônio público e como os demais, ganha do erário. Estes também enfrentam concurso público. Só que ao invés de uma banca examinadora, quem os examina é o povo no dia das eleições. 
E este concurso, é muito pior às vezes que o concurso dos demais servidores; pois enquanto no daqueles é examinado apenas a competência e os conhecimentos do candidato, neste é examinado sua competência, seus conhecimentos e a sua vida privada, que é devassada. Qualquer desvio moral que ele tiver se torna público e manchete nos jornais.
Nos demais concursos uma banca examinadora composta de poucas pessoas declaram se o candidato tem condições ou não, de ocupar o cargo. No concurso do político, o povo é quem decide.
Nos segundo caso, se o servidor é um bom ou mau funcionário, não importa, ele tem estabilidade. Fica no emprego até a aposentadoria. No caso do político, se ele é um mau servidor, não permanece no emprego. Pois a cada quatro anos ele tem que ser aprovado em uma nova eleição. Isto se não for mandado embora antes do tempo, como fizeram com o presidente Collor, e a Presidente Dilma.
Muitos são contra política por que nela há a oportunidade da pessoa se corromper. E é verdade. Há muitos políticos corruptos. Se for assim, alguns dizem que um fiel adventista não deveria se envolver com esse povo, pois quem o faz esta assumindo o risco de ser influenciado e vir a ser corrompido também.
Porém não é só na política que a pessoa se corrompe. Em qualquer função pública ou privada o risco é o mesmo. Como gerente de uma loja, caixa de um banco, diretor de uma escola ou simplesmente como tesoureiro da igreja, onde houver dinheiro, há a tentação, e se a pessoa não tem caráter, corre o risco de desviá-lo para beneficio próprio.
A pessoa que é contra políticos, devia ser também contra trabalhar em qualquer função no serviço público. Pois tanto o político como o servidor público ganham dos impostos que pagamos. E assim como há políticos desonestos, há servidores concursados que também são desonestos, maus servidores, preguiçosos, atendendo mal a comunidade.
O que eu nunca vi, foi alguém falar contra emprego público. Pelo contrário. Já vi gente que fala mal dos políticos, mas pede oração para passar em concurso publico.
E o pior. Muitos que no período das eleições, que falam mal dos políticos, chamando-os de corruptos, e desonestos, depois das eleições, vai à busca desses mesmos políticos pedirem favores. Tais como: passagens, remédios, terrenos ou que estes intercedam junto ao prefeito, para conseguirem um emprego, ou ainda; um terreno para igreja, ajuda para construção, ou simplesmente um ônibus para fazer um passeio com os jovens.
Isto é que é ser desonesto. Se você não gosta de política, não incomode os políticos. Se você não vota, não peça favor a nenhum político. Pois quando ele o ajuda, o faz na crença que será ajudado com seu voto no dia da eleição. E se você recebe o favor e não vota, o desonesto foi você, pois deixou que ele acreditasse em você e você o enganou.

A pergunta continua. É certo votar em partidos políticos? O que diz a Bíblia?

A Bíblia não fala nada contra votar ou não votar. Porém apresenta o exemplo de muitos homens de Deus que tinha cargos de primeiro escalão na administração pública. Homens como José no Egito, Daniel e seus amigos em Babilônia, são exemplos de que um servo de Deus pode ser honesto em meio aos idólatras e corruptos. 
Os reis de Israel eram políticos, alguns fizeram o que eram mal perante o Senhor, outros foram bons e andaram com Deus. O problema não era a função, e sim o caráter de cada um.

Que diz a escritora Ellen White?

No livro mensagens escolhidas, volume dois pagina 336; Ellem White escreveu todo um capítulo cujo título é: "Conselhos Sobre Votar."
Neste capítulo ela começa aconselhando a igreja como instituição a não se envolver com política. Ela diz assim. “a nenhum de vós foi imposta pelo senhor qualquer responsabilidade de publicar suas preferências políticas em nossas publicações, ou de sobre elas falar na congregação, quando o povo se reúne para ouvir a palavra do Senhor”
O que ela está dizendo é que não devemos usar nossos livros e revistas para promover este ou aquele candidato, nem usar o púlpito como palanque eleitoral. “Não devemos como um povo envolver-nos em questões políticas”

E individualmente eu posso votar?

No mesmo capítulo ela menciona uma reunião em que havia os seguintes pioneiros: Ellem White, Tiago White, J. N. Andrews, Davi Hewit, Josias Hart, Henrique Lyon, e J. P. Kellog. Nesta reunião eles discutiam se era apropriado a favor dos homens que defendiam a temperança*, ou não votarem em ninguém e correr o risco dos intemperantes ganhar. A maioria achou que era correto votar, só Henrique Lyon foi contra, e ela termina a reunião desejando que todos procedessem no temor de Deus.
O que ela foi bem clara é que não devemos declarar nosso voto, nem pressionar para que as pessoas votem no candidato da nossa preferência.
"Mantende secreto o vosso voto. Não acheis ser vosso dever insistir com todo o mundo para fazer como fazeis". Carta 4, 1898.
Em outras palavras, se o seu irmão deseja votar em outro candidato que não o seu, não insista com ele para mudar. Mantenha seu voto secreto e faça ele o mesmo.
Neste mesmo capítulo, referida escritora informa que os homens da intemperança**, foram ao seu escritório, insinuando que os guardadores do sábado, não deveriam votar (é claro que eles sabiam que os votos dos adventistas seriam contra eles). Ela não lhes deu esperança, e depois escreveu que eles eram obreiros de satanás, e que satanás fosse derrotado era a sua oração.
É correto ser votado?

Pelo que vimos até agora, não há na Bíblia nem no Espírito de Profecia nenhum impedimento em votar ou ser votado. Agora leia esta afirmação da serva de Deus.

"Unicamente homens estritamente temperantes e íntegros devem ser admitidos em nossas assembléias legislativas e escolhidos para presidir nossas cortes de justiça. As propriedades, a reputação e a própria vida se acham inseguras quando deixadas ao juízo de homens intemperantes e imorais." Temperança Pág. 48

"Quantos inocentes foram condenados à morte, como tantos mais foram roubados de todas as suas propriedades terrenas pela injustiça de jurados, advogados, testemunhas e mesmo juízes dados à bebida." Signs of the Times, 11 de fevereiro de 1886.

Entendeu?

Ela diz que “unicamente homens estritamente temperantes e íntegros devem ser admitidos em nossas assembleias legislativas e escolhidos para presidir nossas cortes de justiça”. Portanto, só homens cristãos deveriam ser deputados, senadores ou juízes, pois são os que vivem os princípios da temperança. Os demais, na maioria são dados à bebida, desonestos e mentirosos. Por isto não deveriam ser eleitos.

E como muitos de nós, agimos?
Deixam de votar em um cristão de nossa fé, que vive os nossos princípios, e defende nossa comunidade para votar em alguém de outra crença que combate a nossa fé ou então votam em um ateu ou mesmo um à-toa. Isto é incoerência.

Leia mais uma vez o texto citado. 

“Unicamente homens estritamente temperantes e íntegros devem ser admitidos em nossas assembleias legislativas e escolhidos para presidir nossas cortes de justiça”. 

Quem mais se aproxima desse padrão, um cristão ou alguém sem religião nenhuma? Pense.
Na revista adventista de maio 2006 o Pastor e Professor de teologia Dr. Alberto Timm argumenta que onde não há candidatos adventistas, devemos votar naqueles que mais se aproximam de nossos princípios religiosos.
Que nosso bom Deus nos ilumine e nesta eleição saibamos escolher os melhores. Estamos cansados de tanta corrupção. Chega de petrolão, de mensalão, de dólares na cueca, de sanguessugas, de vampiros do erário público. 
Só há uma maneira de tirar os corruptos do poder: pondo os honestos no lugar deles. E isto só se consegue através do voto.
Seria bom que houvesse em cada estado, dezenas de candidatos adventistas e de ouras denominações para que pudéssemos, dentre eles, escolher os melhores. Como não há, escolha entre os que você julgar mais aptos e que mais se aproximam dos nossos princípios morais e religiosos. 
E se houver um adventista, não tenha dúvidas: vote neste.


Pr. Manoel Barbosa da Silva
Distrital de Augustinópolis  Tocantins

Eis na integra o capítulo mencionado.
Conselhos sobre votar.

Nossa obra é vigiar, esperar e orar. Examinai as Escrituras. Cristo vos advertiu a não vos misturardes com o mundo. Devemos sair dentre eles e separar-nos "e não toqueis nada imundo, e Eu vos receberei; e Eu serei para vós Pai, e vós sereis para Mim filhos e filhas, diz o Senhor todo-poderoso". II Cor. 6:17 e 18. Sejam quais forem as opiniões que tenhais em relação a dar o vosso voto em questões políticas, não as deveis proclamar pela pena ou pela voz. Nosso povo deve silenciar acerca de questões que não têm relação com a terceira mensagem angélica. Se já um povo se deveu aproximar de Deus, esse é o povo Adventista do Sétimo Dia. Têm sido feitos admiráveis projetos e planos. Tem-se apoderado de homens e mulheres um ardente desejo de proclamar alguma coisa, ou ligar-se com alguma coisa; eles não sabem o quê. O silêncio de Cristo sobre muitos assuntos, porém, era verdadeira eloqüência. ...
Irmãos, não vos lembrais de que a nenhum de vós foi imposta pelo Senhor qualquer responsabilidade de publicar suas preferências políticas em nossas publicações, ou de sobre elas falar na congregação, quando o povo se reúne para ouvir a Palavra do Senhor. ...
Não devemos, como um povo, envolver-nos em questões políticas. Todos fariam bem em dar ouvidos à Palavra de Deus: Não vos prendais a um jugo desigual com os incrédulos
Pág. 337
em luta política, nem vos vinculeis a eles em suas ligações. Não há terreno seguro em que possam estar e trabalhar juntos. O fiel e o infiel não têm terreno neutro em que possam encontrar-se.
Aquele que transgride um dos preceitos dos mandamentos de Deus é transgressor de toda a lei. Mantende secreto o vosso voto. Não acheis ser vosso dever insistir com todo o mundo para fazer como fazeis. Carta 4, 1898.

Os Pioneiros Chegam a Importante Decisão

Assisti à reunião à noitinha. Tivemos uma reunião espontânea, interessante. Depois do tempo de terminar, foi considerada a questão de votar, demorando-nos sobre ela. Primeiro, falou Tiago, depois o irmão [J. N.] Andrews, e foi por eles julgado melhor pôr sua influência a favor do direito e contra o erro. Eles acham que é direito votar em favor dos homens defensores da *temperança governarem em nossa cidade, em vez de, por seu silêncio, correr o risco de serem eleitos homens intemperantes. O irmão [Davi] Hewitt conta sua experiência de alguns dias atrás e está certo de ser direito dar seu voto. O irmão [Josias] Hart fala bem. O irmão [Henrique] Lyon se opõe. Nenhum outro é contrário ao votar, mas o irmão [J. P.] Kellogg começa a julgar que é direito. Os sentimentos são cordiais entre todos os irmãos. Oh! que todos eles procedam no temor de Deus.
Os homens da *intemperança estiveram hoje no escritório, exprimindo de modo lisonjeiro sua aprovação à atitude dos observadores do sábado não votando, e exprimiram esperanças de que eles fiquem firmes nessa atitude e, como os quáqueres, não dêem seu voto. Satanás e seus anjos estão atarefados por esta altura, e ele tem obreiros na Terra. Que ele fique decepcionado é a minha oração. E. G. White em seu diário de domingo, 6 de março de 1859.

**Obs. Naquele tempo a América do Norte estava dividida em duas correntes políticas. Uma defendia que se deveria proibir a venda e o fabrico de bebidas alcoólicas, eram os defensores da temperança. (Jose Bates eram membro de uma associação pro temperança). A outra corrente, defendia a liberdade tanto da venda, como do fabrico de bebidas. Estes eram chamados, os da imtemperança. Só em 1929, que os defensores da temperança conseguiram aprovar a lei por tanto tempo esperada, mas a lei durou pouco tempo. Esta lei ficou conhecida como a ‘lei seca’ foi neste período que o gangster ‘Al Capone’ ficou famoso por seus contrabandos de bebidas alcoólicas

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Os Fiéis não Falharão


Ellen White

Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus. Apoc. 14:12.

Necessitamos agora de sabedoria mais que humana em ler e pesquisar as Escrituras; e se nos aproximarmos da Palavra de Deus em humildade de coração, Ele erguerá em nosso favor um estandarte contra os elementos sem lei.
É difícil manter firme o princípio de nossa confiança até ao fim; e a dificuldade aumenta quando há influências ocultas em constante operação para introduzir outro espírito, um elemento que opera em sentido contrário, do lado satânico da questão.
Na ausência da perseguição, têm penetrado em nossas fileiras alguns que parecem sensatos, inquestionável seu cristianismo, mas que, surgisse perseguição, sairiam de nós. Na crise, veriam força em raciocínios capciosos que têm tido certa influência em seu espírito. Satanás tem preparado vários ardis para chegar às diversas mentes.
Quando a lei de Deus for anulada, Sua igreja será peneirada por provas terríveis, e uma proporção maior do que agora podemos prever, dará ouvidos a espíritos enganadores e doutrinas de demônios. Em vez de serem fortalecidos quando levados a situações difíceis, muitos provam não ser varas vivas da Videira Verdadeira; não dão fruto, e o lavrador as tira.
Mas quando o mundo anular a lei de Deus, qual será o efeito sobre os que são verdadeiramente obedientes e justos? Serão eles levados pela forte corrente do mal? Porque tantos se enfileiram sob a bandeira do príncipe das trevas, hão de os que guardam os mandamentos de Deus apartar-se de sua fidelidade? Nunca! Nem um dos que permanecem em Cristo falhará ou cairá. Seus seguidores curvar-se-ão em obediência a uma autoridade superior à de qualquer potentado terrestre. Ao passo que o desprezo lançado sobre os mandamentos de Deus leva muitos a suprimir a verdade e mostrar por ela menos reverência, os fiéis hão de com maior zelo manter erguidas suas verdades distintivas.
Não somos deixados a nossa própria direção. Devemos reconhecer a Deus em todos os nossos caminhos, e Ele dirigirá nossas veredas. Devemos consultar-Lhe a Palavra em humildade de coração, pedir-Lhe o conselho, e submeter nossa vontade à Sua. Nada podemos fazer sem Deus. Mensagens Escolhidas, vol. 2, págs. 368 e 369.



quarta-feira, 6 de junho de 2012

Saudade dos Mapas Estelares. E nada mais.


Quando eu era criança, a Super Interessante era pra mim a melhor revista de todos os tempos do mundo inteiro. Do alto dos meus 11 anos, eu exibia a Super como uma relíquia, lia de capa a capa, se possível ininterruptamente, inclusive à mesa, durante as refeições. Acompanhava atentamente os mapas estelares, e por várias vezes fiz meu pai acordar no meio da noite para subir no telhado e assistir o alinhamento de planetas e outros fenômenos estelares.

Mas um dia eu li uma cartinha do editor da revista se despedindo, e logo a revista perdeu os mapas estelares e pouco a pouco, o resto do encanto. Essa história de final triste eu devo a uma característica que eu mantenho e aprecio nas pessoas: gosto de coerência. E o seu argumento tem que ser mais forte que o meu. Não sou de discutir, mas sou de ler e analisar. Opinião para mim é questão de informação e coerência, não de ser Maria-vai-com-as-outras.

E o que eu não aceitei na Super, foi abraçar tão fortemente o evolucionismo, mas tão fortemente, que ela faz qualquer coisa pra não largar desse abraço. Ela quebra as regras do jornalismo com sua descarada parcialidade. E não estou pedindo que os repórteres se batizem nem comecem a dizimar seus salários, mas na hora de falar da Bíblia, o tom é de clara superioridade e óbvia falta de leitura séria da mesma.

A última revista da Super Interessante traz na capa o título “A Bíblia como você nunca leu”. Estou reproduzindo abaixo uma defesa de Luis Gustavo Assis - Bacharel em Teologia, e publicado originalmente no  Blog deMichelson Borges a respeito da abordagem da revista na matéria.



Um Livro antigo e os anões

“Sam, poderia nos contar a parábola do bom samaritano?”, perguntou o pastor responsável por entrevistar o jovem que desejava se tornar ministro. Sam começou a contá-la: “Um homem estava viajando de Jerusalém para Jericó e ele caiu no meio dos espinheiros. Aconteceu que ele perdeu o dinheiro. Então, ele se dirigiu à rainha de Sabá, e ela lhe deu mil talentos de ouro e uma centena de vestes. O homem tomou uma carruagem e dirigiu ferozmente. Enquanto ele dirigia, seu cabelo ficou preso numa árvore. Ele ficou pendurado lá muitos dias e os corvos trouxeram comida para ele comer e água para beber. Mais tarde, quando novamente estava faminto, ele comeu cinco pães e dois pequenos peixes. E uma noite, enquanto ele estava dormindo, pendurado ali, sua esposa Dalila veio e cortou seu cabelo, e ele caiu em um solo pedregoso. Nisso, começou a chover por quarenta dias e quarenta noites, até que ele entrou numa caverna e sobreviveu comendo gafanhotos e mel silvestre. Então, ele encontrou um servo de Deus que disse: ‘Venha jantar em minha casa’, mas ele começou a dar desculpas e respondeu: ‘Não, eu não vou. Casei-me com uma mulher e não posso ir.’ Após ter sido pressionado pelo servo de Deus, ele foi. Logo depois do jantar, ele se dirigiu para Jericó. Chegando lá, ele viu a rainha Jezabel sentada numa janela, no alto. Ela riu desse homem o que o fez ordenar: ‘Joguem essa mulher para baixo.’ Eles a jogaram. O homem novamente disse: ‘Joguem-na para baixo.’ E eles a jogaram de novo, setenta vezes sete. Os restos que sobraram encheram doze cestas. Então eles lhe perguntaram: ‘Na ressurreição, de quem ela será esposa?’”

Apesar de criativa, essa não é a parábola do bom samaritano. Conhecimento superficial da Bíblia não era exatamente o problema desse jovem. Compreendê-la de maneira sensata e lógica era sua maior necessidade. Foi mais ou menos assim que imaginei os autores Alexandre Versignassi e Tiago Cordeiro, na matéria “A Bíblia como você nunca leu”, publicada na revista Superinteressante (junho de 2012). Sensatez e seriedade – e eu acrescentaria uma pitada de honestidade com os fatos ­– foi o que de fato não encontrei ao longo das páginas dessa reportagem.

Isolar um texto do seu contexto literário e histórico é algo no mínimo perigoso e irresponsável. O respeitado arqueólogo agnóstico William G. Dever, em sua obra What the Biblical Writers Know and When Did They Know it? [O que os Autores Bíblicos Sabiam e Quando eles Ficaram Sabendo?, em tradução livre] (Eisenbrauns, 2002), ataca ferozmente essa postura desconstrucionista de deixar o leitor com as rédeas do conteúdo lido, não o autor da obra. Esse comportamento tem sido visto em diversas áreas do saber, inclusive no que diz respeito à literatura sagrada judaico-cristã.

Usando uma palavra do vocabulário religioso, gostaria de dizer que a matéria da Super pecou em três aspectos:

Primeiro: muitos céticos e cristãos se esquecem de que as Escrituras foram produzidas há aproximadamente três milênios, foram escritas em outros idiomas (hebraico, aramaico e grego) e por pessoas com uma mentalidade bem diferente daquela a que estamos acostumados no mundo ocidental. O ateu Sam Harris pode ser um bom neurocientista, mas é alguém com pouquíssimo preparo para ser um intérprete bíblico, como pode visto em sua obra Carta a uma Nação Cristã (Cia. das Letras, 2007). Harris cometeu erros crassos comparando leis e regulamentos bíblicos com a sociedade pós-iluminista! Ciente desse tipo de comparação em seus dias, C. S. Lewis qualificou essa prática como “desdém cronológico”. Para que essas leis e regulamentos façam sentido, devemos compará-las com documentos do 3º e do 2º milênios antes de Cristo.

Segundo: a necessidade de uma diferenciação entre descrever e prescrever. Dizer que Lameque teve duas mulheres (Gn 4:19) não sugere que os que creem na Bíblia como Palavra de Deus imitem esse procedimento. Nem que os relatos de relações incestuosas nas páginas do Antigo Testamento devam ser imitados por nós hoje. Podemos extrair princípios positivos e negativos de cada uma das histórias, mas isso não implica em imitar o comportamento de seus personagens. Com isso não estou querendo amenizar o conteúdo de certas porções das Escrituras que são chocantes, em alguns momentos, mas apenas ressaltar o que essas porções de fato são: narrativas.

Terceiro: apesar de o título da matéria sugerir uma novidade nunca vista, muito já foi dito e escrito a respeito dos tópicos ali levantados, e é lamentável perceber como respeitados pesquisadores foram deixados de lado. Há pouco mais de um ano, foi lançada a obra Is God a Moral Monster? Making Sense the Old Testament God (Baker, 2011), de Paul Copan. São mais de duzentas páginas lidando com passagens difíceis do Antigo Testamento. Copan é cristão, mas será que automaticamente isso o desqualifica para ter suas opiniões contrastadas com as dos pesquisadores citados?

Vejamos como essas três considerações nos ajudam a entender os questionamentos levantados pela matéria de Alexandre Versignassi e Tiago Cordeiro.

Escravidão. Essa foi a primeira lei que Deus deu aos israelitas, quando eles saíram do Egito (cf. Êx 21:1-11). Na lei mosaica, sequestrar alguém para ser vendido como escravo era um crime punido com pena capital (Êx 21:16). Um escravo hebreu deveria trabalhar apenas seis anos para pagar sua dívida, sendo libertado no sétimo ano, sem pagar nada (Êx 21:2). Além disso, ele deveria receber de seu proprietário alguns animais e alimentos para recomeçar a vida (Dt 15:13, 14). Durante seu período de serviço, o(a) escravo(a) teria um dia de folga semanal, o sábado (Êx 20:10).

Notou alguma diferença entre a escravidão bíblica e aquela mantida em nosso país, há alguns séculos? A diferença também é significativa quando comparamos essas passagens bíblicas com o famoso Código de Hamurabi, rei de Babilônia, no 18º século a.C. Se algum escravo fugisse, ele deveria ser morto; enquanto em Israel esse escravo deveria ser protegido (Dt 23:15, 16). Proteger um escravo fugitivo, em Babilônia, era uma grande ofensa, também punida com morte, como evidenciado nas leis 15-20 do referido código.

Alguém pode questionar o motivo pelo qual Deus não aboliu a escravidão entre os israelitas. Lembre-se de que eles estavam inseridos numa cultura impregnada dessa prática. Mesmo que Deus a abolisse, isso não mudaria a forma como eles pensavam. A título de ilustração, imagine o árduo processo cultural para tornar a Arábia Saudita em uma democracia! Mesmo que essa mudança fosse feita, ainda levaria um bom tempo até que a mentalidade da nação fosse mudada. No entanto, a legislação israelita oferecia um tratamento muito mais humano para os escravos, colocando escravo e senhor em pé de igualdade (cf. Jó 31:13-15). No livro Is God a Moral Monster?, Copan se demora nesse assunto, demonstrando as diferenças positivas dessa atividade em Israel com o restante do Antigo Oriente Médio.

Juros. A matéria cita uma passagem inexistente: Deuteronômio 23:30. O texto correto é Deuteronômio 23:20, onde lemos: “Ao estrangeiro emprestarás com juros, porém a teu irmão não emprestarás com juros para que o Senhor, teu Deus, te abençoe em todos os teus empreendimentos na terra a qual passas a possuir.” A primeira impressão do texto é óbvia: “bênção” como resultado de um tratamento de exploração para um não israelita. O que os articulistas se esqueceram de notar é que o termo hebraico para estrangeiro, nessa passagem, é nokri, que está relacionado com alguém que estava em Israel para fazer negócios e não para viver nessa nação, como é o caso do vocábulo ger, também traduzido como estrangeiro na maioria das versões bíblicas. Em outras palavras, para aqueles que estavam em Israel com propósitos monetários, deveriam ser cobrados juros. Uma séria introdução para o assunto das finanças na Bíblia pode ser lida em Nem Riqueza, Nem Pobreza: As posses segundo a teologia bíblica (Esperança, 2009), escrita por Craig Blomberg, do Denver Theological Seminary, nos EUA.

Vinho. Existem várias palavras para vinho nas línguas originais do Antigo e do Novo Testamentos. Realmente, não é tão simples estabelecer com precisão quando a Bíblia está falando do puro suco de uva ou do vinho (fermentado). No entanto, de acordo com o erudito em Novo Testamento D. A. Carson, da Trinity Evangelical Divinty School, se alguém deseja ter uma ideia de como era tomar vinho nos tempos bíblicos, é necessário diluir uma medida de vinho em duas de água. É por isso que o Apocalipse faz menção da taça da ira de Deus “sem mistura” (Ap 14:8). Essa era a prática comum nos dias de Cristo. Quando não havia essa mistura e o vinho era bebido puro, era considerado “bebida forte”, como aparece em diversas passagens bíblicas.
           
No caso da Santa Ceia, a última refeição de Jesus com Seus discípulos, o que temos ali era suco de uva, já que naquele mesmo dia teve início a festa dos pães asmos, ou sem fermento, em que qualquer alimento ou bebida fermentada deveria ser retirado da casa dos israelitas por uma semana. Sendo judeu, dificilmente podemos imaginar Jesus tomando algo como nosso vinho tinto naquela ocasião.

Sexualidade. Para aqueles que afirmam a Bíblia tem uma visão estreita sobre a sexualidade, sugiro a leitura de Cântico dos Cânticos. Trata-se de um longo poema que descreve o amor entre um rei, isto é, Salomão, e sua amada, carregado de um belo simbolismo erótico. Ao longo dos oito capítulos, não se encontra em lugar algum a ideia do sexo para procriação, apenas como fonte de prazer. Esse conteúdo “surpreendente” levou diversos teólogos cristãos a fazerem uma leitura alegórica do livro, tentando, assim, apresentar um relacionamento entre Deus (o rei) e Sua igreja (a esposa). Após a reforma protestante no século 16, o livro de Cantares começou a ser analisado como ele é de fato: um poema amoroso. Uma excelente introdução ao assunto da sexualidade no Antigo Testamento por ser vista em The Flame of Yahweh: Sexuality in the Old Testament (Hendrickson, 2007), escrito por Richard Davidson, da Universidade Andrews (EUA).
           
A imagem da sexualidade que se obtém das páginas da Bíblia Hebraica foi sumarizada por Davidson nestes cinco itens: (1) a sexualidade foi criada por Deus; (2) a sexualidade é para casais; (3) a sexualidade representa igualdade; (4) a sexualidade é fonte de prazer; (5) a sexualidade revela a imagem de Deus. A influência católica a que fomos expostos não nos permite observar esses tópicos com naturalidade. No entanto, cada um desses assuntos pode ser apreciado numa leitura natural dessa obra de Salomão e dos dois capítulos iniciais de Gênesis.

Poligamia. Se essa (acima) é a imagem da sexualidade nas páginas da Bíblia, o que fazer com aqueles textos em que lemos sobre Davi e Salomão tendo várias mulheres? O exemplo citado na Super é o mais gritante: o harém de Salomão contava com setecentas mulheres (1Rs 11:3). A passagem também menciona que ele tinha trezentas concubinas. De acordo com James Hoffmeier, respeitado egiptólogo também da Trinity Evangelical Divinity School, nos EUA, quando um rei enviava sua filha para se casar com outro monarca, era comum enviar algumas servas com a noiva. Essa prática é recorrente nos tabletes de Tell-el-Amarna, descobertos no Egito, no século 19. É bem provável que estejamos vendo essa prática na vida de Salomão.

Independentemente disso, o fato é que uma leitura atenta das narrativas de homens que se envolveram na prática da poligamia demonstra não somente a desaprovação divina, mas também os fracassos resultantes. As histórias de heróis bíblicos que se aventuraram nessa prática, entre eles Abrãao, Jacó, Esáu, Gideão, Davi e o próprio Salomão, registram consequências desastrosas para os filhos e as gerações posteriores. É prudente se lembrar de que a frase “o homem segundo o coração de Deus” aplicada a Davi (1Sm  13:14), foi dada num período em que esse personagem provavelmente nem sequer era casado. Em momento algum os autores bíblicos endossaram a prática promíscua de Davi e dos homens citados anteriormente.

Homossexualidade. Mesmo se Davi tivesse tido relações íntimas com seu amigo Jônatas – o que não concordo –, é preciso se lembrar de que, pelo fato de a Bíblia narrar um incidente, isso não significa que ela o aprove. O motivo pelo qual as Escrituras mantêm opinião contrária às práticas homossexuais é simples: sexualidade é algo sagrado. Não podemos violá-la. Esse é o mesmo motivo pelo qual as Escrituras se opõem ao racismo: nossa etnia é sagrada, fomos feitos à imagem e semelhança de Deus (Gn 1:26). Remover o fundamento que se opõe à homossexualidade é também remover o fundamento segundo o qual não existem diferenças entre raças.

Puro e impuro. As leis de pureza e impureza não foram uma invenção da religião israelita. O acadêmico adventista Roy Gane, que estudou sob a tutela do falecido rabino Jacob Milgrom, uma das maiores autoridades sobre o livro de Levítico, demonstra claramente esse tipo de legislação ritual em todo o território do Antigo Oriente Médio em sua obra The NVI Application Commentary Leviticus and Numbers: From the biblical text... to contemparary life (Zondervan, 2004). De acordo com Gane, essas leis estavam relacionadas com vida (pureza) e morte (impureza). Tudo o que lembra morte, isto é, emissão de sangue, sêmen, tocar em um cadáver, lepra, etc. era considerado impureza. O Deus bíblico age de acordo com a realidade daqueles para quem Ele Se revela. Em lugar de simplesmente encerrar as práticas de sacrifícios, Ele instituiu um objetivo para o qual todos os sacrifícios de animais apontariam a partir daquele momento. A religião israelita era uma religião ritualística, e, como tal, encontrou seu cumprimento no ministério e na morte de Jesus Cristo, para quem quase todos os regulamentos apontavam.

Valorização da mulher. Ao contrário do que a matéria da Super apresentou, a Bíblia coloca a mulher numa posição elevada. Apenas a título de ilustração, ela é criada em igualdade com o homem, como evidenciado na expressão hebraica ‘ezer kenegdo (“auxiliadora idônea”, Gn 2:18), dando a ideia de um parte correspondente. Em Provérbios 31, a mulher é apresentada como desenvolvendo atividades de extrema importância, como escolha de um terreno para compra. No livro de Jó, onde há elementos linguísticos, geográficos e históricos que situam os eventos narrados durante o fim do 3º milênio a.C., as filhas de Jó recebem uma herança, assim como os filhos. Isso é inédito para aquela época. Jó está em desacordo com as leis da época, mas age como Deus agiria: com igualdade.
           
No Novo Testamento, a situação é ainda mais clara. A valorização da mulher por parte do fundador do cristianismo é algo fascinante. Em João 4, Ele conversa com uma mulher à luz do dia, prática essa totalmente desencorajada naquela sociedade. No relato de Sua ressurreição, a primeira pessoa a encontrá-Lo ressuscitado é uma mulher, Maria Madalena. O testemunho de uma mulher não era sequer levado a sério num tribunal, como atesta o historiador judeu do 1º século d.C. Flávio Josefo. Mesmo assim, a pessoa a quem Jesus resolveu Se mostrar após o evento que Lhe garantiu a vitória sobre a morte foi uma mulher.

Dizer que as mulheres deviam ser submissas aos maridos (Ef 5:22) é apenas uma parte da verdade. Existe uma responsabilidade masculina: “Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a Si mesmo Se entregou por ela” (Ef 5:25). Não há espaço para um comportamento tirânico por parte do homem. O respeito da esposa pelo marido deve ser balanceado com o amor incondicional do esposo pela esposa. Dificilmente pode-se ver machismo aqui.
           
A publicação desse artigo da Super me fez lembrar de uma história. C. S. Lewis, no livro A Última Batalha, o último da sua obra As Crônicas de Nárnia, descreve a maior crise já enfrentada pelos narnianos. Uma falsa representação de Aslam, o Grande Rei, minava a esperança no coração dos moradores de Nárnia. No entanto, o rei Tilian e duas crianças vindas de Londres estavam dispostos a lutar pela liberdade daquele país. Quando eles viram um grupo de anões sendo levados como escravos, renderam os guardas que os levavam e puseram em liberdade os prisioneiros. Em lugar de um sentimento de gratidão e da prontidão de lutar pelo verdadeiro Aslam, os anões se tornaram céticos quanto à existência do Leão. O que se ouviu foram frases carregadas de desprezo e indiferença em relação Àquele que fundara Nárnia. Apenas um dos anões se uniu ao grupo do rei Tilian. No fim da história, quando o próprio Aslam se revela, esses mesmos anões conseguem se tornar mais céticos. Belas violetas para eles são como palha. O local paradisíaco em que eles estão é somente escuridão na mente deles. Finalmente, o Leão lhes oferece um maravilhoso banquete, mas, ao comerem, pensavam estar comendo capim e bebendo água suja tirada do cocho de um jumento. Reclamações, injúrias era tudo o que eles conseguiam dizer. “Eles não nos deixarão ajudá-los”, disse Aslam. “Preferem a astúcia à crença”.

Os anões de Nárnia se parecem com a nossa sociedade ocidental. Não foi uma cosmovisão panteísta ou naturalista que nos trouxe ao patamar em que nos encontramos de tolerância e igualdade. O único fundamento que poderia ter proporcionado essa moldura moral que temos hoje é o teísmo judaico-cristão. Liberdade de consciência não foi uma contribuição do Iluminismo, mas, sim, da Reforma protestante do século 16. Mesmo assim, muitos se tornam vorazes combatentes da fé cristã e, como britadeiras, desejam destruir o fundamento sobre o qual estão em pé. O jornalista Matthew Parris, ateu e homossexual, foi claro em um dos seus artigos no jornal britânico The Times, afirmando que a África precisa de Deus. Quem sabe, em breve, vejamos alguém com essa sinceridade dizendo que nossa nação precisa de Deus.


Hoje eu não assino, e raramente leio a Super. O desencanto continua. Só ficou mesmo a saudade dos mapas estelares.

Leia também "Superinteressante Mata a Razão", do próprio Michelson.

Postado por Heloísa de Assunção Barbosa Kayser, publicitária, cristã e filha do Nezin. 

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Postura da IASD diante do caso da ex-aluna do IABC, Arianne, exposto no Fantástico

Para que os leitores do Blog do Nezin tenham a verdade dos fatos relacionados à matéria da Rede Globo divulgado no programa jornalístico, Fantástico, publico aqui a matéria publicada nos site oficiais da igreja 

Postura da IASD diante do caso da ex-aluna do IABC, Arianne, exposto no Fantástico


Nesse domingo, 03/06/2012, o Jornal Fantástico publicou uma matéria expondo o caso do desligamento da jovem Arianne do IABC, Instituto Adventista Brasil Central, em 2010.
Neste caso, não houve expulsão por ser homossexual, mas por infringir as regras da Instituição, conforme verão na defesa abaixo. É nossa tese que ajudem a tornar a mesma clara para todos!

II - DOS FATOS ALEGADOS PELA AUTORA

Em breve resumo, narra a autora que no dia 08 de novembro de 2010 foi injusta e arbitrariamente expulsa da Instituição de Ensino, sem qualquer direito a defesa ou contraditório em razão de sua “pseudo” opção ou condição sexual.
Afirma que em maio de 2010 envolveu-se homossexualmente com uma aluna da Instituição, sem, no entanto, haver entre elas contatos físicos públicos, exceto algumas cartas trocadas entre ambas.
Alega que cartas endereçadas à “amiga” foram confiscadas do armário da autora e que isto lhe causou profundos danos psicológicos.
Narra que os pais moram em lugares diferentes – o pai em Rondônia e a mãe nos Estados Unidos da América, sendo que reside, portanto, como os avôs em Goiânia – GO.
Diz que em razão do tratamento desumano a que foi submetida pela direção da Instituição, teve que se submeter a tratamento psicológico, e, por conta disto, requereu o deferimento liminar para que fosse a Instituição obrigada a arcar com as despesas do tratamento psicológico.
A tutela antecipada foi indeferida por falta de fundamentação legal.
Alega, por fim, ter sofrido danos morais e pleiteia sua reparação, pedido que se mostrará totalmente improcedente pelos motivos de fato e de direito a seguir articulados.

III – DO MÉRITO
DAS NORMAS INTERNAS

O Instituto Adventista Brasil Central é um colégio que, além de oferecer educação no regime chamado “externo” – regime em que os alunos comparecem ao colégio para assistir às aulas e depois retornam aos seus lares -, também oferece educação no regime de internato, regime este em que os alunos, chamadados “alunos internos”, residem em alojamento do colégio.
Como sabido, o colégio é responsável pela educação e integridade física e moral de todos os seus alunos, de modo que se faz necessária a convenção e observação de normas de conduta para o bem da coletividade estudantil.
De acordo com o item 8 – Das Faltas Graves -, das Normas Internas da Instituição Adventista, cuja cópia é juntada, são vedadas ao aluno, dentre outras condutas:
“furto; uso ou porte de cigarro, bebida alcoólica, droga ou armas; ato sexual; certos tipos de agressões físicas verbais e outras, conforme considere a Comissão para Desenvolvimento Estudantil. (grifo nosso)
Este mesmo estatuto especifica as faltas que são consideradas graves, listando entre elas “o ato sexual. (grifamos e sublinhamos)
Tais regras visam à segurança dos próprios alunos, sendo aceitas por estes e por seus pais quando se candidatam a uma vaga no referido estabelecimento. Desta forma a instituição de ensino busca impedir a propagação de situações que seriamente prejudicam a saúde no ambiente de estudo.
A aluna, ora Autora, não pode alegar desconhecer as regras disciplinares, pois sempre soube das permissões e proibições a que todos os alunos estão submetidos no ambiente escolar. Ademais, o seu tempo de aluna da Instituição Adventista lhe proporcionou amplos conhecimentos dos princípios e ideais de educação e saúde praticadas no Instituto Adventista Brasil Central. Nenhum candidato é aceito sem a plena concordância com as regras constantes das Normas Internas.
A letra ‘h’, do subitem 1.1, do item 1. Itens Gerais, determina que:
“h. Lembre-se de que em seu namoro (que só ocorrerá com a permissão dos pais) não é permitido contato físico, seja nas dependências da escola ou em atividades externas em que você a esteja representando.”
Portanto, a autora da presente ação tinha absoluta ciência e conhecimento que o seu comportamento afrontava diretamente as regras e as normas da Instituição de Ensino.

A direção da Instituição ao tomar conhecimento dos fatos que envolviam a autora e outra aluna, decidiu ouvi-la e, naquela oportunidade, confessou, espontaneamente, o seu envolvimento homossexual.
A despeito do que alega, as correspondências mantidas entre a autora e a aluna que esta se envolvia, não foram obtidas pela direção da Instituição de forma ilegal ou com arrombamentos de armários, mas absolutamente dentro das normas regimentais do IABC, conforme autoriza as Normas Internas, em sua letra “d”, do subitem 2.1 – Objetos Pessoais, do Item 2. Residenciais, que assim disciplina: “d. Os preceptores poderão, quando necessário, averiguar seu quarto e pertences para garantir o bem estar e a segurança de todos”.
Em boa e cristalina verdade a aluna Arianne Rodrigues sempre apresentou comportamento instável no período em que estudava na Instituição Adventista, conforme se pode verificar das ocorrências que foram lançadas em sua pasta estudantil desde 2007.(docs. )
Pela quantidade das ocorrências absolutamente negativas em anos sucessivos - 2007/2010 -, se pode vislumbrar o desprezo da autora pelas regras de conduta que norteiam a boa convivência no ambiente estudantil.
“Tentativa de faltar as aulas”, “desrespeito aos professores”, “desinteresse pelas aulas”, “falta as aulas”, “conversas em excesso”, “ausência dos deveres de casa”, “notas abaixo da média” e “atrasos aos horários das aulas” faziam parte do cotidiano da autora.
Apesar das oportunidades reiteradas que se concedia a autora, o desprezo e o desrespeito as normas internas eram patentes e reincidentes.
Contudo, nunca houve por parte da direção da Instituição de Ensino qualquer intenção de aplicar a disciplina máxima à autora, ou seja, a exclusão dos seus quadros, pois até aquele momento apresentava somente um comportamento rebelde.
Entretanto, quando a direção da Instituição tomou conhecimento que a autora se envolvia homossexualmente com outra aluna do colégio não pôde mais quedar-se silente, pois, segundo o seu próprio estatuto, tratava-se de falta de caráter grave, ainda mais se levando em consideração o cuidado que a Instituição devia aos demais alunos externos e internos.
É neste contexto que, confessado pela aluna o comportamento homossexual em entrevista realizada com o diretor interno do colégio, Pr. Geraldo Beulke, foi-lhe comunicada a impossibilidade de sua permanência em virtude do cometimento de falta grave, consistente no comportamento indevido nas dependências do colégio.
A Instituição Adventista, através de sua Comissão Disciplinar, analisando o caso da autora em 26 de outubro de 2010, decidiu em Ata, votar pela não matrícula da aluna Arianne Pacheco Rodrigues por postura homossexual reincidente e contato físico com meninos e meninas do internato. (Atas 11 e 12, docs. ).
Vale aqui lembrar que a falta grave é, por si só, motivo para expulsão do aluno e rescisão do contrato de prestação de serviços educacionais. Desta forma, a Instituição de Ensino agiu no limite de suas prerrogativas e na defesa dos demais alunos, baseada no Estatuto Interno.

IV - DOS DIÁLOGOS ENTRE A DIREÇÃO DO IABC E A MÃE DA AUTORA SOBRE OS FATOS.

Registre-se a propósito que os pais da autora tinham absoluto conhecimento dos fatos, conforme os seguintes diálogos travados, por meio eletrônico, em 21.10.2010, entre a Srª Marilda Pacheco – mãe de Arianne -, e a servidora da Instituição responsável pela disciplina Srª Alice Cândido:


“De: Alice Cândido

Data: 21 de outubro de 2010 18:45

Para: Marilda Peele

Olá Marilda...

Espero que esteja tudo bem com você, infelizmente aqui as coisas poderiam estar melhores. Como já conversamos em relação as escolhas da Arianne e conforme ela mesma já conversou com você isso se tornou público e a instituição precisa tomar uma posição em relação ao assunto. Casos como o da Arianne são encaminhados à comissão de disciplina, porém devido ao recesso escolar não foi possível a comissão se reunir anteriormente. Após o assunto ser avaliado, estaremos te comunicando o resultado. Qualquer dúvida pode entrar em contato conosco.

Atenciosamente, preceptoras.

----------

De: Marilda Peele

Data: 21 de outubro de 2010 19:55

Para: Alice Cândido

Oi Alice,

Obrigada pela mensagem.

Aconteceu mais alguma coisa depois que conversamos? Bom, ainda estou no trabalho, vou tentar te ligar quando chegar em casa. Amanha estarei viajando, vamos ver se conseguimos falar ainda hoje.

Um grande abraço, Marilda”

Em 05 de novembro de 2010, em novo diálogo firmado entre a mãe da autora e a Preceptora Alice, ficou patente o conhecimento dos fatos por parte da família de Arianne. Ressalte-se, ainda, que a Srª Marilda ao tomar ciência da decisão da Instituição de não aceitar mais a autora em seus quadros de alunos, agradeceu por tudo o que a direção do IABC fez em benefício de sua filha, veja-se:

“De: Marilda Peele

Data: 5 de novembro de 2010 13:24

Assunto: Re: Sua atitude perante a vida

Para: Alice Cândido

Alice,

Obrigada pelas informaçoes. De qualquer forma, sou muito grata por tudo que voce fez pela minha filha. Acredito que voce saiba que o pai de Arianne, Dr. Valter é o responsável legal por ela na escola, uma vez que foi ele que assintou todos os documentos pertinentes a matricula dela na instituiçao. Agradeço muitissimo sua consideraçao em me informar sobre a situaçao, mas quero registrar que todo e qualquer comunicado formal deve ser encaminhado pela escola diretamente ao pai de Arianne. (grifou-se)

Um abraço, Marilda

2010/11/5 Alice Cândido

Olá Marilda

Venho através deste infelizmente informar que a situação da Arianne foi levada à comissão e a mesma definiu que nfelizmente não será possível a permanência dela na escola.Outras nformações foram selecionadas agravarando a situação, tornando assim a permanência dela na instituição inviável. Tentamos entrar em contato com você e não conseguimos, portanto estaremos ntrando em contato com o Dr. Valter para comunicar e resolver as questões referentes ao desligamento da Arianne. Sinto muito que a situação da Arianne tenha tomado esse rumo devido as escolhas dela. Estarei viajando esse final de semana, mas retornarei na segunda a tarde. A professora Cleci estará disponível nesse eríodo para qualquer esclarecimento. Saiba que temos um carinho muito especial pela Arianne e continuaremos orando por ela.

Atenciosamente Alice Cândido.”

Em 06 de outubro de 2010, o diálogo já demonstrava a constante troca de emails entre a Preceptora Alice e a mãe da autora sobre a sua vida acadêmica. A confiança da Srª Marilda na direção da Instituição é demonstrada quando envia para a preceptora o email que teria remetido à sua filha Arianne, tecendo comentários a respeito de sua vida escolar:

Em 6 de outubro de 2010 11:58, Marilda Peele escreveu:

Oi Alice, Muito obrigada pelas noticias, que bom!!!

E muito obrigada a voce por seu empenho e dedicaçao.

Um grande abraço,


Marilda
2010/10/6 Alice Cândido

Olá Marilda

A Arianne me mostrou o email e foi muito bom e os resultados possitivos. Ela teve atitude de ir atrás do prof matemática e depois da cordenadora Reni para realizar provas de matemática para ter a oportunidade de recuperar as notas teriores pois mesmo tirando 70 neste bimestre, devido as notas anteriores ela já estaria reprovada nesta matéria, mas ela "correu atrás" e agora tem a oportunidade de se recuperar. Espero que ela consiga recuperar todas as notas e passar direto e assim ter a certeza que os esforços sempre são recompensados.

Obrigada pelo carinho...Preceptora Alice Cândido.

Em 3 de outubro de 2010 12:28, Marilda Peele escreveu:

Oi Alice, Para seu conhecimento, aí vai o email que enviei para Arianne.

Mais uma vez, muito obrigada por tudo que voce faz por minha filha. Que Deus a recompense! Um grande abraço, Marilda

From: Marilda Peele mp.marilda@gmail.com


Date: 2010/10/3
Subject: Sua atitude perante a vida
To: Arianne Rodrigues

Oi Filha,
Liguei hoje, domingo, dia 3 de outubro, para falar com voce e Alice me informou que voce estava participando de um workshop. Muito bem, gostei de ver!
Agora, preciso falar de um ponto em seu comportamento que me preocupa muito: responsabilidade e gerenciamento de vida. Voce tem 17 anos e nao pode continuar agindo como uma criança de 7 anos. Se existe algo que voce deve fazer, voce tem a obrigaçao de dar continuidade até o final. As coisas nao podem ficar no meio do caminho, tudo tem que ter: INICIO, MEIO e FIM.

Vou relacionar aqui as pendencias que voce me deve, algumas eu já lhe cobrei, e voce nunca deu retorno:

1 – Pedi o email do Dionathan e de seus professores. Até hoje, voce nao me informou nada.... já te cobrei mais de uma vez e nem assim voce fez nada.
2 – Suas notas. Voce nao me enviou suas notas. Mesmo que nao tenha todas as notas, voce tem a obrigaçao de me enviar cada uma, no dia que sair. Eu sei de algumas notas suas, porque contactei a secretaria da escola. Acho isto vergonhoso, uma filha de 17 anos que sequer envia as notas para mae. Voce nao deveria nem esperar que eu pedisse pra voce.
3 – Computador: Já lhe pedi várias vezes pra me dar noticias toda semana, me enviar um email pelo menos umas 3 vezes por semana. Voce me disse que o acesso ao computador é dificil e mais um monte de desculpas. Bom, descobri voce está mentindo pra mim! Voce tem acesso a computador sim, nao me envia email por VOCE NAO QUER! Arianne, se tem um coisa que detesto, é que mintam pra mim. Principalmente se a mentira vem de minha própria filha. Vale lembrar, que voce está sem computador, porque voce mesma detonou o seu. E nao me venha com desculpas esfarrapadas: Voce fez o que nao devia, desobedeceu as normas da escola com a questao de baixar músicas, filmes e Orkut e deu no que deu: Voce estragou um computador caro, que llhe dei de presente com a maior alegria. Voce nao valorizou. E agora, pra consertar o computador, nao tem nem mesmo os CDs de instalaçao. Voce me garantiu que os CDs estavam na maleta junto com o computador e nao estao. Quantas vezes o Vicente e eu lhe dissemos para nunca tirar os CDs da maleta? Mais uma vez, voce nao atendeu instruçoes de quem sabe o que está falando e deu no que deu: Voce sumiu com os CDs.
4 – Voce ficou de me informar sobre sua conversa com o diretor financeiro sobre sua permanencia na escola durante o recesso. Voce ficou de me dar a resposta na sexta-feira, dia 1 de outubro. Até agora..... nao recebi nenhuma noticia sua! E por favor, nao me venha com a desculpa do computador! Isto nao “cola” mais! A Alice me informou sobre a decisao do direitor financeiro, que voce pode ficar na escola.
Arianne, entenda que estou ficando cansada de toda esta situaçao. E nao estou disposta a continuar aceitando esta sua atitude irresponsável perante a vida. Estou do seu lado, voce sabe que pode contar comigo, desde que voce tambem dê retorno. Mas a sua atitude é realmente preocupante.
Entao lhe pergunto: O que voce vai fazer de sua vida? Lembre-se que em 2011 voce completará 18 anos, inicio oficial da idade adulta.

Sua mae, que muito te ama, Marilda

NOTA OFICIAL DE ESCLARECIMENTO - IABC

Ante a notícia tendenciosa da rede globo, acusando o nosso internato de Goías, o IABC, de perseguição a homossexuais, a assessoria de imprensa da instituição publicou uma nota oficial de esclarecimento que faço questão de tambem divulgar neste Blog. Leiam


NOTA OFICIAL DE ESCLARECIMENTO

Seg, 04 de Junho de 2012 13:57 IABC . Nota de Esclarecimento – Instituto Adventista Brasil Central

O Instituto Adventista Brasil Central (IABC) é um colégio que oferece educação em regime de externato, em que os alunos comparecem às aulas e depois retornam aos seus lares; e, também, internato, em que os alunos residem em alojamento na escola. Os pais buscam o Instituto por ser uma escola conhecida por seus altos valores morais e pela educação integral que oferece aos alunos, fornecendo uma experiência educativa única na vida deles.
O colégio é responsável pela educação, integridade física e moral de todos os seus alunos, de modo que a observação de normas de conduta protege toda a coletividade estudantil, já que normas são para organizar e proteger a sociedade.
De acordo com o item 8 das Normas Internas da Instituição Adventista, são vedadas ao aluno, entre outras condutas:
“Furto; uso ou porte de cigarro, bebida alcoólica, droga ou armas; ato sexual; certos tipos de agressões físicas, verbais e outras, conforme considere a Comissão para Desenvolvimento Estudantil.”
Tais regras visam à segurança dos próprios alunos, sendo aceitas por eles e por seus pais quando se candidatam a uma vaga na escola. Dessa forma, a instituição de ensino busca impedir a propagação de situações que são prejudiciais à saúde e à moral no ambiente de estudo.
A aluna citada em reportagem de TV conhecia as regras disciplinares internas e sempre soube das permissões e proibições a que todos os alunos estão submetidos no ambiente escolar, já que estudava havia quatro anos na instituição e já tinha passado algumas vezes pela comissão disciplinar.
A letra “h” do subitem 1.1, do item 1 dos Itens Gerais, determina que:
“h. Lembre-se de que em seu namoro (que só ocorrerá com a permissão dos pais) não é permitido contato físico, seja nas dependências da escola ou em atividades externas em que você a esteja representando.”
A aluna tinha absoluta ciência de que seu comportamento contrariava diretamente as regras e as normas da instituição de ensino. O contato físico no namoro entre dois alunos da escola é considerado falta grave pelas normas dela, acarretando a rescisão do contrato de prestação de serviços educacionais. Essa iniciativa não é incomum na instituição, e independe de opção sexual conforme destacado acima, pois preza pelos altos valores morais e desejo dos pais, sendo essa uma característica bastante ressaltada pelos pais que confiam seus filhos à escola.
Ressalta-se que está previsto o direito de defesa nas normas internas da instituição, tendo sido este fato destacado em juízo, portanto não há inconstitucionalidade alguma em seu estatuto e regimento interno. A aluna teve ampla defesa assegurada, não podendo rotular a decisão de arbitrária.
Destaca-se, finalmente, que as normas não visam reprimir. Ao contrário, são um suporte essencial para a vida de tantos jovens em comunidade dentro de uma instituição de ensino, mantendo-os em harmonia enquanto desenvolvem-se acadêmica e socialmente.

Caroline Carnieto
Assessoria de Imprensa da Instituição Adventista Central Brasileira de Educação e Assistência Social
(61) 9831 0724

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Batismo em Tarumã

Pessoal, estou de volta. quando fico alguns dias, nem entrar na internet, é por que no meu distrito, a maioria das igrejas ficam de 170 a 200 kilométros de casa, onde não há acesso a internet. muitas dessas igrejas ficam em assentamentos do INCRA (sem terra) Porém é muito bom visitar estas congregações e esses irmãos humildes, e fazer batismos em rios caudalosos como o Araguaia, ou mesmo em rios ...menores mas sem poluioção, como os rios, Piranha, Caiapó, Gameleira e outros. . Semana passada, fiz semana de oração em duas igrejas ao mesmo tempo. Tarumã, Assentamento, e Araguacema, cidade. 25 kilômetro uma da outra. Na primeira, fazeia das 18:30 às 19:45 na cidade fazia no horário normal. Nessa correria quase entrei debaixo de um caminhão parado, mas Deus me livrou a tempo. Terminamos com o batismo de tres pessoas do assentamento Tarumã. O batismo foi no rio gameleira,
www.manoelbsilva.blogspot.com

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Descanso dominical foi designado em cidade americana

Do site
Evidências Proféticas

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Na noite de 28 de fevereiro deste ano, um tornado F2 (na escala de F0 - F5) destruiu centenas de casas e matou várias pessoas nos estados de Kansas e Missouri, nos EUA. Poucos dias depois, "o domingo foi designado como dia de descanso na minúscula cidade de Harveyville (Kansas), duramente atingida pelo tornado".
O objetivo desta proposta, aparentemente, foi de apenas proporcionar folga aos trabalhadores para que muitos se dispusessem como voluntários na prestação de auxílio humanitário aos desabrigados. Todavia, a relação entre "calamidades naturais" e "descanso dominical obrigatório" não deve ser subestimada dentro do contexto profético:

        "Declarar-se-á que os homens estão ofendendo a Deus pela violação do descanso dominical; que   este pecado acarretou calamidades [naturais] que não cessarão antes que a observância do domingo seja estritamente imposta". O Grande Conflito, p. 590.

A profecia mostra que o dia de adoração do sol (SUN-DAY) será estabelecido mediante ato legislativo, e o sábado do sétimo dia - o verdadeiro dia de repouso - será ignorado. É ainda oportuno lembrar que há precedente histórico de perseguição aos cristãos por causa de "calamidades naturais". Na época do Império Romano, por exemplo, o imperador Marco Aurélio (161-180 d.C.), ao mesmo tempo um homem culto e supersticioso, perseguiu sem compaixão os cristãos do Império:
“Durante os primeiros anos do seu reinado, as invasões, inundações, epidemias e outros desastres pareciam suceder uns aos outros sem trégua alguma. Logo correu a voz de que tudo isto se devia aos cristãos, que haviam atraído sobre o Império a ira dos deuses, e se desatou então a perseguição”. Justo González, Uma História Ilustrada do Cristianismo, Vol. 1, pág. 74.

Não falta muito para a história se repetir...

terça-feira, 15 de maio de 2012

Um sentimento estranho


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Ana Paula Garcia






Eu não tinha conhecimento,
eu não sabia o que era.

Pude compreender aos poucos
a sensibilidade, de entender
o que era então...Esse ser, esse querer,
essa estrondosa e emocionante sensação, de liberdade.

Fui alimentando, na dimensão exagerada,
foi crescendo, parecia desconhecido
mas foi se tornando familiar,
era tremulo, era torcido, era realmente estranho,

Fez parte de mim.
Talvez já estivesse a muito tempo ali
mas não o reconheci
foi criando forma, foi aparecendo asas, reacendeu...
Esta ali, estava todo tempo ali
eu nunca o vi, mas estava tão perto de mim, tão dentro de mim.

Por vezes me enganava,
mudava, em agitação constante que revelava ser,
o que não parecia existir,
poucas vezes saiu. Acanhado, tímido, covarde; querendo ser valente,
foi algo diferente que resolveu me enfrentar,
mas continuava ainda estranho, errante...

Eu não conseguia entender o que queria dizer,
por diversas vezes eu ignorei, relutei
fiz confusão; criei situação pra sair da confusão,
dessa bola de neve tão leve, tão doce...

Era o céu... Era estranho, mas eu não me entregava a esse devaneio,
não ousava sonhar, acreditar.

Dificilmente dávamos certo,
sua loucura por papel, uma escrita infiel,
sua dor constante, minha vida num desgaste constante,
foi entorpecendo minhas entranhas
com a loucura insuportável da dor,
dilatava minha alma, corria meu ser,
vibrava no timbre mas agudo a estranha e frenética sensação...

Era estranho,
aos poucos foi fazendo parte do que eu não conseguia entender,
gritava miseravelmente, pela morte que lhe consumia,
que achava ser sua sorte
era incompreensível, doía muito, machucava, inflamava,
mas aos poucos queria viver

Entendia depois de uma mente ofuscada,
que o melhor seria viver,
seu choro ainda era suportado,
no silencio que lhe carcomia, no horizonte da aflição;
fazia renascer a tal da esperança,
como uma voz uníssona brotava a fé...

Não importava mais as barreiras,
a intransponível conformidade foi sumindo,
no além da dor que sentia,
foi mais e mais reacendendo a labareda,
daquele toque mutilado, agora renovado,
disposto a impor sobre o medo da rejeição.

A luz aproximou, ]
onde outrora era escuro, fez nascer ali, a emoção, a canção,
reconheceu um coração apaixonado.

A ciência que evolui e que destrói,
a certeza do amanhã, de um menininho
que sonha em ser herói,
reconheceu a importância de seu papel peculiar,
de fazer do lápis, sua admiradora,
de tratar com ternura a borracha que a fere,
para um refazer melhor, uma publicação mas justa.
uma digitação organizada, uma publicação mas clara.

Eu era assim,
perdida dentro de mim.
Estranhamente perdida,
mexia com meu interior,
era meu desabafo, escondido, minha alegria sem fim,

Eu era ela assim
tremula, esquisita, apaixonada, descontraída...

Era, e sou,
e sempre será a minha iludida escrita,

Poesia metida,
minha cínica critica percorrida num papel,
meu sorrir e meu chorar, que dentro de mim vai estar,
e ela, só ela, pode me dar essa momentânea sensação de voar.

A escrita, o escrever...
Ela só existe, para me fazer viver,
Me fazer sofrer,
Ela faz parte de mim, e de você.


Ana Paula Garcia é dona de casa, mora em Goiânia, e é poetisa nas horas vagas



A vida castiga, e a rapadura é dura


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Ana Paula Garcia











Quando foi a ultima vez que conversamos?, 
eu me recordo que já faz algum tempo, 
eu não me lembro ao certo, 
mas notei que muitas vezes estavas por perto. 

Já não sou aquela criança 
em que na infância, 
havia mas liberdade de expressão. 

Lembro-me ainda que, 
não era maldade, 
mas pura simplicidade, 
Eu dizia: 
quando eu crescer eu vou me casar com você; 
tudo era motivo de graça 
e a brincadeira era com meu pai. 

Bem eu não me lembro quando foi
 a ultima vez que tive uma conversa sincera 
sem receio e sem preconceito, 
sem acusações, sem interrupções, 
já faz algum tempinho 
uns 20 ou mais aninhos 
que falar o que se pensa 
ainda não era uma ofensa 
ou deixava uma magoa, 

Eu era uma criança.

Ajude-me a crescer, 
e a entender o mundo por onde estou caminhando, 
O céu por onde eu passava, era mais azul, 
As borboletas ainda era uma revoada revoltante 
pra quem tinha pavor e medo, 
O segurar na minha mão me fez perder o medo, 
eu tinha mais equilíbrio pra andar.

Eu queria crescer e esquecer quem eu fui, 
pois estou amando. 
Quem eu sou?.. 
Não, lamentavelmente não posso dizer isso ainda, 
pois há um bombardeio que incendeia todo dia 
a imagem de quem eu sou; 
me mostrando em um corpo enorme 
o que precisa e não preciso. 

Quando meus pés já não querem caminhar, 
quando meus pensamentos já são todos misturados, 
onde tenho que fazer muitas escolhas... 
Sim escolhas, 
são elas as determinantes dessa vida 
que hoje vivo, na aflição avassaladora 
que atropela meus pensamentos singelos, 
pela mediocridade do meu crescimento, 
da maturidade ainda imatura, 
pois cresci, e tenho que andar, 
e agora sozinha devo seguir. 

E,... já faz muito tempo, 
e meu coração ainda se engana, 
na menininha pequena que não queria crescer, 
nas palavras incertas, 
onde havia risos e correções doces.

A vida castiga, e a rapadura é dura, 
E como dura... e não pode parar...

Eu queria congelar no tempo
 ou trazer para meu tempo, 
o apreço de amar e ser amada, 
de chorar e ser consolada, 
de cair e ser carregada, 
de sorrir e ter um olhar fixo dizendo-me. 
Você sorri tão gostoso! 

Gostaria de ter minhas grandes frustrações, 
como meu pirulito caído, 
meu sorvete derretido, 
ou o ovo de páscoa de numero 21, que não ganhei, 
pois queria um bem grandão.

Desde a ultima vez que conversei 
eu ia crescendo e não ia percebendo
que carregava comigo os traços de uma geração, 
o sabor amargo da independência, 
de saltar do meu lar, 
de não mas receber os aplausos familiar, 
e ter agora a tirania e a ditadura, 
das legislações já pré-concebidas 
da atualidade que eu já andava fazendo parte
que adentrava dentro do meu interior, 
que me fez trocar o pijama infantil, 
e que acima de tudo, eu compactuei com tudo isso, 
fui enganada, 
eu não vi, o tempo passar. 

A gente cresce.

Não é tarde ainda para sonhar, 
sermos cidadãos de respeito, 
receber e dar o que uma sociedade frustrante 
geme por atos despercebidos, 
por crescimentos maus compreendidos, 
o caiu a ficha ainda não caiu, 
crescemos e os mimos ainda queremos, 
e hoje vemos que a coisa esta mudando 
drasticamente, rapidamente, 

As crianças estão sendo torturadas lentamente 
pela megalomania das tecnologias 
e dos avanços estúpidos 
que não as deixam ter a infância 
que jamais queria sair.


Os atropelamentos modernos 
fazem bonsai infantis 
que são carinhosamente recebidas como inteligentes, 
ou avançados, adiantados, 
sabe tudo, ou estrela infantil. 

Uma mediocridade sem limites. 
O banho de rio ou mar no exterior 
estão marcados em “junhembro”, 
onde os junhos e os dezembros 
estão amontoados de pimpolhos desgovernados, 
claro, porque aquilo é fato raro 
para quem tem pais tão ocupados 
esperando as férias benditas. 

O choro lamentável dessa geração que carrego comigo. 
E, onde você esta meu amigo?... 
Sim, já há muito tempo que não conversamos livremente 
sem que alguém tente nos compreender, 
estou ha muito tempo marcando 
e sempre algo vem adiando 
e não sei o porque.

Talvez eu ainda me engane, 
ou fuja desse tormento de crescer, 
e ter que acompanhar as regras 
dessa sociedade que impõe sobre mim, 
minha casa, meu lar. 

Todo mundo tem uma criança dentro de si, mas cadê? 
Eu nunca vi, 
Eu só vejo pessoas com cara de paisagens, 
sorrindo, 
e quando perguntamos como vai, 
é onde o desabamento vem. 

Sim, a infância está ficando tão rara, 
pois os que nascem já querem logo crescer.

Sim já faz muito tempo, que não conversamos,
tenho obrigações, tenho planos, 
idéias, compromissos, 
uma correria infernal 
e ainda tenho que acompanhar as ultimas tendências da moda, 
pra não ser chamada de careta e sem graça. 
Pouco não?... 
Para quem não queria crescer...


Ana Paula Garcia é dona de casa, mora em Goiania, e é poetisa nas horas vagas

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Um Conselho a mim mesma?

Adelâine Batista

Ao conversar com uma colega de trabalho, pude notar que ela estava precisando de uma
forcinha para voltar a buscar a Deus, tanto no propósito de oração, de ir à igreja e de ter
intimidade com Deus, pois apesar de estar afastada da igreja ela carrega consigo uma bíblia
em seu carro, mas não a lê conforme expôs e possui muita insônia há quase dois anos não
consegue dormir uma noite completa.
Então meio sem saber por onde começar, preferi escrever algo e lhe pedi para que lesse ao
chegar em casa no final do dia.
Porém quando terminei de escrever notei que eu mesma precisava de ouvir aquelas palavras
para melhorar meu contato e relacionamento com Deus.
Assim, fiquei preocupada, imprimi uma cópia e ao chegar em casa ajoelhei e fiz uma leitura
do que eu havia escrito, pois a correria do dia a dia não atrapalha somente aos desviados dos
caminhos do senhor, mas sim, principalmente a nós que estamos firmes porém dispersos.
Mesmo já sendo noite, li todo o conteúdo, como se eu tivesse fazendo uma tarefa atrasada.
O texto se dividiu em duas simples partes: “Preparo Espiritual para o dia e Preparando para a
noite”.

“Preparo Espiritual para o dia"

Senhor Deus antes de pisar os pés no chão, quero fazer a ti uma oração, a correria do dia a dia
nos afasta de nossos semelhantes, de nossos familiares, de nós mesmos e até de nosso Deus.
A falta de tempo para nós, nos leva ao stress, a falta de tempo para Deus nos leva ao fardo
insuportável.
Deus quer partilhar tempo de nossos dias, seja na alegria ou no desafio, seja na dor.

Por isso, é sempre bom, antes de tudo pela manhã, falar com Deus, ler parte de sua carta para
nós, chamada de bíblia sagrada e louvá-lo seja cantando seja ouvindo uma linda melodia seja simplesmente agradecencendo a Ele por ser um Deus tão forte, eterno e nos amar de forma singular.
Durante o dia, fale com Ele, em qualquer situação que se encontrar.
Se for momento de alegria, agradeça O;
Se for momento de dúvida, chame O;
Se for momento de afronta, esconda se nEle;
Se for momento de dor, clame por Ele com fé e devoção, Ele é socorro bem presente em
qualquer situação.Se for viajar, convide O para ir contigo, como seu amigo, como seu fiel protetor, como seu guia
na estrada por onde passares. Permita que Ele dirija como você e toda a sua vida.
Peça a Deus em nome de seu filho amado e que tudo seja e esteja direcionado por Ele.

Peparando para a noite

Agradeça a Ele pelo dia que terminou e pelo novo dia que está chegando.
Não se envergonhe de compartilhar com Ele seus e louvá lO pelos acertos, e ainda, peça O que
nenhum mal de suas atitudes lhe aflijas durante a noite. Peça a Deus para que nenhum mal
externo lhe persiga enquanto dormes.
Conte à Ele seus desejos ao chegar em casa e seus planos para o dia seguinte.
Peça lhE mais fé, coragem e amor, pois todos esses itens, quem dá é o Senhor, e isso nunca podrá faltar em sua vida, pois somente através da fé se conquista todas as coisas, mas
através do amor faz com que o bem perdure.
Sinta se íntima de Deus como pai, como melhor amigo e como seu fiel salvador, assim você
terá certeza de proteção, da confiança em dizer tudo à Ele, as coisas boas ou as coisas ruins,
falar lhE dos seus temores, e ainda, dos seus sonhos de vida, e tenha a certeza, Ele o nosso
Senhor, é o maior interessado em lhe fazer feliz e realizada em todas as áreas de sua vida.
Peça uma noite de paz e de descanso, pois Ele dá.
E após fazer suas tarefas de rotina, com um sorriso você poderá sentir um abraço protetor de
Deus envolvendo sua vida.
Deus está interessado em ajudar a você em tudo, inclusive no descanso noturno.
Por isso diga à Deus tudo que você não pode dizer às pessoas e diga também à Deus tudo
aquilo que você diz a quem você mais ama e confia.
Jesus lhe ama muito e quer permanecer fazendo parte de tudo em sua vida.

Com carinho especial, sua colega de trabalho que gosta muito de você. ”

Vejam só, eu nunca parei para dizer tudo isso a mim mesma, mas usei como se fosse uma
ordem da qual cumpri e foi um momento muito especial entre Deus e mim.
Por isso passemos a fazer aquilo que falamos, pode nos trazer benefícios grandes, pois por
vezes somos fortes e bons conselheiros, mas não somos bons executores.

Que Deus nos abençoe.

Adelâine Batista é advogada, mora em Palmas e é colaboradora deste Blog

PREOCUPAÇÃO DA IGREJA COM NÚMEROS?


Pr. Valdeci Júnior


Alguém me perguntou: "pastor, devemos viver preocupados com números?". Referindo-se a batismos e dízimos. Minha resposta foi um enfático "não".
“Se eu fosse o diabo, encorajaria nossa denominação a continuar com o jogo dos números A pior coisa que já aconteceu com os adventistas foi aprender a contar (George Knight)”.
“Quando Deus chama um missionário, não exige dele resultados; mas sim, espera dele a fidelidade (EGW)”.
Davi pecou contra o Senhor porque resolver contar o povo de Deus (1Crônicas 21).
“O meu povo perece por falta de conhecimento (Oséias 4:6)”. A igreja não precisa de contagens infinitas; precisa da palavra.
Como pastor adventistas não dou a mínima para os número. Minha única preocupação é pregar a palavra. O resto é com Deus. Isto sim, é fé. “Todavia, não me importo, nem considero a minha vida de valor algum para mim mesmo, se tão-somente puder terminar a corrida e completar o ministério que o Senhor Jesus me confiou, de testemunhar do evangelho da graça de Deus (Atos 20:24)”.

O resto é conversa. E ponto final.

Um abraço,

Pr. Valdeci Júnior
Twitter: @Valdeci_Junior

Veja o Blog do  Pastor Valdeci, é muito bom  http://www.nasaladopastor.com/

quinta-feira, 3 de maio de 2012

A cidade vazia

Salomão Sarmento
em Palavras de Inspiração - 1 hora atrás

Jesus preparou uma cidade para nós. Mas que triste, a Nova Jerusalém está vazia. Tudo está construído, tudo está preparado. Deus disse: “se o meu povo se humilhar e orar, eu ouvirei a prece” e a cidade vazia não ficará. “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar. E, quando eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, estejais vós também.” (João 14:1-3).

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Em reuniões oficiais da igreja... deveríamos servir alimento cárneo?

No facebook, há um espaço para se formar grupos de pessoas que desejem trocar idéias e estreitar amizades. Entre estes, há um grupo que sempre visito, é o grupo pastores. Ali os pastores costumam discutir temas doutrinários e sanar dúvidas relativo às normas, costumes, e o dia a dia das igrejas. Como pastor, já participei em mais de um desses debates, e sempre aprendi muito, por causa do elevado nível dos diálogos, e o preparo acadêmico dos debatedores.


Hoje o debate foi sobre alimentação cárnea e se devemos servi-la em nossas reuniões oficiais. Confesso que já fiz vista grossa quanto a carne em reuniões da igreja. Afinal, se eu comia carne, não me sentia com autoridade para proibi-la, Hoje continuo não proibindo, porém posso orientar minha igreja quanto ao regime sem carne, e contar por experiência, que procurar viver de maneira saudável, é (redundância à parte) muito mais saudável. E em nossas reuniões oficiais, é o momento oportuno para ensinar a fazer a reforma da saúde.


Tomei a liberdade de publicar o debate, em meu Blog, Não pedi autorização a nenhum dos participantes, porém como o debate foi em um espaço público, espero não aborrecer a nenhum deles. E se o publico em meu blog é com o objetivo de dar aos meu leitores o prazer de ler e ver as opiniões sábias desses nossos pastores, e mostrar aos dissidentes do adventismo, em especial aos reformistas, que a Igreja Adventista tem sim preocupação com este tema, e o promove com coerência e equilíbrio. Sem fanatismo.

 
Adeilton Silva


Existe algum voto ou recomendação da DSA ou mesmo em Ellen White que recomende que em reuniões oficiais da igreja não deveríamos servir alimento cárneo? Vai ter um Encontro de Casais aqui e este assunto está em discussão.


Wlee Silva Do Nascimento Pode dar comida ao povo.

Ronaldo de Oliveira É uma recomendação, não sei se há algo por escrito, vou verificar!

Adeilton Silva Aguardo. Obrigado.

Leda Alvaro Martinho Há um voto da DSA recomendando a substituição de alimento cárneo em reuniões oficiais da igreja!

Jonatan Conceicao Os membros de cada igreja devem cultivar o tato e a habilidade que Deus lhes dará. O Senhor tem ciência e compreensão para conceder a todos que desejarem usar sua habilidade no esforço de aprender como combinar os produtos da terra de modo a torná-los alimentos saudáveis, simples e facilmente preparados, os quais ocuparão o lugar de alimentos cárneos, de modo que o povo não tenha desculpa para comer carne. Manuscrito 78, 1902. Medicina e Salvação, pág. 267

André Reis Se a carne for "proibida", então antes dela, que se proíbam os refrigerantes já que são tão nocivos quanto, se não mais... O próximo seria o leite e derivados (bye bye brigadeiros, bolos empadinhas e afins). Como ser coerentes sem criar crendices em nosso meio?

Adeilton Silva Gostei muito André. Sábias palavras. Muitos de nós temos de mudar em muito a questão de nossa alimentação. Creio que o povo de Deus em sua maioria ainda está longe do ideal divino neste quesito. Individualmente temos pecado como povo.

Adeilton Silva Mas a pergunta é: Em reuniões da igreja de portas abertas onde existem não adventistas, deveriamos servir alimento cárneo?

André Reis ‎Adeilton Silva, não vejo diferença entre nossas práticas individuais e as corporativas, até porque a posição "oficial" da igreja não é a proibição categórica e absoluta do alimento cárneo.
Essa dicotomia entre o que ocorre na Igreja e na vida pessoal é um dos problemas do cinismo que vemos em termos de compromisso espiritual de nossos membros.

Filipi Modzeieski Costa  - "Sentamo-nos a mesa e fazemos todo esforço para mantermos a carne longe de nossas reuniões, mas veja esta orientação: Sento-me com freqüência à mesa de irmãos e irmãs, e vejo que eles usam grande quantidade de leite e açúcar. Isso obstrui o organismo, irrita os órgãos digestivos, e afeta o cérebro. Tudo quanto embaraça o ativo funcionamento do maquinismo vivo, afeta diretamente o cérebro. E segundo a luz que me foi dada, o açúcar, quando usado abundantemente, é mais prejudicial do que a carne". Testimonies, vol. 2, págs. 368-370.

Filipi Modzeieski Costa ‎"Agora, quanto ao leite e açúcar: Sei de pessoas que ficaram assustadas com a reforma de saúde, e disseram que não queriam ter nada a ver com ela, por condenar o abundante uso dessas coisas. As mudanças devem ser feitas com grande cuidado; e devemos proceder cautelosa e sabiamente. Devemos seguir uma orientação que se recomende por si mesma aos homens e mulheres inteligentes da Terra. Grandes quantidades de leite e açúcar ingeridos juntos são prejudiciais. Comunicam impurezas ao organismo. Os animais dos quais se obtém o leite, nem sempre são sadios. Podem estar doentes. Uma vaca pode estar aparentemente boa de manhã, e morrer antes da noite. Então, ela já estava enferma pela manhã, e seu leite estava contaminado, e vós não o sabíeis. A criação animal está enferma. As carnes estão contaminadas. Pudéssemos nós saber que os animais estavam em perfeita saúde, e eu recomendaria que o povo comesse carne de preferência a grandes quantidades de leite com açúcar. Ela não causaria o mal que leite com açúcar ocasiona. O açúcar obstrui o organismo. Entrava o trabalho dos órgãos." TS vol 1, 190.

Filipi Modzeieski Costa Grande Adeilton Silva, sendo mais objetivo (tentando ser) aí vai:

"Neste país [Austrália] existe uma sociedade vegetariana organizada, mas é relativamente pequeno o número de seus associados. Entre o povo em geral, a carne é usada largamente, por todas as classes. É o artigo de alimentação mais barato; e mesmo onde a pobreza impera encontra-se em geral a carne sobre a mesa. Por isso, tanto maior a necessidade de usar de prudência ao lidar com a questão do comer carne. Com relação a este assunto não deve haver movimentos precipitados. Devemos considerar a situação do povo, e o poder de hábitos e práticas de toda uma vida, e ser cautelosos em não impor aos outros nossas idéias, como se esta questão fosse um teste, e os que comem carne fossem os maiores pecadores.

Todos devem ser esclarecidos neste assunto, mas seja ele apresentado cuidadosamente. Hábitos que foram por toda a vida ensinados como sendo corretos, não devem ser mudados por medidas rudes ou precipitadas. Devemos educar o povo em nossas reuniões campais e outras reuniões grandes. Ao mesmo tempo em que são apresentados os princípios da reforma de saúde, seja o ensino apoiado pelo exemplo. Não seja encontrada carne em nossos restaurantes ou tendas de refeições, mas seja ela substituída por frutas, cereais e verduras. Devemos praticar aquilo que ensinamos. Quando assentados a uma mesa onde a carne é servida, não devemos vibrar um ataque contra os que a usam, mas deixá-la intocada quanto a nós, e se nos perguntarem a razão de assim proceder, devemos de maneira bondosa explicar o motivo de não a usarmos." Carta 102, 1896.

Apenas lembrando que a reforma de saúde não se resume ao assunto da carne. Infelizmente o que acontece é que não servimos carne, e servimos mousse de chocolate!

André Reis Isso era naquele tempo Filipi Modzeieski Costa, hoje, podemos dizer sem medo de errar que TODOS os animais estão contaminados. Um copo de leite é formado em grande parte de sangue e pus de vacas doentes. Por essa razão, na minha opinião não existe mais distinção entre animais imundos e animais limpos, são todos objetáveis, mas essa é ooooutra discussão. ;)

Filipi Modzeieski Costa Com certeza André Reis! Porém, por mais difícil que seja, acho que se os irmãos da igreja do caro Adeilton Silva quiserem ser fiéis aos princípios de saúde, devem eliminar a carne, o açúcar, o leite, refrigerante, sobremesas, compotas, conservas nocivas, queijos, etc.

Diego Ignacio Barreto Acho que nossa maior dificuldade tb não é a coerência. No sentido que deixamos de fazer uma coisa e fazemos outra pior. Acho que nossa maior dificuldade é tratarmos desse assunto à parte do processo natural de santificação. Sou vegetariano desde o ventre materno, mas acho que tratar desse tema é irrelevante enquanto não houver uma compreensão pessoal de como isso afeta o meu relacionamento com Deus. Sem isso a discussão será sempre oca, em torno de saúde, postura, textos de Ellen White e etc... Sou vegetariano desde que nasci, mas ainda luto com o açúcar por exemplo, mas essa é uma luta minha, que não devo impor a ninguém. Assim também como não me preocupo com o vegetarianismo dos outros. No entanto, como pastor, penso que organizar eventos "sem carne" para a igreja é um jeito de apontar o caminho as ovelhas, apontar para o ideal. Não se trata de impor nada. Se trata de sinalizar. Na medida que as pessoas se aproximam de Deus, os sinais vão se tornando claros, e ela percebe o que é que tem que fazer (ou ao menos tentar) para uma adoração ainda mais profunda. Ou não. Acho que tem muita gente que vai pro céu, sem perceber, ou mesmo se importar, com essas questões de saúde... enquanto outras, estão indo pro mesmo lugar, vivendo um relacionamento com Deus que contempla até adoração por meio daquilo que comem e como vivem. Pra mim esse é um tema de santificação que precisa ser encarado individualmente. Santificação antes de ser um conceito, é uma experiência. E como pastores, só poderemos falar dele quando essa questão chegar a nós. Então poderemos partilhar nossa experiência no assunto. Não adianta usar os textos de EGW como ferramentas para um procedimento qualquer que nós mesmos nem entendemos. Ai estaremos apenas aumentando as crendices. PRECISAMOS DE UMA RELIGIÃO MAIS NATURAL E MENOS INSTRUMENTAL.

Filipi Modzeieski Costa É isso aí Diego Ignacio Barreto, afinal, "Deus é espírito, e importa que seus adoradores o adorem em espírito e em verdade" (João 4:24).

Jonatan Conceicao Para aqueles que ainda tomam leite eu recomendo a leitura do livro MOOOOve Over Milk - The Udder Side of Dairy

by Vicki B., PhD Griffin, Virgil, MD Husle, Dane J. Griffin. Esse livro fez com que eu deixasse o leite. Mas ocasionalmente, ou quando em viagens ainda uso um queijo magro, ou um iogurte... não sou fanático, mas procuro evitar. Realmente o leite na atualidade é um horror, quando você sabe o que tem dentro daquela caixa, vidro, saquinho ou seja lá que embalagem for.

Jonatan Conceicao Também não sou um comedor de açucar, embora goste de doçes. Simplesmente fui evitando e me educando. Na verdade esse estilo de vida propagado pelos livros de Ellen White é um processo que todo pastor deveria almejar. Afinal sempre é bom buscar uma saúde melhor.

Jonatan Conceicao Um outro livro fantástico é "A Dieta de Jesus e Seus Discipulos" - Donald Colbert - Você verá que esse estilo de vida, o estilo de vida de Jesus é o que temos que buscar em nossas vidas.

Jonatan Conceicao Me chamou a atenção o fato de junto com chá, café, comidas muito condimentadas, Ellen White colocar a alimentação cárnea. E mais ainda o fato de afirmar que estes alimentos são prejudiciais a saúde. E esta é uma obra que tem de ser feita antes que o povo de Deus possa ser apresentado diante dele perfeito.

“Nosso povo está constantemente retrocedendo quanto à reforma de saúde. Satanás vê que não pode exercer poder mais controlador sobre eles do que lhe seria possível se condescendessem com o apetite. [...]
Satanás está corrompendo as mentes e destruindo as pessoas por meio de suas sutis tentações. Não verá nem sentirá nosso povo o pecado de condescender com o apetite pervertido? Não abandonará o chá, café, alimentos cárneos e toda alimentação estimulante, devotando à expansão da verdade os recursos expendidos com esses hábitos nocivos? [...]

Todo verdadeiro cristão controlará o apetite e as paixões. A menos que ele esteja livre da servidão do apetite, não pode ser um genuíno e obediente servo de Cristo. É a condescendência com o apetite e as paixões que tornam a verdade sem efeito para o coração. Impossível é ao espírito e ao poder da verdade santificarem o homem – alma, corpo e espírito – quando ele é dominado pelo apetite e a paixão.” - Testemunhos Para a Igreja, Vol. 3, pág. 569 e 570.

Jonatan Conceicao Como pastores deveríamos meditar neste trecho do Espírito de Profecia e ponderar o que devemos fazer: “Nossos pastores, que conhecem a verdade, devem despertar o povo de sua condição de paralisia, e levá-lo a abandonar as coisas que criam o apetite pela carne. Caso negligenciem reformar-se, perderão o poder espiritual, e tornar-se-ão mais e mais aviltados por pecaminosa condescendência. Hábitos que desgostam ao universo celeste, que degradam seres humanos mais baixo que os animais, são nutridos em muitos lares. Que todos quantos conhecem a verdade, digam: "Que vos abstenhais das concupiscências carnais, que combatem contra a alma." I Ped. 2:11.

Não dê nenhum de nossos pastores um mau exemplo no comer carne. Vivam, eles e sua família, segundo a luz da reforma de saúde. Não animalizem nossos pastores sua natureza e a de seus filhos. Os filhos cujos desejos não foram refreados, são tentados não somente a condescender com hábitos comuns de intemperança, mas a dar rédeas soltas a suas paixões inferiores, e a menosprezar a pureza e a virtude. Esses são levados por Satanás, não somente a corromper o próprio corpo, mas a cochichar suas más comunicações a outros.” - Conselhos Sobre o Regime Alimentar, pág. 400.

Jonatan Conceicao Numa época em que "Reavivamento e Reforma" tem sido a tônica, voltar para trás no que tange à Reforma de Saúde, seria um grande retrocesso e um grande perigo: “Se bem que não tornemos o uso do alimento cárneo um teste, se bem que não queiramos forçar ninguém a abandonar seu uso, todavia é nosso dever instar para que pastor algum da associação faça pouco da mensagem de reforma nesse ponto, ou a ela se oponha. Se em face da luz que Deus tem dado acerca do efeito de comer carne sobre o organismo, continuais ainda a fazê-lo, deveis sofrer as consequências. Não tomeis, porém, diante do povo, uma atitude que lhes permita pensar que não é necessário uma reforma quanto ao comer carne. Porque o Senhor está requerendo essa reforma. Ele nos deu a obra de proclamar a mensagem da reforma de saúde, e se não podeis avançar nas fileiras dos que a estão proclamando, não o deveis tornar notório. Neutralizando o trabalho de vossos coobreiros, que estão ensinando a reforma de saúde, estais fora de ordem, trabalhando do lado errado.” - Carta 48, 1902 – Conselhos Sobre o Regime Alimentar, pág. 401.
“O REGIME CÁRNEO É A QUESTÃO SÉRIA. Hão de seres humanos viver da carne de animais mortos? A resposta, segundo a luz dada por Deus, é: Não, decididamente Não.” - Conselhos Sobre o Regime Alimentar, pág. 388.

Carlos Escopel Olá amigo, realmente existe um voto da DSA sobre o uso de alimentos saudáveis que envolve toda a dieta orientada pelos escritos e orientações bíblicas e de Ellen White, não somente alimento carneo, e o objetivo seria para servir de exemplo tanto para os membros qto como os de fora da Igreja. Tenho seguido essa orientação com equilibrio e tem sido uma bênção, tenho tido grandes testemunhos sobre o assunto. Penso que nós como pastores somos chamados para orientar um povo para se preparar para o tempo do fim. Tenho falado com os membros da igreja sobre essa necessidade, mas sempre cuidando do equilibrio, pois infelizmente muitos hj tem aversão ao regime pois receberam a mensagem de pessoas desiquilibradas e, infelizmente, de pastores que não sabem ter equilibrio sobre o assunto. Não devemos ser radicais, existem circunstâncias e momentos para todas as coisas. Concordo com Jonatan, temos q buscar seguir a orientação. Tenham um bom dia.

Manoel Barbosa da Silva Confesso que já fiz vista grossa quanto a carne em reuniões da igreja. Afinal, se eu comia carne, não me sentia com autoridade para proibi-la. Hoje continuo não proibindo, porém posso orientar minha igreja quanto ao regime sem carne, e contar por experiência, que procurar viver de maneira saudável, é (redundância à parte) muito mais saudável. E em nossas reuniões oficiais, é o momento oportuno para ensinar a fazer a reforma da saúde.


Como se ver pelo debate acima, a Igreja Adventista do Sétimo Dia está mais do que nunca empenhada em um movimento de Reavivamento e Reforma, e nesta reforma de saúde,  que não é só alimentar, deixar de comer carne é uma de suas prioridades.

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