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terça-feira, 23 de setembro de 2025

COMO SER FELIZ EM UM MUNDO ANGUSTIADO

 

COMO  SER  FELIZ  EM  UM  MUNDO  ANGUSTIADO

 

INTRODUÇÃO:

1. A razão de ser do tema: Todos querem ser felizes.

a)     Aquele que trabalha honrosamente.

b)    Aquele que rouba.

(1) Sem dar-se conta que assim não o conseguirá nunca.

c)     Aquele que se casa.

d)    Aquele que decide ficar solteiro.

e)     O que é generoso.

f)      E o avarento.

2. Quando somos sinceros, reconhecemos que poucos o são, e talvez seja porque não distinguem entre os amigos e inimigos da felicidade.

3. Um indício que sugeriria que não temos ido bem nesta época na arte de ser felizes, pudesse ser o fato de que muitos tomam a palavra felicidade como utópica; como demasiado mística. Mas, permitam-me dizer-lhes que tenho várias coisas que lhes farão muito bem e os ajudarão a incrementar a felicidade alcançada, ou mesmo a recuperar a perdida. E comparti-las-ei com vocês hoje.

4. Como desenvolverei o tema:

a) Serei prático.

(1)   Mostrarei "retalhos da vida diária";

(2)   Fatos reais ocorridos com pessoas tão humanas como cada um de nós.

b) Procurarei mostrar os dois lados da moeda.

(1)  Que coisas destroem a felicidade.

(2)  Como ser felizes...


I. UM  CONCEITO  QUE  DEVERIA  SER  CORRIGIDO

1. Muitos, além dos que imaginamos, crêem que felicidade e prazer são sinônimos. Porém, creio não equivocar-me ao sugerir que FELICIDADE # PRAZER (Felicidade não é igual a prazer).

a)   É verdade que a felicidade é fonte de prazer, mas nem todos os prazeres produzem felicidade.

b)  Pelo contrário: Há prazeres que estropiam a felicidade.

Por exemplo:

(1)    O que busca o prazer do álcool e este hábito destrói o lar; o que sob o efeito de um "excesso de prazer" alcoólico sofre um choque automobilístico e fica inválido; ou sob esse mesmo "excesso de prazer" fica agressivo, mata alguém e termina no cárcere.

(2)    Outro exemplo: O que busca a felicidade numa relação sexual ilícita e enfrenta problemas de uma enfermidade venérea; inclusive, se não for curada a tempo, vê nascer filhos defeituosos por dois minutos de prazer...

2. Como poderíamos definir a felicidade.

a) Por outro lado, não creia que prazer e felicidade sejam antagônicos. Parece-me que os prazeres sadios, emoldurados nas leis da vida, produzem felicidade.

(1)   Daí, a importância de conhecer e estudar as leis que regem as diversas áreas da vida.

(2)   Creio que estaremos de acordo em que o ser humano tem, pelo menos, três áreas básicas que constituem algo assim como um triângulo eqüilátero:


 

(3)   De modo que os prazeres de qualquer uma das três áreas básicas, os quais não vulnerem as leis que regem quaisquer uma das outras áreas, bem podem ser fatores de felicidade.

(4)   Quando os prazeres quebram a harmonia, mesmo que seja interna de alguma das áreas, como de alguma das outras duas, estaríamos diante de um prazer que não gera felicidade desde o momento em que quebraria a harmonia interna, necessária do indivíduo.

3. Uma definição: A Felicidade é uma atitude do espírito profundamente enraizada na carne. Não depende tanto do material como da atitude que adotamos e a valorização que tenhamos das coisas, dos fatos e das idéias.

 

II. HÁBITOS  PSICOLÓGICOS  QUE  VULNERAM  ALGUMA  DAS  ÁREAS  DO  SER,  OS  QUAIS  ROUBAM  A  FELICIDADE

1. O pessimismo.

a)     "A maior parte das pessoas são infelizes por haver contraído, pouco a pouco, o hábito de queixar-se de frivolidades e de ver tudo sombrio." (Orison Sweet Marden, La Dicha de Viver, p. 149.)

b)    Jonathan Swift, autor de As Viagens de Gulliver, era o mais devastador dos pessimistas da literatura inglesa. Lamentava tanto por haver nascido que se vestia de luto quando fazia aniversário. Contudo reconhecia que: "Os melhores médicos do mundo são o Dr. Dieta, o Dr. Quietude e a Dra. Alegria" – (D. Carnegie, Como Vencer las Preocupaciones, p. 131).

c)     O pessimista vê tudo negro, não porque as coisas sejam realmente assim, mas porque não quer tirar as lentes mentais negras, nem de dia nem de noite.

d)    Conta-se que a princípio deste século, quando a locomotiva era algo ainda completamente novo, certo homem que assistia à inauguração de um comboio que ligaria o lugar onde ele vivia com o restante do país, depois de observar atentamente a locomotiva disse em alta voz: "Isto não pode andar, não andará nunca... nunca." Mas, chegou o momento da partida e em meio dos aplausos da multidão, o maquinista deu o sinal e a locomotiva, que se sacudiu até o último parafuso se pôs finalmente em movimento, aumentando pouco a pouco sua velocidade. Então, aquele homem começou a dizer: "Isto não poderá parar, não parará nunca... nunca..."

e)     Disse alguém que se pode medir o otimista e o pessimista diante de uma meia garrafa de qualquer bebida. O otimista disse: "Que bom! Ainda fica meia garrafa." Em troca o pessimista comenta tristemente: "Que desgraça! Falta meia garrafa!" 

- A santa Bíblia, que sabe muito sobre felicidade, nos ensina. I Tessalonicenses 5:16, 18.

(1)   Alguns querem ser felizes, mas não querem mudar esses hábitos pessimistas.

(2)   São tão pessimistas que sentem que se deixarem de ser pessimistas deixam de ser eles mesmos.

(3)   E então clamam: Felicidade, onde Estás?

a)     Um bom remédio para curar o pessimismo é o que o Dr. Crane sugere: "Praticai a felicidade! Pela prática da felicidade quero dizer a educação de nossa mente para que pense como o determina a vontade, o desenvolvimento da capacidade de controlar nossos sentimentos pelo domínio de nossos pensamentos..." (Dr. Crane, citado por Fayard em A Chave da Felicidade e a Saúde Mental)

2. A Inveja

a) Alguém dizia:

Minha jovem cunhada, mãe de quatro rebentos, contava-me de uma vizinha que tem oito filhos.

- Causa-me admiração! A casa está sempre limpa como uma taça de prata. Como cozinheira, é excelente. Costura a sua própria roupa. Suas crianças são corteses e de bom comportamento. Toma parte nas atividades de limpeza pública. Ajuda a cuidar de um grupo de Escoteiros e é diretora de uma seção dos "Boy Scouts". Além disso, é bonita e tem muita personalidade. Não a posso agüentar!

a)     O invejoso não é feliz. Não pode sê-lo. Sua vida gira, não em torno do que tem, mas do que têm os demais.

3. A ira, o rancor, o ressentimento

a)     "Não aqueças tanto o forno de ódio que queimes a ti mesmo." (Shakespeare)

b)    Às vezes, em um arrebatamento de ódio, podemos produzir situações que se prolongarão por toda a vida.

c)     Gosto dos versos do poeta mexicano do século passado, E. González Martínez, porque nos levam a uma sadia reflexão:

De minha mão inconsciente caíram

duas ou três minúsculas sementes de ódio.

Germinaram, cresceram ... São árvores

de copas sinistras e agressivos troncos.

Para derribá-los, passarei a vida

o machado na mão e o pranto nos olhos...

E pensar que os grãos caíram

sem saber nem quando, nem como!

(O Semeador, por E. González Martínez).

 

d)    Não está demais meditar nisto, pois todo observador sereno sabe que o ódio, o rancor, os desejos de vingança, são sentimentos ardentes os quais queimam mais a quem odeia, que ao odiado.


III. HÁBITOS  FÍSICOS  QUE  NÃO  CONTRIBUEM  EM  FORMA  ESTÁVEL  À  FELICIDADE.

1. Os vícios.

a) ILUSTRAÇÃO: Um trabalhador dado à bebida

-         Contou a sua esposa, certa manhã, um sonho que havia tido.

-         Sonhei que quatro ratas me cercaram. A primeira era muito gorda, as outras duas muito magras, e a quarta era cega. A mulher, que era supersticiosa, teve medo e não sabia como interpretar o sonho. Mas o filho, um rapazote que não tinha superstição e sim muito vivo, serviu de Daniel, interpretando o sonho desta maneira:

-         A rata gorda é a cantina da esquina, que devora tudo o que o senhor ganha; as duas magras são minha mãe e eu, que não temos o que comer; (e começando a correr para evitar o castigo prosseguiu:) - e a rata cega é o senhor, que não se apercebe da loucura que está cometendo.

2. Alguns perguntam a si mesmos:

a)     Que farei para mudar? e concluem que:

(1)  "Não se pode!"

(2)  "Eu não posso"

Isso é ser pessimista.

3. Eu pergunto honestamente: Pode-se mudar?

a)     Segundo William James: A maioria das pessoas só estão 5% vivas. 

ILUSTRAÇÃO: Um homem vivia nas imediações de um cemitério. Para chegar do trabalho em casa, devia caminhar umas quantas quadras e dar a volta em quase a metade do muro.

Uma manhã pensou na perspectiva de cruzar diretamente pelo meio do cemitério. Não obstante, a idéia de cruzá-lo, de manhã, e depois quando estava anoitecendo, não lhe era totalmente satisfatória. Um dia decidiu-se. Cruzou em meio das tumbas e canteiros e chegou plenamente descansado e feliz do outro lado. Esse caminho tornou-se para ele uma alegre rotina. Uma tarde as ocupações o retiveram mais que de costume e quando chegou em frente do cemitério já era noite, porém ele conhecia bem o caminho, assim que, assobiando tranqüilamente uma toada, começou a cruzá-lo. Não havia chegado à metade, quando imprevistamente caiu em uma cova aberta, na qual poriam no dia seguinte um caixão. Apressadamente, começou a apalpar as paredes da cova, mas não encontrava forma de trepar e sair. Finalmente resignou-se a esperar com paciência o raiar do dia. Não havia passado muito tempo quando ouviu passos próximo de si, e poucos momentos depois um segundo transeunte caía na mesma armadilha. Produziu-se um silêncio sepulcral. Depois de repor-se da emoção, o segundo cavalheiro começou a apalpar as paredes da cova. Nesse momento sentiu-se tropeçar em alguma coisa e ouviu uma voz que lhe dizia: "Você nunca sairá daqui." Não se sabe como, mas em poucos segundos o homem não só havia saído da cova, mas também transposto os portais do cemitério.

b)    São Paulo defendia a tese de que é possível. Embora lhe agregasse a outra dimensão ou área da vida. Filipenses 6:13.

 

IV. PROBLEMAS  DA  ÁREA  ESPIRITUAL  QUE  ANULAM  A  FELICIDADE.

1. Uma consciência culpada.

a)     Querem ser felizes (e têm direito de sê-lo).

b)    Crêem que violando as leis morais estabelecidas pelo Criador (ou seja, vivendo no pecado) desfrutarão mais da vida.

c)     Então ficam as pegadas...

2. Um caso comovente é o do filósofo francês Rousseau (1712-1778). Quando era jovem viveu na cidade de Turin, na casa de uma mulher de Verecelli. Em suas confissões escreveu: "Desta casa levo comigo um terrível sentimento de culpa que depois de 40 anos ainda permanece indelével em minha consciência, e quanto mais velho fico, mais pesada é a carga de minha alma." Ele havia roubado um objeto de valor da dona da casa. Posteriormente, quando foi descoberta a falta, lançou a culpa sobre uma servente da casa, que como resultado perdeu u emprego e a reputação. Rousseau continua: "Acusei-a de ladra, lançando assim, sobre o nome de uma jovem honesta, a miséria e a ruína. Disse-me ela então: 'Você lançou a desgraça sobre mim, mas não desejo estar em seu lugar'. Esta freqüente recordação me produz noites de insônia, como se houvesse ocorrido agora o incidente. É certo que algumas vezes minha consciência esteve adormecida, mas agora ela me atormenta como nunca antes. Esta carga é agora mais pesada sobre meu coração; sua recordação não morre. Tenho que fazer uma confissão."

3. Naturalmente, Deus quer ajudar-nos e o problema tem solução.

a)     Porém, até que não compreendamos o valor dessa área da vida não poderemos encaminhar-nos pela senda das soluções.

b)    Como seres pensantes, seres moralmente livres que somos, não rode haver soluções profundas sem:

(1)  Nossa captação do problema.

(2)  Aceitação das soluções.

(3)  Prática ou vivência das mesmas.

4. E não se esqueça disto: em nosso idioma, "FELICIDADE" começa com FÉ, e na prática, a fé costuma ser o primeiro passo para a felicidade.

 

CONCLUSÃO:

 

1. O ser humano é uma unidade que tem ao menos três áreas:



2. A Felicidade é uma atitude do espírito, profundamente enraizada na carne, que não depende tanto do que se tem como da valorização das coisas, dos fatos e das pessoas.

3. Os hábitos que quebram essa unidade não ajudam a alicerçar a felicidade real.

a)     Hábitos físicos

b)    Hábitos mentais

c)     Hábitos espirituais

4. Os que aprenderam a estudar as leis que regem cada uma dessas áreas e vivem dentro delas, são contados entre as pessoas mais felizes.

5. Que nos propomos fazer?

a)       Desenvolver este ciclo inspirado no slogan "VIVER com saúde, amor e paz".

b)      Por meio destes programas analisar de um modo ameno as leis que governam cada uma dessas áreas.

c)       Com sentido prático, apresentar idéias concretas que nos permitam viver dentro delas e assim ser felizes.

6. Como primeira contribuição, aqui vai uma fórmula para ser feliz:

a)     E.D.V.M.

b)    Esqueça-se de você mesmo, é o significado.

c)     Veja quão bem o disse, em versos, Gabriela Mistral:

 

 

"O Prazer de Servir"

 

Toda a natureza é um anelo de serviço.

Serve a nuvem, serve o ar, serve o sulco.

Onde houver uma árvore para plantar, planta-a tu;

Onde houver um erro que corrigir, corrige-o tu;

Onde houver um esforço de que todos esquivam, aceita-o tu.

Sê aquele que afastou a embaraçosa pedra do caminho, sê o que afastou o ódio dentre os corações e as dificuldades do problema. Existe a alegria de ser sadio e a de ser justo; porém há, sobretudo, a beleza, a imensa alegria de servir.

Que triste seria o mundo se tudo o que existe nele estivesse feito, se não houvesse uma roseira para plantar, um empreendimento em que investir!

Que não te chamem somente os trabalhos fáceis.

É tão bom fazer o que outros recusam!

Porém não caias no erro de que só se fazem méritos com os grandes trabalhos; há pequenos serviços que são bons serviços: adornar uma mesa, ordenar livros, pentear uma criança.

Aquele é o que critica, este é o que destrói, sê tu o que serve. O servir não é tarefa de seres inferiores.

Deus que dá o fruto e a luz, serve. Poderia chamá-Lo assim: O que serve.

Ele tem Seus olhos fixos em nossas mãos e pergunta-nos cada dia: Servistes hoje? A quem? À árvore? A teu amigo? À tua mãe?


Fonte.

Sermões evangelísticos.

Pr. Daniel Belvedere

quarta-feira, 3 de setembro de 2025

O Privilégio do Cristão

 

                     O Privilégio do Cristão


Sa - Pag. 89 

Muitos dos que estão buscando santidade de coração e pureza de vida, parecem perplexos e desanimados. Estão constantemente olhando para si mesmos, e lamentando sua falta de fé; e porque não têm fé, julgam que não podem buscar a bênção de Deus. Essas pessoas pensam que o sentimento seja fé. Olham por cima da simplicidade da verdadeira fé, e assim trazem grandes trevas sobre sua vida. Deveriam volver a mente de si mesmas para repousá-la na misericórdia e bondade de Deus e recordar Suas promessas, e então simplesmente crer que Ele cumprirá Sua palavra. Não é em nossa fé que devemos confiar, porém nas promessas de Deus. Quando nos arrependemos de nossas transgressões passadas, contra Sua lei, e resolvemos prestar obediência no futuro, devemos crer que Deus, por amor de Cristo nos aceita e perdoa nossos pecados.

As trevas e o desânimo virão, às vezes, à alma e ameaçarão vencer-nos; mas não devemos rejeitar nossa confiança. Precisamos conservar os olhos fixos em Jesus, sentindo ou não. Devemos procurar cumprir fielmente cada dever conhecido e então, calmamente, descansar nas promessas de Deus.

A Vida da Fé

Por vezes, um profundo sentimento de nossa indignidade enche o coração, num estremecimento de terror; mas isto não é evidência de que Deus tenha mudado para conosco, ou nós em relação para com Ele. Nenhum esforço deveria ser feito quanto a dirigir a mente a certa intensidade de emoção. Podemos não sentir hoje a paz e a alegria que sentíamos ontem; mas devemos, pela fé, agarrar a mão de Cristo e confiar nEle tão completamente nas trevas como à luz.

Satanás poderá segredar: "Sois demasiadamente grandes pecadores para que Cristo vos salve". Conquanto reconheçais que sois realmente pecadores e indignos, podeis enfrentar o tentador com esta declaração: "Pela virtude da expiação, eu reclamo Cristo como meu Salvador. Não confio em meus próprios méritos, mas no precioso sangue de Jesus, o qual me limpa. Neste momento eu lanço sobre Cristo meu desalentado coração." A vida cristã deve ser de constante, viva fé. Uma confiança que não se renda, firme fé em Cristo, trarão paz e certeza à alma.

Resistir à Tentação

Não vos desanimeis porque vosso coração parece duro. Cada obstáculo, cada inimigo interior, apenas aumenta vossa necessidade de Cristo. Ele veio para tirar o coração de pedra e dar-vos outro, de carne. Olhai para Ele em busca de graça especial para vencer vossas faltas peculiares. Quando assaltados pela tentação, resisti firmemente às más tendências; dizei a vosso coração: "Como posso eu desonrar ao meu Redentor? Entreguei-me a Cristo; não posso fazer as obras de Satanás". Clamai ao amado Salvador em busca de auxílio para sacrificar todo ídolo e lançar fora todo pecado acariciado. Que os olhos da fé vejam Jesus diante do trono do Pai, apresentando Suas mãos feridas, enquanto intercede por vós. Crede que vos virá força, por intermédio de vosso precioso Salvador.

Ver com os Olhos da Fé

Pela fé, olhai para as coroas destinadas aos que hão de vencer; atentai para o exultante canto dos remidos: Digno, digno é o Cordeiro, que foi morto e nos redimiu para Deus! Esforçai-vos por considerar estas cenas como reais. Estêvão, o primeiro mártir cristão, em seu terrível conflito com os principados, e as potestades, e as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais (Efés. 6:12), exclamou: "Eis que vejo os céus abertos e o Filho do homem, que está em pé à mão direita de Deus." Atos 7:56. O Salvador do mundo foi-lhe revelado como olhando dos Céus para ele com o mais profundo interesse; e a gloriosa luz do semblante de Cristo brilhou sobre Estêvão com tal resplendor que mesmo os seus inimigos viram seu rosto brilhar como o rosto de um anjo.

Se permitíssemos que nossa mente se demorasse mais sobre Cristo e o mundo celestial, acharíamos um poderoso estímulo e amparo em guerrear as batalhas do Senhor. O orgulho e o amor ao mundo perderão seu poder ao contemplarmos as glórias daquela terra melhor, que tão logo será nosso lar. Diante da amabilidade de Cristo, todas as atrações terrenas parecerão de pouco valor.

Que ninguém pense que sem fervoroso esforço de sua parte poderá obter a certeza do amor de Deus. Quando por tão longo tempo se permitiu à mente repousar somente em coisas terrenas, é difícil mudar os hábitos do pensamento. Aquilo que os olhos vêem e os ouvidos escutam, demasiadas vezes atrai a atenção e absorve o interesse. Mas se quisermos entrar na cidade de Deus e olhar para Jesus e Sua glória, precisamos acostumar-nos, aqui, a contemplá-Lo com os olhos da fé. As palavras e o caráter de Cristo devem ser, freqüentemente, o assunto de nossos pensamentos e de nossa conversação; e, cada dia, algum tempo deve ser consagrado especialmente a devota meditação nestes temas sagrados.

Silenciando o Espírito

A santificação é uma obra diária. Ninguém se engane a si mesmo com a suposição de que Deus o perdoará e abençoará, enquanto está pisando um de Seus mandamentos. A prática voluntária de um pecado conhecido silencia a testemunhadora voz do Espírito e separa de Deus a alma. Quaisquer que sejam os êxtases do sentimento religioso, Jesus não pode habitar no coração que desrespeita a lei divina. Deus apenas honrará àqueles que O honram.

"Sois servos daquele a quem obedeceis." Se condescendemos com a ira, a concupiscência, a cobiça, o ódio, o egoísmo ou outro pecado qualquer, tornamo-nos servos do pecado. "Ninguém pode servir a dois senhores." Mat. 6:24. Se servimos ao pecado, não podemos servir a Cristo. O cristão sentirá as tendências do pecado, porque a carne cobiça contra o Espírito, mas o Espírito combate contra a carne, mantendo uma batalha constante. É aqui que o auxílio de Cristo se faz preciso.

A fraqueza humana se une à força divina, e a fé exclama: "Graças a Deus, que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo." I Cor. 15:57.

Hábitos Religiosos Corretos

Se quisermos desenvolver um caráter que Deus possa aceitar, precisamos formar hábitos corretos em nossa vida religiosa. A oração diária é tão essencial ao crescimento na graça, e mesmo à própria vida espiritual, como o alimento temporal ao bem-estar físico. Devemos acostumar-nos a elevar muitas vezes os pensamentos a Deus em oração. Se a mente vagueia, devemos fazê-la retornar; mediante perseverante esforço, o hábito finalmente fará que isto seja fácil. Não podemos, por um momento, separar-nos de Cristo com segurança. Podemos contar com Sua presença para assistir-nos a cada passo, mas somente observando nós as condições que Ele mesmo estabeleceu.

A religião deve tornar-se o grande negócio da vida. Tudo mais deve ficar subordinado a ela. Todas as nossas faculdades morais, físicas e espirituais devem empenhar-se na batalha cristã. Devemos olhar para Cristo em busca de força e graça, e ganharemos a vitória tão certamente como Jesus morreu por nós.

O Valor da Alma

Devemos aproximar-nos da cruz de Cristo. O arrependimento junto à cruz é a primeira lição que temos de aprender. O amor de Jesus - quem o pode compreender? Infinitamente mais terno e abnegado que o amor de uma mãe! Se quisermos conhecer o valor de um ser humano, precisamos olhar, com fé viva, para a cruz e aí começar o estudo que será a ciência e o cântico dos remidos através de toda a eternidade. O valor de nosso tempo e de nossos talentos pode ser calculado somente pela grandeza do resgate pago por nossa redenção. Que ingratidão manifestamos para com Deus quando O roubamos, retendo dEle nossas afeições e nosso serviço. É demais dar-nos a Ele, que tudo sacrificou por nós? Podemos nós escolher a amizade do mundo diante das honras imortais que Cristo oferece - "que se assente comigo no Meu trono, assim como Eu venci e Me assentei com Meu Pai no Seu trono"? Apoc. 3:21.

Obra Progressiva

A santificação é uma obra progressiva. Os passos sucessivos são postos perante nós nas palavras de Pedro: "Reunindo toda a vossa diligência, associai com a vossa fé a virtude; com a virtude, o conhecimento; com o conhecimento, o domínio próprio; com o domínio próprio, a perseverança; com a perseverança, a piedade; com a piedade, a fraternidade; com a fraternidade, o amor. Porque estas coisas, existindo em vós e em vós aumentando, fazem com que não sejais nem inativos, nem infrutuosos no pleno conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo." II Ped. 1:5-8. "Portanto, irmãos, procurai fazer cada vez mais firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis. Porque assim vos será amplamente concedida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo." II Ped. 1:10 e 11.

Eis aqui um procedimento pelo qual podemos ter certeza de que jamais cairemos. Aqueles que estão assim trabalhando sobre o plano de adição em obter as graças cristãs, terão a certeza de que Deus operará de acordo com o plano de multiplicação, em assegurar-lhes os dons de Seu Espírito. Pedro assim se dirige àqueles que atingiram esta preciosa fé: "Graça e paz vos sejam multiplicadas, pelo conhecimento de Deus e de Jesus, nosso Senhor." II Ped. 1:2. Pela graça divina todos aqueles que quiserem poderão galgar os brilhantes degraus da Terra ao Céu e, afinal, "com júbilo; e alegria eterna" (Isa. 35:10), passar através dos portais, para dentro da cidade de Deus.

Nosso Salvador requer para Si tudo que há em nós; pede nossos primeiros e mais puros pensamentos, nossa mais pura e mais intensa afeição. Se somos realmente participantes da natureza de Deus, Seu louvor estará continuamente em nosso coração e nossos lábios. Nossa única segurança está em entregar nosso tudo a Ele e em estar constantemente crescendo na graça e no conhecimento da verdade.

A Exclamação de Vitória de Paulo

O apóstolo Paulo fora altamente honrado por Deus, tendo sido arrebatado em visão ao terceiro Céu, onde contemplou cenas cujos esplendores não lhe foi permitido revelar. Contudo, isto não o levou ao orgulho ou confiança própria. Reconheceu a importância da constante vigilância e renúncia própria, e declara sinceramente: "Subjugo o meu corpo e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado." I Cor. 9:27.

Paulo sofreu por amor da verdade; e, contudo, não ouvimos nenhuma queixa de seus lábios. Ao rever sua vida de fadiga, e cuidado, e sacrifício, ele diz: "Para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada." Rom. 8:18. Vem até nosso tempo a exclamação de vitória do fiel servo de Deus: "Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada? Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por Aquele que nos amou. Porque estou certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor!" Rom. 8:35, 37-39.

Embora Paulo fosse afinal confinado a uma prisão romana - excluído da luz e ar do céu, isolado de sua obra ativa no evangelho, esperando a todo o momento ser condenado à morte - não se entregou à dúvida ou ao desespero. Daquela escura masmorra partiu seu testemunho antes da agonia, cheio de uma sublime fé e ânimo que têm inspirado o coração dos santos e mártires em todos os séculos subseqüentes. Suas palavras apropriadamente descrevem os resultados daquela santificação que temos desejado apresentar nestas páginas: "Eu já estou sendo oferecido por aspersão de sacrifício, e o tempo da minha partida está próximo. Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo Juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas a todos os que amarem a Sua vinda." II Tim. 4:6-8.


Ellen White

Do livro Serviço Cristão - Pags 89 - 96

 

quinta-feira, 14 de agosto de 2025

O Caráter Cristão

                                          O Caráter Cristão

Sa - Pag. 80 

O caráter do cristão é manifesto em sua vida diária. Disse Cristo: "Toda árvore boa produz bons frutos, e toda árvore má produz frutos maus." Mat. 7:17. Nosso Salvador Se compara a uma videira, da qual Seus seguidores são os ramos. Ele declara positivamente que todos aqueles que desejam ser Seus discípulos precisam produzir frutos; e então mostra como podem tornar-se ramos frutíferos. "Estai em Mim, e Eu, em vós; como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também vós, se não estiverdes em Mim." João 15:4.

O apóstolo Paulo descreve o fruto que o cristão deve produzir. Diz ele que "está em toda bondade, e justiça e verdade". Efés. 5:9. E outra vez: "O fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio." Gál. 5:22 e 23. Estas preciosas graças são apenas os princípios da lei de Deus, demonstrados na vida.

A lei de Deus é a única norma verdadeira de perfeição moral. Essa lei foi praticamente exemplificada na vida de Cristo. Ele diz de Si mesmo: "Tenho guardado os mandamentos de Meu Pai." João 15:10.  Nada menos

que esta obediência satisfará às exigências da Palavra de Deus. "Aquele que diz que está nEle também deve andar como Ele andou." I João 2:6. Nós não podemos alegar que somos impotentes para fazer isso, porque temos a afirmativa: "A Minha graça te basta." II Cor. 12:9. Ao olharmos no espelho divino - a lei de Deus - vemos a excessiva malignidade do pecado e nossa própria condição de perdidos, como transgressores. Mas, pelo arrependimento e fé, somos justificados perante Deus, e, mediante a graça divina, habilitados a prestar obediência aos Seus mandamentos.

Amor a Deus e ao Homem

Aqueles que têm genuíno amor a Deus, manifestarão um intenso desejo de conhecer Sua vontade e executá-la. Diz o apóstolo João, cujas epístolas tratam tão cabalmente do amor: "Este é o amor de Deus: que guardemos os Seus mandamentos." I João 5:3. A criança que ama aos pais, mostrará esse amor por voluntária obediência; mas a criança egoísta, ingrata, procura fazer tão pouco quanto lhe seja possível por seus pais, enquanto, ao mesmo tempo, deseja desfrutar todos os privilégios assegurados ao obediente e fiel. A mesma diferença é vista entre os que dizem ser filhos de Deus. Muitos que sabem ser o objeto de Seu amor e cuidado, e desejam receber Sua bênção, não têm nenhum deleite em fazer Sua vontade. Consideram as exigências de Deus como uma desagradável restrição, Seus mandamentos um danoso jugo. Mas aquele que está verdadeiramente procurando a santidade de coração e de vida, deleita-se na lei de Deus, e lamenta unicamente o fato de que fica muito aquém de satisfazer a suas reivindicações.

 

É-nos ordenado amar-nos mutuamente, como Cristo nos amou. Ele manifestou Seu amor, dando Sua vida para remir-nos. O discípulo amado diz que devemos estar dispostos a dar a vida pelos irmãos. Porque "todo aquele que ama ao que O gerou também ama ao que dEle é nascido". I João 5:1. Se amamos a Cristo, amaremos também àqueles que a Ele se assemelham na vida e no caráter. E não somente isto, mas havemos de amar àqueles que estão sem "esperança e sem Deus no mundo". Efés. 2:12. Foi para salvar os pecadores que Cristo deixou Seu lar no Céu, e veio à Terra para sofrer e morrer. Por isso Ele Se fatigou, agoniou-Se e orou, até o ponto de, com o coração partido e abandonado por aqueles a quem veio salvar, derramar Sua vida no Calvário.

Imitar o Modelo

Muitos se esquivam de uma vida como a que viveu nosso Salvador. Sentem que requer muito sacrifício imitar o Modelo, produzir frutos em boas obras e então, pacientemente suportar a poda divina, para que possam produzir mais fruto. Mas quando o cristão se considera apenas um humilde instrumento nas mãos de Cristo e se esforça por cumprir fielmente todo dever, confiando no auxílio prometido por Deus, então tomará o jugo de Cristo e achará fácil fazê-lo; então assumirá responsabilidades por Cristo, e dirá serem agradáveis. Ele poderá olhar para cima com ânimo e confiança, e dizer: "Eu sei em quem tenho crido e estou bem certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até àquele dia." II Tim. 1:12.

 

Se encontramos obstáculos em nosso caminho e fielmente os vencemos; se deparamos com oposição e descrédito, e, em nome de Cristo, ganhamos a vitória; se temos responsabilidades e nos desempenhamos de nossos deveres no espírito de nosso Mestre - então, de fato, alcançamos um precioso conhecimento de Sua fidelidade e poder. Não mais dependeremos da experiência de outros, porque temos o testemunho em nós mesmos. Como os samaritanos da antiguidade, podemos dizer: "Nós mesmos O temos ouvido e sabemos que Este é verdadeiramente o Cristo, o Salvador do mundo." João 4:42.

Quanto mais contemplarmos o caráter de Cristo e quanto mais experimentarmos de Seu poder salvador, com tanto maior perspicácia reconheceremos nossa própria fraqueza e imperfeição, e mais fervorosamente olharemos para Ele como nossa força e nosso Redentor. Não temos poder em nós mesmos para purificar o templo da alma de sua contaminação; mas ao nos arrependermos de nossos pecados contra Deus e procurarmos perdão mediante os méritos de Cristo, Ele comunicará aquela fé que opera por amor e purifica o coração. Pela fé em Cristo e obediência à lei de Deus, podemos ser santificados e assim obter aptidão para a sociedade com os santos anjos e os remidos vestidos de branco no reino da glória.

A União com Cristo, Nosso Privilégio

Não é somente o privilégio, mas o dever de todo cristão manter uma íntima união com Cristo e ter uma rica experiência nas coisas de Deus. Então sua vida será frutífera em boas obras. Disse Cristo: "Nisto é glorificado Meu Pai: que deis muito fruto." João 15:8. Quando lemos a vida de homens que foram eminentes por sua piedade, muitas vezes consideramos suas experiências e realizações como muito além de nosso alcance. Mas este não é o caso. Cristo morreu por todos; e é-nos assegurado em Sua Palavra que Ele está mais pronto a dar Seu Santo Espírito àqueles que Lho pedirem do que os pais terrenos a dar boas dádivas a seus filhos. Os profetas e apóstolos não aperfeiçoaram o caráter cristão por milagre. Eles usaram os meios colocados por Deus ao seu alcance; e todos os que fizerem o mesmo esforço hão de conseguir os mesmos resultados.

A Oração de Paulo Pela Igreja

Em sua carta à igreja de Éfeso, Paulo apresenta perante os membros o "mistério do evangelho" (Efés. 6:19) - "as abundantes riquezas de Cristo" (Efés. 3:8) - e então lhes assegura suas fervorosas orações em favor de sua prosperidade espiritual:

"... Me ponho de joelhos diante do Pai, ... para que, segundo a riqueza da Sua glória, vos conceda que sejais fortalecidos com poder, mediante o Seu Espírito no homem interior; e, assim, habite Cristo no vosso coração, pela fé, estando vós arraigados e alicerçados em amor, a fim de poderdes compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus." Efés. 3:14, 16-19.

Escreve ele também a seus irmãos de Corinto: "Aos santificados em Cristo Jesus, ... graça e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. Sempre dou graças ao meu Deus por vós pela graça de Deus que vos foi dada em Jesus Cristo. Porque em tudo fostes enriquecidos nEle, em toda a palavra e em todo o conhecimento (como foi mesmo o testemunho de Cristo confirmado entre vós). De maneira que nenhum dom vos falta, esperando a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo." I Cor. 1:2-7. Estas palavras são dirigidas não somente à igreja de Corinto, mas a todo o povo de Deus até ao fim dos tempos. Todo cristão pode desfrutar a bênção da santificação.

O apóstolo continua nestes termos: "Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa e que não haja entre vós dissensões; antes, sejais unidos, em um mesmo sentido e em um mesmo parecer." I Cor. 1:10. Paulo não teria apelado para eles a fim de que fizessem o impossível. A união é o resultado certo da perfeição cristã.

Também na epístola aos colossenses são apresentados os gloriosos privilégios concedidos aos filhos de Deus. "Desde que ouvimos da vossa fé em Cristo Jesus e do amor que tendes para com todos os santos; ... também nós, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós e de pedir que transbordeis de pleno conhecimento da Sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual; a fim de viverdes de modo digno do Senhor, para o seu inteiro agrado, frutificando em toda boa obra e crescendo no pleno conhecimento de Deus; sendo fortalecidos com todo o poder, segundo a força da Sua glória, em toda a perseverança e longanimidade; com alegria." Col. 1:4, 9-11.

A Norma da Santidade

O próprio apóstolo esforçava-se por alcançar a mesma norma de santidade que apresentara a seus irmãos. Ele escreve aos filipenses: "O que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; ... para O conhecer, e... na Sua morte; para, de algum modo, alcançar a ressurreição dentre os mortos. Não que eu o tenha já recebido ou tenha já obtido a perfeição; mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus. Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus." Filip. 3:7, 8, 10-14. Há um notável contraste entre pretensões vaidosas e de justiça própria daqueles que professam estar sem pecado e a modesta linguagem do apóstolo. Contudo, foi a pureza e a fidelidade de sua própria vida que deu poder às suas exortações a seus irmãos.

A Vontade de Deus

Paulo não hesitava em salientar, em toda ocasião oportuna, a importância da santificação bíblica. Diz Ele: "Vós bem sabeis que mandamentos vos temos dado pelo Senhor Jesus. Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação." I Tess. 4:2 e 3. "De sorte que, meus amados, assim como sempre obedecestes, não só na minha presença, mas muito mais agora na minha ausência, assim também operai a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a Sua boa vontade. Fazei todas as coisas sem murmurações nem contendas; para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio duma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo." Filip. 2:12-15.

Ele convida Tito a instruir a igreja quanto a que, embora devessem seus membros confiar nos méritos de Cristo para a salvação, a graça divina, habitando em seus corações, conduzirá à fiel execução de todos os deveres da vida. "Admoesta-os a que se sujeitem aos principados e potestades, que lhes obedeçam e estejam preparados para toda boa obra; que a ninguém infamem, nem sejam contenciosos, mas modestos, mostrando toda mansidão para com todos os homens. Fiel é a palavra, e isto quero que deveras afirmes, para que os que crêem em Deus procurem aplicar-se às boas obras; estas coisas são boas e proveitosas aos homens." Tito 3:1, 2 e 8.

Paulo procura impressionar-nos a mente com o fato de que o fundamento de todo serviço aceitável a Deus, ao mesmo tempo que a própria coroa das graças cristãs, é o amor; e de que somente no coração em que reina o amor é que habitará a paz de Deus. "Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade.

 

Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós; acima de tudo isto, porém, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição. Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso coração, à qual, também, fostes chamados em um só corpo; e sede agradecidos. Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração. E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por Ele graças a Deus Pai." Col. 3:12-17.


Ellen White

Do livro Santificação Pags, 80 - 88

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