domingo, 4 de maio de 2014

A História das Testemunhas de Jeová - Estudo nº 2:




 TORRE DE VIGIA – CANAL DA VERDADE DE DEUS?

I – Reivindicações Insustentáveis

1. – “A Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados é a maior corporação do mundo, porque desde o tempo de sua organização [1884] até agora o Senhor a tem usado como Seu canal mediante o qual torna conhecidas as Boas Novas”. – The Finished Mystery, pág. 144.

2. – “A ‘Sociedade’ é o representante visível do Senhor sobre a Terra”. – Jehovah’s Witnesses, pág. 149.
 
3. – “A organização visível de Deus hoje também recebe orientação e direção teocráticas. Na sede das Testemunhas de Jeová em Brooklyn, Nova Iorque, existe um corpo governante de anciãos cristãos de várias partes da Terra que dão a necessária supervisão às atividades mundiais do povo de Deus. Este corpo governante é composto de membros do ‘escravo fiel e discreto’ [Mateus 24:45 subentendido]. Os homens desse corpo governante. . . sendo governados teocraticamente, seguem o exemplo do primitivo corpo governante de Jerusalém, cujas decisões baseavam-se na Palavra de Deus e eram feitas sob a direção do espírito santo”. – Poderá Viver, pág. 195.
 
4. Ensinos originários do céu: Cumprir-se-á Então, págs. 212-214; Sentinela, 1º/outubro/1972, pág. 528 (últ. §) e 584 (§§ 6 e 7).

Obs.: Para outras declarações pretensiosas do mesmo teor ver: Santificado Seja, págs. 296, 297, 303, 308; Seja Feita, págs. 166, 167, 200; Verdade Tornará, págs. 311, 312; Nações Terão, págs. 62, 63; Paraíso Restabelecido, págs. 333-335.

II – Uma Relação Comprometedora Para uma Teocracia

– Abaixo estão listadas 50 falsas profecias, falsas datas proféticas e falsos esquemas proféticos da Sociedade Torre de Vigia desde C. T. Russell, seu fundador, até o presente, comprovadas com a literatura editada ao longo dos anos pela mesma:

1. Advento visível, literal de Cristo em 1874: The Finished, págs. 53*, 54*.

Obs.: Era a expectativa inicial de Russell, segundo ensinos que acatara de Jonas Wendell em 1872.

2. Advento invisível (começo da parousia) em 1874: Criação, pág. 125*; Prophecy, pág. 65; Sentinela 15/02/75, pág. 122; The Finished, págs. 54*, 60*, 167*.

Obs.: Esta foi a nova interpretação originada por Nelson Barbour e aceita por Russell em 1876. A data agora admitida para o mesmo evento é 1914.

3. Fim dos 6.000 anos desde a criação do homem, e começo do 7º milênio em 1872: Studies (Millenial Dawn)-II, pág. 3; Sentinela, 15/2/75, pág. 122; Aproximou-se Reino, pág. 207.

4. Início do 7º milênio desde a queda do homem, com dois anos desde a Criação até a queda: Sentinela, 15/02/75, pág. 122; Aproximou-se Reino, pág. 207.

Obs.: A data presentemente admitida para o fim dos 6.000 anos desde a criação do homem e início do 7º milênio é 1975. Nada é dito de dois anos entre a Criação e a queda.

5. Começo do tempo de angústia em 1874, segundo 3.416 polegadas de medidas da Grande Pirâmide (simbolizando 3.416 anos proféticos desde 1.542 A.C.: 3416 – 1542 = 1.874). Studies in the Scripture –III, 234*, edição de 1918.

6. Começo do tempo de angústia em 1915, segundo 3.457 polegadas de medidas da Grande Pirâmide (simbolizando 3.457 anos proféticos desde 1.542 A.C.: 3457–1542 = 1915). Studies–III, 342, edição de 1923.

7. Domínio restaurado à humanidade (Paraíso restabelecido) no ano de 2.914 A.D.: The Finished, págs. 60*, 64* [Ver § 43].

8. Data da criação do primeiro homem–4.128 A.C.: Aproximou-se Reino, pág. 206.

Obs.: A data atualmente admitida é 4.026 A.C.

9. Datas proféticas baseadas na desolação de Israel: The Finished, pág. 61*; O Eterno Propósito de Deus Vai Triunfando Agora, págs. 9 e 10.

10. Arrebatamento e glorificação do “remanescente”, súbita e miraculosamente, em 1878 para viver com o Senhor para sempre (ressurreição invisível dos santos adormecidos): The Finished, págs. 60*, 64*; Los Testigos de Jehová en el Propósito Divino, pág. 19.

11. Esquema profético sobre o “dobro”–1845 anos desde 33 A.C. levando a 1878 A.D., ano em que haveria especial favor de Deus ao Israel literal: The Finished, pág. 64*; Vida, pág. 159.

Obs.: Tanto o esquema quanto a data deixaram de ter sentido para a atual cronologia “bíblica” da Torre de Vigia.

12. Alto clamor iniciando-se em 1881: The Finished, pág. 64* (§ 2º, 4ª linha).

Obs.: A data agora é 1919, cf. Aproximou-se Reino, pág. 191.

13. Tempo de angústia inigualável entre 1874 e 1914: Santificado Seja, págs. 306, 307; Cumprir-se-á Então, págs. 267, 276.

14. A redenção do corpo (a igreja de Cristo, cf. Rom. 8:22, 23) antes de 1914: Studies (Millenial Dawn)—III, pág. 228*, ed. 1902.

15. A glorificação da igreja e estabelecimento do Reino (sobre a Terra) no ano de 1914: Studies, II, pág. 77*; Light, Liv. 1, págs. 194 e 195; Cumprir-se-á Então, págs. 110 e 210; Sentinela, 15/02/75, págs. 123; Aproximou-se Reino, pág. 188; Próxima Salvação, págs. 130, 131; Revelação, Seu Grandioso Clímax Está Próximo, pág. 130.

16. Início da fase terrestre do Reino. Ressurreição de heróis da Bíblia até João Batista no fim de 1914: Studies—IV, 624, 625.

17. O Armagedom como consequência da I Guerra Mundial: Santificado Seja, págs. 306, 307; Cumprir-se-á Então, págs. 267, 276.

18. Destruição das nações gentias em 1914: Sentinela, 15/2/75, pág. 123; Aproximou-se Reino, pág. 188.

19. Fim da cegueira espiritual dos judeus, e Jerusalém não mais pisada pelos gentios a começar em 1914: Studies (Millenial Dawn), II, 77*, edição de 1904.

20. Reino estabelecido em 1915: The Finished, pág. 128*; Studies—IV, 624, 625; Light, pág. 195.

21. Passagem de Russell para ‘além do véu’ (ida para o Céu) quando de sua morte em 1916, donde se teria posto a dirigir a obra da “Ceifa”: The Fihished, págs. 144*, 420; Los Testigos de Jehová en el Propósito Divino, págs. 63, 64.

Obs.: Cria-se então que a ressurreição invisível dos salvos começara em 1878. Em 1927 concluiu-se que somente tivera lugar desde 1918 (Paraíso Perdido, pág. 192). Teria Russell chegado ao céu antes da hora?

22. Glorificação do “remanescente” em 1918: Próxima Salvação, pág. 131.

Obs.: A idéia é de glorificação literal, nova expectativa de irem para o céu após os desapontamentos de 1878, 1914 e 1915. Atualmente 1918 é aplicado ao início da ressurreição “invisível” da “classe ungida” de 144.000 membros.

23. Igrejas destruídas por atacado e membros da cristandade mortos aos milhões [cf. Ezeq. 24:25, 26] em 1918: The Finished, pág. 485*.

24. Russell, “sinal” para os que consultarem seus livros (10 milhões espalhados pelo mundo) após a mortandade de 1918 [cf. Ezeq. 24:27]: The Finished, pág. 485*.

25. Russell, cumprimento de Ezequiel 9:4-11; 10:1-7 e outras profecias: Cumprir-se-á Então, págs. 110, 111.

Obs.: Aplicação agora aos 144.000 ungidos: Cumprir-se-á Então, pág. 113.

26. Sete trovões e sete pragas (Apoc. 16)–os 7 volumes de Studies in the Scriptures: The Finished, pág. 167*.

27. “Colheita” concluída em 1919. Pela frente só “obra de respiga”: Paraíso Restabelecido, págs. 159, 160.

28. Repúblicas mundiais totalmente subvertidas entre 1917 e 1920, especialmente 1920: The Finished, pág. 258*.

29. Fechamento do caminho celestial (tempo de graça) em 1921: The Finished, pág. 64*.

30. Ressurreição, em 1925, dos heróis de Hebreus 11: Milhões Agora, págs. 110*, 111*, 122*; The Way, págs. 224*, 228*; Salvação, págs. 275*, 276*.

Obs.: Em Salvação, menção a Beth-Sarim, casa para morada dos “príncipes” ressuretos (depois de 1925). Ver foto da casa na pág. 275* [Est. nº 3, Subt. III, §§ 7 e 8].

31. Reino estabelecido na Palestina em 1925: The Finished, pág. 128*; Milhões Agora, págs. 110*, 111*, 122*; The Way, págs. 224*, 228*.

32. Ressurreição geral a partir de 1925 com intervenção dos “príncipes”: The Way, págs. 226*, 227*, 232*; Anuário . . . 1976, págs. 217 e 146.

33. Deus retorna judeus à Palestina quando da ressurreição e restauração do Reino em 1925: The Way, págs. 224*, 225*.

34. Jerusalém, capital do mundo no Reino restaurado (1925): The Way, págs. 224*, 225*.

35. Nenhuma morte após 1925. Decoradores funerários devem arranjar novas ocupações: The Way, pág. 228* (cf. 224*).

36. Após falha das predições sobre 1925, novas interpretações sobre retorno dos judeus: Vida, págs. 163, 172, 173-175; Próxima Salvação, pág. 130; Revelação, Seu Grandioso Clímax Está Próximo, pág. 118.

37. Predição de Rutherford (cerca de 1937): nazistas invadiriam a Suíça e a dominariam na II Guerra Mundial: O Juiz Rutherford Expõe a Quinta Coluna, pág. 15*.

Obs.: Livreto editado em julho de 1940.

38. Predição de Rutherford (1938): nazistas destruiriam o Império Britânico: O Juiz Rutherford Expõe a Quinta Coluna, pág. 15*.

39. Predição de Rutherford (1938): ditadores aliados à hierarquia católica apoderar-se-iam “do domínio de quasi [sic] todas as nações, se não for de todas”, dominando-as por pouco tempo: O Juiz Rutherford Expõe a Quinta Coluna, pág. 15*.

Obs.: Isso em conexão com a II Guerra Mundial.

40. Predição de Rutherford: tempo de angústia e Armagedom em resultado direto da II Guerra Mundial: O Juiz Rutherford Expõe a Quinta Coluna, pág. 16*.

41. Predição de Rutherford: desmascaramento do catolicismo no Armagedom, logo após a II Guerra Mundial: O Juiz Rutherford Expõe a Quinta Coluna, págs. 17 e 22.

42. Começa o milênio, outubro de 1975: comparar Vida Eterna, págs. 28, 29, 20, 357; Seja Deus (ed. 1949) págs. 174 e 175; Novos Céus, pág. 374; Caiu Babilônia, pág. 218; Sentinela, 01/5/1973, pág. 244.

43. Restituição completada em 2875 A.D.: The Finished, pág. 60*.

Obs.: Embora essa data seja futura, não é preciso esperar para que se confirme. Foi estabelecida com base nas medidas da pirâmide de Gizé e, logicamente, não são mais consideradas corretas pelas “testemunhas” em nossos dias. O segundo dirigente da Sociedade Torre de Vigia, o “juiz” Rutherford, concluiu serem “ímpios” os que persistissem crendo na teoria de profecias estabelecidas por medidas da grande pirâmide egípcia (idéia advogada pelo fundador da Sociedade, Charles Russell, e ensinada com convicção por 35 anos)–ver Light, Liv. 1, pág. 12*.

44. Queda de Adão em 4.127 A.C.: The Finished, págs. 60* e 64*.

45. Data da criação do primeiro homem, 4.025 A.C.: Equipado Para Toda Boa Obra, pág. 143; Novos Céus, pág. 379.

Obs.: A data atualmente admitida é 4.026 A.C.

46. Data a partir da qual calcular os 2.520 “dias proféticos” (606 A.C.): Light, Liv. 1, pág. 195*; Vida, pág. 107.

Obs.: A data atualmente admitida é 607 A.C.

47. Os 1.260 dias de Apoc. 12: 6, 14–tempo de duração da guerra no Céu: Novos Céus, pág. 219.

48. Os 1.260 dias: período que vai de março de 1919 a setembro de 1922 (cf. Apoc. 11:1-3): Próximo Reino, págs. 312, 313.

49. Os 1.260 dias: período que vai de meados de novembro de 1914 a maio de 1918 (cf. Apoc. 11: 1-3): Seja Feita, pág. 166.

Obs.: Atual interpretação para os 1.260 dias:

a) Apoc. 11:2 e 3 aplica-se ao período de 4/5 de outubro de 1914 a 27 de março de 1918: Cumprir-se-á Então, págs. 262, 264, 332.

b) Nova interpretação (em separado) para Apoc. 12: 6, 14: tempo que vai de 13/14 de abril de 1919 a 4/5 de outubro de 1922: Cumprir-se-á Então, págs. 315, 316.

50. As 2.300 “tardes e manhãs” de Dan. 8:14–período de 25/5/1926 a 15/10/1932: Seja Feita, pág. 198, § 44.

Obs.: Contrastar com o Anuário das Testemunhas de Jeová-1976, pág. 247, onde o mesmo tempo profético torna-se de 1º a 15 de junho de 1938 a 8-22 de outubro de 1944.

– CONCLUSÃO: Apesar disso tudo, a Sociedade Torre de Vigia de Bíblias e Tratados reivindica ser uma entidade teocrática, ou seja, diretamente dirigida por Deus, representando o “carro antitípico de Jeová” (Ezequiel 1), o servo ao qual o Senhor confiou os Seus bens (Mateus 24:45-47), o Israel espiritual, o exclusivo canal para a transmissão da verdade divina, etc. Seus livros são referidos como instrumentos de advertência e desmascaramento dos erros e hipocrisia da cristandade. . .

III – LUZ PROGRESSIVA OU “PISCA-PISCA”?

1. No caso das alterações doutrinárias frequentes, a passagem de Prov. 4:18 sobre a “vereda do justo” comparada à “luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito”, não pode aplicar-se. Deus não enviaria novas luzes para contradizer aquelas anteriormente concedidas por Ele mesmo.

2. O contexto de Prov. 4:18 indica que o tema não é progresso de conhecimento e aprimoramento doutrinário de entidades religiosas, mas o despertar do indivíduo para a vida adulta, avançando intelectual e moralmente ao acolher as recomendações dos mais velhos, especialmente dos pais, em contraste com a atitude do ímpio.

3. Exemplo de “luz progressiva” que mais se parece com um “pisca-pisca” é a interpretação sobre as “autoridades superiores” de Romanos 13. Segundo Seja Deus, págs. 241, 242 e Certificai-vos (ed. 1960), pág. 55, referem-se somente a Jeová e Jesus Cristo, não aos governos humanos. Mas o livro Certificai-vos (ed. 1970), págs. 52, 53 e Vida Eterna, págs. 199, 201, 203 (§ 29) já admitem que se referem aos governos terrestres, voltando à posição anterior e harmonizando-se com o pensamento histórico da “cristandade”.

Obs.: No livro Verdade Tornará, ed. 1946, págs. 315 e 316 há críticas aos que crêem que as autoridades superiores sejam os governantes humanos. Declara ainda que “em 1929 irrompeu luz clara” sobre o assunto, confirmando que seriam apenas Jeová e Jesus Cristo. Assim, a “Sociedade” voltou atrás e readmitiu a interpretação anterior a 1929 que sempre foi a dos cristãos em geral, que não teriam a “verdade”. Que aconteceu? A luz que brilhava, apagou-se e tornou a acender-se mais tarde? E permanecerá assim acesa? Ou existirá a possibilidade de alguma “nova luz” vir a alterar a interpretação? Tal indagação não é sem sentido, nem exagerada, pois isso já aconteceu no passado. Senão, vejamos:

4. Em resposta à interrogação—“os homens de Sodoma ressuscitarão?”, a “Sociedade” tomou as seguintes posições alternadas:

· Sim: Watchtower [A Sentinela], julho de 1879, pág. 8.

· Sim: Watchtower [A Sentinela], 1º de agosto

de 1965, pág. 479.

· Sim: Aid to Bible Understanding*, eds. de 1969 e 1988, vb. “Gomorra”.

o Não: Watchtower [A Sentinela], 1º de junho de 1952, pág. 338.

o Não: A Sentinela, 1º de junho de 1988, págs. 30, 31.

o Não: Revelação, Seu Grandioso Clímax Está Próximo, edição de 1988, pág. 273.

* [Mais tarde, Insight on the Scriptures; em português Estudo Perspicaz das Escrituras].

5. Entre 1967 e 1980 a Torre de Vigia ensinava que seus adeptos deveriam recusar os transplantes como violação da lei de Deus (cf. The Watchtower 15/11/67, págs. 702-704). Outra de suas publicações até declarava que as “testemunhas” consideravam “todos os transplantes como canibalismo” (Awake [Despertai], 8/6/68, pág. 21).

Obs.: a) Eis os comentários de quem atuou no seio dessa organização contraditória:

“Durante esses 13 anos requeria-se das Testemunhas de Jeová que preferissem a cegueira a um transplante de córnea, e morrer de preferênca a submeter-se a um transplante de rins. (Um ex-ancião entrevistado na Inglaterra diz que renunciou a suas crenças após uma mulher em sua congregação ter ficado cega em obediência às ordens da organização). Em 1980 a Sociedade tornou os transplantes uma questão de ‘decisão pessoal’” (Watchtower 15/3/80, pág. 31). E agora admite que as pessoas são ‘ajudadas’ por transplantes. Quão sábio é confiar o bem-estar espiritual de alguém a uma organização que tem representado mal a lei de Deus em tais questões de vida ou morte?”—Citado em Comments From the Friends, outubro de 1980, pág. 9.

b) Sendo que a teologia e as interpretações proféticas da Torre de Vigia mudam tanto com o passar do tempo (muitas vezes terminando em harmonia com o pensamento dos cristãos em geral), quem garante que as atuais posições serão válidas dentro das próxima décadas?

c) Uma passagem bíblica que vale a pena considerar neste contexto é I João 4:1:

“Amados, não acrediteis em toda expressão inspirada [ensinos dirigidos “desde o céu”—N. do A.], mas provai as expressões inspiradas para ver se se originam de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo afora” (TNM).

IV – PREMISSA BÁSICA

1. A fidelidade irrestrita que se requer das TTJ à sua liderança tem por base a interpretação de que “o servo fiel e prudente” (ou “fiel e discreto”, T.N.M.) mencionado em Mateus 24:45-47 é uma profecia de Cristo relativa aos dirigentes da entidade, especialmente o seu ‘Corpo Governante’.

2. As pessoas são induzidas a crer que, como “canal” atual da mensagem divina aos homens, os ensinadores oficiais da Torre de Vigia, concedem o alimento apropriado a todos através de suas revistas e livros.

3. Tal alimento deve ser aceito com alegria, e os que o propiciam devem merecer pleno respeito, e jamais ser contestados, pois se é Deus quem estabeleceu tal “canal”, qualquer discordância significaria rebelar-se contra o próprio Deus, caracterizando-se tal indivíduo como um “mau servo” (vs. 48).

4. Num livro da Torre de Vigia lançado em 1995, intitulado Conhecimento que Conduz à Vida Eterna, págs. 160 e 161, ocorre a seguinte exposição do pensamento oficial da seita a respeito:

“Suprimentos de emergência em geral são distribuídos por meio de um esquema organizado, e Jeová faz provisões espirituais para seu povo por meio de um canal. Por exemplo, os israelitas foram a ‘congregação de Jeová’ por uns 1.500 anos. Entre eles havia aqueles que serviam como canal de Deus para o ensino da lei (1 Crônicas 28:8; 2 Crônicas 17:7-9). No primeiro século EC, Jeová trouxe à existência a congregação cristã. Formaram-se congregações, que funcionavam sob a direção de um corpo governante composto dos apóstolos e anciãos. (Atos 15:22-31) Hoje, também, Jeová lida com seu povo por meio de um grupo organizado. Como sabemos disso?

“Jesus disse que no tempo da sua presença, época em que estaria empossado no Reino, ‘o escravo fiel e discreto’ estaria fornecendo ‘alimento apropriado’ aos Seus seguidores. (Mateus 24:45-47) Quando Jesus foi empossado como Rei celestial em 1914, quem era esse ‘escravo’? com certeza não era o clero da cristandade. De modo geral, o clero estava alimentando seus rebanhos com propaganda política em apoio a seus respectivos governos nacionais na Primeira Guerra Mundial. Mas o alimento espiritual adequado e oportuno estava sendo distribuído pelo grupo de genuínos cristãos que eram ungidos pelo espírito santo de Deus e faziam parte do que Jesus chamou de ‘pequeno rebanho’. (Lucas 12:32). Esses cristãos ungidos pregavam o Reino de Deus, não os governos humanos. . . . Usando o ‘escravo fiel’ e o Corpo Governante da atualidade, Deus orienta seu povo organizado a colocar alimento, roupa e abrigo, em sentido espiritual, à disposição de todos os que querem essas coisas”.

5. A propaganda enganosa desses dizeres é óbvia quando se leva em conta alguns fatos históricos nunca lembrados pelos que emitem tais declarações pretensiosas. Recordemos alguns dos ensinos (ou “alimento espiritual”) dos dirigentes da seita das TTJ por ocasião do suposto início da “presença” de Cristo (em 1914) à luz da relação de seus ensinos ao longo da história, segundo o que expusemos neste Est., Subt. II.

A) A própria “presença” de Cristo, de modo invisível à humanidade, teria tido início em 1874 (data depois alterada—em 1943—para 1914).

B) A data do início da ressurreição dos salvos seria 1878 (depois alterada—em 1927—para 1918).

C) O Reino seria estabelecido plenamente nos céus naquele ano de 1914 e a história humana chegaria ao seu fim com a ascensão da Igreja para o Céu no mesmo ano.

D) A pirâmide de Gizé no Egito continha importantes profecias em suas medidas.

E) A cronologia adotada tinha datas agora rejeitadas para a criação do homem, início do 7º milênio, etc.

F) Muitos ensinos atuais sobre a nação de Israel, os 144 mil, a “estaca de tortura” em vez da cruz, a proibição de celebração de aniversário e natal, a proibição de transfusão de sangue, etc. não haviam sido desenvolvidos.

Obs.: a) Consequentemente, o “alimento” que estaria sendo distribuído pelo “servo fiel e prudente” (ou “discreto”, T.N.M.) quando supostamente “Jesus foi empossado como Rei celestial em 1914” achava-se estragado, com tantas discrepâncias com o que se passou a ensinar nos anos futuros! Qualquer um sabe das sérias consequências de consumir-se alimento estragado.

b) E tal “alimento” não podia estar sendo concedido “no tempo certo”, quando “o seu Senhor vier”, pois a própria data dessa “vinda” de Cristo então ensinada era equivocada, na interpretação atual da própria Torre de Vigia (em 1874, e não 1914!).

c) A insinuação sobre o “clero da cristandade” que estaria induzindo os seus seguidores a se envolverem com os fomentadores da I Guerra Mundial, além de ser maldosa e generalizada, não leva em conta o que informa publicações da própria Torre de Vigia: durante o tremendo conflito, nas “nações em guerra, muitos dos irmãos [“testemunhas”] foram compelidos a ingressar no exército” e lutaram na guerra (Cumprir-se-á Então, pág. 276, Paraíso Perdido, pág. 187)! E na obra mais recente, Proclamadores do Reino, ocorre a incrível revelação de que também na II Guerra Mundial, alguns soldados “testemunhas de Jeová” “entraram nas trincheiras das linhas de combate com fuzis e baionetas. Mas, tendo em mente o texto: ‘Não matarás’ atiravam no ar ou tentavam simplesmente derrubar a arma das mãos do inimigo” (Op. Cit., pág. 191). Teriam passado a guerra toda atirando para o ar, na presença de seus rigorosos e fanáticos comandantes?! E quando derrubavam a arma das mãos do inimigo, certamente o faziam com “delicadeza cristã”? Como se diz em italiano, “Se non è vero, è bene trovato”.. . .

F) A leitura atenta do texto de Mateus 24:45 a 51, e o texto paralelo de Lucas 12:42-48 torna claro que não se trata de nenhuma profecia específica sobre algum grupo de líderes religiosos. Em Lucas 12:37 o termo está no plural (“bem-aventurados aqueles servos a quem o senhor, quando vier, os encontre vigilantes. . .”).
Obs.: a) Todo o contexto mostra que Jesus está falando da necessidade de preparo para o Seu advento. O contraste entre os bons e maus servos em Mateus 24 e Lucas 12 é o mesmo que muitas vezes consta da Bíblia entre os preparados e os despreparados quando de Sua vinda (as virgens prudentes e as néscias em Mateus 25 ou os “bodes e cabritos dos vs. 31-26, por exemplo).

b) O paralelo entre “virgens prudentes” e “servo prudente” ou “servos vigilantes”, bem como a figura do “pai de família” em Luc. 12:39 reforçam essa realidade

c) O vs. 40 liquida a questão de modo claro: “Ficai também vós apercebidos, porque, à hora em que não cuidais, o Filho do homem virá”.

– CONCLUSÃO: O fato é que a liderança das TTJ em 1914 estava “cuidando” que a vinda de Cristo se dera em 1874, não no ano de 1914! Logo, tais dirigentes, longe de poderem ser caracterizados como “servos fiéis e prudentes”, revelaram-se imprudentes e bem desapercebidos!
Fonte - O desafio da torre de vigia pags 16-21

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