segunda-feira, 5 de maio de 2014

HISTÓRIAS MALCONTADAS PELA TORRE DE VIGIA - Estudo nº 3:



Estudo nº 3:


I – A Verdade Sobre o “Ano Marcado” (1914)

1. Declaração típica do triunfalismo jeovaísta em Verdade Conduz, págs. 90, 91:

– “Os versados na Bíblia já reconheciam com anos de antecedência que 1914 seria um ano de grande significação. A cronologia bíblica apontava especificamente para aquele ano, e os estudantes atentos da Palavra de Deus sabiam disso. Esperavam que ocorressem grandes mudanças, e os fatos confirmam que 1914 foi realmente um ano marcado”.

Obs.: Em Paraíso Restabelecido, págs. 332, 333 é dito que Russell avisara a cristandade sobre o que se daria em 1914, mas não lhe deram ouvidos, para sua perdição.

2. Mas a verdade é que 1914 era um “ano marcado” pelos russelitas para dar-se então uma série de acontecimentos que jamais se confirmaram: o fim literal do mundo, o início do Armagedom, a ida dos salvos para o Céu, etc. (Ver Studies–II, pág. 77*.)

3. Após a passagem da data, a interpretação foi mudada e as profecias que se referiam a 1914 foram simplesmente transferidas para o ano seguinte, 1915.–The Finished, pág. 128*.

4. As edições subsequentes do livro que fazia menção a 1914 e ao que então esperavam ter lugar, precisaram ser “corrigidas”.

Obs.: a) Observar a sutileza dessas “correções” comparando a pág. 77*, de Studies-II nas edições de 1904 e 1924, e Studies-III, 228*, eds. de 1902 e 1923.

b) Provas adicionais de que realmente a “Sociedade” cometeu esses equívocos na sua interpretação bíblica: Vida Eterna, págs. 358 e 359; Cumprir-se-á Então, págs. 45, 276 e 277, 110 (§ 15); Sentinela, 15/2/75, pág. 123; Light, Liv. 1, pág. 194*.

5. Mas 1915 passou também sem maiores novidades. Então, o ano de 1918 foi fixado como o que marcaria a glorificação dos salvos. Isso tudo pode ser comprovado no livro publicado em 1975 pela Torre de Vigia chamado Está Próxima a Salvação do Homem da Aflição Mundial, págs. 130 e 131.

Obs.: Ao historiar os “desapontamentos”, partem direto de 1914 para 1918, “esquecendo-se” de mencionar 1915 que substituiu 1914 por um tempo (pelo menos 1 ano). Depois, não daria mais, pois ocorreu algo inesperado–chegou 1916!

6. CONCLUSÃO: As “grandes mudanças” esperadas quase que tiveram mais cumprimento na interpretação das profecias e na teologia russelita do que nas condições mundiais.

Obs.: Hoje a Torre de Vigia se esforça por demonstrar que antecipou 1914 como um ano significativo. A verdade é que este ano demonstrou-se um fracasso para suas predições, não obstante afirme causticamente: “Os modernos Rei Acabe e Rainha Jezabel, ou o Estado e a Igreja da Cristandade, foram avisados do ano crítico de 1914 quando terminaria o poder que Jeová Deus tinha dado às nações gentias para dominarem a terra”. – Santificado Seja, pág. 305.

II – Ossos Secos e Derramamento do Espírito

1. Significativas declarações que merecem análise:

A) - “No que se refere ao nosso século vinte, o profeta Ezequiel representa bem os do restante ungido das testemunhas cristãs de Jeová a partir do ano 1919 A.E.C., ano crítico em que houve um reavivamento de suas atividades públicas, conforme predito em Revelação [Apocalipse] 11:3-12”. – Nações Terão, pág. 49.

B) - “Após o término da Primeira Guerra Mundial, em 11 de novembro de 1918, tendo-se iniciado o mundo do após-guerra, escutaram avidamente, no ano de 1918 depois de seu reavivamento, para ouvir o que Jeová tinha a dizer-lhes por meio de sua organização semelhante a um carro. . . . A organização celestial de Jeová existia no ano de 1919 e entrou em contato espiritual com os do restante ungido, naquele ano, para reavivá-los como testemunhas públicas de Jeová perante todo o mundo. Esta organização semelhante a um carro estava então em movimento, em 1919; está em movimento hoje, e, evidentemente, suas rodas de progresso giram mais depressa do que nunca. Jeová avança de novo!” – Idem, pág. 50 (ver também págs. 62 e 63).

C) - [Ezequiel 37: 5, 7-10 citado]: “Estes ossos secos representavam as testemunhas de Jeová em 1918. Mas, na primavera de 1919, Deus teve misericórdia com as suas testemunhas. O espírito de Deus veio sobre elas assim como fez no vale dos ossos secos, na visão. As testemunhas de Jeová voltaram a viver. De forma que a visão do vale de ossos secos é uma profecia bíblica”.–Paraíso Perdido, pág. 191 (§ 23).

D) - “Esta volta à vida espiritual foi um milagre tão grande, que foi representado na Bíblia pelos ossos secos que voltaram a viver”.–Ibid, (§ 22).

Obs.: a) Ver também Nações Terão, pág. 317; Santificado Seja, págs. 321, 322 e Próximo Reino, págs. 314 e 315.

b) No livro mais antigo (ed. 1929) Vida, págs. 182 e 183, porém, os ossos secos reunidos representariam o restabelecimento de Israel nacional ao favor de Jeová Deus.

F) - “Certamente, 1919 não foi de pouca importância na história da classe da ‘virgem casta’ de Deus. Empreendeu-se então uma grande obra mundial de pregação do Reino. Os da classe das ‘virgens discretas’ foram naquele tempo acordados, e nunca mais se puseram a dormir! Foi deveras então que ‘todas aquelas virgens levantaram-se e puseram as suas lâmpadas em ordem’ (Mat. 25:7)”.–Sentinela 15/2/75, pág. 123.

Obs.: O livro Paraíso Restabelecido declara que tal obra de “ceifa”, começando de 1919, foi empreendida “sob a direção superior dos ‘ceifeiros’, os anjos celestiais” (pág. 104). Ver também Está Próximo, pág. 105 (§ 44).

2. Diante das declarações anteriores, que falam em derramamento do Espírito de Deus, e afirmam taxativamente que os da classe das “virgens discretas” (as “testemunhas de Jeová”) acordaram e nunca mais se puseram a dormir é de se esperar que acontecimentos coerentes com tais declarações demonstrem sua validade. Mas o que se passou então com a Torre de Vigia e seus membros a partir de 1919?

A) Houve grande atividade de distribuição de literatura. O Mistério Consumado foi livro dos mais vendidos: Cumprir-se-á Então, 264, 270, 274, 279; Paraíso Restabelecido, pág. 353.

B) Também os 6 volumes anexos do Studies in the Scriptures foram difundidos nessa época com todos os ensinos sobre as datas proféticas baseadas na pirâmide de Gizé, etc., hoje rejeitados.

C) O Mistério Consumado não só era distribuído, como servia de compêndio de estudo e inspiração para as “testemunhas”: Nações Terão, pág. 61 (§ 23).

D) Essas declarações pretensiosas diante de tais fatos encontram uma dificuldade gritante: como puderam ter sido reavivadas por Deus e receber Seu Espírito para difundirem obras tão cheias de equívocos e profecias falsas, como a coleção Studies in the Scriptures, incluindo o vol. VII, O Mistério Consumado?

Obs.: As profecias e muitos dos ensinos desses livros são hoje rejeitados pela mesma “Sociedade”. Daí a prova de que são realmente falsos (ver Est. nº 2, Subt. II).

III – 1925: A Grande Aventura Profética de Rutherford

1. Após 1919, enquanto os adeptos da Torre de Vigia (desfrutando agora do especial favor divino durante seu “reavivamento”) se empenhavam na difusão do Studies in the Scriptures, o Presidente da “Sociedade”, Joseph F. Rutherford, empenhava-se em preparar um novo compêndio.

2. O livro escrito por Rutherford e lançado em inglês em 1920 (em português em 1923) recebeu o sugestivo nome de Milhões Que Agora Vivem Jamais Morrerão. Diz a página frontal que foi traduzido em 30 idiomas, tendo uma tiragem, excepcional para a época, de 3,5 milhões de exemplares (ver página em fotocópia anexa).

3. Nessa obra, além de profecias relativas ao retorno dos judeus à Palestina sob o favor de Deus como cumprimento de certas profecias, constava a declaração de que em 1925 ocorreria a ressurreição de Abraão, Isaque e Jacó, além de outros heróis do Antigo Testamento. Ver Milhões Agora, págs. 110*, 111*, 122*.

4. Em 1925, nesse novo “ano marcado”, a “Sociedade” fez publicar a obra The Way to Paradise [O Caminho Para o Paraíso], de autoria do então secretário da entidade, W. E. Van Amburgh. Nele eram descritas as condições do mundo após a ressurreição dos heróis bíblicos do passado.

Obs.: As descrições do que então ocorreria são hilariantes: ver The Way 224*, 226*, 228*, 232*.

5. Obviamente 1925 não trouxe os heróis de Hebreus 11, nem a morte deixou de existir a partir desse ano.

6. Eis o testemunho de uma ex-”testemunha” sobre o que se deu ao aproximar-se o “ano marcado” de 1925:

“A Sociedade Torre de Vigia dá brado por suas excentricidades. Uma delas é a tendência para prever, com grande sensação, as datas do fim do mundo. Primeiro marcaram-na para o ano de 1914. Essa previsão falhou e muitos ‘Estudantes da Bíblia’ ficaram desanimados. Mais tarde adiaram-no para o ano de 1925. Esta nova previsão foi anunciada através dos opúsculos ‘A Queda de Babilônia, a Grande’ e ‘Milhões dos que Agora Vivem Nunca Morrerão’. Com uma propaganda viva e persuasiva a Sociedade, assegurando-nos que nesse ano veríamos aparecer os heróis do Velho Testamento, nunca deixou que em nós arrefecesse o entusiasmo e a perspectiva. No outono de 1924 meu pai quis comprar-me um fato [N.A.: ou terno de roupa] novo. Pedi-lhe que o não fizesse pois faltavam poucos meses para começar o ano de 1925 e, com ele, dar-se-ia o advento do Reino. Esta atitude, hoje, parece-me ridícula, mas por ela vê-se bem a confiança que eu tinha na Organização e na doutrina que ela difundia. A insistência da propaganda sobre este ponto tinha sido enorme, obcecante. E, de tal maneira, que a grande maioria estava absolutamente convencida de que o triunfo do Reino e a destruição do mundo ímpio estavam iminentes. Os chefes, no entanto, não acreditavam no que diziam, mostrando-o pelos seus actos. Alguns dos ‘Estudantes’ mais experientes começaram a reparar nessa contradição. A Sociedade aumentava o seu patrimônio comprando propriedades, fazendo novas construções e ampliando as suas empresas. Assim, a previsão de que o mundo acabaria em breve e a aquisição de bens imobiliários estavam em nítida contradição”. W. J. Schnell, Trinta Anos Escravizado à Torre de Vigia, págs. 23 e 24.

7. Quando quatro anos haviam decorrido sem que sua predição tivesse cumprimento, e em vista do grande número que se afastava da seita desapontados com suas falsas profecias, uma mansão chamada “Beth Sarim”

(casa dos príncipes, em hebraico) foi adquirida em San Diego, Califórnia, EUA. O objetivo da casa era acomodar os “príncipes” ao ressurgirem em breve, segundo se anunciava.

8. Enquanto não ocorria a predita ressurreição, o Presidente da Sociedade, J. F. Rutherford, ficou ocupando Beth Sarim”, como refúgio de inverno e isso se deu até sua morte, pois os “príncipes” jamais retornaram.

A) Provas da existência da casa “Beth Sarim”: ver figura e texto que a acompanha em Salvação, págs. 275*, 276*.

B) Prova de que Rutherford a utilizou até sua morte: Santificado Seja, pág. 337, § 4.

Obs.: As predições sobre o estabelecimento do Reino eram de que teria Jerusalém por capital. Por que Beth Sarim não foi adquirida na velha cidade palestina, mas sim no agradável centro turístico californiano é algo que nenhuma “testemunha” soube me explicar até hoje. . .

9. A sutileza com que a Torre de Vigia menciona o fracasso profético de Rutherford merece consideração. Eis um trecho significativo do Seja Feita, págs. 311 e 312:

“Na tarde de domingo, 10 de setembro [de 1918, cf. contexto], o Presidente Rutherford proferiu um discurso público sobre o tema disputado ‘Milhões Que Agora Vivem Jamais Morrerão’. . . . Em 1926 houve um decréscimo relatado na assistência à refeição noturna do Senhor em 27 de março para 89.278. Especialmente o ano de 1925 foi de grande prova para muitos do povo de Jeová. Alguns cessaram de esperar e voltaram ao mundo”.

Obs.: Ano de prova pelo fracasso da profecia. Os que “cessaram esperar” não foram só “alguns”, mas, segundo pesquisadores bem informados, nada menos que 80% dos membros totais da seita, decepcionados com os repetidos malogros das predições da Torre de Vigia. Por que não contam a história direito?

10. A Torre de Vigia busca ocultar o fato da publicação do Milhões Que Agora Vivem Jamais Morrerão. Eis outro trecho em que isso se dá claramente:

“Uma grande bênção espiritual foi derramada em 24 de fevereiro de 1918 e cresceu na proporção do passar dos anos. Isto se deu quando o então presidente da Sociedade Torre de Vigia, J. F. Rutherford, proferiu o seu famoso discurso em Los Angeles, Califórnia, sobre o tema alarmante ‘Findou o Mundo–Milhões Que Agora Vivem Jamais Morrerão’. Este discurso expressou vigorosamente a esperança de que pessoas semelhantes a ovelhas que se voltassem para Jeová e sua justiça seriam escondidas durante a impendente batalha do Armagedom e de que sobreviveriam para o novo mundo de justiça de Deus com uma maravilhosa oportunidade de vida eterna num paraíso terrestre governado pelo reino de Deus. Este anúncio tornou-se o tema dos oradores . . . durante os anos seguintes em toda a Terra. Embora a mensagem do ‘Milhões Que Agora Vivem Jamais Morrerão’ fosse renovada e continuasse a ser pregada e publicada. . .”–Op. Cit., pág. 311.

Obs.: a) É difícil imaginar nessa confusão toda como pôde ter-se dado um derramamento de “grande bênção de Deus” que “cresceu na proporção dos anos”, sendo que o resultado disso foi uma falsa profecia: A ressurreição dos heróis bíblicos para estabelecimento do Reino milenial sobre a terra em 1925.

b) Note-se que há menção direta ao “famoso discurso” e nada se fala diretamente do não menos famoso livro. Aliás, por que as “testemunhas” mais novas na seita, ou mesmo algumas antigas, nunca foram informadas da existência do livro Milhões. . . de tão grande difusão e circulação na história da Torre de Vigia (traduzido para 30 línguas com tiragem de 3,5 milhões de exemplares!)?

11. Uma rara alusão ao livro ocorre no Anuário das Testemunhas de Jeová de 1976, págs. 127 e 146.

A) Na página 127 fala-se sobre a “Campanha dos Milhões” que se caracterizou “pela distribuição do livro de 128 páginas, Milhões Que Agora Vivem Jamais Morrerão, colocado com as pessoas pela contribuição de 25 centavos de dólar o exemplar”. Também é indicada a relação dessa campanha com “um programa de discursos públicos. . . proferido por J. F. Rutherford” e que se transcrevia “no novo livro em 1920”. Mais adiante é relatado que tal livro “com o tempo foi traduzido e publicado em vários idiomas”.

B) Na página 146 há o reconhecimento de que se fez necessário ajustar “o modo de pensar sobre 1925. . . . Expectativas de restauração e de bênçãos foram ligadas ao mesmo, visto que achavam que tal ano assinalaria o fim dos setenta jubileus” [referência a Lev. 25:1-12].

Obs.: Não obstante, não há qualquer indicação de que esse “modo de pensar sobre 1925” tenha qualquer ligação com a “Campanha dos Milhões”. Não há referência de que se tratava de uma falsa profecia contida no livro. Ou seja, o que diz a página 146 não está relacionado com o que consta da 127!

12. Continua o livro:

“Declara A. D. Schroeder: ‘Pensava-se que então o restante dos seguidores ungidos de Cristo iria para o céu, para ser parte do reino, e que os fiéis homens da antiguidade, tais como Abraão, Davi e outros, seriam ressuscitados como príncipes para assumir o governo da terra como parte do reino de Deus’. Veio e foi-se o ano de 1925. Os seguidores ungidos de Jesus ainda estavam na Terra como classe. Os homens fiéis da antiguidade–Abraão, Davi e outros–não foram ressuscitados para se tornarem príncipes na terra. . . . Assim, como recorda Anna MacDonald: ‘1925 foi um ano triste para muitos irmãos. Alguns deles tropeçaram; suas esperanças foram despedaçadas. Tinham esperado ver alguns dos “antigos dignitários” [homens da antiguidade, como Abraão, Isaque, Jacó, Davi, Salomão] serem ressuscitados. Ao invés de isso ser considerado uma “probabilidade’’, leram que era uma “certeza”, e alguns se prepararam para seus próprios entes queridos, na expectativa de sua ressurreição’” (Ibid.).

13. Mas convém observar o que o Milhões. . . declarava, para conferir se era apresentado como ‘probabilidade’ ou ‘certeza’:

A) Declara às páginas 110* e 111* da edição em português:

“Qual então será o acontecimento que devemos esperar? Pelo tipo, deve haver completa restauração, portanto o grande prototypo marcará o princípio da restauração de todas as cousas. A coisa principal a ser restituida é vida á raça humana; desde que outras escripturas definitivamente estabelecem o facto, de que Abrahão, Isaac e Jacob resussitarão e outros fieis antigos, e que estes seriam os primeiros favorecidos, podemos esperar em 1925 a volta desses homens fieis de Israel, resurgindo da morte e completamente restituido á perfeição humana, os quaes serão visíveis e reaes representantes da nova ordem das cousas na terra” [sic].

B) O texto da página 122* não deixa por menos:

“Baseado nos argumentos até aqui apresentados, isto é, que a ordem velha das cousas, o velho mundo está se findando e desapparecendo, e que a nova ordem ou organização está se iniciando, e que 1925 será a data marcada para ressurreição dos anciões dignos e fieis e o princípio da reconstrucção, chega-se á conclusão razoavel de que milhões dos que vivem agora na terra, ainda estarão vivos no anno de 1925. Então, baseados nas promessas encontradas nas palavras divinas, chegamos á positiva e indiscutivel conclusão de que milhões que agora vivem jámais morrerão” [sic].

Obs.: Depois de tratar da questão em termos de “positiva e indiscutível conclusão”, “data marcada” “podemos esperar em 1925” não chega a ser cínica a declaração de que se tratava de uma “probabilidade”, e não de uma “certeza”?

14. A despeito desse episódio vergonhoso de sua história, o livro Light refere-se à publicação do Milhões Agora como uma “obra de Deus”: ver Light, Liv. 1, pág. 104*; também Vida, págs. 172-175.

15. Contudo, nas relações de datas de lançamento de livros da Torre de Vigia em Nações Terão, pág. 378; Caiu Babilônia, pág. 280; Cumprir-se-á Então, págs. 375, 376, a publicação do Milhões Agora é cuidadosamente omitida. Também omite-se a publicação de The Way. Esses livros deveriam constar como publicações lançadas em 1920 e 1925 respectivamente. Por que foram esquecidos?

16. Ainda do Anuário. . . de 1976, falando de anos posteriores a esse episódio, valeria a pena citar o seguinte:

“Durante anos, o povo de Jeová pensava que os homens fiéis da antiguidade, tais como Abraão, José e Davi, seriam ressuscitados antes do fim deste iniquo sistema de coisas. . . . Assim, quando o povo de Jeová ia a um congresso, há anos atrás, havia certo grau de expectativa. Talvez essa reunião seria marcada pelo aparecimento de um ou mais daqueles ressuscitados príncipes ou homens fiéis da antiguidade!” (Op. Cit., pág. 213)

Obs.: Nesse contexto pode-se entender melhor a função de Beth-Sarim. . . (Ver este Est. § 8). Deve-se destacar também que nessa declaração não se faz qualquer referência ao livro Milhões Agora que continha a profecia relacionada com 1925 e que originou essa expectativa.

17. A despeito disso tudo, alega o Raciocínios à Base das Escrituras, significativamente no capítulo “Falsos Profetas” (pág. 162):

“É verdade que as Testemunhas cometeram erros de entendimento, sobre o que ocorreria no fim de certos períodos de tempo, mas não cometeram o erro de perder a fé ou de cessar de ficar vigilantes quanto ao cumprimento dos propósitos de Jeová. . . . Os assuntos em que foram necessárias correções de ponto de vista têm sido relativamente mínimos em comparação com as verdades bíblicas vitais que discerniram e publicaram’’ [itálicos acrescentados].

Obs.: Entre essas “verdades bíblicas vitais” o texto prossegue enumerando, entre outras, a negação da divindade de Cristo e personalidade do Espírito Santo, a instauração do Reino na “data marcada”, 1914, a herança celestial garantida somente para 144 mil, etc.

18. CONCLUSÃO: Não teremos toda razão em fazer notar que “as virgens discretas” (no que se refiram às “testemunhas” em 1919 e anos seguintes) prosseguiram dormindo, apesar da declaração pretensiosa de A Sentinela acima citada? Com efeito, continuaram em 1920 a formular novas profecias falsas, publicando livros dos quais hoje se envergonham e se arrependem de jamais tê-los feito circular, como o Milhões Agora, The Way, O Juiz Rutherford Expõe a Quinta Coluna, etc.

Obs.: Neste contexto, é significativo o trecho de The Finished, pág. 128*: “Satanás é um diligente estudioso das profecias referentes a tempo. . ., mas não dispondo do Espírito Santo, é incapaz de chegar a conclusões precisas”. Cf. Feito Religião, pág. 52; Riquezas, pág. 171. Portanto, se é para aplicar-se o sentido da parábola bíblica de Mateus 25 aos ensinadores da Torre de Vigia, essas “virgens” só podem ser as loucas!

APÊNDICE I

REFLEXÕES SOBRE MEIAS-VERDADES E COMPLETAS MENTIRAS

A revista de circulação mundial A Sentinela, de 15/12/92, editada pela Sociedade Torre de Vigia, das ‘testemunhas de Jeová’, trouxe um artigo em destaque com o título “Por Que é Tão Fácil Mentir?” que apresenta alguns pontos muito bons e desperta séria reflexão. Na página 22 assim define a mentira:

‘1. uma falsa declaração ou ação, especialmente que seja feita com intenção de enganar. . . 2. Qualquer coisa que dê ou tenha a intenção de causar uma falsa impressão’. A intenção é levar outros a crerem em algo que o mentiroso sabe não ser verdade. Por mentiras ou meias-verdades, ele se empenha em enganar aqueles que têm o direito de saber a verdade.

Bem explanado, realmente. Mas, se uma meia-verdade equivale a uma mentira completa, isso sem dúvida se aplica a uma asserção com omissões, que poderia ser identificada por quem conhece todos os fatos como tendo “intenção de enganar” ou “causar uma falsa impressão”. Sendo assim, como fica a bem conhecida declaração em diferentes obras da literatura da Torre de Vigia (como em A Verdade Que Conduz à Vida Eterna, págs. 90, 91), que com pequenas variações assim reza: “Mais de 30 anos antes de 1914, as testemunhas de Jeová já diziam que esse seria um ano muito significativo, de grandes mudanças, e os fatos confirmam que 1914 foi de fato um ano marcado?”

De fato disseram isso. Todavia, que tipo de “ano marcado” seria esse? Para quê 1914 foi “marcado”, ou antecipado? Bem, essa é a parte que a liderança da organização das TTJ não exporá facilmente pois representa algo bastante embaraçoso. Realmente anteciparam 1914 por mais de 30 anos, mas como o ano que conheceria o fim da história humana, quando Russell (fundador da organização) e os seus seguidores anunciavam que seriam levados para o Céu, enquanto o resto da humanidade se encaminharia para o colapso final. Foi ainda predito que a I Guerra Mundial, que eclodiu então, desembocaria no Armagedom. Isso pode ser confirmado no livro publicado por essa mesma sociedade intitulado Está Próxima a Salvação do Homem da Aflição Mundial!, págs. 130 e 131.

Não sendo revelada a história completa junto com a reivindicação levantada, torna-se evidente àqueles que conhecem bem os fatos que a intenção por detrás de tal declaração parcial é de que o leitor seja induzido a ter o mais elevado conceito dessas pessoas, supostamente tão sábias e bem versadas nas profecias bíblicas a ponto de saberem, por seu estudo das Escrituras, que 1914 representaria um importante marco na história humana, com todas as suas impressionantes mudanças no campo político, econômico e social desde então. E mudanças de fato se deram, mas devido à eclosão da I Guerra Mundial naquele ano predita equivocadamente também como o início do Armagedom (ver Cumprir-se-á, Então, o Mistério de Deus, págs. 267, 276), não por causa do esperado fim da história humana para então.

O tal “ano marcado” pelas TTJ na verdade significou uma profecia fracassada dos líderes de sua organização Torre de Vigia—uma mais entre muitas outras, como apresentamos documentadamente nos vários capítulos desta obra.

Assim, se uma meia-verdade equivale a uma completa mentira, não seria o caso de que os “historiadores” da STV estarem se empenhando numa grande farsa e agindo como completos mentirosos ao omitirem esse importante detalhe do que foi realmente antecipado com respeito a 1914 por seus pioneiros? A forma em que reconstroem sua história, não constitui inegavelmente uma distorção dos fatos? A Bíblia oferece um exemplo de como uma meia-verdade acarretou graves dificuldades: Abraão não contou a história toda de seu relacionamento com Sara e isso causou sérios problemas para ele e Abimeleque—Ver Gênesis, capítulo 20.


Fonte - O desafio da torre  de vigia Pags 22-28










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