Seguidores

domingo, 3 de março de 2013

Entendimento progressivo dos pioneiros Adventistas sobre a trindade

Entendimento progressivo dos pioneiros Adventistas sobre a trindade 

Fonte http://gilbertotheiss.blogspot.com.br


Por Gilberto G. Theiss [1]
(Power Point deste artigo pode ser baixado aqui)

 Muitos debates e confrontos se levantaram nos primórdios do adventismo com o objetivo de impedir que certas doutrinas estranhas se infiltrassem no seio da igreja. Mas, conceitos estranhos e doutrinas duvidosas eram de certa forma os meios mais eficazes para forçar os teólogos e pastores da época a estudarem com mais profundidade os temas propostos e controversos. Assim como outros assuntos complexos e preconceituosos, o tema da divindade de Jesus, Espírito Santo ou da Trindade ganharam um pequeno espaço em algumas dessas discussões no meio adventista, principalmente pelo fato de tal crença ser creditada à origem pagã do catolicismo [2] . Essa discussão, no princípio, não era nada amistosa, mas aos poucos, ao longo dos anos, as diferenças teológicas a esse respeito foram diminuindo. Podemos separar esse período em pré 1898 e pós 1898, por ter sido neste ano a primeira impressão do livro “O Desejado de Todas as Nações” que trouxe grande luz sobre a essência da natureza de Jesus, influenciando grandemente alguns pioneiros que ainda mantinham certas dúvidas quanto à co-erternidade de Cristo [3].

Mesmo antes da publicação do Desejado de Todas as Nações, e da influência das visões de Ellen White, houve entre alguns pioneiros, um progressivo entendimento deste tema que culminou em declarações extra-oficiais da crença da Igreja Adventista na Divindade e Eternidade do Filho junto com o Pai e da natureza pessoal e divina do Espírito Santo. E será exatamente isto que veremos a seguir.

 O contexto de 1892 e algumas Publicações

 Na data de 1892, um estudo publicado pela Review and Herald, usou pela primeira vez, de forma abrangente e positiva, o termo Trindade. O devido estudo foi publicado num conjunto de dezenas de outros estudos para confirmar no que, até o momento, os Adventistas do Sétimo dia definitivamente acreditavam.

A desmistificação da palavra Trindade começa neste período com nenhuma contrariedade dos principais pioneiros da igreja. É importante lembrar que, nos períodos entre 1846 e 1888, a maioria dos adventistas haviam rejeitado o conceito da Trindade [4], e apresentavam diversas divergências quanto a natureza da pessoa de Cristo, Sua igualdade com o Pai e sua co-eternidade. Uns acreditavam que Jesus era essencialmente Deus, porém inferior ao Pai, enquanto que outros acreditavam que, em algum momento, na eternidade, o Filho teria vindo à existência.

Analisaremos a partir de aqui, algumas importantes considerações de alguns renomados pioneiros do movimento, que nos darão a compreensão de que suas descrenças na divindade e eternidade de Jesus não suportaram o tempo e a luz posterior que Deus lhes daria através de diligente estudo. A progressiva compreensão poderá ser notada nestas citações:

 W.W. Prescott [5] - 1896 (Antes) -  “Assim como Cristo nasceu duas vezes, uma vez na eternidade...e de novo na carne [6]

 W.W. Prescott – 1919 (Depois) - Depois assumiu: “Fui ensinado como o irmão Daniells...de que a Trindade era algo herético...sem contudo pensar por mim  mesmo, ou estudar, eu supus que estava certo. Mas eu descobri algo diferente...como entendo agora, deidade envolve eternidade. Você não pode ler as Escrituras e conceber sem eternidade [7]

 Uriah Smith[8] - 1865 (Antes) - “... o primeiro ser criado [9].Embora através de meios não claramente identificados nas Escrituras, Cristo havia sido trazido à existência ou gerado [10]

Uriah Smith – 1881 (Depois) - “Mas a linguagem não implica necessariamente que ele foi criado [...] ele próprio veio à existência de uma forma diferente.” [11]  Ao comentar a frase, “O princípio da criação” de Apocalipse 3:14.

 Alguns, até mesmo bem intencionados, afirmam que Uriah Smith não havia se convencido completamente deste assunto. A resposta a esta indagação poderia ser entendida à luz da impressão da primeira edição do Desejado de Todas as Nações. Urias Smith faleceu em 1903, portanto ele presenciou em 1898 as afirmações de Ellen White neste volume de que Jesus não possuía vida derivada e nem emprestada [12]. Também pode conhecer a declaração contundente no mesmo livro a favor do Espírito Santo que assim declara: “Ao pecado só se poderia resistir e vencer por meio da poderosa operação da terceira pessoa da Trindade, a qual viria, não com energia modificada, mas na plenitude do divino poder”. [13]

Este argumento pode ser uma referência plausível do desenvolvimento progressivo e teológico para os pioneiros do movimento, e especialmente para Smith, pelo fato dele devotar grande confiança no ministério profético de Ellen White para a igreja remanescente.

De qualquer forma, temos uma citação de 1896 onde Smith admitia louvar o Espírito Santo, pois estava equiparado ao Pai e ao Filho em Mateus 28:19 [14].

Em 1903 Smith reconheceu três seres ou três agentes para a nossa salvação [15].

 James White [16] - 1846 (Antes) - “O antigo credo trinitarista ausente nas escrituras...de que Jesus é o eterno Deus[17] James  White – 1876 (Depois) - “Os adventistas dos sétimo dia compreendem a divindade de Cristo de forma tão parecida com os Trinitaristas que não receamos qualquer debate aqui. [18]

Um ano mais tarde, em 1877, James White declara abertamente sua crença na igualdade do Filho para com o Pai, e ainda condenou qualquer ensinamento que faça Cristo inferior para com o Pai”. [19]

 J. H. Waggonner – (Antes) - “A Bíblia faz silêncio sobre a Trindade.” [20]

 J.H Waggonner – 1883 (Depois) - Em 1883, Waggonner reconheceu que o Espírito Santo partilha os atributos do Pai e do Filho. [21]

            Os registros históricos visto até então, são evidentes em mostrar que, no mínimo, mudanças no pensamento que diz respeito à trindade, foram gradativamente permeando o parecer de alguns pioneiros sobre a trindade. Nos capítulos seguintes, cavaremos um pouco mais para encontrar algum tipo de solo que possa dar sustento e respaldo a crença no meio adventista. A história, estudada com seriedade, não falha em nos apresentar a verdade.

 Outros pioneiros em defesa da trindade

 S. Spears, em artigo de 1889 transformado em livreto e publicado pela igreja em 1892 defende “A doutrina bíblica da Trindade.” N. Downer, em artigo, declarou que as três pessoas da Trindade tiveram parte na ressurreição de Cristo[22]

Lee S. Wheeler, observou, citando Efésios 4:4-5: “É digno de nota que nesta como em muitas outras partes da Escritura, o Espírito como sendo um é mencionado como distinto do Pai e do Filho.” [23]

D. Hildereth escreveu: “Tire o Espírito Santo da Bíblia e ‘nada’ que reste é digno de ser falado.” [24]

Joseph Clark defendeu o Espírito Santo como uma realidade em si mesmo, e um agente de Deus .[25]

P. Bollman escreveu: “O Espírito Santo é divino e Criador de todas as coisas”. [26]

A.J. Morton declarou: “A divindade do Espírito Santo, de Cristo e a do Pai e Cristo não pode ser separada”. [27]

Alonzo T. Jones foi editor da Reviewand Herald por muitos anos. Em sermão na Sessão da Conferência Geral de 27 de fevereiro de 1895 defendeu que “O Espírito Santo é um representante pessoal de Deus”. Também, que há uma unidade do Espírito Santo com o Pai e o Filho. [28]

Stephen N. Haskel, no artigo “O Espírito Santo” declara que a relação entre o Pai, Filho e Espírito Santo é um mistério. [29]

G.C Tenny, que em 1883 usara “it” (“Isto”, em inglês, normalmente usado para coisas) para o Espírito Santo declarou em 1896 que o Espírito Santo era inteligente, tinha existência independente e passou a suar o pronome pessoal “he” (“ele”, normalmente para pessoas). [30]

S.M.I.Henry, escritor denominacional declarou em 1898 que: “Os pronomes usados em conexão com o Espírito devem levar-nos a concluir que ele é uma pessoa – uma personalidade...”. [31]

R.A Underwood, que havia sido antitrinitariano a princípio, expõe, segundo ele mesmo declara, a sua mudança de compreensão, a partir do estudo da Bíblia.

Na revista Review de 3 demaior de 1898 ele diz que o Espírito é uma pessoa e que não deveríamos permitir que Satanás destruísse nossa fé “na personalidade dessa pessoa da Divindade – o Espírito Santo.”

Em relação à sua opinião anterior Underwood declarou:

“Mas nós queremos a verdade porque ela é a verdade, e nós rejeitamos o erro porque é o erro, apesar de qualquer ponto de vista que nós possamos anteriormente ter sustentado ou qualquer dificuldade que nós possamos ter tido ou possamos ter agora quando nós vemos o Espírito Santo como uma pessoa”. [32]

 Conclusão

Com o passar do tempo, assim como outras doutrinas que foram incorporando ao quadro de crenças adventista, a trindade foi superando as discussões contrárias, conquistando gradativamente espaço cognitivo entre os principais pioneiros da igreja. As visões reveladoras dadas a Ellen White sobre a Divindade de Cristo e do Espírito Santo, tendo como marco a publicação do livro “O Desejado de Todas as Nações”, teve um impacto importante para a fundamentação da crença no ano de 1898, que consequentemente levou a igreja a se posicionar definitivamente no ano de 1931, onde expressou total aceitação a esta doutrina. Muitos líderes e membros que viviam neste ano, foram membros atuantes no período de Ellen White e mantiveram sua crença assim como nos anos anteriores - a favor da Trindade. Portanto, em torno de 1900 a igreja já desfrutava de consenso sobre o tema conforme os testemunhos da época evidenciam clarificadamente. [33]

 LEITURA ADICIONAL SUGERIDA

 CASALI, Victor. Historia de las Doctrinas Adventistas. Centro de Investigación White: Universidad Adventista Del Plata, p. 131-132

 DEMÓSTENES, N. S. Perguntas e Respostas sobre a Trindade, p. 117-130.

 PAROUSIA, Ellen G. White e a compreensão da Trindade, p. 11-26.

 PAROUSIA, O debate adventista sobre a Trindade, p. 19-30.

 WOODROW whidden, Jerry Moon, John W. Reeve. A Trindade, p. 207-215.

 THEISS, Gilberto G. A história revelada e a verdade confirmada, V. 2,  p. 69 – 150 (ver desenvolvimento doutrinário da IASD e a doutrina da trindade).

 Referências

[1] Bacharel em Teologia pelo Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia (IAENE), e pastor na ACN. Ver Currículo Lattes de Gilberto Theiss.
 
[2] SHWARZ, Richard W. e GREENLEAF, Floyd, Portadores de luz, p. 161
[3] WHIDDEN, Woodrow, MOON, Jerry e REEVE, John W. A Trindade, p. 223
[4] Ibdem, p. 217. Ver também: MOON, Jerry. O debate adventista sobre a Trindade, Parousia ano 4, nº 2, p. 21.
[5] W. W. Prescott, educador e administrador. Em 1885 tornou-se diretor do Battle Creek College e foi, durante algum tempo (1891-1892), simultaneamente, diretor de dois outros colégios – Unio e WallaWalla. Ajudou a fundar o que hoje se conhece na Austrália como Avondale College. Posteriormente trabalhou como erudito e administrador, exerceu grande influência sobre a obra educacional mundial da denominação. Nascido em 1855 e falecido em 1944. DOUGLAS, Herbert E. A mensageira do Senhor, p. 250.
[6] PRESCOTT, W. W. Review and Herald, 14 de Abril de 1896.
[7]  Ibdem, p. 62, 1919
[8] Uriah Smith. Pastor, escritor e redator. Tornou-se adventista observador do sábado em 1852, unindo-se no ano seguinte à equipe da Review. Desde aquele tempo até sua morte, seu nome apareceu no expediente da revista, a maior parte das vezes como editor. Foi o primeiro instrutor bíblico do Battle Creek College e secretário da Associação Geral. Escreveu alguns livros, dos quais o mais conhecido é Thought son Daniel and the Revelation. Nascido em 1832 e falecido em 1903. DOUGLAS, Herbert E. A mensageira do Senhor, p. 251.
[9] SMITH, Uriah. Thoughts Critical and Patriarcal, on the Book of Revelation p. 59
[10] Ibdem
[11] Ibdem, p. 74
[12]  WHITE, Ellen G.. O Desejado de Todas as Nações, p. 530
[13] Ibdem, p. 761.
[14] SMITH, U. In the Question chair, Adventist Review and Sabbath Herald, doravante Review, 27/10/1896.
[15] SMITH, u.The Spirit of Profhecy.General ConferenceBulletin, 14 de março de 1903.
[16] Tiago [James] Springer White. Um dos três co-fundadores da igreja Adventista do Sétimo dia, sendo os outros dois sua esposa Ellen e amigo José Bates. Foi professor durante dois anos, amas logo que completou 21 anos de idade uniu-se ao movimento milerita e, empunhando um diagrama, começou a pregar. Relata-se que, durante os meses de inverno de 1842-1843, Tiago levou mais de 1000 pessoas a Cristo. Depois do desapontamento de 22 de outubro de 1844, associou-se a outros Cristãos no estudo da Bíblia, em busca de maiores esclarecimentos. Em1846 aceitou a verdade o sábado e, em 1849, começou a publicar a revista PresentTruth. À medida que crescia o número dos adventistas guardadores do sábado, ele insistiu para que constituíssem uma organização. Isso resultou na formação da Associação Geral , em 1863. Tiago liderou o desenvolvimento da obra editorial, educacional e médica da igreja. Durante muitos anos foi editor da Review and Herald. Atuou como presidente da Associação Geral durante três mandatos (1865-1867-1871; 1874-1880). Nascido em 1821 e falecido em 1881. DOUGLAS, Herbert E. A mensageira do Senhor, p. 253.
[17] WHITE, James. The Day Star, Jan. 21
[18]  Idem. Review and Herald, 12 de Out. De 1876.
[19]  Ibdem, 29 de Nov. de 1876, p. 72
[20] WAGGONNER, J.H. The Atonement, p. 173
[21] TAYLOR, 1953
[22] DOWNER, N. Review, 6 de abril de 1876
[23] WHEELER, L.S. The Communion of the Holy Spirit, Review, 21 de abril de 1891, p. 244
[24] HILDERETH, D. Review, 01 de abril de 1862
[25] CLARK, J. Review, 10 de março de 1874
[26] BOLLMAN, P. Signes of the Times, 04 de novembro de 1889.
[27]  MORTON, A. J. Signes of the Times, 26 de outubro de 1891.
[28] JONES, A. T. General ConferenceBulletin, 27 de fevereiro de 1895.
[29]  HASKELL, S. N. Review, 28 de novembro de 1899.
[30] BOLLMAN, P. TENNY, G. C. Review and Herald, 9 de junho de 1896.
[31] HENRY, S. M. I. The Abindig Spirit, p. 271
[32] UNDERWOOD, R.A. Review, 3 de maior de 1898.
[33] SILVA, Demóstenes N. A Trindade, p.124.

O lugar de Deus na saúde e na doença

Todos perdem quando a religiosidade dos pacientes é ignorada pelos médicos

CRISTIANE SEGATTO
CRISTIANE SEGATTO  Repórter especial, faz parte da equipe de ÉPOCA desde o lançamento da revista, em 1998. Escreve sobre medicina há 15 anos e ganhou mais de 10 prêmios nacionais de jornalismo. Para falar com ela, o e-mail de contato é cristianes@edglobo. (Foto: ÉPOCA)
Apenas 1% dos brasileiros não acredita em Deus. Foi o que revelou o Datafolha em 2007, numa ampla pesquisa usada até hoje como indicador da fé, uma das características mais marcantes da nossa população. O que acontece com a religiosidade dos outros 99% quando precisam de um hospital? É ignorada placidamente.
Com raríssimas exceções, os profissionais de saúde não levam em consideração o papel das crenças na vida dos pacientes. Deveriam. É no hospital, mais que em qualquer outro lugar, que o doente entra em contato com sua fragilidade e busca apoio na fé. A religiosidade e a espiritualidade não são dados irrelevantes para a recuperação e para o bem-estar do paciente – mesmo quando a recuperação não é possível.
Tão importante quanto saber se o sujeito tem diabetes, hipertensão ou o vírus HIV é reservar um momento para levantar informações sobre sua espiritualidade. Com o objetivo de entender a participação dessas crenças na saúde e na doença. Sem julgar ou tentar modificar a existência ou a falta delas.
Isso raramente é feito no Brasil, mas há um movimento entre os profissionais de saúde (crescente, mas ainda pouco conhecido) que defende a inclusão no prontuário médico da história espiritual do paciente. Dessa forma, ela seria levada a sério e ficaria documentada – de uma forma acessível a qualquer profissional do hospital que tivesse contato com o doente.
A maioria dos pacientes deseja receber mais apoio espiritual durante o tratamento. É o que alguns estudos começam a demonstrar. Durante seu mestrado, a enfermeira oncológica Carolina da Cunha Fernandes decidiu investigar a visão dos pacientes do Hospital A. C. Camargo, em São Paulo.
Foram entrevistados 75 homens entre 48 e 79 anos com diagnóstico de câncer de próstata. E 75 mulheres entre 31 e 83 anos em tratamento de câncer de mama. Outras 150 pessoas compuseram o grupo controle. Eram cidadãos que participavam de atividades do hospital mas não tinham a doença.
Os resultados dão a dimensão do problema. A maioria (97% dos homens e 86% das mulheres) não haviam conversado sobre suas crenças religiosas ou espirituais com algum profissional da saúde. A maioria gostaria que esse momento tivesse existido (57% dos homens e 53% das mulheres).
Ainda mais interessante: 61% das mulheres e 60% dos homens afirmaram que poderiam ter se sentido melhor ou mais dispostos para o tratamento se tivessem recebido cuidado religioso ou espiritual dos profissionais de saúde.
Esses dados despertam várias reflexões: médicos, enfermeiros e demais trabalhadores dos hospitais deveriam assumir mais essa responsabilidade? Eles vivem assoberbados. São muitos os pacientes a atender, muitos os protocolos e os processos a cumprir, muita papelada a preencher, quase nenhum tempo para olhar nos olhos e conversar.
Outra questão é saber de que forma os médicos poderiam dar conta dessa demanda por cuidado religioso. Médico é médico. Não é líder religioso. A solução parece estar no bom senso. Em primeiro lugar é preciso diferenciar religiosidade e espiritualidade. A religiosidade tem relação com um conjunto de crenças bem estabelecidas e compartilhada com um grupo. A espiritualidade é particular e subjetiva. É, por exemplo, a busca por um sentido na vida.
A espiritualidade vai além da religião. Discuti esse aspecto em outra coluna. No fim da vida, um ateu também tem suas necessidades espirituais. Pode questionar suas ações, seu legado para a humanidade, seu papel nesse mundo. O médico que é capaz de percebê-las e respeitá-las é mais que um profissional. É gente de primeira grandeza.
Neste aspecto da vida, os profissionais da saúde podem fazer muito pelo paciente. Podem, por exemplo, liberar a entrada de um grupo de orações ou avisar um líder religioso que o paciente gostaria de vê-lo. “É preciso agir com flexibilidade”, diz Carolina.
Há ações muito singelas, mas nem por isso menos importantes. “Certa vez uma paciente perguntou se podia colocar água benta nas mãos da enfermeira que ia instalar a bolsa da quimioterapia”, diz Carolina. Outra paciente faz questão de colar um santinho na bolsa de quimioterapia antes da infusão. “Respeitar as crenças e os hábitos pode fazer uma diferença muito grande. Não temos o direito de tirar a esperança de ninguém.”
As razões humanitárias já seriam suficientes para justificar a adoção de ações simples como essas. Mas há outras, de ordem fisiológica. Vários estudos tem demonstrado como algumas práticas religiosas atuam no cérebro e repercutem sobre os hormônios, sobre o sistema cardiovascular e sobre o sistema imune (o que é extremamente importante para quem enfrenta um câncer).
Pessoas que oram ou praticam meditação parecem lidar melhor com o stress. Os níveis de cortisol (o hormônio do stress) diminuem. Assim como a pressão arterial e a frequência cardíaca.
Outras pesquisas demonstram que participar de um grupo religioso – seja ele católico, budista, judeu, evangélico, umbandista ou qualquer outro – traz benefícios por aumentar o suporte social ao indivíduo. O apoio social é extremamente valioso não apenas para os doentes. É um ingrediente fundamental para a sobrevivência e a longevidade.
Com pequenos gestos, médicos, enfermeiros e toda a constelação de profissionais que fazem um hospital funcionar podem garantir dias melhores aos doentes que têm necessidades religiosas. Devem trabalhar para isso, de coração aberto, mas sem desprezar ou incomodar os que não têm fé.
Eles são apenas 1%, mas existem. Merecem tanto respeito quanto os que creem.
E você? Acha que os médicos deveriam dar mais atenção à espiritualidade dos pacientes? Conte pra gente. Queremos ouvir sua opinião.
(Cristiane Segatto escreve às sextas-feiras)  Fonte Revista Época

O mundo é dos mansos


CRISTIANE SEGATTO - 

Que tal rever o seu conceito de sucesso?
CRISTIANE SEGATTO
CRISTIANE SEGATTO  Repórter especial, faz parte da equipe de ÉPOCA desde o lançamento da revista, em 1998. Escreve sobre medicina há 15 anos e ganhou mais de 10 prêmios nacionais de jornalismo. Para falar com ela, o e-mail de contato é cristianes@edglobo. (Foto: ÉPOCA)
O título desta coluna é uma adaptação livre de uma frase bíblica. Acho que ela é bastante apropriada aos nossos tempos. Seja você religioso ou não. Tanta competição nas empresas, tantas demandas de consumo, tanta violência nas ruas nos levam a acreditar que os vencedores são sempre os prepotentes e os agressivos.
Faz bem ao corpo e à alma refletir sobre o conceito de sucesso. Estamos correndo atrás de quê? Para quê? À custa de quê? Boa parte do trabalho do cardiologista Cláudio Domênico, membro da Sociedade Europeia de Cardiologia, é conduzir os pacientes a essa reflexão. Parece simples, pouco tecnológico, mas o resultado costuma ser transformador.
Domênico é um médico da alta roda. No consultório de Ipanema atende gente acostumada ao sucesso profissional. Muitos são famosos, como Luiz Fernando Pezão, vice-governador do Rio, o jornalista Zuenir Ventura, a atriz Mariana Ximenez, a produtora cultural Flora Gil, entre outros.
No consultório de Domênico, boa parte dos pacientes é um prodígio no aspecto “pessoa jurídica” e um fracasso no lado “pessoa física”. Eles têm dinheiro, sucesso, prestígio e, ao mesmo tempo, uma vida miserável. Não dormem, comem mal, são sedentários, incapazes de manter relações amorosas satisfatórias, abusam da bebida, reclamam de mil sintomas.
Isso é vencer na vida? Se for, prefiro o sabor do fracasso.
Uma das almas resgatadas por Domênico conseguiu perceber isso a tempo. O rapaz de 35 anos, empresário muito bem-sucedido, chegou ao consultório há três anos. Despejou sobre a mesa uma sacola de exames. Todos normais, mas o moço tinha certeza de que estava à beira de um infarto. Aquele aperto no peito, aquelas pontadas constantes não poderiam ser normais.
Realmente não eram. Depois de muita conversa, depois de muita escuta, Domênico percebeu que o prodígio profissional estava num abismo emocional. A produtividade no trabalho já não era a mesma, o casamento acabara, o álcool virou o companheiro de todas as horas. O diagnóstico: síndrome do pânico. O tratamento: ansiolítico, psicoterapia e mudança de vida.
Hoje o rapaz é outro. Corre oito quilômetros por dia, faz academia, come bem, encontrou outra mulher, tem uma filhinha linda. Continua no auge profissional, mas conseguiu dar a cada área da vida o seu devido valor. Volta e meia, vai ao consultório levando um novo paciente. Paga a primeira consulta dos amigos, uma forma simbólica de estender a mão a quem está no fundo do poço.
“Não fiz nada demais por esse rapaz. Apenas o escutei”, diz Domênico, um mineiro de Governador Valadares, conhecido pelo interesse genuíno por um dedo de prosa. Domênico é um médico à moda antiga. Muito da sabedoria e da leveza que ele tenta transmitir aos pacientes foi reunida no livro Te cuida! Guia para uma vida saudável, um lançamento da Editora Casa da Palavra (192 páginas, R$ 39,90).
É uma leitura agradável, com dicas práticas e valiosas sobre hábitos saudáveis e prevenção. Domênico recorreu a especialistas de várias áreas. Conseguiu produzir um livro tecnicamente correto e, ao mesmo tempo, saboroso.
O capítulo que eu mais gosto é o que trata da serenidade, artigo tão em falta atualmente. Na prática, conta Domênico, pessoas mais serenas, calmas, costumam adoecer menos. São indivíduos que tomam decisões com bom senso, se deixam tocar e têm mais facilidade para mudar atitudes e hábitos. “Essa mansidão, essa tranquilidade, pode ser cultivada e exercitada”, escreve.
É o caso de várias práticas orientais que, até pouco tempo, eram vistas com descrédito por boa parte dos médicos. Respirar de forma lenta, meditar, falar e comer pausadamente, não elevar o tom de voz. Todas essas medidas estão, de certa forma, relacionadas a um estilo de vida mais sereno que ajuda a enfrentar os problemas do mundo em que vivemos.
Um dos principais interlocutores de Domênico quando ele quer filosofar sobre serenidade é padre Jorjão, da Paróquia Nossa Senhora da Paz, outro de seus pacientes. Para quem não o conhece, padre Jorjão é uma curiosa figura que promove luaus na praia e usa iPad e smartphones para ler os salmos nas missas.
Depois de tanta conversa, leitura e experiência, o médico está convencido de que no meio de toda essa loucura, são os calmos que sobrevivem. São os serenos que melhor conseguem unir saúde, realização profissional e felicidades.
É difícil? Claro que é. É impossível? Claro que não. É possível treinar um novo olhar? Felizmente, sim. Domênico não perde a chance de dizer isso. Acho que vale a pena repetir: “O mundo é dos mansos”.
O que você acha? Conte pra gente. Queremos ouvir sua opinião e sua história.
(Cristiane Segatto escreve às sextas-feiras) Fonte Revista Época

Lição da Esc. Sabatina N° 10 - Mordomia cristã e o ambiente

 

 



Sábado à tarde
Ano Bíblico: Dt 18–20

VERSO PARA MEMORIZAR:“Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a Terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela Terra” (Gn 1:28).

Leituras da semana: Sl 8; Gn 2:15; Ap 4:11; Êx 20:8-11; 1Co 3:16

O mundo em que vivemos é um presente de amor do Deus Criador, “[d]Aquele que fez o céu, e a Terra, e o mar, e as fontes das águas” (Ap 14:7). Dentro dessa criação Ele colocou os seres humanos, ligados intencionalmente em relacionamento com Ele, com outras pessoas e com o mundo ao redor. Portanto, como adventistas do sétimo dia, consideramos que a preservação e cuidado do meio ambiente estão intimamente relacionados com nosso serviço para Ele.

“Visto que a pobreza humana e a degradação ambiental estão inter-relacionadas, comprometemo-nos a melhorar a qualidade de vida de todas as pessoas. Nosso objetivo é o desenvolvimento sustentável dos recursos, enquanto atendemos às necessidades humanas. [...]

“Nesse compromisso, confirmamos nossa condição de mordomos da criação de Deus e cremos que a total restauração será alcançada somente quando Deus fizer novas todas as coisas” (Extraído de “Cuidando da Criação, uma Declaração da Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia sobre o Meio Ambiente”, votada em 12 de outubro de 1992).


Domingo
Ano Bíblico: Dt 21–23

Domínio outorgado no princípio


De acordo com Gênesis 1:26, o domínio de Adão se estendeu a todos os outros seres criados, no mar, na terra e no ar. O domínio inclui a ideia de governar ou ter poder sobre essas criaturas. Nada é dito a respeito do domínio sobre as forças da natureza em si, mas apenas sobre as criaturas. E, de acordo com o texto, essa regra era universal: Adão devia ser, essencialmente, o governante da Terra.


1. Qual foi a resposta de Davi para a honra que Deus deu aos seres humanos? O que significam a “honra e glória” que nos foram dadas, especialmente no contexto dos seres humanos recebendo o domínio sobre a Terra? Sl 8

De acordo com Gênesis 2:19, uma das primeiras tarefas de Adão foi dar nome aos animais. Nomes tinham grande significado nos tempos bíblicos. O nome representava a própria pessoa e, muitas vezes, a situação da pessoa. A autoridade para dar nomes às aves e animais foi a confirmação da posição de Adão como governante sobre os animais.

2. Leia Gênesis 2:15. De que forma você vê o princípio da mordomia cristã revelado nesse texto?


Adão foi incumbido de cuidar do jardim, administrá-lo e atender às suas necessidades. A raiz hebraica, smr, traduzida ali como “guardar”, geralmente significa “zelar” ou “proteger”. O jardim foi um presente para Adão, uma expressão do amor de Deus. Adão também recebeu a responsabilidade sobre ele, outro exemplo do domínio que lhe foi conferido no momento da criação.

Como nossa compreensão de Deus como Criador, ou ainda mais especificamente, nossa compreensão da história da criação, deve influenciar nossa maneira de tratar o meio ambiente? Por que a compreensão dessas coisas deve nos proteger da indiferença grosseira ou, ao contrário, da devoção fanática para com o meio ambiente?

Segunda
Ano Bíblico: Dt 24, 25

Cuidando de outras criaturas


3. “Todos os animais da floresta são Meus, como são as cabeças de gado aos milhares nas colinas” (Sl 50: 10, NVI). Está o tema da mordomia da Terra implícito nesse texto?

4. Leia Apocalipse 4:11. Qual é a diferença radical entre esse texto e as noções comuns dos ateus acerca de uma criação sem um criador, que surgiu unicamente pelo acaso?

A criação dos animais não foi um acidente nem uma ideia posterior. Deus os criou propositalmente. Era Sua vontade que eles existissem, e esse princípio deve orientar nossa maneira de tratá-los (veja também Êx 23:5, 12; Pv 12:10; Lc 14:5).

Na verdade, a crueldade para com os animais e a indiferença em relação ao seu sofrimento são amplamente reconhecidas como sintomas de transtornos de personalidade. Muitas organizações foram criadas para promover o bom tratamento dos animais, e com razão.

No entanto, ao mesmo tempo, algumas pessoas têm chegado a afirmar que os seres humanos não são intrinsecamente mais importantes do que os animais. Assim, os seres humanos não deveriam receber tratamento preferencial. Em muitos aspectos, isso é uma linha de pensamento que flui logicamente a partir de um modelo evolucionista das origens humanas. Afinal, se nós e os animais somos separados apenas pelo tempo e pelo acaso, por que deveríamos ser mais especiais do que eles? Um filósofo chegou a argumentar que uma galinha, ou mesmo um peixe, tem mais “personalidade” do que um feto no ventre ou até mesmo do que uma criança recém-nascida. Por mais ridículas que essas ideias possam parecer, elas podem ser derivadas, com uma quantidade razoável de lógica, de um modelo ateísta evolucionista das origens humanas.

Essas ideias não são apoiadas nas Escrituras. Os seres humanos têm uma posição especial no plano de Deus, em contraste com a dos animais (veja Gn 3:21; Êx 29:38; Lv 11:3).

Imagine que você é um evolucionista ateu. Pense nas razões pelas quais acha que os animais devem ser tratados da mesma forma que os seres humanos. O que isso diz sobre a importância dos nossos pressupostos para determinar o resultado do nosso pensamento?

Terça
Ano Bíblico: Dt 26–28


O sábado e o meio ambiente


Como vimos, o conceito de mordomia, no contexto da nossa maneira de cuidar do planeta, está diretamente ligado à criação. Nossos pontos de vista sobre a criação influenciam nossas opiniões sobre a forma pela qual devemos nos relacionar com a criação.

Para alguns, a criação deve ser explorada, usada, e até mesmo saqueada, em qualquer grau necessário para cumprir nossos desejos e necessidades. Outros, ao contrário, quase adoram a criação (Rm 1:25). Então, é a visão bíblica que deve nos dar uma perspectiva equilibrada sobre a forma com que devemos nos relacionar com o mundo que o Senhor criou para nós.

5. Leia Êxodo 20:8-11. O que encontramos nesse mandamento que diz respeito à mordomia cristã?

“Deus separou o sábado como memorial e lembrança perpétua de Seu ato criador e do estabelecimento do mundo. Ao descansar nesse dia, os adventistas do sétimo dia reforçam o sentido especial de relacionamento com o Criador e Sua criação. A observância do sábado destaca a importância da nossa integração com o meio ambiente como um todo” (Extraído de “Cuidando da Criação, uma Declaração da Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia sobre o Meio Ambiente”, votada em 12 de outubro de 1992).

Ao apontar o fato de que Deus nos criou e o mundo em que habitamos, o sábado é um lembrete constante de que não somos criaturas totalmente autônomas, que podem fazer tudo o que desejam aos outros e ao mundo. O sábado deve nos ensinar que somos, de fato, mordomos, e que a mordomia implica responsabilidades. E, como podemos ver no próprio mandamento, a responsabilidade se estende à nossa maneira de tratar os que estão “abaixo” de nós.

Como você trata as outras pessoas, especialmente as que estão sob seu comando? Você está tratando-as com respeito, justiça e graça? Ou está tirando vantagem do poder que você tem sobre elas? Se for o último caso, lembre-se: um dia você terá que responder por suas ações.

 
Quarta
Ano Bíblico: Dt 29–31


Mordomos da saúde


Como vimos ao longo deste trimestre, a criação original de Deus era “muito boa”. Tudo e todos saíram das mãos do Criador em estado de perfeição. Não havia doença, sofrimento nem morte. Ao contrário do modelo evolutivo, no qual a doença, o sofrimento e a morte são parte dos meios de criação, essas coisas surgiram somente depois da queda, após a entrada do pecado. Assim, é apenas no contexto da história da criação que podemos melhor compreender o ensino bíblico sobre saúde e cura.

6. Leia 1 Coríntios 6:19, 20. Qual é nossa responsabilidade diante de Deus a respeito do cuidado do nosso corpo?

É por meio do nosso cérebro que o Espírito Santo Se comunica conosco. Se quisermos ter comunhão com Deus, devemos cuidar do corpo e do cérebro. Se abusarmos do nosso corpo, destruiremos a nós mesmos, física e espiritualmente. De acordo com esse texto, a saúde e nossa maneira de cuidar do corpo, o “templo de Deus”, é uma questão moral, cheia de consequências eternas.

Cuidar da saúde é uma parte vital do nosso relacionamento com Deus. Obviamente, alguns aspectos da saúde estão além do nosso controle. Temos genes defeituosos, estamos expostos a produtos químicos ou outros agentes prejudiciais desconhecidos e estamos em risco de danos físicos que podem prejudicar nossa saúde. Deus sabe de tudo isso. Mas na medida de nossas possibilidades, devemos fazer o melhor para preservar nosso corpo feito à imagem de Deus.

“Ninguém que professe piedade considere com indiferença a saúde do corpo, nem se iluda com o pensamento de que a intemperança não é pecado e não afetará sua espiritualidade. Existe uma estreita afinidade entre a natureza física e a moral. O padrão de virtude é elevado ou rebaixado por meio dos hábitos físicos [...] Qualquer hábito que não promova o perfeito funcionamento saudável do organismo humano degrada as mais elevadas e nobres faculdades” (Ellen G. White, Conselhos Sobre Saúde, 67).

Quinta
Ano Bíblico: Dt 32–34


Princípios de mordomia cristã


7. “Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, que não muda como sombras inconstantes” (Tg 1:17). Como esse texto ajuda a estabelecer a base para um conceito de mordomia fundamentado na Bíblia?

Muitas vezes tendemos a pensar em mordomia em termos de dinheiro. No entanto, como vimos nesta semana, a mordomia envolve muito mais do que isso. Porém, seja lidando com dinheiro, com preocupações ambientais ou com nossa saúde, existem certos princípios envolvidos na boa mordomia, princípios que têm seu fundamento último na criação descrita em Gênesis. No fim, visto que Deus é nosso Criador, e que tudo que temos é dádiva dEle, devemos ser bons mordomos de tudo o que foi confiado a nós.

8. Leia Mateus 25:14-30. Como essa parábola ilustra as recompensas da boa mordomia? Qual é a mensagem da parábola sobre os princípios da mordomia em geral?

“Cristo confia a Seus servos ‘Seus bens’ – alguma coisa que deve ser usada para Ele. Dá ‘a cada um a sua obra’. Todos têm seu lugar no plano eterno do Céu. Todos devem colaborar com Cristo para a salvação das pessoas. Tão certo como nos está preparado um lugar nas mansões celestes, há também um lugar especial designado na Terra, onde devemos trabalhar para Deus” (Ellen G. White,
Parábolas de Jesus, p. 326, 327).

O que você está fazendo com os talentos que recebeu do “Pai das luzes”? Que escolhas você pode fazer que lhe permitirão usar esses dons em um serviço melhor para a causa do Senhor?

Sexta
Ano Bíblico: Js 1–4

Estudo adicional


Os seguidores de Cristo foram redimidos para o serviço. Nosso Senhor ensina que o verdadeiro objetivo da vida é servir. […] A lei de servir se torna o vínculo que nos liga a Deus e a nosso semelhante” (Ellen G, White, Parábolas de Jesus, p. 326).


Perguntas para reflexão

1. Alguns secularistas propuseram que o valor da vida não deve ser medido pela condição humana, mas pelo potencial para viver de modo agradável. Eles podem valorizar um chimpanzé jovem e saudável mais do que a um ser humano velho e doente.

Peter Singer argumenta que, em certos casos, os seres humanos não devem ter mais direitos do que alguns animais: “Os que protestam contra o aborto, mas se alimentam regularmente de frangos, porcos e bezerros mostram apenas uma preocupação tendenciosa pela vida dos membros de nossa espécie. Porque, a partir de qualquer comparação justa das características moralmente relevantes, como racionalidade, autoconsciência, percepção, autonomia, prazer, dor, e assim por diante, o bezerro, o porco e o muito ridicularizado frango, ficam bem à frente do feto em qualquer fase da gravidez. Se fizermos a comparação com um feto de menos de três meses de idade, um peixe mostraria mais sinais de consciência” (Peter Singer, Writings on an Ethical Life [Escritos sobre uma Vida Ética; New York, NY, The Ecco Press, 2000, p. 156).

Singer é evolucionista. Ele acredita que não há nenhuma diferença qualitativa evidente entre nós e os animais. Acabamos de evoluir para algo diferente do que eles evoluíram, isso é tudo.

O que está errado com essa descrição? Como devemos responder a esse raciocínio?

2. Leve para a classe o texto “Cuidando da Criação, uma Declaração da Associação Geral dos Adventistas do Sétimo Dia sobre o Meio Ambiente”, votada em 12 de outubro de 1992 (procure no site adventist.org/beliefs/statements/main-­stat5.html.) Se não for possível, use os trechos citados na lição de sábado. Como essa declaração relaciona a criação em Gênesis ao meio ambiente? Como uma visão adequada da criação pode nos proteger de tomar uma posição extrema?


Respostas sugestivas: 1. Davi louvou a grandeza de Deus em criar as maravilhas da Terra e colocar todas as coisas sob o domínio e cuidado do ser humano. 2. O homem foi colocado no jardim para o cultivar e guardar. Essa é a obra da mordomia cristã. 3. Sim, porque a mordomia cristã envolve a noção de que todos os animais e todo o planeta pertence ao Senhor. Por isso, devemos zelar pelo ambiente da melhor maneira possível. 4. Acreditamos que Deus criou todas as coisas e por Sua vontade elas existem. 5. Mordomia cristã inclui: 1. Trabalhar durante seis dias; 2. Cuidar dos recursos da Terra; 3. Santificar o sábado como memorial da criação; 4. Gastar tempo especial com o Senhor, com a família e com a comunidade. 6. Devemos glorificar a Deus em nosso corpo e espírito porque fomos comprados pelo sangue de Cristo. 7. Visto que toda boa dádiva e todo dom perfeito são dados por Deus, devemos usá-los para glória de Deus e para Seu serviço. 8. Os mordomos que multiplicaram os talentos recebidos serão aprovados e recompensados com maiores responsabilidades e alegrias. Deus nos dá talentos e espera que negociemos com eles, para que o Seu reino cresça e mais pessoas sejam salvas.

Cardeais elencam nomes nesta semana

A partir de amanhã, os príncipes da Igreja se reúnem no Vaticano para selecionar candidatos; italiano e brasileiro estão entre favoritos

03 de março de 2013 | 2h 03

A partir de amanhã, os 115 cardeais que ainda não completaram 80 anos - e, portanto, podem votar no conclave que definirá o próximo líder da Igreja Católica, com previsão de início nos próximos dez dias - terão como uma de suas principais tarefas formar um seleto grupo de nomes aptos a ocupar o trono de Pedro.
Não há candidatos oficiais a papa - demonstrar tal ambição e fazer campanha são tabus. Mas, com base nos relatos de vaticanistas que conversaram com prelados de todo o mundo, o Estado apresenta nesta página os perfis de dois desses nomes.
Um deles é Angelo Scola, o arcebispo de Milão, a potência econômica da Itália. O italiano de 71 anos é especialista em bioética e nas relações entre cristãos e muçulmanos. É a aposta dos italianos, mas, como Bento XVI, é considerado mais um intelectual que um comunicador carismático.
O outro, brasileiro, é d. Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, a maior diocese do país com o número mais expressivo de católicos no mundo. Aos 63 anos, é considerado o papável mais forte da América Latina. Visto no Brasil como conservador, no Vaticano seria encarado como moderado. Mas pode ser prejudicado pelo rápido crescimento das igrejas evangélicas no País.
A lista de papáveis que por ora são destacados inclui outro brasileiro: d. João Bráz de Aviz, arcebispo-emérito de Brasília e, desde 2011, prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica. Aos 65 anos, apoia a Teologia da Libertação, mas não os excessos de alguns de seus defensores. É considerado um renovador no Vaticano, mas também um homem muito discreto, o que pode pesar contra sua eleição.
Ainda na América Latina, outro nome lembrado é o de Leonardo Sandri, argentino, mas filho de italianos. Entre 2000 e 2007, ocupou o terceiro cargo mais importante no Vaticano, o de chefe de Estado-Maior.
Potências. A América do Norte tem três nomes em destaque: os americanos Timothy Dolan, de 63, e Sean O'Malley, de 68, além do canadense Marc Ouellet, de 68. Muitos, porém, se opõem a um papa vindo de uma superpotência, e o canadense é considerado pouco carismático.
A Itália tem outro nome forte, Gianfranco Ravasi, de 70. Mas ele também é considerado mais acadêmico que pastor. A Europa conta ainda com dois outros nomes fortes, o húngaro Peter Erdo e o austríaco Christoph Schoenborn. O primeiro tem boa relações com os africanos e o segundo foi aluno de Joseph Ratzinger.
Completam o rol de favoritos o ganês Peter Turkson - famoso por defender a consciência social e uma reforma financeira mundial, mas é considerado opositor dos muçulmanos. Já o filipino Luis Tagle, de apenas 55 anos, é considerado tão carismático quanto João Paulo II. / AP e EFE

sexta-feira, 1 de março de 2013

Duas grandes mentiras de Satanás

Do site Mulher Adventista

14 junho 2011 5 Comentários
Desde que Satanás se rebelou contra Deus, ele tem contado duas grandes mentiras com as quais tem enganado a muitos.
Uma das mentiras contadas por Satanás, conhecemos bem através da história da entrada do pecado no mundo. “… sereis como Deus…” (Gênesis 3:5), essas foram as palavras da serpente à Eva. “Satanás encontrou seu caminho para o Éden e fez Eva crer que necessitava de alguma coisa mais do que daquilo que Deus dera para sua felicidade; que o fruto proibido teria uma influência estimulante sobre seu corpo e mente e a exaltaria até ser igual a Deus em conhecimento. Contudo, o conhecimento e o benefício que ela pensava conseguir, demonstrou-se-lhe uma terrível maldição.” Conselhos Sobre Saúde, p. 631.
“Homens que se imaginam dotados de faculdades mentais tão elevadas que encontrem explanação para todos os caminhos e obras de Deus, procuram exaltar a sabedoria humana à igualdade com a divina, e a glorificar o homem como Deus. Apenas repetem o que Satanás disse a Eva, no Éden: “Sereis como Deus.” Gên. 3:5. Satanás caiu por causa de sua ambição de ser igual a Deus. Desejava participar dos conselhos e propósitos divinos, dos quais foi excluído por sua própria incapacidade, como ser criado que era, de compreender a sabedoria do Infinito Deus. Foi esse orgulho ambicioso que o levou à rebelião, e por esse mesmo meio procura ele causar a ruína do homem.” Testemunhos Seletos, vol. 2, p. 306 e 307.
O desejo de ser igual a Deus, que esteve na raiz da rebelião de Lucifer no céu, é hoje colocado no coração de muitos homens através das artimanhas do inimigo. Para alguns ele mente dizendo que cada ser humano é uma divindade, para outros (até mesmo dentro da Igreja de Deus) ele diz que é possível alcançar a infinitude divina, possuir atributos que somente Deus possui.
A outra mentira contada por Satanás é tão antiga quanto essa primeira. “Satanás declarou que demonstraria ante os mundos criados por Deus e perante as inteligências celestiais, que é impossível guardar a lei de Deus.” (Review and Herald, 3 de setembro de 1901) A Verdade Sobre os Anjos, p. 51.
Essa mentira permanece em nossos dias, e se torna muito polêmica, quando se fala em Reavivamento, Reforma e Santificação. Observe o texto abaixo, retirado da Review and Herald de 28 de agosto de 1894:
De acordo com esse texto, Cristo morreu para que fosse possível, para nós, abandonar o pecado, e o pecado é a transgressão da lei. Você pode traduzir o texto e lê-lo na íntegra. Na Review and Herald de 9 de março de 1905, p. 8, encontramos a seguinte afirmação: “Satan declared that human beings could not live without sin.” (Satanás declarou que os seres humanos não poderiam viver sem pecado).
Vemos aqui que as afirmações de que ‘é impossível guardar a lei de Deus’, ou seja, ‘impossível viver sem transgredir a lei (pecar)’, são ditas pelo próprio Satanás.
“Cristo assumiu a humanidade e suportou o ódio do mundo para que pudesse mostrar aos homens e mulheres que eles podiam viver sem pecado, que suas palavras, suas ações, seu espírito podiam ser santificados a Deus. Podemos ser cristãos perfeitos se manifestarmos em nossa vida esse poder.” Mente, Caráter e Personalidade, vol. 2, p. 527.
“A vida santa de Abel testificava contra a pretensão de Satanás de que é impossível ao homem guardar a lei de Deus. Quando Caim, movido pelo espírito do maligno, viu que não podia dominar Abel, irou-se de tal maneira que lhe destruiu a vida. E onde quer que haja alguém que esteja pela reivindicação da justiça da lei de Deus, o mesmo espírito se manifestará contra ele. É o espírito que através de todos os séculos acendeu a fogueira ardente para os discípulos de Cristo. Mas essas crueldades amontoadas sobre os seguidores de Jesus são instigadas por Satanás e sua hoste, porque não podem eles obrigá-los a sujeitar-se ao seu domínio. É a cólera de um adversário vencido. Todo o mártir por Jesus morreu como vencedor. Diz o profeta: “Eles o venceram [aquela "antiga serpente, chamada o diabo, e Satanás"] pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho; e não amaram as suas vidas até à morte.” Apoc. 12:11 e 9.” Patriarcas e Profetas, p. 77.
É interessante perceber que Satanás não precisou criar novas mentiras ao longo dos milênios. Ele sustenta até hoje as mentiras contadas quando se rebelou contra Deus, e até hoje existem pessoas que acreditam nas mentiras que Ele conta.
Deus possui atributos únicos que nós nunca possuiremos, mas, mesmo assim, pessoas têm se perdido no desejo de ser como Deus, na forma como Satanás prega, quando deveriam desejar ser como Deus na forma como Deus pede! Textos como os de I Pedro 1:15 – “Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver;” – e Gênesis 17:1 – “…Eu sou o Deus Todo-Poderoso, anda em minha presença e sê perfeito.” – são comumente mal entendidos. Somos humanos, criados por Deus, e como tais nunca partilharemos da onisciência divina, nem tão pouco de sua posição diante do universo, como cobiçou Lúcifer. Contudo somos convocados a viver uma vida santa, tendo como modelo aquele que intercede por nós, Cristo Jesus.
“Se o olho visar a glória de Deus, o tesouro será ajuntado lá em cima, a salvo de toda corrupção ou perda; e “onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração”. Mat. 6:21. Jesus será o modelo que procurareis imitar. A lei de Deus será o vosso deleite, e no dia do ajuste final de contas ouvireis as alegres palavras: “Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu Senhor.” Mat. 25:21.” (Review and Herald, 24 de janeiro de 1888) Conselhos Sobre Mordomia, p. 343.
Satanás deseja levar a cada um de nós a viver em um dos extremos – desejar ser Deus ou negar a possibilidade de viver uma vida santa como Deus nos pede, segundo o Modelo Divino que é Cristo Jesus. Se nossa mente estiver focada em glorificar a Deus, unicamente, não cairemos em nenhum dos dois extremos, mas compreenderemos que nunca teremos atributos exclusivamente divinos, mas que é possível, hoje, viver a santidade que Deus nos pede – um caráter em conformidade com a Sua lei como foi o caráter de Cristo Jesus.
Lembe-se que temos toda a divindade à nossa disposição para nos salvar da escravidão do pecado. Temos Deus que deu Seu Filho para morrer por nós, Cristo que deu Sua vida e hoje intercede por nós, e o Espírito Santo que fala à nossas mentes nos mostrando o caminho certo a seguir. Confie que além de nos justificar, Cristo “é poderoso para vos guardar de tropeçar e apresentar-vos irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória” Judas 1:24.
OBS: Para acessar as edições da Review and Herald, clique aqui.

Grandes asteroides são ameaça para Terra

Do Site Criacionismo

Os grandes asteroides são uma ameaça cada vez maior para a Terra, por isso será preciso investir mais no estudo desses corpos celestes, que até agora não estavam no centro das investigações espaciais, afirmou o cientista Yuri Zaitsev, da Academia de Engenharia da Rússia, em uma entrevista à agência Interfax. “Os asteroides nunca ocuparam um lugar central na astronomia nem nas investigações espaciais”, disse Zaitsev. O cientista russo explicou que ocorre esse baixo investimento pois se pensava que a probabilidade de um asteroide se chocar com a Terra era ínfima, portanto não fazia sentido gastar um volume muito grande de recursos para neutralizar uma ameaça tão improvável. “Acho que, após o que ocorreu em Tchelyabinsk [Rússia], esse enfoque será revisado. Se o corpo celeste tivesse explodido mais próximo da cidade, o desastre na usina nuclear de Chernobyl não nos pareceria tão grave”, alertou Zaitsev.

O acadêmico se referia ao meteoro que, no último dia 15 de fevereiro, se desintegrou na atmosfera e provocou uma onda de choque nas imediações dessa cidade russa, o que deixou mais de mil pessoas feridas, a maioria pela quebra de vidros e janelas.

Záitsev acrescentou que o perigo que representam os asteroides começou a ser considerado após a descoberta do Apophis, que, de acordo com os cálculos dos cientistas, passará a cerca de 40.000 quilômetros da Terra em 2029. É nessa distância que se localizam as órbitas da maioria dos satélites de telecomunicações. “Não se descarta que a gravidade terrestre afete a trajetória do Apophis, por isso pode-se esperar que ele passe mais próximo da Terra em 2036 - e, inclusive, se choque com nosso planeta”, acrescentou.

O cientista disse que as consequências da colisão serão muito mais graves que as do meteorito de Tunguska, que caiu na Sibéria em 1908 e destruiu milhões de árvores em uma área de mais de 2.000 quilômetros quadrados. No entanto, afirmou que o impacto “seguramente não teria caráter global”.

Em sua opinião, para que o choque de um asteroide contra a Terra seja uma catástrofe mundial, o corpo celeste teria que ter em sua parte mais larga mais de um quilômetro. O Apophis mede cerca de 325 metros.

O cientista lembrou que a superfície da Lua, Marte e Mercúrio está coberta de crateras deixadas por meteoros. Zaitsev acrescentou que Júpiter, por sua grande massa, recebe um grande número de asteroides, e que a atmosfera terrestre é uma boa defesa, mas só contra corpos relativamente pequenos.
“A Terra teve sorte com as rochas celestiais”, disse Zaitsev. “Mas não há garantias de segurança”, sustentou o cientista, para quem a Terra entrou em uma espécie de rastro de grandes corpos celestes.
O cientista explicou que na última década foram descobertos mais asteroides do que nos dois séculos anteriores, e que anualmente se detectam mais de mil novos corpos. “Os choques são inevitáveis. A pergunta é: quando ocorrerão?”, concluiu.
(UOL)

Postagens de Destaque