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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

O princípio das dores

O princípio das dores


Vivemos dias de perplexidade.
Os primeiros meses de 2020 foram de total assombro, raramente vivido nas últimas décadas. O mundo viu o espalhamento de uma epidemia como nunca antes acontecera. Em questão de semanas todo o planeta passou a contabilizar vítimas de todas as idades, de todas as classes, país após país.
O denominado “Covid-19” ou “coronavírus” se espalhou graças à tecnologia moderna: a velocidade das viagens aéreas. A rapidez do deslocamento só não é maior do que a incubação do vírus: a pessoa contraía a doença em um país e antes que manifestasse os sintomas já estava em outro continente, levando em seu próprio corpo as sementes da morte. Disso todos já ficamos cientes.
As maiores epidemias conhecidas pelo ser humano não chegam nem perto deste Covid. A peste negra de séculos passados causou um número nunca conhecido de mortes, mas ficou restrita ao continente eurasiano; não havia comunicação com outras partes do mundo. A gripe espanhola de um século atrás foi mais rápida, mas não atingiu todo o planeta. Agora é diferente.
Todas as localidades habitadas estão sob risco. Morrem ricos e pobres, jovens e velhos, atletas e empresários, vendedores ambulantes e médicos, políticos e motoristas. Nações governadas por regimes capitalistas, neo-liberais, socialistas ou comunistas, nenhuma a salvo.
Minha opinião é de que finalmente, o mundo – e o Brasil – caíram sob o poder de grandes domínios e potestades. Por mais que alguns vivam dizendo que “o presidente é cristão e Deus está acima de tudo”, a verdade é mais crua e mais pesada.
O presidente pode até ser cristão, e Deus realmente está acima de tudo, mas o momento em que vivemos antecede a hora final da História. Não sei se ainda falta muito, ou se falta pouco. O fato é que a cada segundo se aproxima o toque da trombeta (I Ts 4:17, I Co 15:52).
Mas ainda não é o fim, ainda não é “o apocalipse”, ainda não são “as pragas”, “as taças da ira de Deus”. Isso que vivemos é “o princípio das dores”: um ensaio geral para o que virá em breve, muito breve.
Vamos aos fatos.
Primeiro que as “pragas do apocalipse” obedecem a uma seqüência muito clara de eventos, que de forma alguma sucederá fora do que foi profetizado. Apocalipse conta a história da Igreja composta de passado, presente e futuro, tipificada nas cartas às sete igrejas da Ásia, como vimos anteriormente. As seis primeiras igrejas são a história passada. A igreja de Laodicéia representa a igreja dos dias atuais, logo, esta carta retrata o momento presente: rica, influente na política, governadas por homens que se acham donos do rebanho (“nicolaítas”), não prega o evangelho de Cristo mas outros evangelhos (da prosperidade, do dominionismo etc.). Por isso é a única das sete igrejas que só recebe repreensões e nenhum elogio. Tudo isso em Apocalipse 3.
O capítulo 4 inaugura o momento que ainda é futuro para nós, pois retrata o momento em que a Igreja parte da Terra:
“Depois destas coisas, olhei, e eis que estava uma porta aberta no céu; e a primeira voz, que como de trombeta ouvira falar comigo, disse: Sobe aqui, e mostrar-te-ei as coisas que depois destas devem acontecer. E logo fui arrebatado em espírito, e eis que um trono estava posto no céu, e um assentado sobre o trono” (Ap 4:1-2). Essa “voz de trombeta” cf I Ts 4:17 e I Co 15:52 poderá ser ouvida a qualquer instante por aqueles que a estiverem esperando.
Pois bem, a partir desse ponto se desenrola o Juízo de Deus sobre a Terra, sobre os homens e sobre as nações. Esse juízo compreende, dentre outras coisas: pestes, pragas, doenças, mas também (como começamos a ver em 2020, num prelúdio) as nações se unindo contra um “inimigo comum”, um governo centralizado, forte e autoritário, que impõe à força sua vontade, que restringe o “ir e vir” e o “comprar e vender” - e aqui não discuto se está certo ou errado “ir e vir” neste momento; mas também vemos que estão preditas guerras e fome, fenômenos tanto telúricos como cósmicos (Mt 24:7-8): terremotos, estrelas caindo, águas tornadas amargas, lua se torna vermelha, sol abrasador etc. (Mt 24:29 e Ap 6:12-13; 16:8-11). Ora, se algumas dessas coisas acontecem, e outras não, não é “o apocalipse”.
Os domínios, os principados e as potestades (veja mais detalhes aqui) estão tomando seu lugar no palco onde as cortinas se abrirão em breve. Já ensaiam seu controle sobre a população mundial. Já tentam se mostrar como “homens fortes”, que sabem resolver qualquer situação (lógico que é tudo enganação, pois também estão sujeitos ao vírus). Já exibem seu poder de comunicação, conseguindo enganar grande parte das pessoas com informações falsas e/ou distorcidas (veja aqui). Já possuem seus falsos profetas (Mt 24:11, 24) que repassam suas mensagens às suas “igrejas laodicenses” – não preciso nem detalhar.
E ao que parece, propositalmente expõem a população à morte, pois como é possível cortar verbas de caráter social e da saúde pública, inclusive dispensando milhares de médicos que prestavam serviço à população carente em lugares onde outros médicos não iam, e onde falta o serviço público de saúde, para aumentar gastos com publicidade? Sucatear os hospitais públicos, sendo que a rede privada não tem equipamentos nem profissionais suficientes para atender a tanta gente? Como é possível líderes religiosos conclamarem o povo a se reunir em grandes multidões quando a opinião médica é de que se deveria evitar aglomerações? Quem está com a razão? Em quem confiar? Vão obedecer às autoridades como gostam de dizer? Porque só obedecem e oram pelas autoridades quando gostam das autoridades... E nesse caso, qual autoridade? Verdade seja dita. É um caos.
Por isso podemos ter certeza de que vivemos “o princípio das dores”, “porque haverá então grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco há de haver” (Mt 24:21). Por isso precisamos ficar atentos ao som da trombeta, enquanto observamos a figueira e todas as árvores (as nações).

E disse-lhes uma parábola: Olhai para a figueira, e para todas as árvores;
Quando já têm rebentado, vós sabeis por vós mesmos, vendo-as, que perto está já o verão. Assim também vós, quando virdes acontecer estas coisas, sabei que o reino de Deus está perto... Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não hão de passar. 
(Lc 21:29-33).

Não sabemos se vamos sobreviver ou não à pandemia. Mas “se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, ou vivamos ou morramos, somos do Senhor” (Rm 14:8). 


Do blog -  doa -a-quem-doer.blogspot.com/20/04/2020

Será Desolada a Terra

 Será Desolada a Terra

Ellen White 

"Os seus pecados se acumularam até ao céu, e Deus Se lembrou das iniqüidades dela." "No cálice em que vos deu de beber dai-lhe a ela em dobro. Quanto ela se glorificou, e em delícias esteve, dai-lhe outro tanto em tormento e pranto; porque diz em seu coração: Estou assentada como rainha, e não sou viúva, e não verei o pranto. Portanto, num dia virão as pragas, a morte, e o pranto e a fome; e será queimada no fogo; porque é forte o Senhor Deus que a julga. E os reis da Terra, que se prostituíram com ela, e viveram em delicias, a chorarão, e sobre ela prantearão, ... dizendo: Ai! ai daquela grande Babilônia, aquela forte cidade! pois numa hora veio o seu juízo." Apoc. 18:5-10.

"Os mercadores da Terra" que "se enriqueceram com a abundância de suas delícias", "estarão de longe, pelo temor do seu tormento, chorando, e lamentando, e dizendo: Ai, ai, daquela grande cidade! que estava vestida de linho fino, de púrpura, de escarlata; e adornada com ouro e pedras preciosas e pérolas! Porque numa hora foram assoladas tantas riquezas." Apoc. 18:3, 15 e 16.

Tais são os juízos que caem sobre Babilônia, no dia da ira de Deus. Ela encheu a medida de sua iniqüidade; veio o seu tempo; está madura para a destruição.

Quando a voz de Deus põe fim ao cativeiro de Seu povo, há um terrível despertar daqueles que tudo perderam no grande conflito da vida. Enquanto perdurou o tempo da graça, estiveram cegos pelos enganos de Satanás, e desculpavam sua conduta de pecado. Os ricos se orgulhavam de sua superioridade sobre aqueles que eram menos favorecidos; mas obtiveram suas riquezas violando a lei de Deus. Negligenciaram alimentar o faminto, vestir o nu, tratar com justiça e amar a misericórdia. Procuraram exaltar-se, e obter a homenagem de seus semelhantes. Agora estão despojados de tudo que os fazia grandes, e se encontram desamparados e indefesos. Olham com terror para a destruição dos ídolos que antepuseram ao seu Criador. Venderam a alma em troca das riquezas e gozos terrestres, e não procuraram enriquecer para com Deus. O resultado é que sua vida foi um fracasso; seus prazeres agora se transformaram em amargura, seus tesouros em corrupção. Os .ganhos de uma vida inteira foram em um momento varridos. Os ricos lastimam a destruição de suas soberbas casas, a dispersão de seu ouro e prata. Mas suas lamentações silenciam pelo temor de que eles próprios devem perecer, juntamente com seus ídolos.

Os ímpios estão cheios de pesar, não por causa de sua pecaminosa negligência para com Deus e seus semelhantes, mas porque Deus venceu. Lamentam que o resultado seja o que é; mas não se arrependem de sua impiedade. Se pudessem, não deixariam de experimentar todo e qualquer meio para vencer.

O mundo vê aqueles dos quais zombaram e escarneceram, e que desejaram exterminar, passarem ilesos através das pestilências, tempestades e terremotos. Aquele que é para os transgressores de Sua lei um fogo devorador, é para o Seu povo um seguro pavilhão.

O ministro que sacrificara a verdade a fim de alcançar o favor dos homens, percebe agora o caráter e influência de seus ensinos. É evidente que os olhos oniscientes o estiveram acompanhando enquanto se achava ao púlpito, enquanto andava pelas ruas, enquanto se confundia com os homens nas várias cenas da vida. Toda emoção da alma, toda linha escrita, cada palavra pronunciada, todo ato que levava os homens a descansar em um refúgio de falsidade, esteve a espalhar sementes; e agora, nas infelizes e perdidas almas em redor dele, contempla a colheita.

Diz o Senhor: "Curam a ferida da filha de Meu povo levianamente, dizendo: Paz, paz, quando não há paz." "Entristecestes o coração do justo com falsidade, não o havendo Eu entristecido, e esforçastes as mãos do ímpio, para que não se desviasse do seu mau caminho, e vivesse." Jer. 8:11; Ezeq. 13:22.

"Ai dos pastores que destroem e dispersam as ovelhas do Meu pasto. ... Eis que visitarei sobre vós a maldade de vossas ações." "Uivai, pastores, e clamai, e rebolai-vos na cinza, principais do rebanho, porque já se cumpriram os vossos dias para serdes mortos ... E não haverá fugida para os pastores, nem salvamento para os principais do rebanho." Jer. 23:1 e 2; 25:34 e 35.

Ministros e povo vêem que não mantiveram a devida relação para com Deus. Vêem que se rebelaram contra o Autor de toda lei reta e justa. A rejeição dos preceitos divinos deu origem a milhares de fontes para males, discórdias, ódio, iniqüidade, até que a Terra se tornou um vasto campo de contenda, um poço de corrupção. Este é o quadro que ora se apresenta aos que rejeitaram a verdade e preferiram acalentar o erro. Nenhuma linguagem pode exprimir o anelo que o desobediente, o desleal experimenta por aquilo que para sempre perdeu: a vida eterna. Homens que o mundo adorou pelos talentos e eloqüência vêem agora estas coisas sob a sua verdadeira luz. Compenetram-se do que perderam pela transgressão, e caem aos pés daqueles de cuja fidelidade zombaram, com menosprezo, confessando que Deus os amou.

O povo vê que foi iludido. Um acusa ao outro de o ter levado à destruição; todos, porém, se unem em acumular suas mais amargas condenações contra os ministros. Pastores infiéis profetizaram coisas agradáveis, levaram os ouvintes a anular a lei de Deus e a perseguir os que a queriam santificar. Agora, em seu desespero, esses ensinadores confessam perante o mundo sua obra de engano. As multidões estão cheias de furor. "Estamos perdidos!" exclamam; "e vós sois a causa de nossa ruína"; e voltam-se contra os falsos pastores. Aqueles mesmos que mais os admiravam, pronunciarão as mais terríveis maldições sobre eles. As mesmas mãos que os coroavam de lauréis, levantar-se-ão para destruí-los. As espadas que deveriam matar o povo de Deus, são agora empregadas para exterminar os seus inimigos. Por toda parte há contenda e morticínio.

"Chegará o estrondo até à extremidade da Terra, porque o Senhor tem contenda com as nações, entrará em juízo com toda a carne; os ímpios entregará à espada." Jer. 25:31. Seis mil anos esteve em andamento o grande conflito; o Filho de Deus e Seus mensageiros celestiais estavam em conflito com o poder do maligno, a fim de advertir, esclarecer e salvar os filhos dos homens. Agora todos fizeram sua decisão; os ímpios uniram-se completamente a Satanás em sua luta contra Deus. Chegado é o tempo para Deus reivindicar a autoridade de Sua lei que fora desprezada. Agora a controvérsia não é somente com Satanás, mas também com os homens. "O Senhor tem contenda com as nações"; "os ímpios entregará à espada".

O sinal de livramento foi posto sobre aqueles "que suspiram e que gemem por causa de todas as abominações que se cometem". Agora sai o anjo da morte, representado na visão de Ezequiel pelos homens com as armas destruidoras, aos quais é dada a ordem: "Matai velhos, mancebos, e virgens, e meninos, e mulheres, até exterminá-los; mas a todo homem que tiver o sinal não vos chegueis; e começai pelo Meu santuário." Diz o profeta: "E começaram pelos homens mais velhos que estavam diante da casa." Ezeq. 9:1-6. A obra de destruição se inicia entre os que professaram ser os guardas espirituais do povo. Os falsos vigias são os primeiros a cair. Ninguém há de quem se compadecer ou a quem poupar. Homens, mulheres, donzelas e criancinhas perecem juntamente.

"O Senhor sairá do Seu lugar, para castigar os moradores da Terra, por causa da sua iniqüidade, e a Terra descobrirá o seu sangue, e não encobrirá mais aqueles que foram mortos." Isa. 26:21. "E esta será a praga com que o Senhor ferirá a todos os povos que guerrearem contra Jerusalém: a sua carne será consumida, estando eles de pé, e lhes apodrecerão os olhos nas suas órbitas, e lhes apodrecerá a língua na sua boca. Naquele dia também acontecerá que haverá uma grande perturbação do Senhor entre eles; porque pegará cada um na mão do seu companheiro, e alçar-se-á a mão de cada um contra a mão de seu companheiro." Zac. 14:12 e 13. Na desvairada contenda de suas próprias e violentas paixões, e pelo derramamento terrível da ira de Deus sem mistura, sucumbem os ímpios habitantes da Terra - sacerdotes, governadores e povo, ricos e pobres, elevados e baixos. "E serão os mortos do Senhor, naquele dia, desde uma extremidade da Terra até à outra extremidade da Terra; não serão pranteados nem recolhidos, nem sepultados." Jer. 25:33.

Por ocasião da vinda de Cristo os ímpios são eliminados da face de toda a Terra: consumidos pelo espírito de Sua boca, e destruídos pelo resplendor de Sua glória. Cristo leva o Seu povo para a cidade de Deus, e a Terra é esvaziada de seus moradores. "Eis que o Senhor esvazia a Terra, e a desola, e transtorna a sua superfície, e dispersa os seus moradores." "De todo se esvaziará a Terra, e de todo será saqueada, porque o Senhor pronunciou esta palavra." "Porquanto transgridem as leis, mudam os estatutos, e quebram a aliança eterna. Por isso a maldição consome a Terra, e os que habitam nela serão desolados; por isso serão queimados os moradores da Terra." Isa. 24:1, 3, 4 e 6.

A Terra inteira se parece com um deserto assolado. As ruínas das cidades e vilas destruídas pelo terremoto, árvores desarraigadas, pedras escabrosas arrojadas pelo mar ou arrancadas da própria Terra, espalham-se pela sua superfície, enquanto vastas cavernas assinalam o lugar em que as montanhas foram separadas da sua base. Ocorre agora o acontecimento prefigurado na última e solene cerimônia do dia da expiação. Quando se completava o ministério no lugar santíssimo, e os pecados de Israel eram removidos do santuário em virtude do sangue da oferta pelo pecado, o bode emissário era então apresentado vivo perante o Senhor; e na presença da congregação o sumo sacerdote confessava sobre ele "todas as iniqüidades dos filhos de Israel, e todas as suas transgressões, segundo todos os seus pecados", pondo-os sobre a cabeça do bode. Lev. 16:21. Semelhantemente, ao completar-se a obra de expiação no santuário celestial, na presença de Deus e dos anjos do Céu e do exército dos remidos, serão então postos sobre Satanás os pecados do povo de Deus; declarar-se-á ser ele o culpado de todo o mal que os fez cometer. E assim como o bode emissário era enviado para uma terra não habitada, Satanás será banido para a Terra desolada, que se encontrará como um deserto despovoado e horrendo.

O escritor do Apocalipse prediz o banimento de Satanás, e a condição de caos e desolação a que a Terra deve ser reduzida; e declara que tal condição existirá durante mil anos. Depois de apresentar as cenas da segunda vinda do Senhor e da destruição dos ímpios, continua a profecia: "Vi descer do céu um anjo que tinha a chave do abismo, e uma grande cadeia na sua mão. Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o diabo e Satanás, e amarrou-o por mil anos. E lançou-o no abismo, e ali o encerrou, e pôs selo sobre ele, para que não mais engane as nações, até que os mil anos se acabem. E depois importa que seja solto por um pouco de tempo." Apoc. 20:1-3.

Que a expressão "abismo" representa a Terra em estado de confusão e trevas, é evidente de outras passagens. Relativamente à condição da Terra "no princípio", o relato bíblico diz que "era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo". Gên. 1:2. A profecia ensina que ela voltará, em parte ao menos, a esta condição. Olhando ao futuro para o grande dia de Deus, declara o profeta Jeremias: "Observei a Terra, e eis que estava assolada e vazia; e os céus, e não tinham a sua luz. Observei os montes, e eis que estavam tremendo; e todos os outeiros estremeciam. Observei e vi que homem nenhum havia e que todas as aves do céu tinham fugido. Vi também que a terra fértil era um deserto, e que todas as suas cidades estavam derribadas." Jer. 4:23-26.

Aqui deverá ser a morada de Satanás com seus anjos maus durante mil anos. Restrito à Terra, não terá acesso a outros mundos, para tentar e molestar os que jamais caíram. É neste sentido que ele está amarrado: ninguém ficou de resto, sobre quem ele possa exercer seu poder. Está inteiramente separado da obra de engano e ruína que durante tantos séculos foi seu único deleite.

O profeta Isaías, vendo antecipadamente o tempo da queda de Satanás, exclama: "Como caíste do Céu, ó estrela da manhã, filha da alva! como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações! E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao Céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono. ... Serei semelhante ao Altíssimo. E contudo levado serás ao inferno, ao mais profundo do abismo. Os que te virem te contemplarão, considerar-te-ão, e dirão: É este o varão que fazia estremecer a Terra, e que fazia tremer os reinos? Que punha o mundo como um deserto, e assolava as suas cidades? que a seus cativos não deixava ir soltos para suas casas?" Isa. 14:12-17.

Durante seis mil anos a obra de rebelião de Satanás tem feito "estremecer a Terra". Ele tornou "o mundo como um deserto", e destruiu "as suas cidades". E "a seus cativos não deixava ir soltos". Durante seis mil anos o seu cárcere (o sepulcro) recebeu o povo de Deus, e ele os queria conservar cativos para sempre; mas Cristo quebrou os seus laços, pondo em liberdade os prisioneiros.

        Mesmo os ímpios agora se acham colocados fora do poder de Satanás, e sozinho, com seus anjos maus, permanecerá ele a compenetrar-se dos efeitos da maldição que o pecado acarretou. Todos os reis das nações, todos eles jazem com honra cada um na sua casa [sepultura]. Mas tu és lançado da tua sepultura, como um renovo abominável. ... Com eles não te reunirás na sepultura; porque destruíste a tua terra e mataste o teu povo." Isa. 14:18-20.

Durante mil anos Satanás vagueará de um lugar para outro na Terra desolada, para contemplar os resultados de sua rebelião contra a lei de Deus. Durante este tempo os seus sofrimentos serão intensos. Desde a sua queda, a sua vida de incessante atividade baniu a reflexão; agora, porém, está ele despojado de seu poder e entregue a si mesmo para contemplar a parte que desempenhou desde que a princípio se rebelou contra o governo do Céu, e para aguardar, com temor e tremor, o futuro terrível em que deverá sofrer por todo o mal que praticou, e ser punido pelos pecados que fez com que fossem cometidos.

Ao povo de Deus o cativeiro de Satanás trará alegria e júbilo. Diz o profeta: "Acontecerá que no dia em que Deus vier a dar-te descanso do teu trabalho, e do teu tremor, e da dura servidão com que te fizeram servir, então proferirás este dito contra o rei de Babilônia [representando aqui Satanás], e dirás: Como cessou o opressor! ... Já quebrantou o Senhor o bastão dos ímpios e o cetro dos dominadores. Aquele que feria os povos com furor, com praga incessante, o que com ira dominava as nações, agora é perseguido, sem que alguém o possa impedir." Isa. 14:3-6.

Durante os mil anos entre a primeira e a segunda ressurreições, ocorre o julgamento dos ímpios. O apóstolo Paulo indica este juízo como um acontecimento a seguir-se ao segundo advento. "Nada julgueis antes de tempo, até que o Senhor venha, o qual também trará à luz as coisas ocultas das trevas, e manifestará os desígnios dos corações." I Cor. 4:5. Daniel declara que quando veio o Ancião de Dias, "foi dado o juízo aos santos do Altíssimo". Dan. 7:22. Nesse tempo os justos reinam como reis e sacerdotes de Deus. João, no Apocalipse, diz: "Vi tronos; e assentaram-se sobre eles, e foi-lhes dado o poder de julgar." "Serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com Ele mil anos." Apoc. 20:4 e 6. É nesse tempo que, conforme foi predito por Paulo, "os santos hão de julgar o mundo". I Cor. 6:2. Em união com Cristo julgam os ímpios, comparando seus atos com o código - a Escritura Sagrada, e decidindo cada caso segundo as ações praticadas no corpo. Então é determinada a parte que os ímpios devem sofrer, segundo suas obras; e registrada em frente ao seu nome, no livro da morte.

Igualmente Satanás e os anjos maus são julgados por Cristo e Seu povo. Diz Paulo: "Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos?" I Cor. 6:3. E Judas declara que aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria habitação, reservou na escuridão, e em prisões eternas até ao juízo daquele grande dia". Jud. 6.

Ao fim dos mil anos ocorrerá a segunda ressurreição. Então os ímpios ressuscitarão dos mortos, comparecendo perante Deus para a execução do "juízo escrito". Assim, o escritor do Apocalipse, depois de descrever o ressurgir dos justos, diz: "Mas os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se acabaram." Apoc. 20:5. A respeito dos ímpios Isaías declara: "Serão amontoados como presos numa masmorra, e serão encerrados num cárcere, e serão visitados depois de muitos dias." Isa. 24:22.


Livro,  O Grande Conflito. Pags. 653 - 661


domingo, 14 de fevereiro de 2021

Seis tendências evangélicas anti-igreja

 

Seis tendências evangélicas anti-igreja

Frequência à igreja nos Estados Unidos sempre foi algo que varia muito. Não é correto dizer que a frequência à igreja na América era excelente na virada do século XIX e veio diminuindo desde então. Em vez disso, houveram várias tendências: algumas vezes a frequência aumentou, outras vezes diminuiu.

R. Kent Hughes, pastor, autor e professor, escreveu uma lista útil de tendências evangélicas anti-igreja por volta de 2003. Essas variações, ele disse, mostram que muitos dos que chamam a si mesmos de cristãos têm uma visão muito pequena da igreja e da membresia. A discussão de Hughes acerca deste tópico é muito perspicaz; abaixo irei resumir, explicar e expandir em cima dos insights dele, uma vez que ainda são relevantes hoje.

1. A Mentalidade de Mochileiro
Um mochileiro é uma pessoa que quer uma carona gratuita por um período limitado. Ele não é proprietário do carro, não cuida do carro nem ajuda a fazer manutenção; ele só quer uma carona e vai embora se qualquer coisa der errado ou se sua carona chegar onde ele quer. É assim que muitas pessoas pensam da igreja e da membresia:

Você vai às reuniões e serve nos conselhos e comitês, você luta com as questões e faz o trabalho da igreja e paga as contas – e eu venho junto de carona. Mas se as coisas não funcionarem pra mim, eu vou criticar e reclamar e provavelmente pular fora. Meu polegar está sempre pronto pra pegar uma carona melhor.[1]

Muitos cristãos hoje têm uma mentalidade de só ir ficando na igreja por um tempo e depois sair quando eles sentirem vontade. Eles não se envolvem na vida da igreja; eles não doam seu tempo e energia; eles nunca perguntam o que podem fazer pra ajudar; eles não investem suas vidas na igreja. Eles são irresponsáveis e imaturos neste aspecto de suas vidas, e têm um conceito baixo de dever ou serviço.

2. Cristãos Consumidores
Estes são

compradores eclesiásticos [que] frequentam uma igreja pela pregação, mandam seus filhos para uma segunda igreja pela programação de jovens, e vão ao pequeno grupo de uma terceira igreja. Seu lema é perguntar “O que tem aí pra mim?”
A mentalidade do consumidor “encorajou aqueles que foram influenciados a pensar naturalmente em termos de receber em vez de contribuir.”[2]

São o tipo de gente que quer pegar da igreja, mas nunca quer dar. Igrejas pra essas pessoas são uma commodity que existe para oferecê-los algo que eles querem ou precisam.

Esta visão – uma visão de consumidor da igreja – é uma característica da mentalidade de direitos de nossa cultura. Todo mundo – especialmente os mais jovens – acredita ter certos direitos e benefícios, como se eles fossem a realeza a ser servida. O cliente tem sempre razão! Esta visão se arrastou para dentro da igreja: “Se a igreja não me serve ou não serve para mim, estou fora. Se minhas necessidades não são atendidas, eu vou em outra igreja.” O consumismo eclesiástico e a mentalidade de direitos trabalham juntas para formar esta tendência evangélica anti-igreja. E é claro, há algumas igrejas que fortalecem esta tendência usando métodos de crescimento de igreja voltados ao consumidor.

3. Cristãos espectadores

Cristianismo espectador se alimenta da ilusão de que a virtude vem de ver, assim como o fã de futebol que imagina que ele recebe força e coragem ao assistir seu time profissional favorito. O espectador de esportes e o cristão espectador produzem as mesmas coisas – fãs que torcem pelos jogadores enquanto eles mesmos passam uma necessidade desesperada de compromisso e significado.[3]

Aqui estão as pessoas que gostam de sentar preguiçosamente nas arquibancadas mas não querem entrar no jogo. O assento na arquibancada é bom o suficiente para eles, pensando (de maneira implícita ou explícita) que podem “pegar” a fé cristã ao assistir dos bancos e não se comprometendo a pisar no campo. Em outras palavras, essas são as pessoas que estão contentes em observarem outros seguirem Cristo, mas elas mesmas nunca o seguem de verdade. Estão vendo os outros se sentirem bem a respeito da vida ou de si mesmos, mas nunca aprendem como morrer para si e viver para Cristo.


4. Cristãos Drive-Through

O drive-through de um restaurante fast-food é o meio de conseguir comida (insalubre) sem perder tempo e sem muito esforço. Quando estamos apressados, só queremos rapidamente comer alguma coisa que tenha um gosto bom e então seguir com nossos negócios urgentes. O resultado desse tipo de estilo de vida não é bom: ele deixa para trás pessoas sem saúde e com sobrepeso, além de estressadas porque vivem vidas tão ocupadas.

Algo parecido acontece quando uma pessoa vê a igreja como um restaurante fast-food: as pessoas que pensam assim

resolvem seu “problema de igreja” indo a um culto de noite durante a semana ou ao culto mais curto no domingo (ou sábado) de manhã e assim a família pode guardar a maior parte do domingo para o todo-importante jogo de futebol ou viagem recreativa. Claro que há um triste preço que será cobrado ao longo do tempo nos hábitos e nas artérias de uma alma flácida – uma família que não está em forma para as batalhas da vida e não tem um conceito de serem soldados cristãos em meio à grande batalha espiritual.[4]

5. Cristãos Sem-Relacionamentos

Apesar da ênfase da Bíblia em os crentes não deixarem de congregar regularmente para adoração e comunhão, hoje algumas pessoas dizem “a melhor igreja é aquela que te conhece menos e que te pede menos.”[5]

Esse pensamento anda de mãos dadas com as tendências já mencionadas. Pessoas que querem carona na vida da igreja – jogando conversa fora com o motorista mas nunca conhecendo-o pessoalmente. Para muita gente, o jogo de futebol ou as férias são mais importantes que o pessoal na igreja, então porque se importar em começar a ter relacionamentos dentro da igreja?

Isso se torna evidente quando as pessoas rejeitam a ideia de membresia. Pouca gente aprecia a membresia na igreja hoje porque isso vai contra seu desejo egoísta de estar por conta própria, isso significa que eles devem prestar contas a outros, e isso significa que eles precisam dividir suas vidas e ajudar outros quando for preciso. Para a maioria das pessoas, é muito mais satisfatório ir ver um filme sexta à noite do que ajudar uma família da igreja a se mudar pra um apartamento no centro da cidade.

6. Adoradores Desigrejados
Esta tendência também é comum, uma vez que muita gente hoje pensa que pode adorar a Deus sozinha, por conta própria, quando for mais conveniente e útil para eles. Pra que acordar cedo no domingo e ir a um lugar onde tem um monte de estranhos quando eu posso dormir um pouco mais e adorar a Deus enquanto assisto meu jogo de futebol sozinho? Embora esta linha de pensamento seja completamente antibíblica, é bem comum hoje. Hughes colocou desta forma:

O mito atual é que uma vida de adoração é possível, ou até melhor, longe da igreja. Como uma pessoa alegremente expressou:“De ‘igreja’ eu vou ao meu café preferido e gasto minha manhã com o Senhor. É assim que eu adoro.” Esta é uma atualização suburbana e yuppie de como gastar o Domingo, alterada de seu rústico ancestral [a saber, Emily Dickinson, que disse 100 anos atrás]: “Alguns guardam o Sabbath indo à igreja – eu o guardo ficando em casa.” [6]

Hughes está certo a respeito dessas tendências; eu mesmo já as vi desde que me tornei pastor há alguns anos. O ethos da cultura americana (consumismo, individualismo, narcisismo, aversão à autoridade, um desejo desenfreado por entretenimento e diversão, estar sempre ocupado, etc) contradiz diretamente o ethos da visão bíblica da igreja. Estão bem em desacordo.

É útil pensar sobre as tendências acima por causa das seguintes razões: 1) para que nós não sejamos pegos por elas, 2) para que possamos entender a mentalidade daqueles que foram pegos nelas, 3) para que possamos pacientemente dialogar, conversar, ensinar, repreender e pregar para aqueles que estão lutando com essas tendências, 4) para que possamos ajudar a manter a igreja livre de atender estas tendências e 5) para que possamos pregar melhor o evangelho que liberta as pessoas de todos esses ismos (narcisismo, consumismo, individualismo, etc).

Já que este é o ar cultural que todos nós respiramos, cada um de nós precisa ser constantemente lembrado da visão bíblica da igreja, e do amoroso e paciente Salvador que é nosso o cabeça, marido e redentor.


Notas
[1] R. Kent Hughes, Set Apart: Calling a Worldly Church to a Godly Life (Wheaton: Crossway, 2003), 128.
[2] Ibid., 129.
[3] Ibid.
[4] Ibid.
[5] Ibid.
[6] Ibid., 130.

Do Site https://reforma21.org/sem-categoria/seis-tendencias-evangelicas-anti-igreja.html

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Musicas e Instrumentos Musicais, na Igreja

 Musicas e Instrumentos Musicais, na Igreja 


Os argumentos de Satanás, usados para induzir ao erro,  são  lógicos e convincentes.  Tão convincentes, que conseguiu convencer a terça parte dos Anjos, no céu,  que Deus estava errado, e que ele, Satanás, e quem estava certo.

O mesmo acontece hoje, em relação a música.Tentar convencer os "defensores da musica  popular evangelica, ou gospel, e da MPA  (musica popular adventista) que a mesma não deva ser tocada na igreja, na hora do culto  é tarefa impossivel.  

Se nem Jesus, conseguiu convencer os anjos rebeldes no céu, que eles estavam errados,  imagine nós, aqui na terra, tentar convencer quem gosta e defende o erro, e não deseja mudar de opinião.

É certo que no céu, o assunto era outro, tinha a ver com poder. Satanás queria ter o comando do ceu, não estava satisfeito em comandar apenas os anjos, queria mais, queria o governo absoluto do céu, por esta razão se rebelou e resolveu fazer um céu, para si. Disse: " subirei aos céu, acima das estrelas estabeleceiri o meu trono e serei semelhante ao Autíssimo. Isaías 14: 13, 14.

 Porem havia em satanás o desejo de ser adorado. Ele sabe que a música é uma forma de adoração.  Sabe  também, que a boa música desperta sentimentos nobres, e aproxima a pessoa de Deus, daí, ele cria a pior música possivel. inspira os compositores populares das músicas chamadas, mundanas, inspira-os a criar a pior espécie de música, música essas que levam as pessoas ao pecado e à idolatria, 

No meio cristão, dentro das igrejas, ele, satanás,  de maneira bem discreta, devagarinho, pacientemente, e persistentemente, vai levando os compositores a criarem músicas que agrada apenas o ego das pessoas, músicas de auto ajuda, músicas que apenas agradam os ouvidos,  musicas que enaltece o homém ao invés do criador. Os defensores dessa musica, popular,  barata, sacudida, música às vezes, até  profana, que tem nome ponposo, de "Gospel" os defensores da mesma, são convincentes, pacientes, e persistentes.

Aos poucos, sorrateiramente,  vão mudando, o estilo da musica Cristã de raiz, e os instrumentos usados no passado, por outros.

1.- Insistiram até conseguir por a bateria no altar,

2.- Passaram a  tocar músicas,  sacudidas e cantar com passos de danças ( chamam coreografia) e cantam de olhos fechados, fazendo caretas e gemendo, ou então, dando "uivus". Tipo. uh uh uh uh  ou, ôh ôh ôh ôh 

3. - Agora,  aos poucos, estão introduzindo nas igrejas, o tambor usado nos terreiros de macumba e candomblé. No maranhão, o mesmo e chamado de "tambor de crioula". 

Nas igrejas ele esta chegando com nome diferente. Agora se chama, KAHON. ( bonito nome, né? Que tal? ) 

4.- Se continuar assim, logo, logo, vai entrar nas igrejas:

a) O Berimbau, dos capoeiras, 

b) O Ganzá, dos repentistas

c) A Sanfona, o Pandeiro, e o triangulo dos forrozeiros 

Ai  sim!. Os cultos ficaram animados. 

Ficarão do jeito que o diabo gosta

E ai de quem discordar e falar que esta errado. Quem falar contra esse tipo de música e instrumentos musicais, será chamado de intolerante, hipócrita, desatualizado, sem amor aos jovens, será acusado de ser o culpado da igreja não crescer, e o culpado pelos jovens que  sairam da igreja

Mesmo assim, correndo o risco de ser execrado, por não concordar com esse estilo de musícas mundanas, que tomam o nome de Deus em vão, músicas com ritmos e acompanhadas com instrumentos mundanos, eu falo alto e em bom som: Eu sou contra. 

Ellen white também era contra esse estilo de musicas. Veja o que ela escreveu: 

Em uma igreja adventista, na cidade  chamda Indiana, nos estados unidos, começou um movimento musical, onde usavam vários instrumentos, inclusive um tambor.

"Ellen G. White soube destes acontecimentos enquanto estava na Austrália, em janeiro de 1900, e, então, recebeu orientação de Deus quanto aos perigos destas práticas. Mas entre outras coisas que o Senhor lhe revelou sobre o assunto, o que mais me impressiona, é a comparação que Deus faz entre o que ocorria dentro do movimento e o que aconteceria no futuro entre o povo de Deus:

"...Demonstrar-se-á tudo quanto é estranho. Haverá gritos com tambores, músicas e dança. Os sentidos dos seres racionais ficarão tão confundidos que não se poderá confiar neles quanto as suas decisões retas. E isto será chamado operação do Espirito Santo"
"...Demonstrar-se-á tudo quanto é estranho. Haverá gritos com tambores, músicas e dança. Os sentidos dos seres racionais ficarão tão confundidos que não se poderá confiar neles quanto as suas decisões retas. E isto será chamado operação do Espirito Santo". Mensagens Escolhidas, Vol. 2, pg.36. (Grifo nosso). 
Um pouco antes, na mesma profecia, Ellen G. White aponta para o tempo em que estas manifestações voltariam a aparecer, afirmando: "o Senhor revelou-me que haviam de ter lugar imediatamente antes da terminação da graça". (Grifo nosso).

Note bem que nesta profecia, que foi escrita quando Ellen estava na Austrália, no ano de 1901 (mais precisamente no dia 17 de abril), Deus lhe revelou que estas coisas aconteceriam "imediatamente antes da terminação graça". 
À semelhança do que já ocorrera em Indiana, surgiria algo estranho, envolvendo "gritos com tambores, música e dança". Portanto, temos aí mais um sinal da proximidade da volta de Jesus, e precisamos estar atentos".

Esse é o motivo que eu contra essa enxurrada de músicas de meu gosto e o uso de tambores na igreja. 

Simples  assim

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

O Livramento Dos Justos ( Terceira Parte )

Ellen White


 Com indizível amor Jesus dá as boas-vindas a Seus fiéis, para "o gozo do teu Senhor". O gozo do Salvador consiste em ver, no reino de glória, as almas que foram salvas por Sua agonia e humilhação. E os remidos serão participantes de Sua alegria, vendo eles, entre os bem-aventurados, os que foram ganhos para Cristo por meio de suas orações, trabalhos e sacrifícios de amor. Reunindo-se eles em redor do grande trono branco, indizível júbilo lhes encherá o coração ao contemplarem os que ganharam para Cristo, e verem que um ganhou a outros, e estes ainda outros, todos trazidos para o porto de descanso, para ali deporem sua coroa aos pés de Jesus e louvá-Lo pelos séculos intérminos da eternidade.

Ao serem os resgatados recebidos na cidade de Deus, ecoa nos ares um exultante clamor de adoração. Os dois Adões estão prestes a encontrar-se. O Filho de Deus Se acha em pé, com os braços estendidos para receber o pai de nossa raça - o ser que Ele criou e que pecou contra o seu Criador, e por cujo pecado os sinais da crucifixão aparecem no corpo do Salvador. Ao divisar Adão os sinais dos cruéis cravos, ele não cai ao peito de seu Senhor, mas lança-se em humilhação a Seus pés, exclamando: "Digno, digno é o Cordeiro que foi morto!" Com ternura o Salvador o levanta, convidando-o a contemplar de novo o lar edênico do qual, havia tanto, fora exilado.

Depois de sua expulsão do Éden, a vida de Adão na Terra foi cheia de tristeza. Cada folha a murchar, cada vítima do sacrifício, cada mancha na bela face da Natureza, cada mácula na pureza do homem, era uma nova lembrança de seu pecado. Terrível foi a aflição do remorso, ao contemplar a iniqüidade que abundava, e, em resposta às suas advertências, deparar com a exprobração que lhe faziam como causa do pecado. Com paciente humildade, suportou durante quase mil anos a pena da transgressão. Sinceramente se arrependeu de seu pecado, confiando nos méritos do Salvador prometido, e morreu na esperança de uma ressurreição. O Filho de Deus redimiu a falta e a queda do homem; e agora, pela obra da expiação, Adão é reintegrado em seu primeiro domínio.

Em arrebatamento de alegria, contempla as árvores que já foram o seu deleite - as mesmas árvores cujo fruto ele próprio colhera nos dias de sua inocência e alegria. Vê as videiras que sua própria mão tratara, as mesmas flores que com tanto prazer cuidara. Seu espírito apreende a realidade daquela cena; ele compreende que isso é na verdade o Éden restaurado, mais lindo agora do que quando fora dele banido. O Salvador o leva à árvore da vida, apanha o fruto glorioso e manda-o comer. Olha em redor de si e contempla uma multidão de sua família resgatada, no Paraíso de Deus. Lança então sua brilhante coroa aos pés de Jesus e, caindo a Seu peito, abraça o Redentor. Dedilha a harpa de ouro, e pelas abóbadas do céu ecoa o cântico triunfante: "Digno, digno, digno, é o Cordeiro que foi morto, e reviveu!" A família de Adão associa-se ao cântico e lança as suas coroas aos pés do Salvador, inclinando-se perante Ele em adoração.

Esta reunião é testemunhada pelos anjos que choraram quando da queda de Adão e rejubilaram ao ascender Jesus ao Céu, depois de ressurgido, tendo aberto a sepultura a todos os que cressem em Seu nome. Contemplam agora a obra da redenção completa e unem as vozes no cântico de louvor.

No mar cristalino diante do trono, naquele mar como que de vidro misturado com fogo - tão resplendente é ele pela glória de Deus - está reunida a multidão dos que "saíram vitoriosos da besta, e da sua imagem, e do seu sinal, e do número do seu nome". Apoc. 15:2. Com o Cordeiro, sobre o Monte Sião, "tendo harpas de Deus", estão os cento e quarenta e quatro mil que foram remidos dentre os homens; e ouve-se, como o som de muitas águas, e de grande trovão, "uma voz de harpistas, que tocavam com as suas harpas". E cantavam um "cântico novo diante do trono - cântico que ninguém podia aprender senão os cento e quarenta e quatro mil. É o hino de Moisés e do Cordeiro - hino de livramento. Ninguém, a não ser os cento e quarenta e quatro mil, pode aprender aquele canto, pois é o de sua experiência - e nunca ninguém teve experiência semelhante. "Estes são os que seguem o Cordeiro para onde quer que vai." "Estes, tendo sido trasladados da Terra, dentre os vivos, são tidos como as primícias para Deus e para o Cordeiro." Apoc. 14:1-5; 15:3. "Estes são os que vieram de grande tribulação" (Apoc. 7:14); passaram pelo tempo de angústia tal como nunca houve desde que houve nação; suportaram a aflição do tempo da angústia de Jacó; permaneceram sem intercessor durante o derramamento final dos juízos de Deus. Mas foram livres, pois "lavaram os seus vestidos, e os branquearam no sangue do Cordeiro". "Na sua boca não se achou engano; porque são irrepreensíveis" diante de Deus. "Por isso estão diante do trono de Deus, e O servem de dia e de noite no Seu templo; e Aquele que está assentado sobre o trono os cobrirá com a Sua sombra." Apoc. 7:15. Viram a Terra devastada pela fome e pestilência, o Sol com poder para abrasar os homens com grandes calores, e eles próprios suportaram o sofrimento, a fome e a sede. Mas "nunca mais terão fome, nunca mais terão sede; nem Sol nem calma alguma cairá sobre eles. Porque o Cordeiro que está no meio do trono os apascentará, e lhes servirá de guia para as fontes das águas da vida; e Deus limpará de seus olhos toda a lágrima". Apoc. 7:16 e 17.

Em todos os tempos os escolhidos do Salvador foram educados e disciplinados na escola da provação. Seguiram na Terra por veredas estreitas; foram purificados na fornalha da aflição. Por amor de Jesus suportaram a oposição, o ódio, a calúnia. Acompanharam-nO através de dolorosos conflitos; suportaram a negação própria - e experimentaram amargas

 decepções. Pela sua própria experiência dolorosa compreenderam a malignidade do pecado, seu poder, sua culpa, suas desgraças; e para ele olham com aversão. Uma intuição do sacrifício infinito feito para reabilitá-los, humilha-os à sua própria vista, enchendo-lhes o coração de gratidão e louvor, que os que nunca decaíram não poderão apreciar. Muito amam, porque muito foram perdoados. Havendo participado dos sofrimentos de Cristo, estão aptos para serem co-participantes de Sua glória.

Os herdeiros de Deus vieram das águas-furtadas, das choças, dos calabouços, dos cadafalsos, das montanhas, dos desertos, das covas da Terra, das cavernas do mar. Na Terra eram "desamparados, aflitos e maltratados". Milhões desceram ao túmulo carregados de infâmia, porque firmemente se recusavam a render-se às enganosas pretensões de Satanás. Pelos tribunais humanos foram julgados como os mais vis dos criminosos. Mas agora "Deus mesmo é o Juiz". Sal. 50:6. Revogam-se agora as decisões da Terra. "Tirará o opróbrio do Seu povo." Isa. 25:8. "Chamar-lhes-ão: Povo santo, remidos do Senhor." Ele determinou "que se lhes dê ornamento por cinza, óleo de gozo por tristeza, vestido de louvor por espírito angustiado". Isa. 62:12; 61:3. Não mais são fracos, aflitos, dispersos e opressos. Doravante devem estar sempre com o Senhor. Acham-se diante do trono com vestes mais ricas do que já usaram os mais honrados da Terra. Estão coroados com diademas mais gloriosos do que os que já foram colocados na fronte dos monarcas terrestres. Os dias de dores e prantos acabaram-se para sempre. O Rei da glória enxugou as lágrimas de todos os rostos; removeu-se toda a causa de pesar. Por entre o agitar dos ramos de palmeiras, derramam um cântico de louvor, claro, suave e melodioso; todas as vozes apreendem a harmonia até que reboa pelas abóbadas do céu a antífona: "Salvação ao nosso Deus que está assentado no trono, e ao Cordeiro. E todos os habitantes do Céu assim respondem: "Amém. Louvor, e glória, e sabedoria, e ação de graças, e honra, e poder, e força ao nosso Deus, para todo o sempre." Apoc. 7:10 e 12.

Nesta vida podemos apenas começar a compreender o maravilhoso tema da redenção. Com nossa compreensão finita podemos considerar muito encarecidamente a ignomínia e a glória, a vida e a morte, a justiça e a misericórdia, que se encontraram na cruz; todavia, com o máximo esforço de nossa faculdade mental, deixamos de apreender seu completo significado. O comprimento e a largura, a profundidade e a altura do amor que redime não são senão palidamente compreendidos. O plano da redenção não será amplamente penetrado, mesmo quando os resgatados virem assim como eles são vistos, e conhecerem como são conhecidos; antes, através das eras eternas, novas verdades desdobrar-se-ão de contínuo à mente cheia de admiração e deleite. Posto que os pesares, dores e tentações da Terra estejam terminados, e removidas suas causas, sempre terá o povo de Deus um conhecimento distinto, inteligente, do que custou a sua salvação.

A cruz de Cristo será a ciência e cântico dos remidos por toda a eternidade. No Cristo glorificado eles contemplarão o Cristo crucificado. Jamais se olvidará que Aquele cujo poder criou e manteve os inumeráveis mundos através dos vastos domínios do espaço, o Amado de Deus, a Majestade do Céu, Aquele a quem querubins e resplendentes serafins se deleitavam em adorar - humilhou-Se para levantar o homem decaído; que Ele arrostou a culpa e a ignomínia do pecado e a ocultação da face de Seu Pai, até que as misérias de um mundo perdido Lhe quebrantaram o coração e aniquilaram a vida na cruz do Calvário. O fato de o Criador de todos os mundos, o Árbitro de todos os destinos, deixar Sua glória e humilhar-Se por amor do homem, despertará eternamente a admiração e a adoração do Universo. Ao olharem as nações dos salvos para o seu Redentor e contemplarem a glória eterna do Pai resplandecendo em Seu semblante; ao verem o Seu trono que é de eternidade em eternidade, e saberem que Seu reino não terá fim, irrompem num hino arrebatador: "Digno, digno é o Cordeiro que foi morto, e nos remiu para Deus com Seu mui precioso sangue!"


O mistério da cruz explica todos os outros mistérios. À luz que emana do Calvário, os atributos de Deus que nos encheram de temor e pavor, aparecem belos e atraentes. Misericórdia, ternura e amor paternal são vistos a confundir-se com santidade, justiça e poder. Enquanto contemplamos a majestade de Seu trono, alto e sublime, vemos Seu caráter em suas manifestações de misericórdia, e compreendemos, como nunca dantes, a significação daquele título enternecedor: "Pai nosso."

Ver-se-á que Aquele que é infinito em sabedoria não poderia idear plano algum para nos redimir, a não ser o sacrifício de Seu Filho. A compensação desse sacrifício é a alegria de povoar a Terra com seres resgatados, santos, felizes e imortais. O resultado do conflito do Salvador com os poderes das trevas, é alegria para os remidos, redundando para a glória de Deus por toda a eternidade. E tal é o valor de cada alma que o Pai está satisfeito com o preço pago; e o próprio Cristo, contemplando os frutos de Seu grande sacrifício, exulta, também.



sábado, 6 de fevereiro de 2021

O Livramento dos Justos (Segunda Parte)

Ellen White


Na vida de todos os que rejeitam a verdade, há momentos em que a consciência desperta, em que a memória apresenta a recordação torturante de uma vida de hipocrisia, e a alma é acossada de vãos pesares. Mas que é isto ao ser comparado com o remorso daquele dia em que o temor vem como assolação, em que a perdição vem como tormenta! (Prov. 1:27.) Os que desejariam destruir a Cristo e Seu povo fiel, testemunham agora a glória que sobre eles repousa. No meio de seu terror, ouvem a voz dos santos em alegres acordes, exclamando: "Eis que este é o nosso Deus, a quem aguardávamos, e Ele nos salvará." Isa. 25:9.

Por entre as vacilações da Terra, o clarão do relâmpago e o ribombo do trovão, a voz do Filho de Deus chama os santos que dormem. Ele olha para a sepultura dos justos e, levantando as mãos para o céu, brada: "Despertai, despertai, despertai, vós que dormis no pó, e surgi!" Por todo o comprimento e largura da Terra, os mortos ouvirão aquela voz, e os que ouvirem viverão. E a Terra inteira ressoará com o passar do exército extraordinariamente grande de toda nação, tribo, língua e povo. Do cárcere da morte vêm eles, revestidos de glória imortal, clamando: "Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória?" I Cor. 15:55. E os vivos justos e os santos ressuscitados unem as vozes em prolongada e jubilosa aclamação de vitória.

Todos saem do túmulo com a mesma estatura que tinham quando ali entraram. Adão, que está em pé entre a multidão dos ressuscitados, é de grande altura e formas majestosas, de estatura pouco menor que o Filho de Deus. Apresenta assinalado contraste com o povo das gerações posteriores; sob este único ponto de vista se revela a grande degeneração da raça. Todos, porém, surgem com a louçania e vigor de eterna mocidade. 

No princípio o homem foi criado à semelhança de Deus, não somente no caráter, mas na forma e aspecto. O pecado desfigurou e quase obliterou a imagem divina; mas Cristo veio para restaurar aquilo que se havia perdido. Ele mudará nosso corpo vil, modelando-o conforme Seu corpo glorioso. As formas mortais, corruptíveis, destituídas de garbo, poluídas pelo pecado, tornam-se perfeitas, belas e imortais. Todos os defeitos e deformidades são deixados no túmulo. Restabelecidos à árvore da vida, no Éden há tanto tempo perdido, os remidos crescerão até à estatura completa da raça em sua glória primitiva. Os últimos traços da maldição do pecado serão removidos, e os fiéis de Cristo aparecerão "na beleza do Senhor nosso Deus", refletindo no espírito, alma e corpo, a imagem perfeita de seu Senhor. Oh! maravilhosa redenção! Há tanto tempo objeto das cogitações, há tanto tempo esperada, contemplada com ávida expectativa, mas nunca entendida completamente!

Os justos vivos são transformados "num momento, num abrir e fechar de olhos". À voz de Deus foram eles glorificados; agora tornam-se imortais, e com os santos ressuscitados, são arrebatados para encontrar seu Senhor nos ares. Os anjos "ajuntarão os Seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus." Criancinhas são levadas pelos santos anjos aos braços de suas mães. Amigos há muito separados pela morte, reúnem-se, para nunca mais se separarem, e com cânticos de alegria ascendem juntamente para a cidade de Deus.

De cada lado do carro de nuvens existem asas, e debaixo dele se acham rodas vivas; e, ao volver o carro para cima, as rodas clamam: "Santo", e as asas, movendo-se, clamam: "Santo", e o cortejo de anjos clama: "Santo, santo, santo, Senhor Deus todo-poderoso." E os remidos bradam: "Aleluia!" - enquanto o carro prossegue em direção à Nova Jerusalém.

Antes de entrar na cidade de Deus, o Salvador concede a Seus seguidores os emblemas da vitória, conferindo-lhes as insígnias de sua condição real. As fileiras esplendentes são dispostas em forma de um quadrado aberto ao centro, em redor de seu Rei, que Se ergue majestosamente muito acima dos santos e anjos e de cujo rosto irradia benigno amor a todos.


Por toda a hoste inumerável dos resgatados, todos os olhares se acham fixos nEle, todos os olhos contemplam a glória dAquele cujo "parecer estava tão desfigurado, mais do que o de outro qualquer, e a Sua figura mais do que a dos filhos dos homens". Sobre a cabeça dos vencedores, Jesus com Sua própria destra põe a coroa de glória. Para cada um há uma coroa que traz o seu "novo nome" (Apoc. 2:17), e a inscrição: "Santidade ao Senhor." Em cada mão são colocadas a palma do vencedor e a harpa resplandecente. Então, ao desferirem as notas os anjos dirigentes, todas as mãos deslizam com maestria sobre as cordas da harpa, tirando-lhes suave música em ricos e melodiosos acordes. Indizível arrebatamento faz fremir todo coração, e toda voz se ergue em grato louvor: "Àquele que nos ama, e em Seu sangue nos lavou dos nossos pecados, e nos fez reis e sacerdotes para Deus e Seu Pai; a Ele glória e poder para todo o sempre." Apoc. 1:5 e 6.

Diante da multidão de resgatados está a santa cidade. Jesus abre amplamente as portas de pérolas, e as nações que observaram a verdade, entram. Ali contemplam o Paraíso de Deus, o lar de Adão em sua inocência. Então aquela voz, mais harmoniosa do que qualquer música que tenha soado já aos ouvidos mortais, é ouvida a dizer: "Vosso conflito está terminado." "Vinde, benditos de Meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo." Cumpre-se então a oração do Salvador por Seus discípulos:

"Aqueles que Me deste quero que, onde Eu estiver, também eles estejam comigo." "Irrepreensíveis, com alegria, perante a Sua glória" (Jud. 24), Cristo os apresenta a Seu Pai como a aquisição de Seu sangue, declarando: "Eis-Me aqui, com os fiIhos que Me deste." "Guardei aqueles que Me deste." Oh! maravilhas do amor que redime! transportes daquela hora em que o infinito Pai, olhando para os resgatados, contemplar Sua imagem, banida a discórdia do pecado, removida sua maldição, e o humano de novo em harmonia com o divino!

 

Com indizível amor Jesus dá as boas-vindas a Seus fiéis, para "o gozo do teu Senhor". O gozo do Salvador consiste em ver, no reino de glória, as almas que foram salvas por Sua agonia e humilhação. E os remidos serão participantes de Sua alegria, vendo eles, entre os bem-aventurados, os que foram ganhos para Cristo por meio de suas orações, trabalhos e sacrifícios de amor. Reunindo-se eles em redor do grande trono branco, indizível júbilo lhes encherá o coração ao contemplarem os que ganharam para Cristo, e verem que um ganhou a outros, e estes ainda outros, todos trazidos para o porto de descanso, para ali deporem sua coroa aos pés de Jesus e louvá-Lo pelos séculos intérminos da eternidade.

Ao serem os resgatados recebidos na cidade de Deus, ecoa nos ares um exultante clamor de adoração. Os dois Adões estão prestes a encontrar-se. O Filho de Deus Se acha em pé, com os braços estendidos para receber o pai de nossa raça - o ser que Ele criou e que pecou contra o seu Criador, e por cujo pecado os sinais da crucifixão aparecem no corpo do Salvador. Ao divisar Adão os sinais dos cruéis cravos, ele não cai ao peito de seu Senhor, mas lança-se em humilhação a Seus pés, exclamando: "Digno, digno é o Cordeiro que foi morto!" Com ternura o Salvador o levanta, convidando-o a contemplar de novo o lar edênico do qual, havia tanto, fora exilado.


Livro O Grando Conflito, Pags  645 - 647




quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

O Livramento dos Justos

 Ellen White

                       O Livramento dos Justos

GC - Pag. 635 

Quando a proteção das leis humanas for retirada dos que honram a lei de Deus, haverá, nos diferentes países, um movimento simultâneo com o fim de destruí-los. Aproximando-se o tempo indicado no decreto, o povo conspirará para desarraigar a odiada seita. Resolver-se-á dar em uma noite um golpe decisivo, que faça silenciar por completo a voz de dissentimento e reprovação.

O povo de Deus - alguns nas celas das prisões, outros escondidos nos retiros solitários das florestas e montanhas pleiteia ainda a proteção divina, enquanto por toda parte grupos de homens armados, instigados pelas hostes de anjos maus, se estão preparando para a obra de morte. 

É então, na hora de maior aperto, que o Deus de Israel intervirá para o livramento de Seus escolhidos. Diz o Senhor: "Um cântico haverá entre vós, como na noite em que se celebra uma festa; e alegria de coração, como daquele que sai tocando pífano, para vir ao monte do Senhor, à Rocha de Israel. E o Senhor fará ouvir a glória da Sua voz, e fará ver o abaixamento do Seu braço, com indignação de ira, e a labareda do Seu fogo consumidor, e raios e dilúvio e pedras de saraiva." Isa. 30:29 e 30.

Com brados de triunfo, zombaria e imprecação, multidões de homens maus estão prestes a cair sobre a presa, quando, eis, um denso negror, mais intenso do que as trevas da noite, cai sobre a Terra. Então o arco-íris, resplandecendo com a glória do trono de Deus, atravessa os céus, e parece cercar cada um dos grupos em oração. As multidões iradas subitamente se detêm. Silenciam seus gritos de zombaria. É esquecido o objeto de sua ira sanguinária. Com terríveis pressentimentos contemplam o símbolo da aliança de Deus, anelando pôr-se ao amparo de seu fulgor insuperável.

É ouvida pelo povo de Deus uma voz clara e melodiosa, dizendo: "Olhai para cima"; e, levantando os olhos para o céu, contemplam o arco da promessa. As nuvens negras, ameaçadoras, que cobriam o firmamento se fendem e, como Estêvão, olham fixamente para o céu, e vêem a glória de Deus, e o Filho do homem sentado sobre o Seu trono. Divisam em Sua forma divina os sinais de Sua humilhação; e de Seus lábios ouvem o pedido, apresentado ante Seu Pai e os santos anjos: "Aqueles que Me deste quero que, onde Eu estiver, também eles estejam comigo." João 17:24. Novamente se ouve uma voz, melodiosa e triunfante, dizendo: "Eles vêm! eles vêm! santos, inocentes e incontaminados. Guardaram a palavra da Minha paciência; andarão entre os anjos"; e os pálidos, trêmulos lábios dos que mantiveram firme a fé, proferem um brado de vitória.

É à meia-noite que Deus manifesta o Seu poder para o livramento de Seu povo. O Sol aparece resplandecendo em sua força. Sinais e maravilhas se seguem em rápida sucessão. Os ímpios contemplam a cena com terror e espanto, enquanto os justos vêem com solene alegria os sinais de seu livramento. Tudo na Natureza parece desviado de seu curso. As correntes de água deixam de fluir. Nuvens negras e pesadas sobem e chocam-se umas nas outras. Em meio dos céus agitados, acha-se um espaço claro de glória indescritível, donde vem a voz de Deus como o som de muitas águas, dizendo: "Está feito." Apoc. 16:17.

Essa voz abala os céus e a Terra. Há um grande terremoto "como nunca tinha havido desde que há homens sobre a Terra; tal foi este tão grande terremoto". Apoc. 16:18. O firmamento parece abrir-se e fechar-se. A glória do trono de Deus dir-se-ia atravessar a atmosfera. 

As montanhas agitam-se como a cana ao vento, e anfractuosas rochas são espalhadas por todos os lados. Há um estrondo como de uma tempestade a sobrevir. O mar é açoitado com fúria. 

Ouve-se o sibilar do furacão, semelhante à voz de demônios na missão de destruir. A Terra inteira se levanta, dilatando-se como as ondas do mar. Sua superfície está a quebrar-se. Seu próprio fundamento parece ceder. Cadeias de montanhas estão a revolver-se. Desaparecem ilhas habitadas. 

Os portos marítimos que, pela iniqüidade, se tornaram como Sodoma, são tragados pelas águas enfurecidas. A grande Babilônia veio em lembrança perante Deus, "para lhe dar o cálice do vinho da indignação da Sua ira". Apoc. 16:19 e 21. 

Grandes pedras de saraiva, cada uma "do peso de um talento", estão a fazer sua obra de destruição. As mais orgulhosas cidades da Terra são derribadas. Os suntuosos palácios em que os grandes homens do mundo dissiparam suas riquezas com a glorificação própria, desmoronam-se diante de seus olhos. As paredes das prisões fendem-se, e o povo de Deus, que estivera retido em cativeiro por causa de sua fé, é libertado.

Abrem-se sepulturas, e "muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno". Dan. 12:2. 

Todos os que morreram na fé da mensagem do terceiro anjo saem do túmulo glorificados para ouvirem o concerto de paz, estabelecido por Deus com os que guardaram a Sua lei. "Os mesmos que O traspassaram" (Apoc. 1:7), os que zombaram e escarneceram da agonia de Cristo, e os mais acérrimos inimigos de Sua verdade e povo, ressuscitam para contemplá-Lo em Sua glória, e ver a honra conferida aos fiéis e obedientes.

Densas nuvens ainda cobrem o céu; contudo o Sol de quando em quando irrompe, aparecendo como o olhar vingador de Jeová. Relâmpagos terríveis estalam dos céus, envolvendo a Terra num lençol de chamas. Por sobre o estrondo medonho do trovão, vozes misteriosas e terríveis declaram a sorte dos ímpios. As palavras proferidas não são compreendidas por todos; entendem-nas, porém, distintamente os falsos ensinadores. 

Os que pouco antes eram tão descuidados, tão jactanciosos e desafiadores, tão exultantes em sua crueldade para com o povo de Deus, observador dos mandamentos, acham-se agora vencidos pela consternação, e a estremecer de medo. Ouve-se o seu pranto acima do som dos elementos. Demônios reconhecem a divindade de Cristo, e tremem diante de Seu poder, enquanto homens estão suplicando misericórdia e rastejando em abjeto terror.

Disseram os profetas da antiguidade, ao contemplar em santa visão o dia de Deus: "Uivai, porque o dia do Senhor está perto; vem do Todo-poderoso como assolação." Isaías 13:6. "Entra nas rochas e esconde-te no pó, da presença espantosa do Senhor e da glória da Sua majestade. Os olhos altivos dos homens serão abatidos, e a altivez dos varões será humilhada; e só o Senhor será exaltado naquele dia. Porque o dia do Senhor dos exércitos será contra todo o soberbo e altivo, e contra todo o que se exalta, para que seja abatido." "Naquele dia o homem lançará às toupeiras e aos morcegos os seus ídolos de prata, e os ídolos de ouro, que fizeram para ante eles se prostrarem, e meter-se-á pelas fendas das rochas, pelas cavernas das penhas, por causa da presença espantosa do Senhor, e por causa da glória da Sua majestade, quando Ele Se levantar para assombrar a Terra." Isa. 2:10, 20 e 21.

Por uma fenda nas nuvens, fulgura uma estrela cujo brilho aumenta quadruplicadamente em contraste com as trevas. Fala de esperança e alegria aos fiéis, mas de severidade e ira aos transgressores da lei de Deus. Os que tudo sacrificaram por Cristo estão agora em segurança, como que escondidos no lugar secreto do pavilhão do Senhor. Foram provados, e perante o mundo e os desprezadores da verdade, evidenciaram sua fidelidade Àquele que por eles morreu. Uma mudança maravilhosa sobreveio aos que mantiveram firme integridade em face mesmo da morte. Foram subitamente libertos da negra e terrível tirania de homens transformados em demônios. Seu rosto, pouco antes tão pálido, ansioso e descomposto, resplandece agora de admiração, fé e amor. Sua voz ergue-se em cântico triunfal: "Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia. Pelo que não temeremos, ainda que a Terra se mude, e ainda que os montes se transportem para o meio dos mares. Ainda que as águas rujam e se perturbem, ainda que os montes se abalem pela sua braveza." Sal. 46:1-3.

Enquanto estas palavras de santa confiança ascendem a Deus, as nuvens recuam, e se vêem os constelados céus, indescritivelmente gloriosos em contraste com o firmamento negro e carregado de cada lado. A glória da cidade celestial emana de suas portas entreabertas. 

Aparece então de encontro ao céu uma mão segurando duas tábuas de pedra dobradas uma sobre a outra. Diz o profeta: "Os céus anunciarão a Sua justiça; pois Deus mesmo é o juiz." Salmo 50:6. Aquela santa lei, a justiça de Deus, que por entre trovões e chamas foi do Sinai proclamada como guia da vida, revela-se agora aos homens como a regra do juízo. 

A mão abre as tábuas, e vêem-se os preceitos do decálogo, como que traçados com pena de fogo. As palavras são tão claras que todos as podem ler. Desperta-se a memória, varrem-se de todas as mentes as trevas da superstição e heresia, e os dez preceitos divinos, breves, compreensivos e autorizados, apresentam-se à vista de todos os habitantes da Terra.

É impossível descrever o horror e desespero dos que pisaram os santos mandamentos de Deus. O Senhor lhes deu Sua lei; eles poderiam haver aferido seu caráter por ela, e conhecido seus defeitos enquanto ainda havia oportunidade para arrependimento e correção; mas, a fim de conseguir o favor do mundo, puseram de parte seus preceitos e ensinaram outros a transgredir. Esforçaram-se por compelir o povo de Deus a profanar o Seu sábado. Agora são condenados por aquela lei que desprezaram. Com terrível clareza vêem que se acham sem desculpas. Escolheram a quem servir e adorar. "Então vereis outra vez a diferença entre o justo e o ímpio; entre o que serve a Deus, e o que O não serve." Mal. 3:18.

Os inimigos da lei de Deus, desde o ministro até ao menor dentre eles, têm nova concepção da verdade e do dever. Demasiado tarde vêem que o sábado do quarto mandamento é o selo do Deus vivo. Tarde demais vêem a verdadeira natureza de seu sábado espúrio, e o fundamento arenoso sobre o qual estiveram a construir. Acham que estiveram a combater contra Deus. 

Ensinadores religiosos conduziram almas à perdição, ao mesmo tempo que professavam guiá-las às portas do Paraíso. Antes do dia do ajuste final de contas, não se conhecerá quão grande é a responsabilidade dos homens no mister sagrado, e quão terríveis são os resultados de sua infidelidade. Somente na eternidade poderemos com acerto avaliar a perda de uma única alma. Terrível será a condenação daquele a quem Deus disser: Retira-te, mau servo.

A voz de Deus é ouvida no Céu, declarando o dia e a hora da vinda de Jesus e estabelecendo concerto eterno com Seu povo. Semelhantes a estrondos do mais forte trovão, Suas palavras ecoam pela Terra inteira. O Israel de Deus fica a ouvir, com o olhar fixo no alto. Têm o semblante iluminado com a Sua glória, brilhante como o rosto de Moisés quando desceu do Sinai. Os ímpios não podem olhar para eles. E, quando se pronuncia a bênção sobre os que honraram a Deus, santificando o Seu sábado, há uma grande aclamação de vitória.

Surge logo no Oriente uma pequena nuvem negra, aproximadamente da metade do tamanho da mão de um homem. É a nuvem que rodeia o Salvador, e que, a distância, parece estar envolta em trevas. O povo de Deus sabe ser esse o sinal do Filho do homem. Em solene silêncio fitam-na enquanto se aproxima da Terra, mais e mais brilhante e gloriosa, até se tornar grande nuvem branca, mostrando na base uma glória semelhante ao fogo consumidor e encimada pelo arco-íris do concerto. Jesus, na nuvem, avança como poderoso vencedor. Agora, não como "Homem de dores", para sorver o amargo cálice da ignomínia e miséria, vem Ele vitorioso no Céu e na Terra para julgar os vivos e os mortos. "Fiel e verdadeiro", Ele "julga e peleja em justiça." E "seguiram-nO os exércitos no Céu". Apoc. 19:11 e 14. Com antífonas de melodia celestial, os santos anjos, em vasta e inumerável multidão, acompanham-nO em Seu avanço. O firmamento parece repleto de formas radiantes - milhares de milhares, milhões de milhões. Nenhuma pena humana pode descrever esta cena, mente alguma mortal é apta para conceber seu esplendor. "A Sua glória cobriu os céus" e a Terra encheu-se do Seu louvor. E o Seu resplendor era como a luz." Hab. 3:3 e 4. Aproximando-se ainda mais a nuvem viva, todos os olhos contemplam o Príncipe da vida. Nenhuma coroa de espinhos agora desfigura a sagrada cabeça, mas um diadema de glória repousa sobre a santa fronte. O semblante divino irradia o fulgor deslumbrante do Sol meridiano. "E no vestido e na Sua coxa tem escrito este nome: Rei dos reis e Senhor dos senhores." Apoc. 19:16.

À Sua presença "se têm tornado macilentos todos os rostos"; sobre os que rejeitaram a misericórdia de Deus cai o terror do desespero eterno. "Derrete-se o coração, e tremem os joelhos", "e os rostos de todos eles empalidecem." Jer. 30:6; Naum 2:10. Os justos clamam, a tremer: "Quem poderá subsistir?" Silencia o cântico dos anjos, e há um tempo de terrível silêncio. Ouve-se, então, a voz de Jesus, dizendo: "A Minha graça te basta." Ilumina-se a face dos justos, e a alegria enche todos os corações. E os anjos entoam uma melodia mais forte, e de novo cantam ao aproximar-se ainda mais da Terra.

O Rei dos reis desce sobre a nuvem, envolto em fogo chamejante. Os céus enrolam-se como um pergaminho, e a Terra treme diante dEle, e todas as montanhas e ilhas se movem de seu lugar. "Virá o nosso Deus, e não Se calará; adiante dEle um fogo irá consumindo, e haverá grande tormenta ao redor dEle. Chamará os céus, do alto, e a Terra para julgar o Seu povo." Sal. 50:3 e 4.

"E os reis da Terra e os grandes, e os ricos, e os tribunos, e os poderosos, e todo o servo, e todo o livre, se esconderam nas cavernas e nas rochas das montanhas; e diziam aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós, e escondei-nos do rosto dAquele que está assentado sobre o trono, e da ira do Cordeiro; porque é vindo o grande dia da Sua ira; e quem poderá subsistir?" Apoc. 6:15-17.

Cessaram os gracejos escarnecedores. Cerraram-se os lábios mentirosos. O choque das armas, o tumulto da batalha "com ruído, e os vestidos que rolavam no sangue" (Isa. 9:5), silenciaram. Nada se ouve agora senão a voz de orações e o som do choro e lamentação. Dos lábios que tão recentemente zombavam irrompe o clamor: "É vindo o grande dia da Sua ira; e quem poderá subsistir?" Os ímpios suplicam para que sejam sepultados sob as rochas das montanhas, em vez de ver o rosto dAquele que desprezaram e rejeitaram.

Aquela voz que penetra no ouvido dos mortos, eles a conhecem. Quantas vezes seus ternos e suplicantes acentos os chamaram ao arrependimento! Quantas vezes foi ela ouvida nos rogos tocantes de um amigo, um irmão, um Redentor! Para os que rejeitaram Sua graça, nenhuma outra voz poderia ser tão cheia de censura, tão carregada de denúncias, como aquela que durante tanto tempo assim pleiteou: "Convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois por que razão morrereis?" Ezeq. 33:11. Quem dera para eles fosse a voz de um estranho! Diz Jesus: "Clamei, e vós recusastes; porque estendi a Minha mão, e não houve quem desse atenção; antes rejeitastes todo o Meu conselho, e não quisestes a Minha repreensão." Prov. 1:24 e 25. Aquela voz desperta memórias que eles desejariam ardentemente se desvanecessem - advertências desprezadas, convites recusados, privilégios tidos em pouca conta.

Ali estão os que zombaram de Cristo à Sua humilhação. Com uma força penetrante lhes ocorrem as palavras do Sofredor, quando, conjurado pelo sumo sacerdote, declarou solenemente: "Vereis em breve o Filho do homem assentado à direita do poder, e vindo sobre as nuvens do céu." Mat. 26:64. Agora O contemplam em Sua glória, e ainda O devem ver assentado à direita do poder.

Os que escarneceram de Sua declaração de ser Ele o Filho de Deus, estão agora mudos. Ali está o altivo Herodes, que zombou de Seu título real, mandando os soldados zombadores coroá-Lo rei. Estão ali os mesmos homens que com mãos ímpias Lhe colocaram sobre o corpo o manto de púrpura, e sobre a fronte sagrada a coroa de espinhos, e na mão, que não opunha resistência, um simulacro de cetro, e diante dEle se curvavam em zombaria blasfema. Os homens que bateram e cuspiram no Príncipe da vida, agora se desviam de Seu penetrante olhar, procurando fugir da subjugante glória de Sua presença. Aqueles que introduziram os cravos através de Suas mãos e pés, o soldado que Lhe feriu o lado, contemplam esses sinais com terror e remorso.

Com terrível precisão sacerdotes e príncipes recordam-se dos acontecimentos do Calvário. Estremecendo de horror, lembram-se de como, movendo a cabeça em satânica alegria, exclamaram: "Salvou os outros e a Si mesmo não pode salvar-Se. Se é o Rei de Israel, desça agora da cruz, e creremos nEle; confiou em Deus; livre-O agora, se O ama." Mat. 27:42 e 43.

Vividamente relembram a parábola dos lavradores que se recusaram a entregar a seu senhor o fruto da vinha, maltrataram seus servos, e lhe mataram o filho. Lembram-se também da sentença que eles próprios pronunciaram: O senhor da vinha "dará afrontosa morte aos maus". No pecado e castigo daqueles homens infiéis, vêem os sacerdotes e anciãos seu próprio procedimento e sua própria justa condenação. E, agora, ergue-se um clamor de agonia mortal. Mais alto do que o grito - "Crucifica-O, crucifica-O", que repercutiu pelas ruas de Jerusalém, reboa o pranto terrível, desesperado: "Ele é o Filho de Deus! Ele é o verdadeiro Messias!" Procuram fugir da presença do Rei dos reis. Nas profundas cavernas da Terra, fendida pela luta dos elementos, tentam em vão esconder-se.


(Continua no próximo post)


Do Livro O Grande Conflito, Pags 635 - 644

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