segunda-feira, 13 de abril de 2015

O FRUTO DO ESPÍRITO


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O  FRUTO  DO  ESPÍRITO

Um grupo de homens estava esperando em uma doca do rio Tâmisa em Londres desde as cinco da manhã, em uma manhã de inverno terrivelmente fria. Juntos com outros grupos eles tinham sido escolhidos para descarregar um cargueiro atracado ali. Faziam isto equilibrando um carrinho da mão sobre tábuas que iam da doca até um barco menor e dali até o cargueiro. Entre os homens estava um pastor, mas os outras não sabiam disto. Ele estava muito interessada no pessoal daquela área da cidade, e chegou à conclusão que a única maneira de fazer contato com eles seria trabalhar entre eles. Vestido como eles, ele se recusava até a beber uma xícara de chá quente antes de sair de casa, porque sabia que a maioria dos homens que estariam na doca aquele dia à procura de trabalho não teriam tido este conforto, nem estariam adequadamente vestidos. Saiu até sem casaco.
Antes de conseguir trabalho experimentou o que significa ser tratado como estranho. Ficou sabendo o que é ficar o dia todo de pé no frio e na neblina, para receber a informação de que não havia emprego. Aqueles homens voltavam para o que chamavam de casa sem ter um pedaço de pão a oferecer às suas famílias famintas.
Aquele dia ele tinha tido sorte e foi contratado. Quando passava pela décima segunda vez pelas tábuas com seu carrinho de mão carregado, ele escorregou e perdeu o equilíbrio, caindo no Tâmisa em meio a gargalhadas que vinham de todo lado.
Lutando contra seu temperamento, conseguiu ficar de pé depois de alguma dificuldade, sorrindo. Um dos homens (o que tinha balançada a tábua, fazendo-o cair) tinha gritado "homem ao mar", e estava parado ali, rindo. Vendo o pastor disfarçado tentando de bom humor se livrar da lama, algum impulso melhor fez com que ele jogasse algumas caixas vazias no lodo, pulando nelas para ajudar o homem a sair. A primeira observação sua confirmou a atitude do pastor que o Espírito Santo tinha causado:
– Você não levou a mal, não é? – ele disse enquanto ajudava o pastar a subir nas caixas. Ele não tinha falado no dialeto dos que moram nos bairros pobres de Londres, de modo que não deveria ser um estivador comum.
– Você não parece estar muito tempo neste ramo, respondeu o pastor.
– Nem você – retrucou o que antes o tinha jogado na lama e agora estava ajudando-o a sair. O pastor concordou, e convidou o outro para ir com ele até a sua pensão.
Durante a conversa o pastor descobriu surpreso que aquele homem tinha sido um médico de sucesso, mas que perdeu sua clínica e sua família por beber demais. O fim da história foi que o pastar pôde levar este homem a Cristo e também vê-lo novamente junto dos seus amados.
Isto talvez ilustre o que é o fruto do Espírito. Se a vida fosse sempre um mar de rosas, as pessoas sempre amáveis e gentis, se nunca tivéssemos dores de cabeça nem sofrêssemos de cansaço ou sob pressões terríveis talvez o fruto do Espírito nem aparecesse.
Mas a vida não é assim. No meio das dificuldades e do sofrimento é que mais precisamos do fruto do Espírito, e é nestas ocasiões que Deus pode atuar através de nós de maneira especial para levar outras pessoas a Cristo. Quando temos em nós o fruto do Espírito outros verão em nós "a imagem de seu Filho" (Rom. 8:29) e serão atraídos para o Salvador.
Não é por acaso que a Escritura chama a Terceira Pessoa da Trindade de Espírito Santo. Uma das funções principais do Espírito Santo é repartir conosco a santidade de Deus, o que Ele faz desenvolvendo em nós um caráter semelhante a Cristo – um caráter marcado pelo fruto do Espírito. O propósito de Deus é que nós nos tornemos "pessoas maduras, crescendo até alcançarmos a altura espiritual de Cristo" (Efés. 4:13, BLH).

Fruto: é o que Deus Espera de Nós

Deus Espírito Santo usa freqüentemente na Escritura a palavra fruto para indicar o que Ele espera do Seu povo quanto ao caráter. Nos capítulos sobre os dons do Espírito Santo constatamos que os crentes receberam vários dons. Eu posso ter algum dom que outras não têm, e eles terão dons que eu não tenho. Mas quando chegamos ao que a Bíblia ensina sobre o fruto do Espírito vemos que esta é a diferença entre os dons do Espírito e o fruto do Espírito.
O fruto do Espírito não é dividido entre os crentes, como os dons do Espírito. Todos os cristãos devem ter todo o fruto do Espírito. Deus espera isto de nós; podemos ver isto claramente em diversas passagens da Escritura. Em Mateus 13 encontramos a conhecida parábola do semeador. Seu trabalho parece ser o de alguém que anuncia a Palavra de Deus – pastor, mestre, evangelista ou qualquer outro crente. Um pouco da semente cai na beira do caminho, onde os pássaros a comem; um pouco cai entre pedras e seca ao Sol; alguns grãos crescem entre os espinhos, e estes os sufocam. O restante cai em terra boa, cresce e produz em abundância. Da mesma forma você e eu devemos produzir fruto, à medida que a Palavra de Deus começa a atuar em nós no poder do Espírito.
Fato interessante é que a Bíblia fala do fruto do Espírito, e não de frutos. Uma macieira pode produzir muitas maçãs, mas todas vêm da mesma árvore. Semelhantemente o Espírito Santo é a origem de todo fruto em nossa vida.
Em termos mais simples podemos dizer assim: a Bíblia ensina que nós precisamos que o Espírito Santo traga fruto em nosso vida, porque não podemos nos tornar parecidos com Jesus sem o Espírito. Nós estamos cheios de desejos egocêntricos e egoístas, opostos à vontade de Deus para nossa vida. Em outras palavras, duas coisas precisam acontecer em nossa vida: uma, que o pecado tem de ser expulso da nossa vida; outra, que o Espírito Santo precisa entrar e nos encher, e produzir o fruto do Espírito. "Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena: ... revesti-vos, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade" (Col. 3:5, 12, grifo meu).
Deixe-me usar uma ilustração. Muitas pessoas têm uma cerca ao redor da sua usa, com um portão para entrar e sair. O portão tem utilidade dupla: serve para deixar alguém entrar, ou para manter alguém fora.
A nossa vida é espiritualmente como este portão. Em nós há todo tipo de coisas erradas e que desagradam a Deus. Precisamos pôr estas coisas para fora e deixar o Espírito Santo entrar para controlar o centro da nossa vida. Nós não temos força nem para abrir o portão. Só o Espírito Santo pode fazê-lo, e quando Ele o faz – quando nos entregamos a Ele e pedimos que Ele nos encha – Ele não só entra mas também ajuda a jogar fora todas as coisas más. Ele controla o portão, e à medida que vai purificando o coração da sua maldade. Ele pode introduzir novas atitudes, nova motivação, devoção e amor. Ele também reforça o portão, Para que o mal não possa arrombá-lo. Assim, as obras da carne vão embora e o fruto do Espírito entra. A Escritura diz que o Espírito Santo quer que demos fruto – mais fruto, muito fruto até.
Manford George Gutzke, em seu livro The Fruit of the Spirit (O Fruto do Espírito) compara o fruto do Espírito à luz: "Em cada raio de luz solar temos todas as cores do arco-íris. Elas estão sempre presentes, mesmo quando não as vemos separadamente. Não precisamos imaginar uma por uma quando vemos a luz. Da mesma forma que as cores do arco-íris estão no raio de luz, estes traços de conduta pessoal estão na atuação do Espírito Santo."1

Como Cresce o Fruto

Como o Espírito Santo faz para que nossa vida produza o fruto do Espírito? Duas passagens da Escritura nos ajudarão a responder a esta pergunta.
A primeira passagem é o Salmo 1, que compara o homem de Deus com uma árvore plantada às margens de um rio: "O seu prazer está na lei de Deus, e nesta lei ele medita dia e noite. Esse homem é como uma árvore que cresce na beira de um riacho; ela dá frutas no tempo certo, e suas folhas não murcham. E tudo o que esse homem faz dá certo" (Salmo1:2, 3, BLH). Nesta passagem, dar fruto está relacionado diretamente à importância que a Palavra de Deus tem para nós (observe que não está escrito , mas medita). À medida que lemos e meditamos na Bíblia, o Espírito Santo – que inspirou a Bíblia, como sabemos – vai nos convencendo de pecados que precisam ser erradicados e nos dirige ao padrão de vida que Deus quer para nós. Sem a Palavra de Deus não pode haver crescimento espiritual duradouro nem produção de frutos em nossa vida.
A segunda passagem encontrarmos em João 15, onde Jesus compara nosso relacionamento com Ele com os ramos de uma videira. "Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. Como não pode o ramo produzir fruto de si mesmo, se não permanecer na videira; assim nem vós o podeis dar, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira, vós os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer" (João 15:4, 5).
Esta passagem abriga muitas verdades maravilhosas, mas há algumas coisas que devemos destacar. A primeira é uma ordem para cada crente: "Permanecei em mim." Isto quer dizer que devemos ter o relacionamento mais próximo e íntimo possível com Cristo, sem nada entre Ele e nós. Por isso oração, estudo bíblico e comunhão com outros crentes devem ser tão importantes.
Diz-nos também que só podemos produzir fruto se permanecermos em Cristo: "Sem mim nada podeis fazer". Pode ser que usemos os dons do Espírito mesmo sem estar em comunhão com o Senhor. Mas não podemos dispor do fruto do Espírito quando nossa união com Cristo foi interrompida pelo pecado. Vemos daí como é crucial ser cheio do Espírito, e nós estamos cheios quando permanecemos em Cristo, a videira. O segredo para permanecer é obediência. Se nós permanecemos em Cristo, vivendo de maneira obediente, a vida de Cristo flui para dentro de nós (como a seiva da árvore, que dá vida aos ramos), produzindo fruto para a glória do Pai, e para alimentar e abençoar outros.
Eu creio que há algo neste relacionamento que não podemos entender de todo. Se nós perguntássemos a um ramo de uva branca: 
– Como você faz para ter frutos tão deliciosos? – provavelmente o ramo responderia:
– Eu não sei. Eu não fiz crescer nenhum deles. Eu só os carrego. Se você me cortar do pé de uvas eu secarei e não terei mais utilidade.
Sem a videira o ramo não pode fazer nada. Assim também acontece conosco. Enquanto eu me esforçar e trabalhar para conseguir produzir o fruto do Espírito, ficarei frustrado e sem fruto. Mas se eu permaneço em Cristo mantendo um relacionamento íntimo, obediente e dependente com Ele Deus Espírito Santo atua em minha vida, produzindo em mim o fruto do Espírito. Isto não quer dizer que vamos ficar maduros instantaneamente, imediatamente cheios do fruto do Espírito. Qualquer fruto precisa de tempo para amadurecer, talvez até alguma poda se faça necessária, antes de aparecerem frutos em quantidade.
Minha esposa e eu gostamos muito das árvores bonitas que há ao redor da nossa casa na Carolina do Norte. No outono quase todas as folhas caem e são levadas pela vento, mas milhares das velhas folhas ficam presas nos galhos durante todo o inverno. Quando a seiva começa novamente a correr novas folhas surgem – e vida e poder pulsam em cada galho. E ninguém percebe que todas as folhas velhas caem. Este é o quadro do cristão! "As coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas" (2 Cor. 5:17).
Além disto a cada verão nós cortamos algumas árvores que impedem a visão ou bloqueiam a luz do Sol. Outras foram muito prejudicadas pelas tempestades de inverno. Em nossa vida também temos árvores que precisam do machado – que estão apodrecendo ou estragando o panorama. Jesus disse: "Toda planta que meu Pai celestial não plantou, será arrancada" (Mat. 15:13). Em nosso terreno temos poucas árvores frutíferas. Das que trazem os melhores frutos nós cuidamos mais – podando-as, adubando-as, pulverizando-as com inseticida no tempo certo. Uma árvore boa continua dando bons frutos, e deve ser mantida. Mas cortar ou não uma árvore depende da distinção que Jesus fez. Ele disse: "Pelos seus frutos os conhecereis" (Mat. 7:20).
Temos também alguns pés de uva. Em alguns anos colhemos somente algumas uvas pequenas, para nas. Mas nem por isto cortamos as videiras. Pelo contrário, cuidamos bem delas. E no próximo ano elas trarão mais e melhores frutos. De maneira semelhante, à medida que o Espírito Santo vai podando o que não presta em nassa vida, os ramos da videira, espiritualmente falando, vão ficando mais úteis na produção de mais fruto espiritual.
Na figura de João 15 o Senhor Jesus é a videira, nós os ramos e Deus o agricultor, ou jardineiro.
No versículo três lemos: "Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado", ou, como J. B. Phillips traduz: "Agora vocês já foram podados pelas minhas palavras". Não há melhor maneira de o filho de Deus ser podado que pelo estudo e pela aplicação da Bíblia em sua própria vida e sua situação. Deus pode nos corrigir, nos dizer onde nós nos enganamos e nos perdemos, sem nos desencorajar.

Em Atos lemos de Apolo, que cativou o coração de Áquila e Priscila com seu zelo, seu amor e seu dom de oratória, Mas ele era imaturo e despreparado para levar outros a uma vida cristã mais profunda. Seu progresso não tinha passado dos ensinos de João Batista. E este casal, ao invés de rir da sua ignorância e desprezar sua falta de compreensão da verdadeira ortodoxia bíblica, levou-o para casa e, com amor, lhe expuseram melhor o caminho do Senhor (Atos 18:26). Depois ele começou a usar seus dons para a glória de Deus, ganhando almas. Deixou uma impressão indelével na Igreja Primitiva, e ajudou a espalhar o reino de Deus no primeira século. 
Você permanece em Cristo? Esta é a correição básica que Deus estabelece para podermos produzir o fruto do Espírito. Há em Sua vida algum pecado inconfesso que o impede de andar mais perto de Cristo? Falta-lhe disciplina? Há algum relacionamento prejudicado com alguém, que precisa ser posto em ordem? Seja qual for a causa, traga-a a Cristo, confessando-a arrependido. E então experimente o que quer dizer "permanecei em mim" cada dia.

Billy Graham 
O fruto do Espírito pags, 

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